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Contradições Históricas da FEB: Os Três Heróis Brasileiros, quem são?

Já em vários momentos buscamos lançar luz sobre a obscuridade histórica, que é crônica em nosso país. Parece-nos que há um plano orquestrado de esquecimento, quando se trata do estudo do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Longe de ser objeto de estudo dos nossos cientistas da ciência História, a campanha da FEB é referenciada unicamente dentro dos círculos das associações ou dos grupos de interesse.

Um problema também muito sério ocasionado pela falta de pesquisa abrangente, é o risco que corremos em transformar um mito em fato histórico consagrado. Não podemos admitir que qualquer fato envolvendo a FEB seja diminuído, aumentado ou alterado para satisfazer o apetite verossímil daqueles que adoram desvirtuar os acontecimentos para atender uma demanda cinematográfica ou apenas para vender livros, desapegado da realidade histórica. É a velha mania hollywoodiana e seus personagens quase semideuses da guerra.

A História da FEB e do Brasil deve considerar novas interpretações, baseada em pesquisas sérias, para que o fato histórico possa evoluir; mudando segundo a exposição de novas evidências. Isso é importante para corrigir injustiças, trazer à luz personagens históricos injustiçados ou esquecidos. A História ela é elemento vivo em constante evolução.

Com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do Fato Histórico, observamos algumas contradições em determinados acontecimentos que envolveram a atuação da FEB e seus integrantes. Um dos mais conhecidos:

 

OS TRÊS HERÓIS:

                Em 14 de abril de 1944, durante uma patrulha nas proximidades do Montese, três soldados Geraldo Baêta da Cruz, então com 28 anos, natural de Entre Rios de Minas; Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei; e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, morreram como heróis em Montese, Itália, palco de uma das mais sangrentas batalhas do conflito com a participação da FEB

Integrantes de uma patrulha, os três pracinhas mineiros se viram frente a frente com uma companhia alemã inteira. Receberam ordens para se render, mas continuaram em combate “até o último cartucho”, como se diz na caserna. Metralhados em 14 de abril de 1945, receberam, em vez da vala comum, as honras especiais do exército alemão.

              Admirado com a coragem e resistência dos mineiros, o comandante mandou enterrá-los em cova rasa e pôs uma cruz e uma placa com a inscrição: Drei brasilianische helden, que em bom português significa “três heróis brasileiros”. Acabada a guerra, eles foram trasladados para o cemitério de Pistóia, na Itália, e depois para o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

                O fato é registrado aqui, no próprio BLOG, e já motivou livros, séries e filmes.

Explicando algumas contradições.

                A questão que queremos abordar, que fique bem claro, não se trata de desmerecer ou duvidar dos méritos dos nossos soldados, pelo contrário, buscamos entender os fatos e tornar justo os personagens que estiveram envolvidos.

Vamos para alguns problemas:

                O Coronel Adhemar Rivermar de Almeida, então Chefe da 3º Seção, do 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria registrou o que segue em seu livro: Montese – marco glorioso de uma trajetória:

              O inimigo desencadeou uma terrível barragem de fogos de Infantaria e Artilharia entre as encostas Sul de Montese, e suas orlas Leste e a base de partida (Montaurígola), conseguindo deter a ação do Pelotão Ary Rauen, que seu heroico comandante ferido mortalmente na cabeça, quando tentava neutralizar uma incômoda “lurdinha” que barrava o avanço de seu pelotão causando grande baixas em seu efetivo, cujos remanescentes ficaram detidos, sem se moverem, em meio a terrível campo minado

               Tomando conhecimento das pesadas baixas ocorridas naquele Pelotão, o Dr. Yvon, acompanhado do Tenente Ary, de padioleiros e do 1º Sargento Alfeu, sargenteante de minha Companhia e que se apresentara como voluntário, iniciaram a sua longa e perigosa caminhada, cortada de campos minados e varrida incessantemente pelo fogo alemão, em busca de elementos daqueles elementos, até alcançar estreita e rala ravina, entre Motaurígola e faldas de Montese, quando foram também detidos por fortes rajadas de “lurdinhas”, morteiros e artilharia.

               Logo explodiu uma granada sobre o padioleiro Geraldo Baeta da Cruz, de nossa seção de saúde, que morreu no mesmo instante. (ADHEMAR, 1985, pag. 146).

                Nos registros de embarque da FEB, consta o soldado Geraldo Baeta como padioleiro, integrante do Seção de Saúde do 11º Regimento de Infantaria, o que reforça a tese de que ele estaria, conforme relato do Coronel Adhemar, indo em direção ao socorro do pelotão do Tenente Rauen. Outra evidência, é que o militar foi agraciado com a Medalha de Cruz de Combate de 2ª Classe, mérito de bravura em combate (coletivo), diferentemente do Arlindo Lúcio da Silva, recebendo o Cruz de Combate de 1ª Classe, mérito de bravura em combate (individual). Se eles participaram da mesma ação, quais os motivos da diferença nas honrarias?

                Sobre o Geraldo Rodrigues de Souza, o interessante é que o local da morte do soldado é identificado como Natalina e não Montese, como os demais.

Classe 1919. 11º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar 20 de setembro de 1944. Natural do Estado de Minas Gerais, filho de Josino Rodrigues de Souza e Maria Joana de Jesus, residente à rua Cajurú nº 4, Serra Azul, SP. Faleceu em ação no dia 14 de abril de 1945, em Natalina [crivo nosso], Itália, e foi sepultado no Cemitério Militar brasileiro de Pistóia, na quadra B, fileira 9, sepultura nº 98, marca: lenho provisório.

Sobre o Arlindo, temos o relato do Decreto que lhe concedeu a medalha:

“Foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil de Combate de 1ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta última condecoração, lê-se: No dia 14 de abril, no ataque a Montese, seu Pelotão foi detido por violenta harragem de morteiros inimigos, enquanto uma Metralhadora alemã, hostilizava violentamente o seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem se manterem colados ao solo. O Soldado Arlindo, atirador de F.A, num gesto de grande bravura e desprendimento, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores de sua arma, obrigando-a a calar-se nessa ocasião, é morto por um franco-atirador inimigo”. (Decreto de Concessão da Medalha)

                Os detalhes da descrição da ação não se referem a três soldados lutando bravamente por suas vidas em combate contra uma Companhia, se referem a um ataque sobre um ponto fortificado e, com testemunhas dos fatos, que relataram posteriormente.

                Por mais surpreendente que seja, outro acontecimento idêntico como o relato dos três soldados brasileiros mortos em Montese. Em janeiro daquele mesmo ano, uma cruz fora encontrada durante o avanço brasileiro, com fantástica similaridade. Portanto, as covas de Montese não seriam as únicas a guardar os corpos de bravos brasileiros que foram honrados pelo inimigo. Assim registra Joaquim Xavier da Silveira em seu livro A FEB por um Soldado:

Ao conquistarem Castelnuovo, as tropas de depararam com um testemunho da coragem do soldado brasileiro. Desde janeiro, três soldados do Regimento Sampaio figuravam na lista dos desaparecidos em combate: Cabo José Graciliano Carneiro da Silva, Soldado Clóvis Paes de Castro e Aristides José da Silva. Em Castelnuovo havia uma tosca cruz de madeira com a dística em alemão: 3 Tapfere – Brasil – 24.01.1945 (Três bravos – Brasil – 24.01.1944). Essa singular homenagem feita pelo inimigo é uma eloquente demonstração da coragem do soldado brasileiro. (SILVEIRA, 2001, pag. 177).

