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Contradições Históricas da FEB: Os Três Heróis Brasileiros, quem são?

Já em vários momentos buscamos lançar luz sobre a obscuridade histórica, que é crônica em nosso país. Parece-nos que há um plano orquestrado de esquecimento, quando se trata do estudo do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Longe de ser objeto de estudo dos nossos cientistas da ciência História, a campanha da FEB é referenciada unicamente dentro dos círculos das associações ou dos grupos de interesse.

Um problema também muito sério ocasionado pela falta de pesquisa abrangente, é o risco que corremos em transformar um mito em fato histórico consagrado. Não podemos admitir que qualquer fato envolvendo a FEB seja diminuído, aumentado ou alterado para satisfazer o apetite verossímil daqueles que adoram desvirtuar os acontecimentos para atender uma demanda cinematográfica ou apenas para vender livros, desapegado da realidade histórica. É a velha mania hollywoodiana e seus personagens quase semideuses da guerra.

A História da FEB e do Brasil deve considerar novas interpretações, baseada em pesquisas sérias, para que o fato histórico possa evoluir; mudando segundo a exposição de novas evidências. Isso é importante para corrigir injustiças, trazer à luz personagens históricos injustiçados ou esquecidos. A História ela é elemento vivo em constante evolução.

Com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do Fato Histórico, observamos algumas contradições em determinados acontecimentos que envolveram a atuação da FEB e seus integrantes. Um dos mais conhecidos:

 

OS TRÊS HERÓIS:

                Em 14 de abril de 1944, durante uma patrulha nas proximidades do Montese, três soldados Geraldo Baêta da Cruz, então com 28 anos, natural de Entre Rios de Minas; Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei; e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, morreram como heróis em Montese, Itália, palco de uma das mais sangrentas batalhas do conflito com a participação da FEB

Integrantes de uma patrulha, os três pracinhas mineiros se viram frente a frente com uma companhia alemã inteira. Receberam ordens para se render, mas continuaram em combate “até o último cartucho”, como se diz na caserna. Metralhados em 14 de abril de 1945, receberam, em vez da vala comum, as honras especiais do exército alemão.

              Admirado com a coragem e resistência dos mineiros, o comandante mandou enterrá-los em cova rasa e pôs uma cruz e uma placa com a inscrição: Drei brasilianische helden, que em bom português significa “três heróis brasileiros”. Acabada a guerra, eles foram trasladados para o cemitério de Pistóia, na Itália, e depois para o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

                O fato é registrado aqui, no próprio BLOG, e já motivou livros, séries e filmes.

Explicando algumas contradições.

                A questão que queremos abordar, que fique bem claro, não se trata de desmerecer ou duvidar dos méritos dos nossos soldados, pelo contrário, buscamos entender os fatos e tornar justo os personagens que estiveram envolvidos.

Vamos para alguns problemas:

                O Coronel Adhemar Rivermar de Almeida, então Chefe da 3º Seção, do 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria registrou o que segue em seu livro: Montese – marco glorioso de uma trajetória:

              O inimigo desencadeou uma terrível barragem de fogos de Infantaria e Artilharia entre as encostas Sul de Montese, e suas orlas Leste e a base de partida (Montaurígola), conseguindo deter a ação do Pelotão Ary Rauen, que seu heroico comandante ferido mortalmente na cabeça, quando tentava neutralizar uma incômoda “lurdinha” que barrava o avanço de seu pelotão causando grande baixas em seu efetivo, cujos remanescentes ficaram detidos, sem se moverem, em meio a terrível campo minado

               Tomando conhecimento das pesadas baixas ocorridas naquele Pelotão, o Dr. Yvon, acompanhado do Tenente Ary, de padioleiros e do 1º Sargento Alfeu, sargenteante de minha Companhia e que se apresentara como voluntário, iniciaram a sua longa e perigosa caminhada, cortada de campos minados e varrida incessantemente pelo fogo alemão, em busca de elementos daqueles elementos, até alcançar estreita e rala ravina, entre Motaurígola e faldas de Montese, quando foram também detidos por fortes rajadas de “lurdinhas”, morteiros e artilharia.

               Logo explodiu uma granada sobre o padioleiro Geraldo Baeta da Cruz, de nossa seção de saúde, que morreu no mesmo instante. (ADHEMAR, 1985, pag. 146).

                Nos registros de embarque da FEB, consta o soldado Geraldo Baeta como padioleiro, integrante do Seção de Saúde do 11º Regimento de Infantaria, o que reforça a tese de que ele estaria, conforme relato do Coronel Adhemar, indo em direção ao socorro do pelotão do Tenente Rauen. Outra evidência, é que o militar foi agraciado com a Medalha de Cruz de Combate de 2ª Classe, mérito de bravura em combate (coletivo), diferentemente do Arlindo Lúcio da Silva, recebendo o Cruz de Combate de 1ª Classe, mérito de bravura em combate (individual). Se eles participaram da mesma ação, quais os motivos da diferença nas honrarias?

                Sobre o Geraldo Rodrigues de Souza, o interessante é que o local da morte do soldado é identificado como Natalina e não Montese, como os demais.

