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Posts Tagged ‘barbarossa’

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XVI

Parte 16

Milhares de prisioneiros pereceram durante as marchas forçadas vindos do front, sendo os feridos os primeiros a sucumbirem. Mais para o final da campanha (Barbarossa), perto da cidade de Vyazma, tantos foram fuzilados que o comandante desta área na retaguarda ficou preocupado com o impacto junto à propaganda do inimigo. O 16º Exército (Alemão) instruiu às suas unidades em 31 de julho para que não transportassem os prisioneiros de guerras nos trens que vinham vazios do front devido ao receio de que poderia “contaminar e sujar” os vagões. A 18ª Divisão Panzer avisou às suas unidades em 17 de agosto de 1941 que não permitissem que prisioneiros de guerra contaminassem os veículos com piolhos. O Schütze Zeiser contou:

“Nós dávamos a eles tudo aquilo que sobrava. Havia ordens rigorosas para nunca dar a um prisioneiro qualquer comida, mas que se dane. Nós mal tínhamos para nós mesmos. O que nós dávamos era como uma gota d’água em um forno quente.”

As condições no início de novembro de 1941 poderiam ser descritas como catastróficas. A unidade de segurança de retaguarda, Korück 582, que apoiava o 9º Exército (Alemão), assumiu o Centro de Processamento de Prisioneiros 7 em Rzhev ao final do mês. Cada bloco de alojamento era composto por uma construção medindo 12 por 24 metros e que abrigava 450 prisioneiros. As doenças eram endêmicas porque havia apenas duas latrinas para 11.000 prisioneiros. Estes rapidamente acabaram por consumir toda a vegetação no perímetro marcado pelo arame farpado. Os prisioneiros subsistiam comendo cascas de árvores, folhas, grama e urtiga até que, ao final, foram relatados caso de canibalismo. Os cães de guarda recebiam 50 vezes mais comida do que um prisioneiros russo. A conseqüência inevitável foi o surto de tifo durante o outono de 1941. O Departamento de Saúde do Comissariado Geral da Rússia Branca (Weissruthenien), recomendou que todos os prisioneiros infectados fossem fuzilados. Esta foi rejeitada pelas autoridades responsáveis da Wehrmacht “baseado na quantidade de trabalho que isso acarreta.”.

Tais tratamentos não ocorriam sem implicações morais para os seus captores. Eles acentuavam a “desumanização” do inimigo o que tornava as execuções de tais excessos mais toleráveis. O soldado Roland Klemig explicou após a guerra:

“Nos disseram que os russos eram bolcheviques sub-humanos e que deviam ser eliminados. Mas quando vimos os primeiros prisioneiros de guerra percebemos que eles não eram sub-humanos. Quando os despachamos e, mais tarde, quando os utilizamos como Hiwis (ajudantes) vimos que eles eram como qualquer pessoa normal.”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet
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Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VI

PARTE 6

O artilheiro de tanques Karl Fuchs da 7ª Divisão Panzer, proporcionou para sua esposa uma visão também difamatória dos prisioneiros de guerra russos:

“Dificilmente você poderá ver um pessoa com um rosto que pareça racional e inteligente. Todos eles parecem definhados e o olhar meio louco e selvagem faz com que pareçam uns imbecis. E esses canalhas, guiados por judeus e criminosos, querem carimbar a sua marca na Europa bem como no mundo. Graças a Deus que nosso Führer, Adolf Hitler, está evitando que isto aconteça.”

O cinejornal alemão Wochenchau, exibido em julho, abordou as imagens feitas dos prisioneiros de guerras mongóis e outros asiáticos. O comentário ridicularizava sobre “a pequena amostragem destes tipos particularmente horríveis de bolcheviques sub-humanos.” Tais sentimentos estavam refletidos nas cartas enviadas do front para as suas casas. Um operador de rádio comentou:

“Nós estamos bem no interior da Rússia, no “paraíso” para o qual irão os soldados (alemães) que decidirem desertar. Uma miséria terrível impera aqui. Pessoas tem sido oprimidas de forma inimaginável por dois séculos. Nós todos preferimos morrer do que aceitar o tormento e a miséria que o povo daqui é obrigado a conviver.”.

