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Posts Tagged ‘Batalha de Monte Castelo’

70 Anos da Tomada de Monte Castelo. A Batalha que Euclides da Cunha não viu.

Euclides da Cunha definiu o sertanejo como nenhum outro escritor o fizera antes ou depois, “O sertanejo é, antes de tudo, um forte” frase evocada em sua obra prima “Os Sertões”, materializando de forma clara o destemor do Sertanejo, do nordestino!

43 Anos depois da celebre frase, novamente em um campo de batalha, o vigor do Sertanejo é testemunhado. O seu destemor surge preponderante sobre um inimigo experimentado. Desta vez, não mais na sua própria terra, mas em terras estrangeiras, durante a Segunda Guerra Mundial. O temível Exército da Alemanha de Hitler encontrou-se frente a frente com à herança do sangue guerreiro dos jagunços de Antônio Conselheiro e deixou o alemão boquiaberto, sem acreditar no que os seus olhos arianos enxergam. Quem são esses? Pergunta um Alemão. Mesmo sob o fogo cerrado da metralhada o Sertanejo avança!

Mas não é um nordestino… É um mineiro! Integrante da 1ª Companhia do Regimento Sampaio, avança sem hesitar, um mineiro de coragem inquestionável, honra o nome do Patrono da Infantaria, em nome das Rainhas das Armas, avança sobre as posições inimigas. Risadas e piadas circulam no meio dos soldados Brasileiros: “Olha a Lurdinha!”, gritava um curitibano, “hoje ela tá braba…”, falava um paraibano risonho, “A Cobra vai Fumar!”, completava o carioca, enquanto o paulista e o pernambucano seguiam para o próximo abrigo. Eram todos brasileiros, eram todos febianos.

Hoje, enquanto celebramos 70 anos do maior feito militar da Força Expedicionária Brasileira, imaginemos: assim como testemunhou a bravura do Sertanejo, se Euclides da Cunha pudesse ver esses jovens lutando naquele hoje longínquo 1945? Tomando o Monte no norte da Itália do exército mais poderoso que esse mundo já presenciou. Queríamos ver Doutor Euclides enxergando com seus próprios olhos nossos soldados em cima do Monte, com certeza a frase seria: “O brasileiro é, antes de tudo, um forte”, e ainda acrescentaria: “… forte e o melhor soldado do mundo!” Daquele que, mesmo sob a adversidade, mantém o espírito do seu Povo, do Povo Brasileiro, pois o Soldado Brasileiro é, na sua essência, a representação máxima do seu povo, portanto, um forte por natureza.

Monte Castelo foi conquistado em 21 de fevereiro de 1945, mas o sangue daqueles valentes soldados brasileiros caídos durante a Batalha enaltece a gloriosa coragem de uma geração de jovens, para que jamais seu povo esqueça que somos uma nação forte em qualquer tempo. Celebremos, pois, não apenas os 70 anos de uma vitória militar, mas principalmente a coragem e a determinação do povo brasileiro, materializada na ação daquela geração de soldados da nossa Força Terrestre.

Francisco Miranda

ANVFEB-PE

Proibida a reprodução sem autorização.

TOMADA DE MONTE CASTELO – Especial dos 70 anos

Em 24 de novembro de 2014, lembrarmo-nos dos 70 anos do início dos ataques sobre Monte Castelo. Um dos maiores feitos militares do Exército Brasileiro ainda hoje é discutido e questionado, seja no contexto histórico militar ou simplesmente pela ideologia daqueles que criticaram o emprego da FEB.

É importante notabilizar duas coisas acerca do emprego da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para que possamos nos balizar quanto a seu emprego. Primeiramente a FEB não foi empregada no ataque do dia 24 de novembro enquanto Divisão, participando apenas o 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria e o 1º Esquadrão de Reconhecimento integrados a Task Force 45, sob comando americano. Portanto qualquer tipo de referência ao primeiro ataque deve levar em consideração não a Divisão Brasileira, mas a Grupo Tático 45. E as características e circunstâncias de emprego da tropa brasileiro segundo as expectativas do V Exército. Essa questão é bem clara quando realizarmos a análise da Conferência do Paso da Futa em 30 de outubro de 1944, quando o General Mark Clark realizou uma exposição sincera da situação do Exército Aliado deste o rompimento da Linha Gótica até os objetivos de tomada de Bologna.