Classe 1919. 11º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar 20 de setembro de 1944. Natural do Estado de Minas Gerais, filho de Josino Rodrigues de Souza e Maria Joana de Jesus, residente à rua Cajurú nº 4, Serra Azul, SP. Faleceu em ação no dia 14 de abril de 1945, em Natalina [crivo nosso], Itália, e foi sepultado no Cemitério Militar brasileiro de Pistóia, na quadra B, fileira 9, sepultura nº 98, marca: lenho provisório.

Sobre o Arlindo, temos o relato do Decreto que lhe concedeu a medalha:

“Foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil de Combate de 1ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta última condecoração, lê-se: No dia 14 de abril, no ataque a Montese, seu Pelotão foi detido por violenta harragem de morteiros inimigos, enquanto uma Metralhadora alemã, hostilizava violentamente o seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem se manterem colados ao solo. O Soldado Arlindo, atirador de F.A, num gesto de grande bravura e desprendimento, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores de sua arma, obrigando-a a calar-se nessa ocasião, é morto por um franco-atirador inimigo”. (Decreto de Concessão da Medalha)

                Os detalhes da descrição da ação não se referem a três soldados lutando bravamente por suas vidas em combate contra uma Companhia, se referem a um ataque sobre um ponto fortificado e, com testemunhas dos fatos, que relataram posteriormente.

                Por mais surpreendente que seja, outro acontecimento idêntico como o relato dos três soldados brasileiros mortos em Montese. Em janeiro daquele mesmo ano, uma cruz fora encontrada durante o avanço brasileiro, com fantástica similaridade. Portanto, as covas de Montese não seriam as únicas a guardar os corpos de bravos brasileiros que foram honrados pelo inimigo. Assim registra Joaquim Xavier da Silveira em seu livro A FEB por um Soldado:

Ao conquistarem Castelnuovo, as tropas de depararam com um testemunho da coragem do soldado brasileiro. Desde janeiro, três soldados do Regimento Sampaio figuravam na lista dos desaparecidos em combate: Cabo José Graciliano Carneiro da Silva, Soldado Clóvis Paes de Castro e Aristides José da Silva. Em Castelnuovo havia uma tosca cruz de madeira com a dística em alemão: 3 Tapfere – Brasil – 24.01.1945 (Três bravos – Brasil – 24.01.1944). Essa singular homenagem feita pelo inimigo é uma eloquente demonstração da coragem do soldado brasileiro. (SILVEIRA, 2001, pag. 177).

Conclusão

                Não são respostas que movem o mundo, mas as perguntas.

                Ocorreu o fato dos três heróis brasileiros em Montese?

                               Pelo relato oral dos integrantes do 11º RI, não há dúvidas sobre o fato ocorrido em Montese, contudo, não podemos afirmar de forma concludente que os personagens envolvidos no fato são aqueles consagrados pela historiografia militar. Novamente, isso não tira o mérito do sacrifício dos militares do Regimento Tiradentes mortos, seja no caso da patrulha perdida; seja em outras condições de morte violenta.

                               O importante seria para a História Militar Brasileira a análise dos acontecimentos e a busca por respostas; ou confirmando o nome dos bravos soldados que morreram naquele confronto, sendo sepultados por seus inimigos, ou trazendo a justiça histórica para aqueles que efetivamente estiveram nessa ação de bravura.

                Trata-se de um único episódio Montese /Castelnuovo?

                Como anteriormente citado, não há dúvida que trata-se de acontecimentos distintos. Contudo, é necessário que possamos expor evidências que não possibilite margem para debates e interpretações histórica erradas sobre os acontecimentos, objetivando que futuras gerações tenha a possibilidade de vivenciar a clareza histórica do passado de nosso Brasil e saber quem são seus heróis.

Quem foram os três heróis brasileiros em Montese?

                               De certo que há dúvidas bibliográficas levantadas sobre quem foram os três brasileiros que morreram conforme a descrição relatada do episódio: “Os três Heróis Brasileiros”. O que na prática deverá despertar o interesse de pesquisadores e de pessoas e instituições que possam financiar essas pesquisas para trazer para luz a verdade histórica sobre o fato. Os nomes desses bravos soldados brasileiros devem ser registrados de forma justa, seja os três mineiros atualmente apontado como protagonistas, ou outros que por ventura a História revele de forma inquestionável.

Morte…Seja Em Combate ou Não, É Triste!

Cain matou Abel…

                Primeira narrativa bíblica de um homicídio traz em sua concepção a descrição do assassinato. Uma retórica humana que estaria presente no decurso do tempo, a morte não natural, o homicídio perpetrado por outro semelhante. Cain, o irmão invejoso e traiçoeiro, leva a cabo todo seu ódio contra sua parentela, tirando-lhe a vida. O assassino e o assassinado; o homicida em sua primeira versão.

                Na história da humanidade as guerras travadas forjaram o que conhecemos hoje de mundo moderno. Não obstante aos preceitos amorais que levaram Cain a matar seu irmão, sangue de incontáveis homens foram jorrados pela terra que Deus criou desde aquele episódio. Impérios foram criados, tiveram seu apogeu e desfaleceram com a mesma violência com que foram criados. Chegamos até o segundo milênio da era cristã, ainda contabilizando os homicídios como parte do nosso cotidiano da era evoluída.

