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Contingência de Guerra? Ou Desumanização Pura e Simples?

 Uma guerra, sempre será uma guerra! As vezes ela existe, mas não é declarada. Seja de qualquer forma produz frutos terríveis. Atualmente a guerra moderna muitas vezes não são exércitos contra exércitos, mas na Segunda Guerra Mundial ficava claro, praticamente em todos os casos, quem era o inimigo e quem era apenas um inocente; quem era beligerante e quem neutro. No âmbito humano, a primeira característica de uma guerra é exatamente a desumanização dos combatentes, é o que muitos chamam de “perder a alma”, é quando a morte é algo corriqueiro e sem valor, que faz parte da guerra! É o que dizem!

Infelizmente mais de 70 anos depois da Segunda Guerra Mundial ainda é uma máxima no contexto militar, contudo a observância da proteção civis inocente também consta no código de conduta de qualquer exército. Mas, infelizmente nem todos respeitam ou respeitaram. Ainda precisamos evoluir, e muito!

Warsaw, 14 de setembro de 1939

Uma sequencia de fotos tirada por Julien Bryen, fotográfo, cinegrafista e documentarista americano.

Ele relata o seguinte:

“Sete mulheres estavam plantando batatas em um campo. Não havia comida em sua região, e elas estavam desesperadas por comida. De repente dois aviões alemães apareceram do nada e lançaram duas bombas aos duzentos metros de distância, em uma pequena casa. Duas mulheres na casa foram mortas. As agricultoras de batatas se jogaram no chã, não esperança de passarem despercebidas. Depois do bombardeio as mulheres retornaram ao trabalho. Elas precisavam de comida. Mas os pilotos nazistas não estavam satisfeitos com o trabalho. Em alguns minutos eles estavam voltando e mergulhando novamente para um novo ataque, desta vez limpando o campo com rajadas de metralhadora. Duas das sete mulheres que estavam no campo foram mortas. As outras cinco escaparam por pouco.

Enquanto eu fotografava os corpos, um pequena garota, aproximadamente dez anos, corria transtornada em direção ao corpo de sua irmã mais velha. A criança nunca tinha visto a morte e não entendia porque sua irmã não respondia a ela…

A criança nos olhava desnorteada. E joguei meus braços sobre ela e segurei-a firme, tentando confortá-la. Ela chorava. Eu confortava-a com dois oficiais poloneses que me acompanhavam.”

Dia D – Relatos de Omaha – Parte III – Quem fez a diferença

O sargento John Ellery do 16º Regimento foi um líder. Quando ele chegou a zona de seixos, “tive de perscrutar através de uma névoa de suor, fumaça, poeira e cerração”. Ao sei lado havia uma um homem morto, outro atrás dele. Os sobreviventes se reuniram ao seu redor. “Eu lhe disse que tínhamos de sair da praia e que eu iria à frente”. Dito e feito. Quando ele chegou à base do penhasco, começou a subir, seguido de quatro ou cinco homens. Mas ou menos, no meio do caminho, uma metralhadora à direita abriu fogo sobre eles.

“Saí correndo e fui me esquivando até que cheguei a dez metros da posição da metralhadora. Em seguida lancei minhas quatro granadas de fragmentação. Quando a última explodiu, fiz uma investida para o cimo. Os outros garotos estavam bem atrás de mim e juntos conseguimos o intento. Não sei se pus fora de combate a guarnição daquela metralhadora mas ela parou de atirar. Aquelas granadas foram todo o fogo que retornei. Não disparei um único tiro do meu fuzil ou da minha pistola”.

Fazendo o relato, Ellery falou de liderança. “Depois da guerra”, disse ele, “li sobre um certo número de generais e coronéis que, segundo diz, andaram ora aqui ora ali exortando as tropas a avançar. Isto deve ter sido muito inspirador. Suspeito, todavia, que os homens ficaram mais interessados e mais impressionados pelos oficiais subalternos e suboficiais que estavam dispostos a liderá-los do que pelo fato de algum general indicar a direção que eles deviam seguir”

Dando maior calor ao assunto, Ellery prosseguiu: “Não vi nenhum general na minha área da praia, mas vi um capitão e dois tenentes que demonstraram uma coragem incrível quando lutavam para pôr ordem no caos em torno deles.” Aqueles oficiais conseguiram organizar alguns homens e fazê-los subir o penhasco. Um dos tenentes quebrara um braço que pendia molemente ao seu lado, mas conseguiu levar um grupo de sete até o cimo, mesmo tendo sido atingido de novo no percurso. Outro tenente conduziu um de seus homens ferido trinta metros antes de ser ele próprio atingido.