Vamos a partir de hoje realizar um estudo detalhado, com a visão dos envolvidos, dos comandantes aos nossos pracinhas. A ideia é que possamos refletir  e realizar uma análise critica do primeiro ataque, em 24 de novembro, até a tomada final do Monte.

Próxima publicação: Considerações sobre a Preparação da FEB no Grupo Tático

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Tomada de Monte Castelo: 7ª Região Militar Realiza Solenidade Alusiva

No dia de ontem (22/02), a 7ª Região Militar, Região Matias de Albuquerque, realizou solenidade alusiva ao 68º aniversário da Tomada de Monte Castelo, feito da Força Expedicionária Brasileira em 21 de fevereiro de 1945, e o 98º Aniversário deste grande comando.

A 7ª Região é comandada pelo General de Divisão Marcelo Flávio Oliveira Aguiar que não mediu esforços para realizar uma solenidade à altura de nossos Veteranos da FEB e da História da 7ª RM/7ª DE. Vale ressaltar que a Região foi comandada pelo então General Mascarenhas de Morais, entre os anos de 1940 a 1943, sendo um dos grandes comandos que reorganizou a defesa do nordeste brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial.

A solenidade contou com a presença de autoridades civis e militares, dentro eles o antigo comandante do Exército General Francisco Roberto de Albuquerque e o Comandante Militar do Nordeste General Odilson Sampaio Benzi.

Evidentemente, um dos destaques principais da belíssima e emocionante formatura foi à presença de Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco, que desfilaram em viaturas de época , seguidos pelo Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega, grupamento composto de integrantes da Associação SEMPRE Polícia do Exército, utilizando réplicas dos uniformes utilizados pelos nossos pracinhas na Segunda Guerra Mundial.

O emocionante desfile perpetrou a máxima reverência aos brasileiros que tentaram nos meses de novembro e dezembro de 1944 a conquista de uma elevação bem defendida, que ceifou a vida de valentes soldados do Exército Brasileiro.

Especial Monte Castelo – 67 Anos da Vitória

Hoje é uma data especial. Enquanto nosso país conclama as Escolas de Samba e os desfiles estonteantes dos blocos carnavalescos, sob a vanguarda da mais tradicional festa brasileira, há exatos 67 anos, várias brasileiros perdiam a vida para dominar e conquistar o Monte Castelo no front italiano durante a Segunda Guerra Mundial. Um bastão alemão que foi conquistado pelas tropas brasileiras em 21 de fevereiro de 1945.

A única forma de reverenciar o sangue brasileiro derramado nessa luta em solo estrangeiro é divulgar a História dessa batalha. Portanto, durante todo o dia teremos publicações especiais sobre os ataques, para que possamos entender a dimensão e a dura missão que foi dado a Força Expedicionária Brasileira.

Desde já agradecemos aos nossos queridos amigos Rigoberto Souza Júnior e Alessandro Santos pela cooperação a esta tão honrada tarefa, de manter viva a memória daqueles que sobreviveram e honrar aqueles que lá ficaram.

Monte Castelo – 67 anos

            1º e 2º ataques ao Monte Castelo

 

            Coube ao 45º  Grupamento Tático americano sob o General Rutledge, e reforçado por um batalhão de Infantaria( III /6º R.I.), um esquadrão de reconhecimento e um pelotão do 9º Batalhão de Engenharia, todos brasileiros, a missão de conquistar as regiões entre Monte Belvedere – Monte Castelo -Abetaia. Estas posições eram defendidas pela aguerrida 232ª Divisão de Infantaria Alemã, que era constituída dos seguintes elementos:

            23º       Batalhão de fuzileiros

            232ª     Regimento de Artilharia

            1043º – 1044º – 1045º Regimentos de Granadeiros

            O inimigo compensava a ausência de sua força aérea com a vantajosa posição dominante e bem preparada.

            O III / 6º R.I., teve a missão de guarnecer uma frente de quase 2 km(Guanella à Casa M. di Bombicina) além de conquistar Monte Castelo, além de prosseguir até Monte Terminale, dois quilômetros após Monte Castelo e, na ocasião o major Sylvino instalou o seu posto de comando na vila de Bombiana por ordem superior. Este batalhão vinha combatendo desde Setembro e seus integrantes esperavam receber um justo repouso, e para complicar ainda mais teriam que atacar em terreno desconhecido e contra posições frontais, operação fadada ao fracasso.