                Uma coisa não mudou. Matar não é algo natural, muito embora seja corriqueiro. Não é natural nem mesmo para as guerras e conflitos (estranho?). Pelo menos esse é o senso comum que permeia a mente humana. Evidentemente isso não se aplica a alguém que não tem qualquer apreço pela vida, mata sem remoço, pois trata-se de um psicopata, sociopata ou portador de qualquer outra patologia mental. Mas ainda assim, matar por matar não é natural. Em uma guerra matar no front, na linha de combate, faz parte do que os militares chamam de “contingência de guerra”. Não há como não acontecer. Inevitável para qualquer soldado integrante de um combate. Mas, todos atenuam o fato dessa contingência, com o preceito do “matar para não morrer” e é a condição mental que se estabelece para tornar a morte algo, aceitável.

                Lembrei de alguns relatos de nossos soldados integrantes da Força Expedicionária Brasileira, durante a Segunda Guerra Mundial nos campos de batalha da Itália. Os relatos são de veteranos que mataram alemães. Mesmo no ardor do combate, muitos se lamentaram por terem ceifado a vida de outros homens. Estes relatos estão registrados na excelente obra do professor Cesar Campiani Maximiano, Barbados, sujos e fadigados. Soldados Brasileiros na Segunda Guerra Mundial:

                “(…) Juntos, examinaram os cadáveres. Os estilhaços da granada haviam mutilado horrivelmente o rosto de um dos inimigos. O sangue que escorria da fronte do alemão misturou-se com a lama pegajosa que, lentamente, ia aderindo ao seu uniforme. Os olhos esgazeados do soldado abatido, num misto de espanto e ira, traduziam a surpresa e a impotência daquele que fora abatido pelo gaúcho. Poços de uma água avermelhada e barrenta formaram-se em torno dos corpos. O cenário, antes que trágico, era repulsivo e deprimente.

– E agora sargento? – indagou Moura – Nós não temos que enterrar os alemães não?

Djalma não respondeu. Continuava a olhar fixamente os cadáveres. Uma tremenda ânsia de vômito o dominava, ao mesmo tempo que seus olhos se enchiam de lágrimas ao pensar que jovens vidas havia sido ceifadas através de sua mão armada” . (CAMPIANI, 2010, Pag. 201)

                “Dos nossos, Gil era o único abalado. Caminhava pensativo, casmurro, sem dizer nada. Estava triste por ter morto um sargento alemão. (…) Lamentou para mim, dizendo com ar desolado:  – Matei um homem. – Eu respondi: – Não adianta pensar nisso: era ele ou tu, thê. Guerra é guerra! Não estamos aqui pra bonito. Tu serás promovido. Na certa! Quem sabe, thê, ganharás uma medalha! – Ele retrucou sério, arregalando os olhos: – É um mundo cruel, incoerente e desumano. Quem mata na paz vai pra cadeia. É uma assassino. Quem mata na guerra ganha medalha. É um herói. Deus me perdoe, pois matei um semelhante a quem não conhecia”.  (CAMPIANI, 2010, Pag. 203)

 “(…) ao verificar seus documentos, encontramos uma fotografia que chamou a nossa atenção, porque era de três meninas loirinhas, parecidas com as meninas de Santa Catarina. Como tinha algo escrito, demos a um soldado que era filho de alemão para ler. Ele traduziu para nós – ‘Papai, estamos rezando para que essa guerra acabe, pois não suportamos mais as saudades que sentimos do senhor. Beijos de SUAS FILHAS’

 – Coitadinhas – pensei -, mais verão o pai!…”   (CAMPIANI, 2010, Pag. 204)

Mesmo a coragem, a honra, a lealdade e o amor pátrio podem mitigar o flagelo humano da perda violenta da vida.

AO PRIMEIRO COMANDANTE! FELIZ DIA DO SOLDADO!

Lembrai-vos dos vossos Soldados!

Ser soldado para alguns desavisados e de conhecimento insípido, se reduz apenas a receber e executar ordens como se robozinhos fossem. Ser soldado para outros tantos é apenas um elemento acéfalo que mecanicamente responde a ordens de seus superiores. Ser soldado para aqueles que, ideologicamente sentem ódio pelo seu próprio Exército, são homens vis, que matam e torturam.

Mas será essa a verdade que representa ser um SOLDADO?

 Soldado, antes de tudo, tem na sua essência o antigo guerreiro, aquele que morre por sua terra para proteger sua família. O conceito de soldado vai muito além de ideias simplistas e equivocadas. Ser soldado é viver em função de sua pátria, por seu País. A vida de um soldado e sua alma repousam na farda que ele enverga. Essa segunda pele que representa tudo que ele acredita e por ela entrega a vida. Ser soldado é ter honra! Ser um disciplinado e privar-se para salvaguarda da coletividade. É ser vigilante enquanto outros dormem em berço esplêndido! Ser soldado é entregar tudo, sem nada esperar em troca! Enfim, ser soldado, é aceitar perder a vida nos campos de batalha, a viver uma existência na escuridão da covardia!

Neste Dia do Soldado, neste esquecido Dia do Soldado! Apresento-lhes um dos maiores soldados que esse País já teve. Um jovem Tenente Temporário que o Brasil e seu Exército insistem em não reconhecê-lo.