Ao encontrar um inimigo alegadamente “inferior” durante os primeiros estágios da campanha, a soberba baseada em um conceito puramente racista deu lugar a um desprezo. Mas este logo seria punido.

Ao final de junho de 1940, o III/IR9 participava de uma operação para liberar um bosque em torno da estrada a nordeste da cidade de Bialystok, perto do vilarejo de Krynki. Um jovem tenente de Panzerjäger, apesar de ser aconselhado a não fazê-lo, arrogantemente insistiu em avançar à frente para além do trecho liberado e através de uma parte do bosque provavelmente infestada de soldados russos. O pelotão de Panzerjäger prosseguiu e assim que ficou longe da vista da infantaria alemã que o apoiava, ouviu-se que os veículos haviam parado. Gritos desumanos de dor logo rasgaram os céus intercalados com berros de ordem em russo. O Major Haeften, comandante da companhia de infantaria, ordenou que um ataque se formasse rapidamente para resgatar o pelotão anti-tanque que sofrera a emboscada. O pelotão líder, comandado pelo Feldwebel Gottfried Becker se deparou com um cenário de carnificina o qual eles “só poderiam aceitar de forma gradual e muito lentamente”. Eles ficaram enojados com o que viram. “Aqui e ali um corpo se contorcia convulsivamente ou se remexia sobre o seu próprio sangue.” Quanto mais a tropa de resgate se aproximava da cena macabra, maior era a magnitude das atrocidades cometidas contra os infelizes Pazerjägers.

“A maioria dos soldados alemães teve os seus olhos arrancados, outros tiveram as suas gargantas dilaceradas. Alguns tiveram a sua baioneta enfiada no próprio peito. Dois soldados tiveram a jaqueta e a camiseta do uniforme rasgadas, seus estômagos nus foram abertos, as vísceras brilhantes dependuradas sobre uma massa ensangüentada. Dois outros tiveram os seus órgãos genitais cortados e colocados sobre o peito.”

Os soldados alemães (do resgate) “tropeçavam como se estivessem em transe” pela estrada enquanto contemplavam aquela cena de completa desolação. “Esse porcos” murmurou um soldado enquanto que outro vomitava na estrada; um terceiro homem de pé olhava fixamente, seu corpo tremendo enquanto ele silenciosamente chorava. As notícias rapidamente se espalharam pela Divisão. O comandante do regimento contestava a Ordem dos Comissários (A Ordem dos Comissários, conhecida na língua alemã como Komissarbehelf, foi uma determinação direta de Hitler instituída alguns dias antes da invasão da União Soviética. Ela estabelecia que qualquer comissário político soviético que fosse preso deveria ser imediatamente executado – N. do T.) mas assim que um comissário político foi capturado, ele foi entregue sem nenhum escrúpulo para a polícia militar e prontamente executado.

C O N T I N U A

Por A Raguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros

 Segue abaixo uma tradução realizada por A. Raguenet, um exímio tradutor, que nos brinda com um clássico da Segunda Guerra: War War Without Garlands, do autor Robert Kershaw.

 A. Raguenet é um atuante membro do WebKits.

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Pessoal, traduzo aqui parte do capítulo do livro War Without Garlands, do autor Robert Kershaw.

Este capítulo, também chamado A War Without Garlands, é bem interessante pois trata sobre as pressões que o soldado alemão sofria com a campanha de invasão da União Soviética (Operação Barbarossa). Os relatos são fortes e os detalhes às vezes cruéis. Deve-se ter em mente que este front (oriental) estava mais inclinado para uma guerra de extermínio do que para um embate justo.

Como sempre coloco o capítulo em partes para não sobrecarregar a leitura. E me reservo o direito de adaptar certas passagens para a nossa língua pátria de modo a tornar o texto com uma compreensão mais fácil à nossa cultura.

Espero que gostem!