            Somente perto da meia noite de 23 para 24 de  novembro é que este batalhão atingiu as bases de partida para o ataque, e como é comum as tropas brasileiras não substituíram as americanas na escuridão da noite, devido à burocracia e a meticulosidade das ordens escritas. Para este ataque, procurou-se obter surpresa evitando a preparação da artilharia.

            Às seis horas da manhã do dia 24 de novembro de 1944, o batalhão partiu sendo recebido por uma chuva de projéteis de morteiro e armas automáticas, enquanto a 9ª companhia, que seguia pelo lado esquerdo, era mantida em sua posição progredindo com enorme dificuldade.

            Na segunda  parte desta jornada, foi obtido  algum  progresso, mas a noite chegou e o objetivo não foi atingido, e à esquerda o batalhão americano (2º / 370º R.I.), havia conseguido progredir um pouco mais, mas recuou rapidamente, sob a pressão do fogo alemão, o que deixou o flanco esquerdo exposto. Ainda de madrugada uma nova ordem de ataque chegou ao batalhão brasileiro, com ordem de conquistar o mesmo objetivo, mas agora teria a sua frente ampliada em mais um quilômetro, que correspondia ao batalhão americano que foi duramente atingido e que não pode ser recuperado a tempo. Desta vez a preparação da artilharia não foi dispensada, e ao inicia o ataque a reação alemã foi pronta e poderosa, com a utilização de tanques isolados.

            Foi com muita dificuldade que a 8ª companhia conquistou La Cá e C. Viteline, as primeiras elevações antes do Monte Castelo, e a 7ª companhia aproximou-se de Abetaia, mas não logrou êxito em conquistá-la. No fim da jornada, a tristeza do fracasso deste ataque misturou-se com a alegria da conquista do Monte Belvedere pelos americanos. O inimigo tomara a decisão de deter a frente italiana de conquistar os Apeninos, e que este conjunto era fundamental  para o dispositivo defensivo, e ao final do dia 26 de Novembro,  lançaram um golpe de mão sobre a 9ª companhia brasileira,  que estava aos pé do Monte Castelo desalojando nossos soldado daquele local.

            Como consequência deste malfadado ataque, o reforço brasileiro ao 45º Grupamento Tático reverteu à Divisão de Infantaria Expedicionária, levando o General Mascarenhas de Morais a assumir o comando efetivo de toda a tropa da FEB, promovendo uma missão defensiva imediata, na qual foram empregados cinco batalhões na linha de frente.

            Concluímos como prováveis causas do fracasso destes ataques:

  1. determinação alemã em manter a posição a todo custo
  2. o efeito surpresa não obtido
  3. não houve apoio nem da aviação nem da artilharia
  4. desconhecimento total do terreno pela tropa que ocupou posições à noite para atacar ao alvorecer
  5. um ataque frontal é quase sempre desastroso, a não ser que exista superioridade arrasadora em homens e material empregados
  6. utilização de tropa cansada, sem tempo de descanso
  7. o flanco esquerdo estava exposto devido ao recuo da tropa americana
  8. insistência em repetir o ataque com a mesma tropa da véspera, aumentando a responsabilidade com a região evacuada pelo batalhão americano

Citações de Combate da Força Expedicionária Brasileira – Parte I

Citações de Combate são relatórios sobre o desempenho individual de algum militar envolvido em ações de combate. Para comemorar o aniversário da Tomada de Monte Castelo, vamos publicar algumas citações elogiosas que foram registrados na Revista Cruzeiro do Sul para louvar o desempenho de militares envolvidos nas operações vitoriosas sobre Monte Castelo e nas operações de contenção dos contra-ataques alemães.

Fonte: Cruzeiro do Sul, gentilmente cedidas pelo pesquisa Rigoberto Souza Júnior.

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Soldado AFONSO DE MELO, do I Regimento de Infantaria – IG – 267.486 – Estado Rio de Janeiro.

Em 23-2-1945

                A citação do Soldado AFONSO DE MELO tem dupla significação uma vez que exalta não só o valor combativo da gente brasileira como o profundo amor as tradições de sua terra.