“Quando você fala de liderança em combate, sob fogo, na praia da Normandia”, concluiu Ellery, “não vejo como o crédito possa ir para qualquer outro que não os oficiais de nível companhia e sargentos antigos que tomaram a iniciativa. É bom lembrar que existem tais homens,  e sempre existirão. À vezes esquecemos, creio eu, que você pode fabricar armas, e pode comprar munição, mas não pode comprar bravura e não pode tirar heróis de uma linha de montagem”

Depoimento de John Ellery – Eisenhower Center

 

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Os Motivos da Segunda Guerra Mundial

Há muito, temos uma onda de pensamentos e pesquisas sobre as causas e origens da Segunda Guerra Mundial, evidentemente é mais do que compreensível o interesse pelo assunto, haja vista suas conseqüências em todas as áreas de conhecimento da humanidade, até os nossos dias. Mas perguntas básicas sobre esse evento catastrófico ainda geram controvérsias que dividem opinião de historiadores, pesquisados e aficionados pelo assunto; perguntas como: quais as principais causas que levaram o novo confronto entre nações que estavam em guerra a menos de trinta anos? O nazismo foi um fenômeno político que gerou conseqüências sociais, e sua ascensão foi o principal motivo das agressões alemãs? Adolf Hitler foi um principal agente dos acontecimentos? Essas e muitas outras perguntas deixam repostas ainda encobertas por dúvidas e divisões. É Evidente que este artigo não tem a intenção de esclarecer qualquer questionamento, contudo queremos refletir sobre um prisma diferente das que são comumente usadas para avaliar os eventos que conhecemos como Segunda Guerra Mundial.

Estudar os acontecimentos relacionados à Segunda Guerra Mundial, em termos gerais, é consolidar informações que vão dos resultados econômicos do Tratado de Versalhes, que deu origem a opressão econômica das nações Aliadas contra a Alemanha, e consequentemente seus reflexos sociais com o surgimento do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores, da Alemanha, que ficou conhecido como Nazismo, e uma reflexão das posições internacionais e a concorrência armamentista de países europeus e asiáticos. Bem, sob os aspectos históricos não há nenhum problema, contudo é importante se estudar a sociedade da época de forma mais profunda, incluindo os valores defendidos pela sociedade da época e suas crenças políticas, sociais e filosóficas, e não se deixar levar por temas superficiais que são meros resultados dos desdobramentos referenciados no período.

Primeiro é necessário se pensar qual era o pensamento social comum, chamado pelos sociólogos de senso comum, sobre assuntos que foram explorados de alguma forma pelo pelos Nazistas e Aliados durante seu estado de beligerância. Vamos analisar os seguintes tópicos:

Racismo

Racismos nos termos acadêmicos é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outra. Embora essa palavra tenha evoluído e sua utilização moderna tem se desdobrado imensamente, em termos gerais, o significado era exatamente esse no final do século XIX e início do século XX.

Todavia, para surpresa de muitos, essa palavra não era um pensamento ou atitude reprovável pela sociedade e isso perdurou por décadas até as mudanças de conceitos que foram sendo implementadas a partir dos anos 50, mas nesse período todas as nações, das mais democráticas as grandes ditaduras, possuíam formas de racismo aceitas como comum pela sociedade. Alguns exemplos claros disso: soldados americanos negros, índios e nipônicos lutaram por seus países, mas não podiam frequentar, morar ou andar em determinados lugares, bairros e ruas nos Estados Unidos que se auto denominavam defensores da justiça e liberdade, e isso ainda hoje fica evidente em determinadas regiões desse país; os próprios judeus eram considerados raça inferior, povo indigno de ter uma nação, pela maioria dos países onde habitavam, e esse pensamento era secular; negros, mesmo com a libertação da escravidão desde o século XIX, não eram reconhecidos como “homens”; O francês Joseph Arthur de Gobineau, o Conde Gobineau, Essai sur l’inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas). Nessa obra o autor sustenta que a raça ariana nasceu a aristocracia que dominou a civilização européia e cujos descendentes eram os senhores naturais das outras raças inferiores.