Abrs a todos!!!
A Raguenet

Parte 1

As pressões sobre o soldado alemão

O principal medo para o soldado alemão era o mesmo que sempre acompanhou todos os combatentes através dos tempos: será que ele sobreviveria tanto em corpo quanto em mente para a próxima batalha? Sobre esta expectativa incerta, havia tempo suficiente para se preocupar durante as longas viagens para o front. Essas poderiam durar semanas já que os avanços dos exércitos alemães penetravam cada vez mais no interior da Rússia em 1941. Porém, os trens-hospital ofereciam as primeiras perspectivas dos desencantamentos que estavam logo à frente ao transportarem tropas que se dirigiam naquela que era a difícil viagem para a retaguarda. O soldado alemão Breno Zeiser, motorista de uma unidade de transporte, de início tinha uma visão ingênua. Durante seu treinamento, ele e seus companheiros foram alimentados com uma dieta de proclamações vitoriosas no rádio os quais lhe fizeram acreditar, arrogantemente, que:

“Qualquer idiota sabe que é necessário ter perdas, você não faz uma omelete sem quebrar ovos, mas nós vamos lutar pela vitória. Além disso, se qualquer de um de nós realmente acabar por deter uma bala, será a morte de um herói. Então gritemos ao máximo HURRA, vamos lá, atacar, HURRA!”

As primeiras visões dos trens-hospital retornando do front rapidamente dissiparam este patriotismo de HURRA.

“Os enfermeiros começaram a trazer os rapazes com membros amputados, uniformes cobertos de sangue, uma maçaroca de curativos, o tecido encharcado de vermelho nas pernas, braços, cabeças e torsos além daquela agonia a qual não necessariamente precisa ter sangue: rostos desconfigurados com olhos profundos.” Um dos soldados que estava no trem lhe disse o que os esperava:

“De acordo com ele, era bem sombrio. Os Vermelhos estavam lutando desesperadamente e nós tivemos muitas baixas. Mesmo assim, o avanço continuava com rapidez, mas a um preço o qual deixava claro de que nós não poderíamos saber qual seria já que os russos tinham muito mais homens do que nós, mas muito mais.”

C O N T I N U A.

 

A Propaganda Soviética e a Utopia de Regime Justo na URSS

Quando a URSS de Stálin oficializou o Pacto de Não-Agressão com a Alemanha de Hitler, o mundo inteiro entrou em choque, como poderia dois sistemas políticos com ideologias antagônicas e declaradamente inimigas assinarem um pacto de não-agressão militar? E como poderia serem parceiras no mundo em que a guerra se moldava? Todas essas respostas vieram em tom de manipulação política de Hitler. Quando deflagrou a Operação Barbarossa, Hitler deixou claro suas pretensões com a URSS e o regime comunista. Mas, mesmo terem avançado monstruosamente contra a grande nação Vermelha, a Alemanha encontrou derrota. Não podemos deixar de citar os incríveis recursos humanos empregados para expulsar os alemães, e mais, a máquina propagandista que foi necessária implementar para convencer o povo soviético a lutar. Essa deve ser digna de registro. No final do conflito, os soviéticos voltaram para realidade, a dominação de um regime tão atroz quanto o da Alemanha.

Análise Histórica Fotográfica da Segunda Guerra – Parte 02

Quando na preparação da Operação Barbarossa, uma das maiores operações militares já desencadeadas até aquele momento, o moral do soldado alemão estava alto, devido as expressivas vitórias ocorridas desde 1939. Meses antes do início da operação, o sistema político alemão concentrou uma forte propaganda entre os militares que formariam as primeiras ondas de ataque para criar a imagem de um inimigo miserável, cruel e que deveria ser destruído em sua totalidade; essa propaganda direcionada tentava imputar no soldado a ideia de que sua causa era justa e ele deveria colocar em prática todos os seus esforços para livrar o mundo do comunismo.

 Durante invasão e as primeiras conquistas de cidades soviéticas, o que se viu foi um povo aclamando os invasores como heróis libertadores, tudo que propaganda nacional-socialista queria. Soldado recebiam rosas e gritavam alegremente por sua “liberdade”. Reforçando ainda o estigma, os Vermelhos executam civis que etnia germânica, servido de subsídio para a confirmação da propaganda alemã.