José Sabino Maciel Monteiro, natural de Porto Alegre, Rio Grande Sul, nascido em 20 de janeiro de 1917, cursou o primeiro ano do Curso de Cavalaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Paraná (CPOR/PR), onde foi matriculado em 20 de abril de 1934, cursando o segundo e o terceiro ano do Curso no CPOR/Rio de Janeiro, onde foi declarado Aspirante a Oficial em 1936. Em 1942, já como comandante de fração do 2º Regimento de Cavalaria, se destacou durante a realização de uma apresentação de Pista de Combate e o General de Divisão Mascarenhas de Morais, Comandante de Força Expedicionária Brasileira, convidou o jovem Tenente para servir na 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. A designação para a função foi publicado no Diário Oficial em 08 de maio de 1944. Participando do 3º Escalão da Força Expedicionária Brasileira.

Não demorou muito para que o Tenente Sabino tivesse seus méritos reconhecidos. Foi convidado a assumir o comando do Military Police Platoon, a primeira fração de Polícia do Exército do Brasil. O Tenente Sabino tinha a perfeita noção da responsabilidade, isso explica sua dedicação devocional no cumprimento as missões do Pelotão de Polícia. Tanto que foi promovido a Capitão nos campos de Batalha. A documentação que embasa esse espírito,  refletindo a quantidade de elogios que foram direcionados a este militar. Os elogios partiram de todos os escalões de comando, destacando-se a referências elogiosas do Chefe do Serviço de Polícia, órgão a qual o Pelotão/Companhia estava subordinado, junta-se os elogios do Comandante da Divisão, General Mascarenhas de Morais. Das referências elogiosas e citações, uma em especial chama a atenção, o elogio pessoal do Major General do Exército americano Willis D. Crittemberger, comandante do IV Corpo, sobre as ações ofensivas. Uma referência elogiosa pessoal para um Oficial comandante de uma Companhia não era comum no contexto das operações de um Corpo de Exército. Segue resumo das citações elogiosas:

“[…] Tenho a honra de louvar o Capitão José Sabino Maciel Monteiro, pelo muito que fez na esfera de suas atribuições, para que a Divisão alcançasse o alto conceito em que se firmou no Teatro de Operações da Itália[…]”  Continua “…Recebendo cada nova missão entusiasticamente e cumprindo-a com eficiência, é um resultado de que se podem justamente orgulhar os oficiais e praças da 1ª DIE”.- Elogio registrados nas alterações do Capitão Sabino em 16 de junho de 1945.

A referência cita ainda “a atuação da Divisão no Vale do Serchio, vencendo o antigo inimigo e tomando suas posições; a rocada para o Vale do Reno e a sua entrada em posição; a participação nas operações da Ofensiva da Primavera, com contínuos avanços sob intenso fogo de artilharia e morteiros inimigos, as constantes substituições sempre excelentemente executadas, a arrancada agressiva para noroeste contra forte resistência inimiga, conquistando Zocca, Collechio, Fornovo e obrigando a rendição da 148º Divisão Alemã e a da Divisão italiana; refletem a capacidade a eficiência e o espírito combativo de sua tropa”.

Durante o período de atuação na Itália, sete elogios forma realizados pelo General João Batista Mascarenhas de Morais, Coronel Armando de Morais Ancora e pelos diferentes Chefes de Polícia que se reversavam na atividade, todos identicamente ricos ao ressaltar as virtudes militares do Capitão Sabino.

Recebeu as seguintes condecorações: Cruz de Combate, Medalha de Campanha, Medalha Mascarenhas de Morais, Medalha do Mérito Militar, Bronze Star (EUA), Medalha Croce al Valor Militare (Itália). Dentre as várias condecorações de campanha, versa a Bronze Star, uma das mais altas honrarias americanas. Na citação que lhe concedeu a Medalha lê-se:

“[…]Como Oficial Comandante de Polícia do Exército,[…] demostrou grande habilidade como organizador[…], trefegando constantemente pelas rodovias sob bombardeio inimigos, checando a execução das missões e restaurando a ordem em lugares que foram destruídos pelo fogo inimigo[…]”

Ainda na citação se lê: “[…] conduziu com grande inteligência os Planos de Evacuação e Custódia dos prisioneiros alemães”. E que “sua conduta foi de acordo com as mais altas tradições das Forças Aliadas”.

De retorno ao Brasil, durante o período de desmobilização da FEB, o Capitão Sabino, permaneceu no Comando da 1ª Companhia de Polícia Militar por mais 116 dias, passando o comando em 15 de dezembro de 1945. Isto o tornou o primeiro Oficial de Polícia Militar do Exército Brasileiro. Ressaltando que a Companhia de Polícia Militar da 1ª DIE não foi desmobilizada e passou a ser 1ª Companhia de Polícia Militar da 1ª Região Militar e que, posteriormente, por força do Decreto nº 23.466, de 06 de Agosto de 1947, tem sua designação alterada para 1ª Companhia de Polícia do Exército. E, por último, é transformada, através da Portaria Reservada nº 121-99 de 24 de dezembro de 1951, no 1º Batalhão de Polícia do Exército.

Depois? Ah! Depois! Infelizmente ele morreu sem o devido reconhecimento de seu Exército. Morreu e sua primazia na criação da Polícia do Exército do Brasil passou para escuridão histórica!

