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68º Aniversário da Ação do ENOLA GAY sobre Hiroshima

 Umas das mais severas discussões sobre a Segunda Guerra Mundial reside exatamente na utilização da Bomba Atômica sobre Hiroshima e Nagazaki. Muitos críticos sempre ponderam sobre a real necessidade de se lançar ataques tão devastadores sobre o Japão quando a guerra estava praticamente ganha.

É importante que possamos analisar o contexto geopolítico que se desenhou na Europa com a capitulação alemã e as condições da frente do pacífico que insistia em continuar.

Primeiro a Europa estava cansada de guerra e os reforços para os americanos sobre a Pacífico não empolgavam ninguém. Na última ofensiva antes da bomba, lançada sobre a Ilha de Okinawa, os Estado Unidos tiveram cerca de 183 mil baixas entre mortos e feridos. Um ataque  Kamikaze sem precedentes deixou a Frota do Pacífico em choque. Tudo isso contribuiu para a conclusão de um Plano de Invasão sobre a ilha principal, com estimativa inicial de baixas em meio milhão de americanos.

O presidente Truman, que sucedeu Roosevelt no ano anterior, sabia das pretensões de influência na Europa Oriental da velha raposa Stálin; sabia tanto que tinha que persuadi-lo a não tentar nada que pudesse fazer aliados se tornarem inimigos. Muitos do Alto-Comando Aliado eram a favor de um ataque preventivo contra a União Soviética, entre eles o próprio General George Patton. Era o início da Guerra Fria.

Mas como explicar a utilização de bombas contra alvos-civis, em cidades densidade demográfica elevado, sem alvos militares em potencial. Sem falar que o Little Boy (A Bomba) foi lançado no início da manhã quando os bondes estavam lotados e as pessoas se dirigiam para o trabalho. Nada pode explicar, a não ser aumentar o número de vítimas.

No contexto geral é necessário que a humanidade possa lembrar de seus atos para que possamos guiar nosso futuro, e as próximas gerações, a não cometerem os mesmos erros do passado. História serve para isso.

Segue Relatos:

A explosão da bomba atômica na cidade japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, é o tema de “Hiroshima” (Companhia das Letras, 176 p., R$ 42), livro escrito por John Hersey e considerado um dos principais títulos do gênero conhecido como jornalismo literário, no qual técnicas da literatura são utilizadas para a narração de um fato jornalístico.

Hersey foi a Hiroshima em 1946, um ano após a explosão da bomba, e contou a situação da cidade a partir dos relatos de seis sobreviventes. O texto foi publicado pela revista americana “The New Yorker” e no mesmo ano foi editado em livro. Quarenta anos depois, Hersey voltou a Hiroshima e acrescentou à obra um epílogo, no qual conta o que aconteceu com os mesmos seis personagens.

Leia, abaixo, trechos da obra nos quais Hersey reconstitui o dia da explosão a partir dos relatos dos sobreviventes:

Reverendo Kiyoshi Tanimoto

“Então um imenso clarão cortou o céu. O reverendo se lembraria nitidamente de que o clarão partiu do leste em direção ao oeste, da cidade em direção às montanhas. Parecia um naco de sol. Os dois amigos reagiram, apavorados – e tiveram tempo para reagir (pois mais de três quilômetros os separavam do centro da explosão). O sr. Matsuo subiu os degraus da frente, entrou na casa e praticamente se enterrou entre as trouxas de roupa. O sr. Tanimoto deu três ou quatro passos e se jogou entre duas grandes pedras do jardim, agarrando-se firmamente a uma delas. Com o rosto encostado na pedra, não viu o que aconteceu. Sentiu uma pressão repentina, e estilhaços de madeira e de telhas choveram sobre ele. Não ouviu barulho nenhum. (Praticamente ninguém em Hiroshima se lembra de ter escutado qualquer barulho produzido pela bomba. Entretanto, um pescador que estava em sua sampana no mar Interior, perto de Tsuzu – o homem com quem a sogra e a cunhada do pastor moravam -, viu o clarão e ouviu uma tremenda explosão; ele se encontrava a quase 32 quilômetros de Hiroshima, porém o estrondo foi maior do que quando os B-29 bombardearam Iwakuni, a apenas oito quilômetros de distância.)”

