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A Engenharia Brasileira da FEB

 Fazer uma homenagem a um dos Oficiais mais vibradores da Força Expedicionária Brasileira que tenho a honra de conhecer, Tenente-Coronel André Monteiro. Um Engenheiro dos mais competentes da 7ª Região Militar e um dos grandes apoiadores da ANVFEB-PE.

Artigo extraída do Livro Crônicas de Guerra – Coronel Uzêda.

ENGENHARIA

Já conhecíamos, há mais de 30 anos, o Coronel Machado Lopes. Vimo-lo comandante aluno no Colégio Militar de Barbacena, vimo-lo brilhar da Escola Militar, e com muita alegria acompanhávamos a trajetória brilhante da sua carreira militar.

Foi com muita satisfação, pois, que o vimos no comando da Engenharia da FEB.

Entretanto, esse nosso juízo pessoal do Coronel Machado Lopes não nos desfazia a impressão que nos restava da Engenharia da Escola Militar do nosso tempo: quando os alunos dessa arma usavam galochas, quando todos de óculos, só bebiam água filtrada, e há quem diga que eles usavam até guarda-chuva.

Certo dia recebemos ordem de ocupar com o nosso Batalhão o setor Morro dell’Oro x Rocca Pitagliana. Partimos para o reconhecimento. E ao atingimos o 1º Posto e observação chegamos à conclusão de que passaríamos fome no inverno e que nossos “jeeps”, únicos veículos que podíamos empregar nesse “caminho de cabra”, não resistiriam a 3 viagens! Entretanto, ao regressarmos do reconhecimento demos conta de nossa impressão ao Comandante do nosso Regimento e solicitamos-lhe sua interferência junto à Engenharia para que mandasse uma equipe reparar a estrada de modo que essa nos assegurasse um reaprovisionamento certo, mesmo com a neve. O próprio comandante do Batalhão telefonou para o seu velho amigo Coronel Machado Lopes encarecendo-lhe a necessidade da medida proposta.

No dia seguinte, um Pelotão de engenharia, sob o comando do tenente Viveiros, um maranhense destorcido e que trazia a credencial de haver sido ferido em combate, inicia o reparo da estrada. Em poucos dias nos deram uma estrada provisória bem aceitável, e dentro de 3 semanas nos deram uma última estrada de campanha, até com o piso revestido de brita.

Tempos depois, nosso Batalhão havia conquistado Monte Castello e recebera ordem de ser substituído e ir ocupar outra frente. Na base do Castello existia uma ótima estrada mas, que não podíamos usar porque tinha uma de suas pontes destruídas. Qual não foi alegria quando no nosso trajeto pudemos usar a tal estrada e passarmos por sobre uma magnífica ponte metálica que soubemos armada pela nossa engenharia em tempo recorde!

Mais além a 2ª Companhia do nosso Batalhão ocupava a região de Rocca Cornetta, e a estrada que para lá nos conduzia estava muito minada e tinha duas pontes destruídas. Apelamos novamente para nossa Engenharia. À noite, sim, porque a estrada ficava sob as vistas inimigas, aparece-nos o bravo capitão Floriano Moeller com uma equipe de seus homens; e dentro e poucas noites limpou de minas e reparou a estrada.

Notícias nos chegam de que tropas de Engenharia de quando em vez lutavam como os mais bravos infantes.

Tempos depois vez a Paz. Nosso Batalhão estaciona perto da Engenharia, e nossa equipe de Voley, constituída de ótimos atletas, foi batida pela dos engenheiros!

E para que não parassem as surpresas que nos deu a nossa magnifica e destemida Engenharia vimos em Roma uma conjunto de seus oficiais em férias, bebendo wiskey e acompanhados de “segnorinas”.

Não há dúvida algumas, onde quer que se coloque o brasileiro ele é sempre o mesmo: Artlheiro, Infante, Engenheiro, etc. ele é sempre um bravo.