Mas ele foi um grande Soldado! E isso ninguém pode mudar! Daqueles Oficiais R/2 que seus soldados o seguem instintivamente! Daqueles que os subordinados entram na linha de frente não por ser ordem de um superior, mas por ser ele! O Comandante! Que seus homens dariam a vida para protege-lo. Isso é ser soldado! Morrer por quem vale a pena! É um Oficial R/2 SIM! E um dos melhores que esse Exército de Caxias já produziu!

 

Muito Prazer em Conhecer Comandante!! Feliz Dia do Soldado!

 

 UMA VEZ PE, SEMPRE PE!




























FEB: “Verás que um Filho Teu Não Foge A Luta!”. Mas e Agora?

Em 09 de agosto de 1943, a Portaria Ministerial Nº 4744, criava a Força Expedicionária Brasileira – FEB. Tinha início naquele momento a mais briosa ação que uma nação ruralizada e subdesenvolvida iria empreender para formar uma tropa combativa contra aqueles que eram considerados os melhores soldados do mundo.

O ano de 2013 marca o 70º Aniversário de criação da FEB. Alguma manifestação pública ou reportagem sobre o tema? Alguma nota alusiva sendo proferida em escolas públicas? Pois é. Perguntas sem respostas: qual a legado  histórico para o Brasil da Força Expedicionária Brasileira? Qual a contribuição que o sacrifício de quase quinhentos mortos deixaram de lição para os brasileiros? Na máxima da ciência, quando na afirmação, o que move o mundo são as perguntas e não as respostas, então temos algumas boas perguntas, mas que depois de sete décadas não encontramos qualquer tentativa de resposta por parte do próprio Brasil. Quem responde? A mídia? A internet? O povo? O Exército? Ou esquecemos tudo e seguimos nossas vidas sem  olhar para trás?

A Força Expedicionária Brasileira foi criada pelo Brasil para ser o próprio Brasil no Teatro de Operações da Itália. Seus componentes foram brasileiros natos, com média de idade de 20 anos, portanto jovens pernambucanos, fluminenses, paulistas, capixabas, paranaenses, mineiros, enfim, de vários Estados e regiões do nosso país. Foram enviados para Itália, muitos voluntários! Sustentavam no seu braço esquerdo o símbolo conhecido como “Coração do Brasil” em seus uniformes.

Nos primeiros meses, após as primeiras baixas brasileiras, os que sobreviviam não pensavam em outra coisa, a não ser que aqueles que se sacrificaram, morreram pelo BRASIL. No cumprimento do dever que cabe a cada brasileiro! Não se sacrificaram por um regime de governo temporal, ou por uma presidente! Morreram pelo seu país. Sustentando em seu coração o próprio CORAÇÃO DO BRASIL que estava em seus uniformes. Nenhum deles escolheu morrer na Itália, eles queriam voltar vivos para suas famílias, mas sabiam que estavam ali para defender sua própria terra e, portanto, sua própria gente!

Perplexidade minha quando percebo que a morte de brasileiros de nada valeu para esse Brasil do século XXI. Minha alma se entristece quando vejo que o Brasil passou 70 anos sem fazer a justa menção ao sacrifício pátrio desses homens. Não estou querendo que façam arautos ou os coloquem como deuses pelo que fizeram, mas que eles sejam lembrados pelo exemplo de sacrifício à serviço do país. Os nossos jovens precisam saber que outros jovens de gerações anteriores deram sua vida pelo Brasil que eles conhecem hoje.

A sua terra de campos verdejantes foram cultivadas por sangue, suor e lágrimas. Sangue dos que morreram, suor dos que trabalham e lágrimas das mães, esposas e filhas que perderam seus entes queridos com o CORAÇÃO DO BRASIL EM SEUS UNIFORMES. Só quando os jovens conheceram e valorizarem o passado do seu país, essa nação será grande. Enquanto isso estaremos relegado a uma nação inculta e constantemente ameaçada por ideologias corruptas e agentes corrosivos de nossa PÁTRIA AMADA.

Por Francisco Miranda

O Que Representa para Nossa História a FEB?

“A participação do Brasil não é mais exaltada do que deveria?”, “A participação do Brasil foi medíocre”, “O Brasil foi bucha de canhão!”, “Tirando algum vigilância no litoral, a Segunda Guerra Mundial passou desapercebida no Brasil”. Essas frases foram proferidas por professores e estudantes de História.

Incrível como há um grande equívoco no estudo desse período. Ainda não percebi se proposital ou não. Uma extrema ignorância e incorreta interpretação histórica de alguns acadêmicos, que de forma escancarada, estupram e deturpam fatos históricos que não só mancham o sangue dos quase 500 brasileiros mortos nos campos de batalha e dos mais de 1000 homens, mulheres e crianças que perderam suas vidas nos mares, bem como difamam a própria História do Brasil.

Em uma perfeita colocação sobre a visão da análise histórica do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra, o doutor Roney Cytrynowicz, em sua obra, Guerra Sem Guerra – a mobilização e o cotidiano de São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial –, realiza uma concludente análise sobre o estudo deste período:

O lugar da Segunda Guerra Mundial na história e na memória coletiva da população do São Paulo, e do Brasil [grifo nosso], tem sido, no entanto, marcado muito mais pela ausência do que por uma presença efetiva e consistente, A guerra, episódio central da História do século 20, não está presente na memória da cidade de São Paulo; ela não é celebrada coletivamente, não é lembrada. Os soldados que lutaram e os mortos não são referenciados a não ser por pequenos grupos diretamente ligados a eles.