Conclusão

                Não são respostas que movem o mundo, mas as perguntas.

                Ocorreu o fato dos três heróis brasileiros em Montese?

                               Pelo relato oral dos integrantes do 11º RI, não há dúvidas sobre o fato ocorrido em Montese, contudo, não podemos afirmar de forma concludente que os personagens envolvidos no fato são aqueles consagrados pela historiografia militar. Novamente, isso não tira o mérito do sacrifício dos militares do Regimento Tiradentes mortos, seja no caso da patrulha perdida; seja em outras condições de morte violenta.

                               O importante seria para a História Militar Brasileira a análise dos acontecimentos e a busca por respostas; ou confirmando o nome dos bravos soldados que morreram naquele confronto, sendo sepultados por seus inimigos, ou trazendo a justiça histórica para aqueles que efetivamente estiveram nessa ação de bravura.

                Trata-se de um único episódio Montese /Castelnuovo?

                Como anteriormente citado, não há dúvida que trata-se de acontecimentos distintos. Contudo, é necessário que possamos expor evidências que não possibilite margem para debates e interpretações histórica erradas sobre os acontecimentos, objetivando que futuras gerações tenha a possibilidade de vivenciar a clareza histórica do passado de nosso Brasil e saber quem são seus heróis.

Quem foram os três heróis brasileiros em Montese?

                               De certo que há dúvidas bibliográficas levantadas sobre quem foram os três brasileiros que morreram conforme a descrição relatada do episódio: “Os três Heróis Brasileiros”. O que na prática deverá despertar o interesse de pesquisadores e de pessoas e instituições que possam financiar essas pesquisas para trazer para luz a verdade histórica sobre o fato. Os nomes desses bravos soldados brasileiros devem ser registrados de forma justa, seja os três mineiros atualmente apontado como protagonistas, ou outros que por ventura a História revele de forma inquestionável.

Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – II

 O Amuleto!

Um pracinha do 1º RI, foi escalado para tirar o serviço de sentinela na linha de frente. Quando entrou em forma, o sargento responsável pelo serviço, percebeu que o soldado estava com um sapato feminino pendurado a seu cinto de campanha. Ele chega bem próximo do ouvido do soldado, e começa a falar:

 – Que merda é essa no seu cinto soldado? Tá mudando o uniforme de campanha? Ficou louco? – O sargento fala sem alvoroço.

 O soldado, meio assustado com a reação do sargento, conta o motivo do objeto feminino estranho a uma soldado na guerra.

 – Sargento, esse não é o meu primeiro serviço na linha, e esse sapato é da minha mulher, e me salvou a vida – falando já suspirando.

O sargento com cara de surpresa, arregala os olhos.

–  Salvou sua vida? Como? – pergunta o sargento.

 – É que quando eu sai do Brasil, não houve tempo de me despedir da minha mulher, já que ninguém sabia quando era o embarque, e sempre vinha aqueles cansativos treinamentos de embarque e desembarque, até que entramos no navio e chegamos aqui. Só que como eu moro próximo da Estação do trem que passamos para o porto, consegui ver minha mulher no caminho e ela me viu. Claro, a gente só se viu a distância, então ela pegou esse sapato e jogou e mim, gritando para que eu levasse o sapato comigo o tempo todo, para lembra dela. E eu sempre fiz isso. No meu último serviço na linha, eu estava guardando uma estrada, protegido por sacos de areia em cima de um pequeno morro. A noite, peguei o sapato para matar um pouquinho a saudade. Só que o sapato escorregou da minha mão e caiu no sopé do morro, fiquei com medo de ir buscá-lo, mas resolvi descer, não podia perder a única lembrança da minha mulher, e se eu voltar para o Brasil sem isso, vai dar merda pro meu lado. Assim que desci, e peguei o sapato, explodiu um granada de artilharia no meu posto, tudo foi pelos ares! Se não fosse o sapato eu não estaria aqui hoje, tinha explodido no meu posto. Portanto, o senhor pode me prender, mas esse sapato vai ficar exatamente onde está! – Fala decididamente

O sargento não pergunta mais nada, bate no ombro do soldado e leva o grupamento para o serviço na linha.

O brasileiro amigo da artilharia inimiga

O Sargento Rigoberto contou que certa vez, que a sua companhia estava sofrendo uma barragem de artilharia e todos estavam abrigados. Quando ouvia um dos pracinhas gritando cada vez que um projétil de artilharia passava por suas cabeças.

 “Alta demais…baixa a Alça!” – quando  o projétil passava muito alto.

 E quando o projétil explodia à frente da Companhia ele reclamava com o inimigo.

 – “Foi muito…aumenta a merda da Alça!!”

 A cada tiro, o brasileiro tentava guiar a artilharia alemã. Até que o capitão, comandante da Companhia, resolveu tomar uma decisão:

  – Tirar esse desgraçado da linha, antes que algum alemão que fale português entenda o que ele está falando. – E o soldado foi retirado da linha

 O soldado corajoso para guerra, mas com alguns medos.

Certa vez, uma patrulha do 6º RI , comandado por um sargento, estava atuando próxima a uma pequena vila, quase abandonada. Quando resolveram descansar em uma casa mais afastada de dois andares. Eles resolveram ficar no segundo andar para poder observar o território. O sargento deu ordens para um soldado ficar de sentinela, enquanto o resto do grupamento descansava. A sentinela ficou próxima a uma janela, observando o movimento. Só que a casa tinha um caminho a sua retaguarda, e uma porta que dava acesso direto ao interior da casa. Quando o sargento percebeu, a casa estava com praticamente um pelotão de alemães alojados. Ficar ali, no segundo andar, era perigoso demais, qualquer barulho, chamaria a atenção do pelotão. Então o sargento observou um poste próximo a uma das grandes janelas da casa, e ordenou que os homens pulassem da janela para o poste, e descessem. Já no chão, poderiam se afastar e pedir apoio da nossa artilharia que não estava longe, tudo isso tinha que ser feito sem chamar a atenção do inimigo. Então, todos começaram a pular, um por um, até que ficou apenas o sargento com o soldado Inácio. Soldado considerado um dos mais combativos do regimento, voluntário para patrulhas. O sargento, mandou o Inácio pular, e o bravo soldado ficou estático e só balançava a cabeça – O que foi Inácio? Desce logo essa merda! – xinga o sargento.

 – Não posso sargento, tenho medo de altura! – fala o corajoso guerreiro

 – Como assim medo de altura? Você tá na merda, tá vendo o inimigo lá embaixo não? Pula logo, antes que empurre você pela janela!

 Inácio, se prepara, chega até a janela e volta com lágrimas nos olhos!

 – Sargento, consigo não! Tô quase me mijando de medo dessa altura! – fala já com lágrimas no olhos.