                A subunidade atacara e se apossara do ponto cotado 958. Manter o terreno conquistado em condições básica para o prosseguimento das operações do Regimento, mesmo que lhe custasse os maiores sacrifícios. Dessa verdade bem sabia o Soldado Melo, tanto que lutou muito, lutou denodadamente para que todos os contra-ataques lançados pelo inimigo com o intuito de reapossar-se das posições perdidas, fossem rechaçadas. Foram quatro dias de tenaz esforço coroados de completo sucesso, assim, sem mácula, a pureza das ações dos homens de sua tempera. E tanto isso é verdade, que uma feita, quando o seu Comandante de Pelotão se deslocara com um Grupo de Combate para uma ação nas profundidades, o Soldado Melo, como observador avançado de seu Grupo, pressentira que cerca de 60 alemães se avizinhavam da posição. Sem perda de tempo, comandou o fogo do pelotão, solicitou ao Comandante de Companhia apoio de fogo de artilharia enquanto simultaneamente fiscalizava o consumo de munição, só permitindo tiros à curta distância. Numa legítima explosão de sentimento de responsabilidade, na fase mais critica do combate gritou, com toda a força de seus pulmões: “quem recuar eu fuzilo”. Ele mesmo abateu, a tiros de fuzil, um inimigo armado de metralhadora.

                Era um brasileiro que ali estava, defendendo o nome da tropa brasileira e honrando as belas tradições de sua gente.

                Mais tarde foi ferido com estilhaço de granada e evacuado para o Hospital.

                A ação excepcional do Soldado AFONSO MELO traduz, na sua grandiosidade, as mais perfeitas virtudes do Soldado do Brasil.

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3º Sargento OTTON ARRUDA, do 11º Regimento de Infantaria – IG – 199.186. Estado de Minas Gerais.

Em 17-2-45

                Fazia parte de uma patrulha que nesse dia saiu em missão de reconhecimento da reigão do VALE. Quando examinava uma das casas de ABETAIA é ferido por explosão de mina. Grandes sofrimentos físicos lhe produziram os ferimentos recebidos. O Tenente comandante da Patrulha, entretanto, faz-lhe um apelo para que suporte as dores em silêncio, de modo a não atrair o fogo do inimigo sobre os demais companheiros. Daí por diante o Sargento OTTON estoicamente cala o seu sofrimento, até o regresso da patrulha às linhas amigas.

                A fortaleza de ânimo, o espírito de sacrifício, a abnegação do Sargento OTTON merecem destaque especial, para reconhecimento da FEB na Itália.

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Cabo MANUEL CHAGAS, do I Regimento de Infantaria – IG – 305272 – Estado do Rio de Janeiro.

Em 23-2-45:

Já no curso do ataque do seu Pelotão à posição de LA SERRA, se distinguira, pelo ardor combativo, o Cabo Chagas. Todo o esforço empregara, a seu ânimo inflexível de brasileiro pureza em jogo para que a posição fosse conquistada e mantida. Suportara contra-ataques e trabalhara para rechaçá-los. E não parou aí a sua atividade.

                Certa vez alcançada uma posição inimiga passou a observar os arredores atentamente. Notou que dois alemães se aproximavam, deixou que ambos chegassem à porta do abrigo. Neste instante, apontou-lhes a arma, fê-los prisioneiros. Um terceiro adversário, incontinenti atirou-lhe uma granada de mão, que infelizmente não o atingiu. E neste ritmo prosseguiu a sua ação, em benefício do cumprimento integral da missão do Pelotão.

                A ação serena, inteligente, a capacidade profissional, o desassombro, a noção perfeita do cumprimento do dever, tornaram-no um exemplo bem digno da tropa brasileira.

Comemorações do Aniversário de Tomada de Monte Castelo!

 A Tomada de Monte Castelo faz aniversário no próximo dia 21. Enquanto o país celebra o Carnaval, o feito militar da Força Expedicionária Brasileira completa 66 Anos. A História de Monte Castelo é interpretada erroneamente por pessoas que não conhecem os fatos que antecedem aos desastrosos ataques de novembro e dezembro de 1944, e ainda tem visões distorcidas dessa vitória das tropas brasileiras. Monte Castelo ceivou a vida de centenas de soldados brasileiros e abateu o moral não apenas da FEB no front italiano, mas de toda a nação que aguardava ansiosa pelo desempenho de seus soldados.

                Portanto teremos como objetivo até o próximo dia 21, realizar uma análise das operações fracassadas e, principalmente expressar os Fatos Históricos que marcaram Conquista final em fevereiro de 1945, referenciando a memória dos que lá tombaram e exaltando os vitoriosos que sobreviveram a esse acontecimento.

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