[…] a referência à guerra parece mais como um constrangimento obrigatório, na historiografia e na memória, dada sua magnitude na história do século 20, do que uma elaboração “interna” à história do país e ao testemunho dos seus contemporâneos. Mas não se estabelecem os nexos causais com a história brasileira neste período.  […] (Roney CYTRYNOWICZ, 2000).

Os fatos históricos e sua interpretação isenta e voltado apenas para uma historiografia afastada da ideologia tendenciosa aponta para uma colaboração estratégica, registrando a participação popular em todo o processo de envolvimento do Brasil, inclusive com perdas significativa de brasileiros.

Saliente do Nordeste – Estratégico: Em qualquer circunstância histórica, o Brasil se destaca quando se fala em Atlântico Sul. Não há como negar a importância estratégica do Saliente do Nordeste. Portanto, com as operações de UBoots ocorrendo em todo o Atlântico Norte é mais que compreensível que as nações beligerantes voltassem seus olhares para as Rotas Marítimas do Sul. Por esse motivo os Estados Unidos, antes mesmo de qualquer tipo de envolvimento do Brasil, já negociava a defesa dessa região, ou sua conquista (Operação Pote de Ouro). Em qualquer aspecto, em 1941, o país já estaria envolvido do conflito, pois a Alemanha domina a África do Norte e o receio dos Aliados de um bloqueio no Atlântico Sul era grande. Vargas era pressionado para se posicionar a todo instante.

 

Envolvimento do povo:  Os ataques à embarcações brasileiras em suas linhas de cabotagem, ou seja, de transporte de passageiros, pelo submarino U507, vitimou mais de 600 brasileiros, entre homens, mulheres e crianças. Isso causou uma revolta popular em todos os grandes centros urbanos do país. O governo se reúne sob pressão para declarar estado de beligerância contra a Alemanha.

Dificuldades para formação de uma Força Expedicionária: Quando questionado sobre a formação de Tropas para lutar no Teatro de Operações fora do Brasil, Vargas não hesitou, pois o interesse inicial era a modernização do Exército Brasileiro. Contudo não podemos negar que um exército é o espelho de seu povo. O Exército Brasileiro não conseguiria cumprir as exigências mínimas necessárias para um combatente moderno, e os principais motivos era a pouca instrução, pouca nutrição e principalmente despreparado para o esforço de guerra. A previsão inicial de formar um Corpo de Exército com 90 mil homens, esbarrou nas dificuldades físicas e logísticas do nosso Brasil, claro. Apenas pouco mais de 25 mil homens aptos para lutar até o final da guerra.

Ninguém acreditava na FEB: Depois da euforia inicial, a FEB foi formada por Decreto em 23 de novembro de 1943. Em termos de convocação, preparação e transporte, foram necessários quase oito meses para o primeiro combatente embarcar para um Teatro de Operações. Esse período tranformou desacreditou a FEB, muitos acreditavam que o país não enviaria tropas para lutar. Nasce o estigma popular “É mais fácil a cobrar fumar do que o Brasil ir à guerra…” . A Cobra Fumou!

O tamanho da importância militar da participação brasileira: É possível afirmar que o Brasil teve uma grande importância no Teatro de Operações da Itália? Claro que não! O país atuou com uma única Divisão, enquanto os americanos e ingleses atuavam com mais de 50 Divisões! Como podemos ter sidos decisivos? Agora, tivemos um papel importante quando somos analisados segundo as conquistas de uma Divisão. Se pensarmos em termos de missões, a Força Expedicionária Brasileira defendeu a maior frente do setor do X Exército Americano. Esteve na vanguarda de patrulhas durante os meses de dezembro de 1944 a fevereiro de 1945, em um dos mais rigorosos invernos já registrados do século XX. Levando em consideração soldados oriundos dos sertões nordestinos ou das amenas temperaturas do sudeste do Brasil. Conseguiu um feito militar improvável para uma Divisão. A rendição incondicional de duas Divisões, a 148ª Divisão Alemã e Divisão italiana Bersaglieri com um efetivo total 14.779 militares das duas nacionalidades, além de munição, canhões, armas de vários calibres. Um feito único entre as Divisões que atuavam na Itália. Se o Brasil chega com um soldado desacreditado e com problemas básicos, ao final da guerra o soldado brasileiro é apontado como um bravo combatente.

Esses são alguns dos motivos que todos os brasileiros devem ter, pelo menos o respeito pela participado do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Não exaltando em demasia, nem tão pouco desprezando o esforço e o sacrifício de jovens que lutaram e morreram na Itália, e lembrando das vitimas da agressão nazista em nossas águas e ao nosso território.