– Inácio, se tu num pular de vez, eu vou pular e deixar você resolver com os tedescos lá de baixo – ameaça o sargento

 Outra tentativa, desta vez Inácio quase escorrega, e se agarra com o sargento, e chora!   Já desesperado, os outros soldados gesticulavam para o sargento. Então ele olha pra baixo:

 – O que é? – Pergunta o desesperado sargento

 Um soldado que conhece o Inácio desde os tempos de escola, diz que Inácio tem mais medo de injeção do que de altura. Então é a solução! O enfermeiro que estava acompanhando a patrulha, jogou o seu estojo e dentro o sargento tirou uma injeção de penicilina, e já falando para o Inácio:

 – O seguinte soldado, você vai pular dessa janela agora, se você voltar aplico essa merda em você – Aponta a seringa para o pobre soldado

Inácio, respira fundo, corre e se joga no poste. A técnica era se jogar com o pé batendo no poste de forma que pudesse cair girando no poste, afim de minimizar o impacto da queda, mas o guerreiro se jogou de pernas abertas! E o poste maltratou profundamente suas partes mais sensíveis, praticamente ficou estatalado, abraçado com o poste alguns segundos, até cair completamente no chão.

 E todos ficaram felizes em ver o pobre Inácio gemendo no chão! Mesmo com todas as dificuldades a patrulha se afasta e aciona a artilharia brasileira, passando as coordenadas da casa com os inimigos.

Serie: Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial – Parte II

 A pedidos. Vamos mais um vez contar alguns “causos” dos nossos pracinhas. Desta vez, fiz questão de incluir alguns casos que os pracinhas da Regional Pernambuco nos relataram através de depoimento. Alguns casos eu preservo os nomes já que o teor é um pouco…digamos…Forte!

Jeitinho Brasileiro

Quando a 10ª Divisão de Montanha se instalou próximo ao acampamento brasileiro, os nossos pracinhas começaram a sentir a falta de vários objetos de uso pessoal, uniformes e mantimentos. Então os soldados se reuniram e foram falar com o Comandante de Companhia, este, ouvindo as queixas prometeu entrar em contato com o pessoal da 10ª Divisão.

Então lá vai o Capitão brasileiro falar com o Capitão americano sobre os pequenos “desaparecimentos”.

O americano escutou atentamente as ponderações do brasileiro e no final, disse que não iria se preocupar com esse tipo de problema, que estava em zona de guerra, e que, para ele, isso era normal e não deveria ser uma censura para seus homens.

Retornando, o Comandante brasileiro reúne sua Companhia e diz o seguinte:

– Pessoal! Está tudo liberado! Nem o comando americano e nem o brasileiro irão punir qualquer tipo de conduta em relação aos furtos que acontecem entre nossas Unidades.

Algumas semanas depois o Capitão americano pede para falar com o brasileiro.

Pede desculpas pelo mal entendido e leva-o até o pátio onde há três caminhões carregados de todo tipo de objetos pessoais e mais outras coisas. E fala o seguinte:

– Entendemos que erramos quando não nos preocupamos com essa conduta, creio que essa carga supre todo o material desaparecido de sua tropa…Agora, veja se consegue restituir os 05 caminhões, 8 jeeps e um tanque da nossa Companhia.

Da noite para o dia as Companhias brasileiras apareciam com novos veículos com o Cruzeiro do Sul desenhado e tudo, inclusive alguns pracinhas juravam que tinham chegado do Rio de Janeiro de navio com eles desde o início da guerra.

Senha? P…Nenhuma!

O Comando americano sempre enviava senhas e contrassenhas em inglês, e o comando brasileiro, em operações em conjunto, tinha que manter as senhas. Na prática o pracinha não queria saber de senha, que passava a ser os xingamentos.

Conta o sargento Rigoberto do 2º Batalhão do 11º RI, Companhia anti-carros, que posteriormente foi revertida em companhia de fuzileiros. Estava em uma patrulha para detectar um corte na linha de transmissão da companhia. No caminho acabou chegando em  uma casinha, e se instalou por alguns instante ali. Quando viu um grupamento se aproximando, um dos soldados gritou – quem vem lá? A resposta veio da seguinte forma:

Tá me reconhecendo não Filho da p… Manda tua mãe pra cá! Seu filho da p…

Em resposta ele escuta:

 – Tu num tem mãe, pois mãe que manda o filho para a guerra é melhor parir um rolo de arame farpado!

 E assim nossos soldados iam se entendendo do jeito brasileiro de se comunicar!

Soldado de Engenharia que é “Pau pra toda Obra”

 Certa vez o soldado Geraldo recebeu uns dias de descanso em Florença e para lá seguiu. Chegando em um Hotel administrado pelos americanos, foi longo procurando um lugar onde tivesse algumas mulheres para desfrutar suas moedas de ocupação. O militar que o acomodou informou que, para manter a integridade física da tropa, ele tinha que escolher dentre as mulheres escaladas para esse tipo de atividade e que mandaria a escalada em um horário determinado.

Chegando no horário, uma bela senhoria passou a lhe fornecer informações importantes quanto a saúde sexual e sobre a discrição do seu trabalho. Fez recomendações quanto a limpeza e a sua identificação. Depois partiram para o ato sexual.

Ao final, a jovem pediu para que ele esperasse até que viesse um soldado para ajudá-lo no asseio. Mesmo estranhando, ele esperou! Chegou um enfermeiro que iniciou um processo de “higienização” de suas partes íntimas, acompanhado de um banho com produtos farmacológicos misturados na água.

Isso o deixou impressionado e feliz pelo tratamento VIP recebido.

Esse mesmo soldado, ao voltar para sua cidade, no interior de Minas, foi recebido com direito a banda de música, discurso em praça pública ao lado do prefeito e tudo que tinha direito.

Depois das festividades, ele recebeu um convite para ir à noite ao Bordel local. Evidentemente, o nosso vigoroso pracinha não baixou a guarda.

Ao chegar no “baixo meretrício”, a dona do Bordel deixou claro que seria tudo por conta da casa, mas ele tinha que discursar. E lá vai mais um vez nosso eloquente pracinha!

Segundo o próprio, o discurso pátrio no Bordel foi tão fervoroso que no outro dia pela manhã, todos na cidade sabiam o teor do discurso do nosso soldado.

Esse é nosso Veterano “pau para toda obra!”

Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial

 Não tem como negar que a característica do povo brasileiro esteve muito presente no Teatro de Operações da Itália. Entre os diversos “causos” há vários relatos, alguns, é verdade, sem a comprovação necessária para tomarmos como verdadeiras. Mas outros realmente encontramos comprovação. Entre tantos relatos, separamos alguns, bastante engraçados.

A Comida Comuflada

Os pracinhas, acostumados às rações reguladas que tinham no Brasil, ficavam surpresos com a abundância servida pelos americanos: carnes, legumes, frutas, uva-passa, sorvetes, mas nem tudo era elogio. Tinha um tal de Pork Lunch (enlatado a base de carne de porco) que eles serviam tantas vezes que todos odiaram – inclusive os americanos. De vez enquanto os cozinheiros punham um molho diferente para enganar o pessoal, mas o primeiro pracinha da fila que via aquela rodela coberta com molho avisava a turma de trás: “Cuidado, pessoal, hoje ela está camuflada!”.