 Na mesma propaganda desferida antes da operação, falava-se em uma vitória rápida, assim como fora as anteriores. Os comandantes de Unidades repassavam que toda a conquista seria finalizada em três ou quatro semanas, pois o inimigo era inferior e pouco combativo. E tudo levava a crer nas primeiras semanas que os objetivos seriam alcançados.

 Como sabemos as linhas de suprimentos, as ordens absurdas, o clima russo e o infinito material humano russa contribuíram para a destruição das forças que participaram da Operação Barbarossa e revertendo a invasão até a derrocada final de Berlim em 1945.

Tropas SS – Uma Temida Tropa de Elite

Quando a Polônia foi invadida pela Alemanha em 1939, o mundo não se deu conta dos acontecimentos que iriam se desdobrar nos anos seguintes. Enquanto muitos esperavam uma guerra passageira e sem muita envergadura na Europa, a Alemanha formava uma das maiores forças militar de todos os tempos. Seu Exército fora formado com o que havia de melhor na ideologia ariana e consolidava as táticas de guerra que surpreendeu o mais exímio combatente. Enquanto a França importava cavalos para uma possível ofensiva, os alemães consolidavam a formação de tropas altamente profissionais, utilizando armas, mobilidade e emprego muito mais avançado do que seus opositores. Parecia que aquelas tropas germânicas eram de outro planeta, enfrentado pobres franceses ainda escondidos em trincheiras como na Grande Guerra. As Tropas Schutzstaffel, ou simplesmente SS, antes de assustarem o mundo com os horrores e crimes de guerra, notabilizaram-se por sua eficácia nos campos de batalha. Quando utilizadas na invasão à URSS durante a Operação Barbarossa, solidificou a ideia de uma tropa imbatível. As baixas eram insignificantes nas primeiras semanas de combate, em contrapartida imprimia uma forte repressão ao inimigo que, assustado, não conseguia infringir muitas resistência.

Evidentemente o tempo mostrou que boa parte desses soldados foram desperdiçados em batalhas cada vez mais duras e difíceis e com estratégias questionáveis. Contudo o ímpeto de combate dessa tropa ficou marcado na história militar. Infelizmente seus crimes de guerra também.

A Alemanha Contra A URSS – Aliados e Inimigos…

Quando Hitler lançou a Operação Barbarossa não imaginou o quanto esse ato iria ser preponderante para sua queda. O Fürher tinha a convicção que o bolchevismo era uma praga maligna que deveria ser extirpado da humanidade, esse sentimento de ódio e repúdio fica claro quando são lidos em sua obra Mein Kapfe. O pacto de não agressão foi uma estratégia política para consolidar falsas esperanças soviéticas à paz que não foi o objetivo do líder alemão. Em contrapartida é de se esperar que um regime liderado por Stálin se alinhasse com os anseios totalitários da Alemanha nazista e sua política de expansão na divisão geográfica da influência dos dois países. Para o velho Stálin seria uma conquista sem precedente e, melhor, sem qualquer sangue derramado, pois as áreas de influência foram negociadas antes mesmo da invasão à Polônia.

A União Soviética mantinha relações diplomáticas com a Alemanha de forma bastante cautelosa antes de 1939, tanto que o Ministro das Relações Exteriores do Reich Ribbentrop praticamente iniciou as conversas sobre o tratado de não agressão quase de forma velada, e posteriormente, depois que o acordo fora firmado, Ribbentrop retorna com pompas de Chefe de Estado na Russia, mas até mesmo o próprio Ministro alemão era contra a invasão da URSS.

Com a invasão levada a cabo pela Alemanha contra os territórios soviéticos, foi uma surpresa geral para o mundo, tanto quanto fora o tratado entre as duas nações. Hitler esperava uma vitória nos mesmos moldes do avanço contra a França, mas nesse caso, milhares de quilômetros teriam que ser percorridos e com linhas suprimentos cada vez mais distantes e perigosamente vulneráveis. As primeiras semanas foram arrasadoras e tornava Hitler mais confiante.

Leningrado é cercado, a capital soviética aguarda uma invasão em larga escala, Hitler resolve mudar de objetivo à revelia dos seus generais, Stalingrado é o alvo certo…Ou derrota certo!

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