 

 

 

10 de Abril – Dia da Engenharia Militar do Exército Brasileiro

 Com muito orgulho publicamos o artigo enviado pelo Engenheiro Militar, Administrador, Pesquisador da História da FEB e Tenente-Coronel do Exército André Monteiro. Pessoa amiga, cujo valor e a simplicidade só perdem para sua dedicação e serviço a memória da Força Expedicionária Brasileira.

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10 de Abril – Dia da Engenharia Militar do Exército Brasileiro

Permitam-me nesse 10 de abril, dia da Arma de Engenharia do Exército Brasileiro, referenciar os valorosos pracinhas herdeiros de Villagran Cabrita.

O Comandante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, Marechal Mascarenhas de Moraes, concedeu o seguinte elogio à Engenharia da FEB, publicado no Boletim do dia 4 de fevereiro de 1945:

“A Engenharia da FEB não descansa. São múltiplas suas missões. A construção ou reparação de estradas, muita vez sob o fogo inimigo, que tem cobrado o tributo do generoso sangue brasileiro no soldado da Arma de Engenharia; na organização de zonas minadas, precedendo as posições da Infantaria, portanto sob eficaz alcance das armas inimigas; na limpeza dos eixos de progressão de carros de assalto; na construção de instalações para a tropa ou na organização dos meios de defesa das Armas e do Comando, a Engenharia Brasileira se tem distinguido como essencialmente combatente.

E no seu trabalho diuturno, silencioso e produtivo, sem o menor temor às reações do adversário, por isso que sabe ser indispensável ao desempenho das missões das outras armas, tem uma grande e única preocupação: fazê-lo rápido e perfeito.

Sabe a Engenharia que a rapidez e perfeição se completam, como inseparáveis, para o bom êxito das missões de combate. Sabe a Engenharia que esse bom êxito, que a tem acompanhado desde o início de sua atuação neste Continente e que a acompanhará até o fim, é o resultado da vontade de ser eficiente no conjunto da FEB. É o resultado da feliz atuação de seus comandantes.

Sabe, finalmente, que a vontade, só a vontade, servida por um material moderno e bem manejado, é o elemento essencial à consecução da Vitória do Brasil sobre os usurpadores da Liberdade, cujos clarões alvissareiros já se anunciam ao Mundo, para apontar-lhe o reto caminho da Paz dignificante, da Paz igualitária, da Paz tão ansiosamente aguardada. Soldados da magnífica Engenharia do Brasil, que bem trilhais os belos exemplos de vosso valoroso Patrono – o Gen. Villagran Cabrita! Continuai a produzir como o tendes feito até hoje e a vossa Pátria vos recompensará, com os agradecimentos pela vossa ação!”

A Engenharia do exército Brasileiro sempre conservou seu espírito pioneiro, indômito e desbravador que revelou-se nos brilhantes feitos do 9º Batalhão de Engenharia de Combate na 2ª Guerra Mundial, quando teve a oportunidade de ter sido a 1ª tropa brasileira a ser engajada contra o inimigo. A primeira tropa brasileira a cumprir missão de combate em território italiano foi a 1ª Companhia do 9º Batalhão de Engenharia, comandada pelo Capitão Floriano Möller. Essa companhia, desde o dia 6 de setembro de 1944, vinha operando, ativa e eficientemente, numa das pontes do Rio Arno, às ordens do IV Corpo de Exército.

A Engenharia da Força Expedicionária Brasileira foi incansável na tarefa de deixar abertas ao tráfego as estradas vitais para o desenvolvimento das operações, além de lançar pontes e limpar campos de minas traiçoeiros, dentre outras inúmeras missões.

A Engenharia satisfez plenamente a tudo que lhe foi exigido, indo além de suas possibilidades normais. Imbuídos de grande espírito patriótico, os engenheiros deixavam transparecer seu amor ao Brasil em todos seus atos, como por exemplo o de dar nomes às pontes que construíram: 7 de setembro, Entre Rios, Carioca, Lages, Lagoa Vermelha, Itajubá, Aquidauana, Cachoeira, Curitiba e outros.

André Gustavo de Pinho Monteiro – Tenente-Coronel de Engenharia

Integrantes do 9º BE

 

Ponte Construída pelo Batalhão de Engenharia

 

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