O Ferimento de Neve

No meio de uma saraivada da artilharia alemã, os soldados aprontavam uns com os outros para amenizar o stress do combate como conta o sargento Moacyr Machado Barbosa: “Quando caíam algumas granadas de 88mm, nós jogávamos bolas de neve ou pedra nas costas dos companheiros. Quando o bombardeio acabava, a gente levantava e voltava à normalidade. Aquele que tinha sido atingido pela bola de neve ficava passando a mão no local atingido procurando sangue para ver se tinha sido ferido. Ferimento não dói na hora, só depois. Por isso ficava procurando ferida. Era uma brincadeira de brasileiro”

Tá todo mundo preso!

Numa região onde havia brasileiros, americanos, alemães e italianos indo pra lá e pra cá, só podia acabar em confusão. Certo dia, uma patrulha sob o comando de um sargento gaúcho voltando de uma missão deu de cara com um grupo de alemães. Imediatamente o sargento mandou seus homens cerca-los e desarmá-los. Mas os alemães viam sendo conduzidos como prisioneiros por três americanos. Sendo tantos pracinhas os cercando, os americanos gritaram: -Oh! Brazilian, friends! Mas o sargento não entendia inglês. Não quis saber de conversa foi logo dizendo: – Não tem disso, não! É tudo gringo, vai tudo preso! Só quando chegaram à Companhia é que então se esclareceu quem era “gringo” e que não era.

Bota-fogo!

O Cabo João Batista Moreira, da 5ª Companhia do 11º RI, conta que quando estava na linha de frente o Alto Comando mandou reforço de duas seções de metralhadoras pesadas sob o comando de dois cabos. O 1º RI todo era carioca e as senhas escolhidas do dia foram Flamengo e Botafogo. Informou o Capitão a aproximação de uma patrulha inimiga de 12 a 15 homens. O Capitão mandou esperarem chegar mais perto e desligou. Logo depois tentou contato com a seção de metralhadoras, que não atendeu. Nervoso, o Capitão começou a gritar: “Alô, Botafogo! Botafogo!”. O pracinhas ouviram isso e gritaram para os artilheiros: “O Capitão ordenou: ‘Mete Fogo!’ ‘Mete Fogo!’”. E toda a frente abriu fogo. Quanto mais o Capitão gritava, mais atiravam até que um mensageiro mandou cessar fogo. Então lançaram um very-light que iluminou uma área de 100 metros. Havia apenas um alemão morto, o resto da patrulha fugiu. A confusão gerou telefonemas das companhias e do batalhão querendo saber sobre “o violento ataque alemão…”.

Fontes: Relatos da FEB, História Oral do Exército na Segunda Guerra.

 

A luta da FEB na Itália

 

 Artigo enviado pelo pesquisador Rigoberto Souza – Vice-Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco.

A Força Expedicionária Brasileira lutou exatos sete meses e dezenove dias no Teatro de Operações da Itália: de 16 de Setembro de 1944, quando um batalhão do 6º RI iniciou a marcha na frente do Rio Serchio – entre Pietrasanta e Luca(que findou com a conquista de Camaiore), até o dia 2 de Maio de 1945, dia em que a ordem de cessar fogo, vinda do comando do 4º Corpo de Exército, deteve o 3º Batalhão do 11º RI na localidade de Vercelli – no Vale do Pó nas proximidades de Novara.

            Nestes quase 8 meses, a 1ª D.I.E.(Divisão de Infantaria Divisionária) lutou em duas frentes, a primeira, a do Rio Serchio durante o outono de 1944; e a segunda(que foi muito mais ingrata), a do Rio Reno(não confundir com o Rio Reno na Alemanha), situada ao norte de Pistóia, na Região da Toscana em plena Cordilheira dos Apeninos.

            Nesta fase a FEB atravessou a época mais cruel do inverno, com temperaturas às vezes inferiores a 20ºC negativos e, sob constante hostilidade do fogo inimigo. Daí, a FEB marcharia, tendo como ponto de partida o Quartel General avançado de Porreta Terme, para a vitória dos seus maiores feitos: a vitória em Monte Castelo(21 de Fevereiro de 1945), a tomada  de Montese(14 de Abril de 1945), até culminar com o aprisionamento da 148ª Divisão Alemã, conjuntamente com a Divisão Bersaglieri Italiana, além de forças blindadas do Afrika Korps, que se deu no dia 28 de Abril de 1945, não por coincidência o mesmo dia em que o Duce Benito Mussolini foi preso pelos “partigiani” na cidade de Como.

            Nesta guerra de quase oito meses a FEB perdeu 443 homens, entre soldados e oficiais e, mandou para hospitais de retaguarda cerca de 3.000 feridos, não deixando de cumprir uma só missão que lhe foi atribuída pelo General Willys Dale Crittemberg, comandante do 4º Corpo de Exército, o qual a FEB estava incorporada.

            Durante a maior parte do inverno dos Apeninos, os alemães dominaram o cume de Monte Castelo, do Monte Della Toracia e do Soprasso, o que obrigou à tropa brasileira, que estacionava no Vale do Reno a disfarçar os seus movimentos sob a proteção de um nevoeiro artificial produzido pela queima de óleo diesel.

            Entre 2 de Julho de 1944(partida do 1º Escalão) e 8 de Fevereiro de 1945, quando seguiu o 5º Escalão nos navios transporte General W.A. Mann e General Meigs, desembarcaram em Nápoles um total de 25.445 expedicionários. Dos Oficiais superiores da FEB, 98% deste total pertenciam à ativa do Exército Brasileiro, como também eram da ativa 97% dos seus Capitães, mas em compensação 49% dos subalternos pertenciam à reserva, ou seja, civis convocados nas mais diferentes partes do Brasil para completaremos quadros da FEB.

            A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária foi composta pelo 1º Regimento de Infantaria(Regimento Sampaio), da cidade do Rio de Janeiro; pelo 6º Regimento de Infantaria da cidade de Caçapava – no estado de São Paulo; também pelo 11º Regimento de Infantaria da cidade de São João Del Rey, no estado de Minas Gerais. Além destes regimentos também faziam parte 4 grupos de Artilharia, do 9º Batalhão de Engenharia de Combate da cidade de Aquidauana(Mato Grosso), de um Esquadrão de Reconhecimento(Cavalaria), do 1º Batalhão de Saúde, sediado na cidade de Valença(estado do Rio de Janeiro) e, das chamadas tropas especiais e de corpos auxiliares, incluindo-se  67 Enfermeiras.

            Na relação de tombados no Teatro de Operações, o 1º RI vem em primeiro lugar com 152 homens mortos, seguido pelo 11º RI com 134 e 109 do 6º RI. Sendo que todos Estados brasileiros tiveram a honra de enviar seus representantes.

            No conjunto militar da frente Italiana, onde operava o 5º Exército Norte americano e 0 8º Britânico, a FEB que estava incorporada ao 4º Corpo de Exército Norte Americano que, por sua vez além da DIE brasileira faziam parte uma divisão blindada(norte americana), uma divisão Sul-africana e outra Inglesa, que lutaram lado a lado dos brasileiros na Tomada do Monte Castelo.

            A ação do 4º Corpo cobria uma frente de 80 quilômetros e, nesta frente a FEB ficou responsável a partir de Novembro de 1944, quando se deslocou para o front dos Apeninos, por uma extensão de 10 km e,  quando da Ofensiva da Primavera em Abril de 1945 esta frente chegou a medir o dobro do tamanho, instalando o seu QG em Porreta Terme, cerca de 30 km ao norte da cidade de Pistóia.