O Infante Brasileiro na Campanha de Inverno

 Crônica publicada no Correio da Manhã, assinado apenas como “Veterano”, de janeiro de 1945. Esta publicação visa abranger o entendimento sobre questões que ainda geram dúvida em muitos brasileiros sobre o papel do soldado da FEB na Campanha da Itália. Não por acaso, a concepção errônea sobre o valor do nosso soldado na campanha da Itália se encerra quando o brasileiro é apontado com um especialista em patrulhas, mesmo depois das fracassadas investidas em Castello, em novembro e dezembro de 1944. A contrário do que se possa imaginar, para uma soldado nascido e criado nos trópicos, muitos, inclusive, oriundos dos escaldantes sertões nordestino, combateram com destemor com pequenas frações sob temperaturas que chegavam a 20 graus abaixo de zero em algumas regiões no norte da Itália. O soldado brasileiro esteve na vanguarda do setor do Quinto Exército em toda a campanha da Itália, desde que chegou ao Teatro de Operações. Como diz o artigo abaixo: “O Soldado Brasileiro é lutador e Bravo na sua aparente frouxidão…”

O Infante Brasileiro na Campanha de Inverno

Vi a primeira nevada cair na noite de Natal e logo pensei nos soldados. Pensei em todos, mas principalmente no infante. O infante do Brasil! Muitos se têm admirado dele. Eu confesso que não me surpreendeu. O infante do Brasil das campanhas platinas e dos chacos do Paraguai era exatamente como é o infante que combate na Itália. O valor deste infante está imortalizado na História Militar do Brasil. O valor dele nós conhecemos de sobra no país, sempre que é chamado a lutar. Não foi aqui na Itália que ele se revelou. O brasileiro é o homem que ninguém dá nada por ele; ele mesmo não se dá muito valor. O brasileiro é assim – por natureza – lutador e bravo na sua aparente frouxidão. Saiu do Brasil com os ouvidos cheios. O Alemão é o primeiro soldado do mundo. Viu o alemão pela frente e topou. Viu a neve e topou. Topou de cara. Topa tudo! Defendendo-se do frio – 17 graus negativos – lançando mão de todos os recursos de sua imaginação. Perfeitamente equipado para a campanha de inverno, então fica um número. Com uma bota de “pé de pato” e, na cabeça um gorro astrakan, visto no reflexo da neve, parece até um explorador polar. A guerra não para porque as planícies e as montanhas e os rios se transformam em gelo. Há máquinas gigantescas para desimpedir os caminhos. A engenharia trabalha dia e noite sob tempestades de neve para que o infante possa passar. o seu irmão artilheiro está atento, para ajudar e apoiar. a guerra não pára,  não pode parar por causa do frio. O alemão está lá em cima. Domina as estradas, impede a passagem – precisa ser desalojado – e será desalojado. . Mais cedo ou mais tarde terá ceder. O General Mascarenhas de Morais acaba de consagrar um louvor especial à infantaria em uma ordem do dia. “A arma”, diz ele, “do sacrifício, a arma em que a têmpera do guerreiro é posta à prova a todo momento, a arma que não admite no seu meio os tíbios, os desalentados, os incrédulo, a arma que exige a manifestação viril da nossa raça por uma causa que é a reabilitação do mundo escravizado”

Acrescenta o comandante da FEB: “sei que a brava gente de infantaria tem um chefe experimentado em ações de combate – General Zenóbio da Costa – cujo o lema é “para frente, custe o que custar!” Acompanhei as ações da Infantaria primeiramente no Vale do Serchio, e por último no seu atual setor , lançando-se impetuosamente, em condições desfavoráveis, num terreno hostil, contra alemães poderosamente defendidos e mascarados, no Monte Castello. Claro que a FEB desempenha uma parte do esforço do Quinto Exército, e até agora nunca deixou de cumprir, dentro das possibilidades, as missões que lhe foram designadas. não tenho dúvida de que a Infantaria de SAMPAIO irá para a frente, custe o que custas!”.

Visita do Comandante do Navio-Patrulha Graúna

A atual diretoria da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco tem vislumbrado alguns acontecimentos que nos enchem de esperança em uma mudança de cultura de nossa população. Um desses testemunhos foi a visita do Tenente-Capitão Santos Silva, da Marinha do Brasil.  Foi com grande satisfação que a diretoria da FEB e o Comandante do Navio-Patrulha Graúna se encontraram em sua sede-centro, para uma agradável tarde de conversas e a alegria de poder ouvir dos próprios veteranos da FEB as experiências vividas no Teatro de Operações da Itália. O encontro foi uma cordial retribuição do Tenente-Capitão, que tal bem recebeu na semana passada os veteranos e seus familiares na embarcação.

Estiverem presentes também todos os diretores da associação, que tiveram a oportunidade de ratificar as ligações entre a FEB e a Marinha do Brasil, que propiciou patrulhamento do contingente dos escalões da FEB que deixou o Brasil para lutar na Itália. O Veterano Ribeiro pôde relembrar um momento especial, quando seu retorno da Itália, seu navio encontrou a escolta brasileira em uma parada em Portugal, e naquele momento recebeu a continência dos marinheiros brasileiro perfilados no convés. Para ele, ficou registrado em sua memória esse fato e o carinho pela Marinha do seu país, que o emociona até os dias de hoje.

O Comandante Santos Silva presenteou a associação com um Quadro do Navio Patrulha Graúna que será colocado no Hall de Honra da sede da nossa Regional.

Agradecemos a Marinha do Brasil pelos sacrifícios de esforços, material e vidas durante a Segunda Guerra Mundial que tornou possível ao Exército Brasileiro o deslocamento de um contingente de mais de 25 mil homens, deixando ainda para a nossa Marinha a primeira linha de defesa de nossas terras, a partir do vasto Atlântico Sul, enquanto seus melhores soldados combatiam em terras estrangeiras.