Sra. Hatsuyo Nakamura

“A sra. Nakamura observava o vizinho quando um clarão de um branco intenso, de um branco que nunca tinha visto até então, iluminou todas as coisas. Ela não se importou em saber o que estaria acontecendo com o vizinho; o instinto materno a direcionou para sua prole. No entanto, mal deu um passo (encontrava-se a 1215 metros do centro da explosão), alguma coisa a levantou e a fez voar até o cômodo contíguo, em meio a partes de sua casa. Quando ela aterrissou, tábuas caíram a seu redor, e uma chuva de telhas a cobriu. Tudo escureceu. A camada de destroços não era muito densa, e a sra. Nakamura se levantou. Ouviu uma das crianças gritar “Mamãe, socorro!” e viu a caçula Myeko, de cinco anos, enterrada até o peito e incapaz de se mexer. Enquanto abria caminho com as mãos, freneticamente, para acudir a menina, não escutou nem avistou o menor sinal dos outros filhos.”

Uma Visão Diferente das Bombas Atômicas!

 Um relatório logo após a Segunda Guerra foi levantado para qualificar e tipificar os impactos destrutivos relacionados as duas bombas atômicas utilizadas contra Japão. O que temos é um acervo fotográfico diferenciado sobre a visão, diga-se de passagem, bem americana de explicar a utilização da Little Boy e da Fat Man. Contudo é um registro histórico importante para entender o nível de destruição dessas infelizes cidades.

Mapa que mostra as áreas atingindas pela bomba - Hiroshima, Honshu. JAPÃO

Área de extensão a ser estudada -Nagasaki, Kyushu, Japão

Vista aérea de Hiroshima antes da eclosão mostrando a alta densidade de área construída.

A explosão da bomba atômica sobre Nagasaki, tomadas de cerca de 10km de distância. A altura do topo da nuvem é de cerca de 40 mil pés.

A explosão da bomba atômica sobre Hiroshima.

Vista panorâmica de Hiroshima após a bomba.

Vista aérea de Hiroshima após a bomba.

Vista panorâmica sobre Nagasaki depois da bomba. Tomadas ao Norte de X, bloqueio sul. As fundações em forma de Y em primeiro plano estão os restos de uma prisão. , Toda essa área foi densamente cobertas de fábricas e habitações.

Vista aérea de Nagasaki depois da bomba.

Vista geral de Nagasaki tiradas de cerca de quatro quilômetros a sudeste de X. As chaminés no fundo estão localizadas na parte da fábrica de Aço Mitsubishi, onde tinha uma produção de armas. As colinas em primeiro plano, eram em grande parte do setor empresarial e residencial e sofreram todos os efeitos da explosão da bomba. Percebe-se a construção residencial típica japonesa, composta de casas de quadro leve, com telhados de telha, com as encostas sendo cultivadas e habitadas quase até o topo.

habitações precárias com estruturas de madeira.

Outro ponto de habitações tipicamente japonesas.

Vista aérea de Nagasaki. X é apenas a nordeste do estádio que estaria visível na parte superior direita da fotografia. Os principais alvos foram os Mltsubishi-Urakami (Construção de Torpedos) no canto superior da imagem, e do Aços Mitsubishi : que se espalha ao longo da margem leste do rio Uratami, na parte central do da imagem. Note como o vale industrial se estendia nas colinas que iriam protege-los juntamente com a área residencial da cidade (lado direito da imagem) de todos os efeitos da explosão.

Visão panorâmica geral de Hiroshima após a bomba. Esta imagem mostra a devastação a partir de X para um ponto cerca de 0,4 quilômetros ao sul de X.