 

 

 

 

Os Navios Brasileiros Torpedeados – Quarta Parte

            O Embaixador brasileiro nos Estados Unidos,Carlos martins, enviou um telegrama ao Lóide Brasileiro informando que o seu Navio”Cairu”, de 7.152 toneladas e que levava 75 tripulantes e 10 passageiros, havia sido torpedeado nas costas do Atlântico, e que dos que estavam embarcados, morreram 47 tripulantes e 6 passageiros dentre eles o seu comandante José Moreira Pequeno.

            Este era um navio de construção norte americana, e considerado um dos mais bonitos mercantes brasileiros e, na ocasião do seu torpedeamento levava em seus compartimentos de cargas, borracha, algodão,mamona e cristais de mica, dentre outros. Os alemães estavam perfeitamente informados de tudo sobre os nossos navios e agiam deliberadamente.

            O comandante Moreira Pequeno estava enfermo, com 39 graus de febre, quando após o impacto do torpedo, o pânico foi estabelecido, e ele deixou sua cabine com aparente tranquilidade, e esta atitude fez restabelecer a calma entre os seus comandados, e eles baixassem as  quatro baleeiras e se afastassem rapidamente do navio. De repente, viram submergir dois submarinos, e o U-94 lançou mais um torpedo, enquanto se comunicavam por sinais luminosos e, como o “Cairu” ainda não havia afundado, o Capitão alemão Otto Ites decidiu lançar mais um torpedo, mas a câmara frigorífica explodiu, partindo a embarcação ao meio, às  17 horas do dia 10 de Março de 1942.

            Finalmente o U-94 aproximou-se da baleeira nº 1 cerca de 30  metros, e um dos oficiais falando em inglês, pediu a confirmação dos dados que já possuía sobre tonelagem, carga e até o nome do comandante.

            No dia 1º de Maio de 1942, enquanto se dirigia do Recife para Nova Iorque, e se encontrava próximo à Ilha de Trindade recebeu o impacto de um torpedo lançado pelo submarino U-162, que estava sob comando do capitão Jurgen Wattemberg . O nosso comandante Raul Francisco Diegoli, apesar de possuir uma peça de artilharia na popa e manter permanente vigilância, nada pode fazer, uma vez que o torpedo foi lançado com o submarino submerso. A casa de máquinas foi atingida e o navio afundou rapidamente, mas ainda houve tempo de fazer um pedido de socorro pelo rádio, e destruir documentos. Quando os náufragos se encontravam a cerca de 800 metros do navio, viram o U-162 que passou a bombardear e metralhar o “Cairu”.

            O comandante Francisco Diegoli havia, por sua conta e risco, modificado a rota que lhe havia sido indicada, por achá-la muito afastada da terra e da proteção das bases navais e aéreas brasileiras e estrangeiras. Por esta insubordinação, sofreu inquérito e foi punido e, enquanto durasse a guerra, ficou proibido de assumir o comando ou imediatice de qualquer navio mercante de longo curso ou em navios de cabotagem. Neste afundamento, perdemos sete dos 72 que compunham a guarnição desta embarcação.

 

            No dia 18 de Maio, às 18h50min, o Navio “Comandante Lira” enquanto navegava do Porto do Recife, com destino a New Orleans, ao largo da Ilha de Fernando de Noronha, foi atingido por um torpedo que partiu do submarino italiano “Barbarigo”, que também o acertou com tiros de canhão, além de incendiá-lo. O comandante de longo curso Severino Sotero de Oliveira, agiu com cautela e desprendimento, só ordenando o abandono da embarcação quando este já se encontrava em chamas. Sua atitude não foi compreendida pelas autoridades pois, graças à pronta intervenção de unidades aeronavais norte americanas, pôde ser salvo e rebocado até o Proto de Fortaleza.

            Posteriormente, estudando-se melhor as condições da ordem de abandonar navio, dada pelo comandante Sotero, as mesmas autoridades que o haviam punido, anularam a punição. Na ocasião, o Navio “Comandante Lira” navegava com uma tripulação de 48 homens, um sargento e três marinheiros que guarneciam o canhão de bordo.

Artigo enviado pelo Pesquisador Rigoberto Souza Júnior.

Apelo Popular

 

Como o inimigo semeia a morte!

Artigo enviado pelo Pesquisador Rigoberto Souza Júnior sobre o comportamento dos alemães durante a campanha da Itália. Agradecemos mais uma vez a inestimável colaboração.

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Crônica de Ruben Braga, correspondente do “Diário Carioca” – Fevereiro de 1945

             Pode acontecer, por exemplo, o seguinte: você se esconde atrás de um arbusto e, naturalmente apoiará sua mão em um galho. Há um fio de arame ligado a este galho. Este arame aciona uma ignição, tipo zz-42, que é um tipo de espoleta alemã tão popular que já existe um “jeep” nosso com este nome. O resultado é uma detonação de 3 cargas explosivas que estão escondidas de baixo de monte de pedras ali, pertinho do arbusto, e em vista disso, você sai deste mundo para outro – provavelmente melhor – pois não acredito que seja muito pior.

            Coisas semelhantes podem acontecer se, descendo um morro, você tropeça em um fio qualquer ou, abre uma porta inadvertidamente ou, se abaixa para apanhar um capacete nazista que pensa em levar como “ricordo” para o brasil e pendurar na parede da sala de visitas. Os homens do Pelotão de Minas de nossa Infantaria, ou das seções de nossa Engenharia já conhecem estas coisas, e sabem que não basta plantar minas para o inimigo nem colher as que o inimigo planta. É preciso prever a necessidade de você mesmo ter de retirar as minas que lançou. É para isso que se faz a “amarração” dos campos minados, isto é: marca-se direitinho o lugar em que a mina está enterrada: a 3 metros naquele pau de cerca da direção precisa daquele tronco de oliveira. As outras minas são dispostas em relação àquela, formando figuras geométricas, pois assim fica mais fácil de localizar as minas enterradas, quando, no lugar de temer um ataque inimigo os nossos homens é que tarão de avançar.

            E, agora uma coisa importante: os mineiros alemães não estão fazendo isso. Nossos homens já tem colhido uma safra abundante de minas alemãs e italianas, desde as grandes “telerminen” que destroem tanques de guerra, até as pequenas “schulterminen”, que arrancam o pé de quem a pisa. E essas minas alemãs estão semeadas sem nenhuma  ordem ou simetria, o que se deduz daí com muita probabilidade é que o alemão não pretende voltar pelas estradas por onde se retirou.

            Certamente o nosso comando sempre prevê a hipótese de um ataque ou um golpe de mão do adversário, mas de um modo geral o nazista sabe que não voltará.. Lenta ou apressadamente, do sul para o norte, do ocidente para o oriente, o alemão recua – e sabe que não voltará. Chegará um dia, talvez próximo, em que ele não terá mais para onde ir a não ser para o inferno.