Todo o processo de idéia comum de raças superiores e discriminação étnica foi permissivo nas posições hitleristas, já que outros povos toleravam ou compactuavam com esse tipo de pensamento. Isso nos fornece indícios de que entre a tolerância e a permissividade do racismo exercido por vários povos, que vai do início das agressões nazista até sua capitulação, passando por indignação, muitas vezes hipócritas dos Aliados, que descobriram os campos de concentração nazistas e se indignavam, como é o caso da União Soviética, que praticava a execução seletiva havia anos, ou os americanos que possuíam campos de refugiados que simplesmente retiravam do convívio social os descendentes nipônicos, ou outros países que adotava leis sionistas estabelecidas. Evidente, guardando as devidas proporções com as disparates nazista e a industrialização da execução, mas temos que levar em consideração que a Alemanha só adotou um plano de execução em larga escala, quando os rumos da guerra já não os favoreciam, contudo no mundo de uma forma geral, o sistema social era completamente permissivo e conivente com a descriminação racial e religiosa, aceita ou praticada pela sociedade mundial de forma generalizada.

O sistema de governo

Importante elemento na composição da pesquisa histórica de qualquer período pelo fato de não existir, ainda que no século XX, qualquer exemplo de sistema de governo que conseguisse acabar com os males econômicos e sociais de um país (como ainda o é atualmente). A partir da década de 20, observamos tentativas de se implementar sistemas de governos baseado no socialialismo marxista dos filósofos Karl Marx e Friedrich Engels. Primeiramente com a queda do czarismo russo em 1917 e que aos poucos, foi colecionando seguidores ao redor do mundo, entre eles a própria Alemanha, que possui um partido comunista atuante. Mas de uma forma geral, o socialismo exercido pela URSS foi transformada em uma república stalinista, onde o próprio Joseph Stálin era o centro do poder. Um exemplo de república socialista mais próxima do marxismo foi a Finlândia, que por motivos territoriais acaba entrando em guerra com a URSS.

Não existia um sistema governamental referência de sucesso, a monarquia já não servia de parâmetro, pois o rei ou imperador, na maioria dos países que adotavam a monarquia, já se tornara objeto meramente cerimonial; a república capitalista, aos moldes americanos, ainda apresentavam sérios problemas, principalmente depois da queda da bolsa de valores de 1929. E logo depois, na década de 30, uma série de países passou a experimentar um totalitarismo moldados pelo argumento nacionalista como respaldo, por isso, como exemplo desse fenômeno para solução dos problemas econômicos e sociais, o Nacional Socialismo angaria apoio popular e vai ao poder legitimamente na Alemanha; na Itália, Benedito Mussolini cria o fascismo; no Brasil Vargas implanta o Estado Novo.  Enfim, ocorre um fenômeno de militarização de várias nações.

Demais Problemas

É necessário também entender que a máquina de propaganda nazista foi a primeira experiência de manipulação de massa da humanidade, o arquiteto Paul Joseph Goebbels, como ministro da propagada seduzia o povo alemão e massificava a idéia da superioridade ariana e a necessidade da nação ter um líder, um homem que pudesse ser o catalisador dos anseios da povo, nasce o lema: um só povo, um só líder uma só nação.

Os resultados

Associe os fatores citados anteriormente aos problemas econômicos mundiais da época, também as relações agressivas das nações européias e os problemas históricos envolvendo nações asiáticas.

Conclusão

Não podemos elencar apenas um fator preponderante na eclosão da guerra em 39, podemos apontar cenários e prognósticos que determinaram o início das agressões. Quando a Alemanha bombardeou a Polônia em 01 setembro de 1939, Hitler declara: “A guerra é como um quarto escuro, você não sabe o que irá encontrar…”. Ele tinha razão.

O importante é não focar em uma única visão para definir as causas do conflito e suas consequências, o que  não é apropriado, tendo em vista que há questões mais profundas do que meramente o estudo Eixo X Aliados.

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