Visão panorâmica geral da Faculdade de Medicina e Hospital de Nagasaki, olhando para o sudeste. Em primeiro plano, no sopé da colina em que a Escola de Medicina está localizada, a dupla pista da malha ferroviária para os edifícios do hospital pode ser observado. Praticamente não houve danos nos trilhos em si, mas os fios dos vagões foram derrubados e as pistas cobertas de escombros. Toda a área mostrada, neste quadro, era coberta com edifícios industriais e residências. No fundo, o escombros da Aços Mitsubishi podem ser vistos. Note que a edifícios de concreto reforçado ainda estão de pé em meio a destroços de edifícios com estrutura de aço. Nos edifícios e escola no sopé das colinas no fundo, as portas e janelas foram danificados pela explosão.

Vista da Área Militar de Hiroshima. Esta visão permite observar a destruição quase total do armazenamento de munições e edifícios administrativos localizados na seção nordeste da área militar.

Vista aérea de Hiroshima após a bomba.

Vista aérea olhando diretamente para baixo em X, em Hiroshima, mostrando a área alvo totalmente devastada, exceto os edifícios de concreto. Tetos e pisos intermediários desabaram sobre cinco destes edifícios deixando as paredes exteriores parcialmente em pé, As manchas escuras nos telhados de outros prédios são depressões formadas pela distorção da estrutura do telhado.

Vista aérea de Hiroshima, olhando para baixo em X que está no centro da imagem.

Olhando para o leste a partir de X. O tronco de uma pequena árvore de pé em primeiro plano indica que a força da explosão foi mais baixa nesta área.

O sul da área devastada de X em Hiroshima. O colapso Hiroshima edifícios da Companhia de Gás pode ser visto à esquerda da imagem. O edifício da Companhia Elétrica a 0,4 quilômetros de X, pode ser visto no fundo.

Área comercial a 700 pés oeste de X em Hiroshima. A torre de aço em primeiro plano entrou em colapso na direção da explosão. Os monumentos no cemitério não foram derrubados porque a pressão explosão foi menor nesta área.

O sul da área devastada de X em Hiroshima. O colapso Hiroshima edifícios da Companhia de Gás pode ser visto à esquerda da imagem. O edifício da Companhia Elétrica a 0,4 quilômetros de X, pode ser visto no fundo.

Concreto reforçado a noroeste de X. A laje do telhado de concreto foi apoiada por vigas de concreto, mesmo com as vigas do interior danificadas, suportou o teto para ela se mantivesse, como mostrado. Todo o parapeito da parede foi demolido.

Em Hiroshima, mostra flash de queimaduras no lado voltado para a explosão. Os dois pequenos edifícios em segundo plano foram construídas após a explosão.

Em Hiroshima, mostra flash de queimaduras no lado voltado para a explosão. Os dois pequenos edifícios em segundo plano foram construídas após a explosão.

O soldado está apontando na direção X. As superfícies da pedra à direita estão ásperas pela explosão, enquanto as superfícies escuras à esquerda continuam uma superfície polida.

Este ângulo da base do monumento mostrado na foto anterior. Figura mostra a superfície áspera da pedra em um canto exposto à explosão.

 

Acabei de Voltar de Hiroshima!

Em 1946, o tenente Claude Brézillon, então diretor do Jornal francês Caravelle e membro da CEFEO (Corpo Expedicionário Francês no Extremo Oriente), com base na Indochina, oficialmente enviado para o Japão. Sua missão é observar como os japoneses reagem psicologicamente e economicamente a ocupação dos EUA, dez meses após o lançamento da bomba atômica. Inicialmente fica estabelecido como correspondente de guerra, com uma autorização do Exército dos Estados Unidos.

Esse post contém uma seleção de fotos pessoais tiradas por Claude Brézillon. A viagem começa por Tóquio, duramente atingida por bombardeios, continua por locais históricos como Kamakura e Nikko, no porto de Kure e seu arsenal, e termina como uma visita de Hiroshima devastada. Essas imagens são acompanhadas por comentários de artigos de jornal, escreveu ele. Nesses artigos, publicados em duas edições da revista Caravelle de 7 e 21 de julho de 1946, ele narra sua jornada publicando também a história do jesuíta Siemes testemunha da explosão atômica em Hiroshima.

Claude Brézillon veterano da Segunda Guerra Mundial com a 2ª Divisão Blindada.

Fonte ECP

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