            Sim, este soldado alemão desta guerra está condenado – mas o fascismo pode voltar, e estamos chegando ao momento de decidir este problema: fazer com que o nazista não volte – com este nome, ou com qualquer outro nome, na Alemanha ou fora dela. Ele pode brotar outra vez do chão – na Europa ou na Ásia, ou também na América. E que ninguém se iluda: acabar com as injustiças nacionais e sociais que são o caldo da cultura do fascismo e das guerras, será uma grande luta do povo, e uma luta mais dura ainda. Mas, creio que vale a pena lutá-la, pela mesma razão que vale apena lutar esta guerra de hoje.

            Tenho um filho. É ainda um menino – tem muitos caminhos a andar no mundo, e não pretendo que ele sempre ande por estradas de rosas, como um pequeno vagabundo no Reino da Felicidade, mas eu pretendo que ele nunca precise andar pelos caminhos que os Pracinhas Brasileiros estão trilhando hoje.

            A terra não foi feita para plantar minas: mas essa terra dos homens, em que se plantando dar-se-á nela tudo. Essas lavouras do futuro que meu filho e vosso filho vão colher amanhã – nós é que semearemos agora.

 

            Fonte: “Scatoletas da Itália” – a BBC e as Forças Brasileiras – 1944-1945

            P.S.: Scatoletas era como os italianos chamavam as caixas de ração que os soldados                  recebiam diariamente.

FIM DA GUERRA! Por Joel Silveira.

Em uma deliciosa reportagem de Joel Silveira fala sobre seu encontro de uma tropa alemã no final da guerra, então percebemos algo que, inicialmente, é difícil de encontrar ou entender durante um estado de guerra. Primeiro a disciplina alemã é incrivelmente inquestionável, mesmo totalmente destroçada as tropas marchavam em formação, com respeito e obediência hierárquica, e na narrativa do Joel parece algo surreal para exército desfarelado. Outra observação é o ponto em que o próprio correspondente de guerra percebe que um novo universo estava se formando para vencido e vencedores, e como um profeta ele pergunta: O que será de nós? Como se previsse o descaso que aconteceria como a desmobilização e abandono do contingente vitorioso da FEB.  Então curtam esse maravilhoso relato:

Publicado anteriormente: O Primeiro Dia – Relato de Joel Silveira – Correspondente de Guerra

Então para fechar vamos publicar o último dia da guerra para Joel Silveira.

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Fim da Guerra

 

Foi no dia 03 de maio de 1945.

Haviam-nos dito, no QG avançado da FEB, que a guerra iria acabar dentro de três dias, quatro no mais tardar. Mas na verdade já havia acabado, embora muitos combatentes – aliados e alemães – ainda não soubessem disso. Eu sabia. Mas não sabia o sargento alemão que fomos encontrar, num trecho de autoestrada que vai de Milão para Bolonha, tentando comandar decentemente um grupo de soldados amarfanhados e barbudo. Atrás do aturdido Batalhão, um pequeno carro italiano camuflado levava um coronel de rosto duro, que sentava ereto ao lado do motorista como se estivesse em posição de sentido. E o motorista era quase um menino, as faces cavadas pelo cansaço, olheiras profundas e maltratados cabelos sobrando do casquete cinza-esverdeado.

Alcançamos com o nosso jipe o carro do coronel, que andava sem pressa, fiz um gesto pedindo que parasse. Mas, antes de frear, o menino olhou apreensivo para o impassível oficial. Este levantou o braço direito, cuja mão segurava uma luva de couro, e imediatamente o jovem chofer pisou no freio.

Lá na frente, o sargento e os soldados, vendo que o carro do coronel estacara, também interrompeu a marcha. E logo uma vintena rodeava nosso jipe. Numa voz que pretendia ser autoritária, o sargento grunhiu uma ordem que ninguém pareceu ouvir. Ou, se ouviram, não obedeceram.

Entre Milão e Bolonha, a larga estrada ainda não era inteiramente de ninguém, nem nossa, nem deles – e por ignorar isto é que o Correspondente de Guerra Rubem Braga levou um inesperado tiro na mão. Logo a magnífica rodovia estaria desimpedida, mas naquela manhã havia trechos dos quais o inimigo ainda não havia sido expulso. O difícil era saber o que já era nosso e o que ainda era deles. E sabe isso era o que precisamente estava acontecendo naquele instante no quilometro 312 do caminho que nos trouxera de Milão, libertada poucos dias antes, e que deveria nos levar a Bolonha, já tomada a muito tempo.

O Corporal Hans sabia um pouco de italiano e, a uma pergunta minha, respondeu que estava recuando.

– Para onde?

– Para qualquer lugar, não sabemos ainda.

Perguntei depois quem era o coronel. Hans me disse que o coronel se chamava Gunther Habecker, comandante do 114º Regimento de Artilharia – ou do que restava dele. E o que restava do 114 era o que se encontrava ali, diante de nós: uns 50 homens de todas as idades, de uniformes os mais variados, a maioria já sem qualquer arma, quase todos de olhos enterrados nos rostos magros, fechados na barba de dias. O 114º era a sobra da Divisão, a 543, que por sua vez, havia sobrado de uma Corpo de Exército – o do Marechal Kelsering – que não existia mais e que começara a dispersar-se desde que foram expulsos do seu QG, em Genôva.

Foi ao Corporal Hans que indaguei para onde eles pretendiam ir, mas ao fazer a pergunta fixei por um instante os olhos no coronel Gunther, que permaneceu como estava: vertical e distante. Hans queria saber se de fato a guerra havia acabado.

 – Acabou mesmo, não?

 – Acabou.

– Nós já sabíamos. Horas atrás encontramos um Batalhão de ingleses, perto de Pádua, e eles nem nos quiseram prender. Só o nosso Coronel não quer entender ou aceitar isso.

Marchavam agora, ou melhor, caminhavam quase se arrastando, como no final de um prolongado passeio. Direção: a retaguarda. Ponto de chegada: qualquer um. Talvez Bréscia, talvez Alessandria, porque as rações estavam chegando ao fim e os italianos, antes não amigos e prestativos, já não queriam mais nada com eles. Estavam sem comida. E sem cigarros.

 – O último o Coronel acaba de fumar.

Quando Hans soube que era jornalista passou a me fazer uma série de atropeladas perguntas. Atropeladas e ansiosas. E logo não era apenas ele, mas todos a querer saber se era verdade que a Alemanha havia se rendido, se o Marechal Kesselring havia sido preso. Minhas respostas os deixavam ainda mais inquietos. Com exceção do coronel, que fingia não ouvir a conversa (da qual Hans servia de intérprete para os companheiros, no seu italiano confuso), mas era evidente que estava escutando e entendendo tudo.

Hans me disse mais, que as últimas notícias que haviam tido “lá do norte” não eram nada boas, coincidindo com as que eu lhe dava: Mussoline e seus gerarcas haviam sido executados pelos partigiani, Berlim praticamente fora varrida do mapa, Hitler se matara, e os vitoriosos, particularmente os russos, estavam sendo implacáveis para os vencidos.

Que ia ser deles? Uma era de Bremen, outro de Hamburgo, outro de Dresden (Dresden também acabou), outro de Kiel. E havia também alguns tchecos, um russo ucraniano e quatro polacos. Que ia ser de todos? Muitas das cidades onde havia nascido, e para onde pretendiam retornar um dia, eram naquele instante apenas nomes, referências sem sentido num geografia que a guerra havia passado a limpo, nalguns pontos apagando-a por completo do mapa.

