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Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte IX

PARTE 9

A escuta das transmissões dos rádios russos bem como a captura de documentos fornecem uma ampla diversidade de razões para a eliminação dos prisioneiros de guerra alemães. Aqueles soldados inimigos que lutavam ao invés de se renderem bem como os prisioneiros problemáticos eram, na maioria das vezes, sumariamente executados. O desenrolar de situações táticas não previstas e/ou a falta de transporte para os prisioneiros poderiam contribuir para selar o seu destino. Execuções sumárias durante o interrogatório poderiam acontecer como resultado diante da recusa de fornecer informações militares ou para encorajar que outros falassem. Em resumo, os excessos praticados pelos alemães sofriam uma resposta paga na mesma moeda. Alimentação sempre era escassa e, sendo assim, não disponível prontamente para os prisioneiros. Recompensas também eram oferecidas para aqueles que provocassem o maior número de baixas entre o inimigo. A execução dos oficiais alemães e dos nazistas também acontecia, manifestando uma indignação por parte dos soviéticos e que era expressa através da matança do tipo “olho por olho”. De qualquer maneira, o enfrentamento contra o soldado alemão deveria ser levado até o fim. Um documento do 5º Exército Soviético datado de 30 junho revelou:

“Tem acontecido freqüentemente o fato de soldados do Exército Vermelho e seus comandantes, afetados pela crueza dos porcos fascistas (…) não fazerem nenhum soldado alemão ou oficial prisioneiro, mas sim o executarem ali mesmo no local.”.

Tal prática era criticada devido à perda de informações para o serviço de inteligência bem como pelo fato de desencorajar a deserção por parte do inimigo. O major general Potapov, comandando o 5º Exército Soviético, ordenou que seus comandados explicassem aos soldados de que matar os prisioneiros de guerra “é prejudicial aos nossos interesses.”. Ele enfatizava que os prisioneiros deveriam ser tratados adequadamente. Ele ordenou: “Eu categoricamente proíbo qualquer iniciativa individual de fuzilamento.”. Outro documento capturado e proveniente do 31º Corpo Soviético, assinado pelo Comissário Chefe do departamento de propaganda e datado de 14 de julho de 1941, revelava que “prisioneiros tem sido enforcados e esfaqueados até a morte.”. Tal ordem argumentava que “tais comportamentos para com os prisioneiros de guerra são um prejuízo político para o Exército Vermelho e apenas aumentam a vontade do inimigo em lutar (…) O soldado alemão, quando capturado, deixa de ser um inimigo.”. O objetivo era de “fazer tudo o que for necessário para capturar soldados e, especialmente, oficiais.”.

Porém, a realidade em nível de tropa era de que o soldado russo – da mesma maneira que o seu adversário – tinha sido igualmente e rapidamente brutalizado pela natureza de uma luta ideológica e impiedosa. Os interrogatórios dos prisioneiros de guerra soviéticos conduzidos pelos alemães em Krzemieniec no mês de julho de 1941 descobriu que:

“Nenhuma ordem definitiva havia sido dada para que se executasse todos os oficiais, sub-oficiais e soldados alemães quando da sua captura. Os oficiais, comissários e médicos soviéticos capturados explicam que os fuzilamentos e as torturas até a morte dos militares alemães são oriundos de iniciativas individuais ou por ordens especiais. Estas eram repassadas por oficiais, comissários ou ambos. Um comissário afirmou que tais ordens, na sua maioria, são dadas pelos comandantes de regimentos e de batalhões e por quem os comissários são responsáveis.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

O Soldado do Exército Alemão Estava Preparado Para a Campanha na Rússia?

Sempre que analisamos um Teatro de Operações da Segunda Guerra Mundial uma das primeiras perspectivas são reveladas a partir da visão do comando. Interpretar as conformidades estratégicas de cada lado é uma imposição para qualquer discussão sobre a condução de uma determinada campanha. Contudo, essa perspectiva não deve ser a única para aqueles que anseiam compreender todo o contexto da guerra. E, como não poderia deixar de ser, a campanha da Alemanha contra a União Soviética desencadeada pela Operação Barbarossa em 22 de junho de 1941 tinha por objetivo o colapso total do governo soviético antes do inverno. Ao contrário do que se imagina, Hitler estava entrando em uma longa e tenebrosa guerra que se encerrou em 1945 com a queda de Berlim.

Quando pensamos nos erros estratégicos na Campanha da Rússia sempre encontramos todos os tipos de discussão que vai da decisão de Hitler de não tomar a capital soviética até as linhas de suprimentos alemães durante toda a campanha.

Mas existe um fator que creio, deve ser considerado. Esse fator é expresso na seguinte pergunta:

O Soldado do Exército Alemão estava preparado para a campanha na Rússia?

Quero levantar algumas questões para que possamos entender uma pouco mais dessa perspectiva, mas antes vou reproduzir uma um trecho do livro: “Ação das pequenas Unidades Alemãs na Campanha da Russia”, uma publicação da BIBLIEX. Evidentemente vamos salvaguardar qualquer tipo de partidarismo.

“1. Adaptação Alemãs ao Teatro de Guerra Russo

 Ao contrário dos russos, as tropas alemãs estavam mal preparadas para uma prolongada campanha na Rússia. Tornou-se necessário um imediato reajustamento e uma radical modificação das normas estabelecidas para os teatros de operações central e ocidental. O primeiro reajustamento do Exército alemão às condições locais consistiu na revisão dos padrões de seleção dos comandantes dos escalões inferiores; sua idade média foi diminuída e os requisitos físicos foram aumentados. Sempre que uma unidade alemã tinha de entrar em ação contra as forças russas, era necessário deixar para trás qualquer excesso de bagagem, os cavalos de montaria e as viaturas unicamente de transporte de pessoal. Durante semanas, às vezes, os oficiais e soldados não tinha a oportunidade de trocas as roupas de baixo; esta circunstância exigia um outro reajustamento às condições de vida russas tendo em vista, tão somente, a resistência a imundície e aos parasitas. Muitos oficiais e praças de mais idade entraram em colapso ou ficaram doentes tendo de ser substituídos por homens mais jovens.

O soldado alemão, em comparação ao russo, era inferior devido às comodidades a que estava acostumado. Já antes da 1ª Guerra Mundial era comum pilheriar-se que os cavalos do Exército Alemão não resistiriam a uma única noite passada ao ar livre. O soldado da 2ª Guerra Mundial estava acostumado às barracas com aquecimento central e água corrente, às camas com colchões e a dormitórios com assoalhos de parquete e sua adaptação às condições de vida extremamente primitivas da Rússia não foi nada fácil.” – Ação das pequenas Unidades Alemãs na Campanha da Rússia – pg. 03

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