 Houve um momento em que o sargento segurou meu braço, me olhou dentro dos olhos e perguntou se tinha cigarros: “zigarette?” Não fumo – mas tinha.

 – Cambiare?

Trocar por quê? Que teria ele a me dar? O alemão meteu a mão no bolso do culote folgado e dele tirou uma Cruz de Ferro e mais outro crachá no centro do qual uma iracunda águia nazista desfraldada as suas outrora temíveis asas.

 –Cambiare?

Entreguei-lhe os dois maços de cigarros. Ele me deu as medalhas. Depois acendeu um cigarro, sorveu demorada e gulosamente a fumaça, os olhos semicerrados, num total enlevo. Em seguida ajeitou o bornal que trazia dependurado ao ombro, gritou um ordem imperativa e o grupo voltou a se reunir.

Foi então que começou a cair uma chuvinha rala e fria – e também absolutamente neutra, pois molhava a todos nós, vencedores e vencidos. Imperturbável, o Coronel Gunther Habecker continuou como estava. Mas o sargento, ao vê-lo exposto à chuva que engrossava, gritou qualquer coisa em alemão. E como ninguém, no grupo palrador, parecesse tê-lo ouvido, gritou mais alto. Logo um velho soldado destacou-se do resto do Batalhão, trazendo um guarda-chuva. O sargento arrancou-o das mãos do soldado, pulou para o assento de trás do pequeno carro do coronel e abriu sobre sua cabeça o guarda-chuva providencial. O coronel Gunther, comandante do 114º de Artilharia, repetiu o mesmo jeito de momentos antes, erguendo a mão que segura a luva de couro, e o seu carros pôs-se novamente em movimento. Ao roçar nosso jipe, fez uma espécie de continência, à qual o meu motorista, um enfezado e exausto terceiro-sargento, respondeu com um sonoro palavrão em português.

                Não havia dúvida: a guerra tinha acabado, definitivamente. Tudo indica isso: o prosaico guarda-chuva aberto sobre a cabeça do coronel alemão, a sua continência vaga (mas um cumprimento que continência) e o indisciplinado palavrão do meu sargento – não restava mais dúvida: tais demonstrações tão à margem da ordem castrense eram a prova definitiva, a que me faltava, de que de fato a guerra chegara ao fim.

                A guerra havia acabado – e, do lado de lá e do lado de cá, que seria de todos nós? Do lado de lá, um era de Bremen, outro de Hamburgo, outro de Praga – que ia ser deles? Do lado de cá, eu era de Aracajú e o sargento de São João del Rei – que ia ser de nós dois? Nossa situação, naquele momento, era ironicamente a mesma, ou quase. Vencidos e vencedores, a fábrica de matar, onde vínhamos trabalhando havia meses, anos, fora fechada, e agora estávamos todos sem emprego. Dentro de mais algumas horas, quando o armistício fosse assinado, não seríamos mais do que intrusos sem função num terra que não era a nossa e que por justas razões só tinha motivo para nos detestar e estava ansiosa para nos ver pelas costas.

                Quando o último soldado alemão desapareceu na estava, o Sargento Alcebíades me perguntou para onde iríamos agora? Pensei alguns segundos, decidi:

                – Vamos voltar.

                – Para Milão?

                – Exato

                – Mas acabamos de sair de lá.

                – E daí? A guerra acabou. O coronel deles pensa que não, mas o fato é que acabou. Você viu aquele guarda-chuva do sargento? A guerra acabou mesmo. Vamos para Milão. Lá tem luz, tem aquecimento, tem bebida, tem mulher. E já é hora de arrumar a nossa trouxa.

                Na verdade, metido naquela farda velha de quase 10 meses, eu já começava a me sentir um tanto ridículo. Como alguém fantasiado de palhaço num quarta-feira de cinzas.

                – Quer dizer que é Milão mesmo?

                – É

                – Pois que seja, o Capitão é que manda.

                Minha reação ríspida:

                – E pare de me chamar de “capitão”. “Capitão” é a mão!

                – E como vou chamar o senhor a partir de agora?

                – “Senhor” também é a mãe! Me chame simplesmente de Joel. É o meu nome. E é o que sou.

                – Depois de tanto tempo, vai ser difícil. Mas vou tentar.

                – Pois comece logo. E basta de conversa. Milão!

Fonte: A Luta dos Pracinhas  –  Joel Silveira/Thassilo Mitke. Ed. Record, 1993

A Agressão Alemã Contra o Brasil

Figurou por muitos anos a tola menção de que os navios torpedeados na costa brasileira era fruto inevitável de submarinos aliados com o objetivo de incriminar deliberadamente a Alemanha, e forçar a entrada no Brasil na Segunda Guerra Mundial. Evidentemente essa teoria nunca se sustentou, muito embora ainda haja pessoas que acreditam em tão fraco argumento.

A convite do então Ministério da Marinha, o Almirante Jorgen Horhwer esteve no Brasil e, no dia 28 de março de 1982, na Escola de Guerra Naval, pronunciou uma conferência intitulada “Operações navais da Alemanha”. O Almirante, que combateu na marinha alemã durante a Segunda Guerra Mundial, relatou de forma precisa como os submarinos de seu país torpedearam navios brasileiros. O depoimento histórico abrange todas as operações navais realizadas nesta parte do oceano atlântico, do início ao fim das hostilidades, e foi publicado na íntegra, no número 18 da revista Navegator.

 

Vamos verificar abaixo um resumo de algumas atividades das operações submarinas da marinha alemã na costa brasileira a partir de 1942.

Semanas antes do afundamento do Lacônia, precisamente no dia 7 de agosto de 1942, Doenitz tomou uma decisão que mudaria a História Contemporânea do Brasil: o U-507 recebeu por rádio a mensagem para usar “manobras livres” na costa brasileira. De modo que o submarino comandado pelo capitão-de-fragata Harro Schacht então com 35 anos, afundou cinco navios brasileiros de cabotagem nos litorais da Bahia e Sergipe, acarretando a morte de mais de 600 pessoas, inclusive de mulheres e crianças. Diga-se agora e a bem da verdade que a grande mortandade ocorrida nos afundamentos do Baependi, Araraquara, Anibal Benevolo foi devido ao tipo de ataque devastador desfechado pelo comandante Schacht, ou seja, sem prévio aviso e lançando dois torpedos um após outro, levou aqueles navios ao fundo em questões de minutos e isso debaixo de uma noite escura e de um mar revolto. Em outras palavras, a maioria dos tripulantes e passageiros não tiveram a oportunidade de abandonar os navios devido ao rápido afundamento. Tudo indica que as ordens dadas a Schacht era o de causar o maior número de vítimas fatais. Para se ter uma idéia da dimensão da tragédia cometida pelo U-507, somente uma baleeira do Baependi, com apenas 28 sobreviventes atingiu a costa no dia seguinte. E apenas oito náufragos, agarrados em destroços de madeira, lograram alcançar a terra dois dias após o ataque. Portanto, das 305 pessoas que estavam a bordo do famoso navio do Lloyd Brasileiro, pereceram 269. Já entre os 142 ocupantes do Araraquara, 131 morreram. Tanto pior ocorreu com o Anibal Benevolo, pois morreram todos os seus 83 passageiros e apenas quatro dos 71 tripulantes, sobreviveram. Foi uma matança sem igual, porquanto até fins de julho de 1942, a Marinha Mercante brasileira de longo curso tinha perdido onze navios com 135 vítimas fatais.
Esse massacre ocorrido em águas territoriais brasileiras, provocou grande consternação entre o povo brasileiro. A indignação foi geral. Em várias cidades houve violentas manifestações populares contra súditos do Eixo e suas propriedades. Tanto o governo autoritário do Estado Novo quanto a opinião pública que vivia manietada pelo DIP, consideraram indispensável uma reação. O Brasil seria lançado definitivamente na infernal Segunda Guerra Mundial. No Rio de Janeiro, a notícia, divulgada no dia 18, desencadeou uma série de passeatas e comícios populares, onde os cariocas exigiam retaliação. No fim da tarde, uma massa popular se dirigiu para o Palácio do Itamaraty – sede do Ministério das Relações Exteriores – clamando pelo chancelar Oswaldo Aranha, que apareceu na sacada do edifício para exclamar: “A situação criada pela Alemanha, praticando atos de beligerância, bárbaros e desumanos contra a nossa navegação pacífica e costeira, impõe uma reação à altura dos processos e métodos por eles empregados contra oficiais, soldados, mulheres, crianças e navios do Brasil. Posso assegurar aos brasileiros que me ouvem, como a todos os brasileiros, que, compelidos pela brutalidade da agressão, oporemos uma reação que há de servir de exemplo para os povos agressores e bárbaros, que violentam a civilização e a vida dos povos pacíficos.”
Mas em verdade o Brasil naquele momento estava longe de ser um país pacífico. Vide o que a FAB estava fazendo em maio de 1942, ao atacar os submarinos italianos que estavam posicionados ao longo da costa nordeste brasileira.

As memórias equivocadas de Doenitz

É bem verdade que em agosto de 1942, o Brasil já estava em beligerância não declarada com o Eixo, mas sobre o nefasto acontecimento que chocou o Brasil, Doenitz, em suas memórias veio escrever: “Finalmente, havia a possibilidade de operações ao largo da costa do Brasil. Nossas relações políticas com aquele País vinham há já algum tempo cada vez mais se deteriorando e as ordens emitidas pelo Alto Comando Naval referentes à nossa atitude para com a navegação brasileira se agravaram em correspondência(…)Depois que o Brasil rompeu relações diplomáticas, seus navios continuaram a ser tratados da mesma maneira que os de todos os outros Estados neutros, desde que fossem reconhecidos e agissem como neutros, de acordo com a Convenção Internacional. No entanto, entre fevereiro e abril de 1942, os U-boats torpedearam e afundaram sete navios brasileiros, com todo direto de fazê-lo de acordo com o estabelecido na Convenção de Praças de Guerra( Prize Ordenance), desde que os capitães dos U-boats não puderam reconhecer suas identidades de neutros. Estavam navegando sem luzes em curso de zigue-zague, alguns deles armados e alguns pintados de cinza e nenhum deles ostentava uma bandeira ou signo de sua identidade de neutro. Depois disso mais e mais navios brasileiros montaram canhões até que toda sua Marinha Mercante estava armada.(…)No fim de maio, o Ministro da Aeronáutica brasileiro anunciou que um avião brasileiro tinha atacado submarinos do Eixo e que continuaria a fazê-lo. Sem nenhuma declaração formal, achamo-nos assim num estado de guerra com o Brasil, e a 4 de julho os U-boats receberam permissão dos nossos líderes políticos de atacarem todo os navios brasileiros. Na primeira semana de julho, quando estávamos planejando as primeiras operações dilatadas de U-boats, perguntei ao Ministro do Exterior se haveria alguma objeção às planejadas operações ao largo do estuário do Rio da Prata, área de reunião para os navios-frigoríficos que eram tão importantes no suprimento de carne da Inglaterra. Sem considerar a opinião da Argentina, o Ministro do Exterior negou permissão para qualquer operação ao largo das costas daquele País, mas não fez objeção à continuação de nossas atividades ao largo do Brasil, que haviam sido permitidas em maio e que estavam em progresso desde então. Decidi portanto mandar, em associação com as operações planejadas contra o tráfego de navios Norte-Sul ao largo de Freetow, mais um barco para a costa brasileira. Do outro lado do estreito entre a África e a América do Sul, o U-507(Tenente-Comandante Schacht) estava operando. Ali fora das águas territoriais, ele afundou cinco navios brasileiros. Nisto ele agia de acordo com as instruções expedidas, com a cooperação do Ministro do Exterior, pelo Quartel-General das Forças Armadas. O Governo brasileiro tomou o afundamento destes navios como ocasião para declarar guerra à Alemanha. Embora isto não tivesse em nada alterado nossas relações existentes como o Brasil, que já havia tomado parte em atos hostis contra nós, foi sem dúvida um erro levar o Brasil a uma declaração oficial; politicamente deveríamos ter sido melhor aconselhados para evitar tal fato. O U-boat Command, porém, e o capitão do U-boat envolvido, como membros das Forças Armadas, não tinham senão que obedecer as ordens que lhe haviam sido dadas; não competia a eles pesar e calcular as conseqüências políticas…”

CONTUDO

Primeiro é preciso que se diga que certas informações fornecidas acima por Doenitz não correspondem com a verdade. Os três primeiros navios comprovadamente afundados pelos nazi-fascistas(Buarque, Olinda e Cabedelo, 14, 16 e 25 de fevereiro de 1942, respectivamente), navegavam com as luzes de bordo e de navegação acesas, assim como estavam iluminadas as bandeiras do costado e da popa, bem como a chaminé que identificava a nacionalidade e a companhia proprietária. Foi depois dessas iniciativas da parte da ressentida Alemanha contra os interesses brasileiros, que o governo do Estado Novo junto com autoridades navais norte-americanas, tomaram medidas para tentar evitar que os barcos fossem afundados tão facilmente. Assim, o terceiro a ser atacado, o Arabutan, estava pintado de cinza, navegava às escuras e sem bandeira. E foi após a perda do Cairu ao largo da costa leste dos EUA, o qual veio gerar a morte de 53 pessoas, que os navios mercantes brasileiros começaram a ser dotados de um sistema de defesa, dispondo tão-somente de uma peça de artilharia( O Parnaíba, o quinto navio torpedeado em 1-5-42, trazia na popa um canhão de 120mm) Entrava-se numa dialética de ação e reação de atos de beligerância. O Comando da Marinha alemã solicitou a Hitler que fossem levantadas as restrições para o ataquue a navios brasileiros(vistoria e ordem de abandono), no que foi atendido. Daí por diante, os navios brasileiros seriam considerados beligerantes e torpedeados sem aviso. Mas bem antes disso, o governo de Getúlio Vargas havia protestado perante a Alemanha através do embaixador português em Berlim, que transmite em 27 de fevereiro o seguinte: “devem cessar os atos da Marinha de Guerra alemã contra os navios mercantes sem defesa, e que pertencem a um país que não está em guerra.” Mas a Alemanha hitlerista não levou em conta esses protestos.

 

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