Precisamos de mais jovens para disseminar os sacrifícios que nossas Forças Armadas fizeram para defender nossos ideais, jovens como o Comandante do Graúna. Se conseguirmos esse objetivo, esse país será mais digno de suas futuras gerações.

A Cavalaria do Brasil na 2ª guerra Mundial

 Segue publicação enviada pelo pesquisador Rigoberto Souza – Vice-presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco.

Um modesto Esquadrão de Reconhecimento teve a honra de representar a Cavalaria de Osório nos combates enfrentados pela Força Expedicionária Brasileira no teatro de Operações da Itália. Seu pequeno efetivo, e seus reduzidos meios de combate não conseguiram ofuscar a bravura que os nossos cavalarianos tem demonstrado, desde as primeiras guerras, onde começou a florescer o espírito de nacionalidade do povo brasileiro.

            A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária teve no 1º Esquadrão de Reconhecimento, uma unidade à  altura de suas responsabilidades, sendo equipado com carros blindados M-8, de fabricação americana e, que pesavam cerca de 8 toneladas, armados com um canhão de 37 mm e duas metralhadoras, sendo uma anti aérea e, tripulados por 4 homens.

            A nossa Cavalaria atuou nas operações desenvolvidas ao longo do Rio Reno, do Rio Panaro e, ao longo do Vale do Pó, cujo curso transpôs até atingir o sopé dos Alpes, onde ligou-se às Forças Francesas do General Dellatre de Tassigny, que operavam a noroeste da cidade de Turim.

            Entre os mais importantes feitos, destaca-se a tomada da cidade de Montese, que localizava-se nas margens do Rio Panaro, que culminou com a libertação das cidades de Rannocchio, Salto e Berttocchio, além dos combates em Murano-Sul-Panaro, que transcorreram em campos minados e, repletos de armadilhas deixados pelo Exército Alemão. Continuou a sua saga, no ataque à vanguarda inimiga na região de Fornovo-Di-Taro, atingindo seu ápice com a rendição da 148ª Divisão Panzer Alemã e, aos remanescentes da 90ª Divisão Bersaglieri Italiana em Colecchio-Fornovo.

            Seria injusto deixar de vincular a atuação desta Unidade ao seu comando, que foi organizada e levada à guerra pelo Capitão Flávio Franco, ferido logo ao início da Operações, sendo substituído pelo subcomandante 1º tenente Bellarmino Jayme Ribeiro de Mendonça, que foi substituído pelo recém-promovido Capitão Plínio Pitaluga, detentor de uma excepcional inteligência, que soube unir a valentia e liderança.

            Conduziu seus carros de combate pelo difícil e montanhoso terreno italiano e, levou aos seus comandados o seu espírito blindado, que não dava conselhos ao receio e, fez de cada soldado um eterno amigo. Devemos realçar o comportamento e sacrifício do Tenente Amaro Felicíssimo da Silva, subalterno do Esquadrão de Reconhecimento e, primeiro Herói da Arma Blindada do Brasil. Foi enviado em missão delicada e difícil onde, nela encontrou a morte. Em homenagem a este ato de heroísmo, o Exército Brasileiro decidiu colocar o seu nome entre os de Tiradentes e Sampaio, passando esta Unidade a chamar-se Esquadrão Tenente Amaro.

            O General Mascarenhas de Morais, Comandante da FEB, ao citar o Esquadrão de reconhecimento, expressou a suas considerações ao escrever:

“ O 1º Esquadrão de Reconhecimento, confirmou nos campos de batalha da Itália, o acerto e sua escolha como participante da Força Expedicionária Brasileira e, as esplêndidas qualidades do Cavalariano Brasileiro, dirigido por quadros capazes e um Comando eficiente, enérgico e ousado.

Concorreu assim, brilhantemente, para que à nossa Pátria, fosse reservado um lugar de destaque entre as nações que velarão pela paz vindoura e a futura reconstrução de um mundo livre e feliz.”

            Este post é dedicado ao Cel Pedro Anórbio de Medeiros( PAM ) e ao seu filho Cel Pedro Arnóbio de Medeiros Júnior, exemplo para a nossa Cavalaria.

Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – IV

O “Nabisco”

O jantar que serviam no navio de transporte de tropas que levava a FEB à Europa era tipicamente brasileiro mas, o almoço era genuinamente americano, cheio de produtos que a maioria dos nossos pracinhas nunca haviam visto ou provado o sabor. No primeiro almoço a bordo, nos serviram um certo “Nabisco Shereddee Wheat”, uma espécie de biscoito de farinha de trigo, que se apresentava sob a forma de um fio enrolado sobre si mesmo, muito seco e duro, parecendo com a forma de palha de aço. Logo surgiram os comentários,não só quanto ao nome “Nabisco”(iniciais da National Biscuit Company), que ficou célebre, tanto com relação ao gosto, como apresentação e o modo de ser comido.

O Doutor Sá Nogueira( 1º Tenente Médico do Batalhão de Saúde), que era médico em São Paulo, atrapalhou-se seriamente com o famoso “Nabisco”. Ao abrir o pacote, deu com o rolo de palha seca e, não teve dúvida, salpicou açúcar e provou. Não gostou. Então, experimentou outra porção com manteiga e sal. Também não aprovou o sabor. Tentou comê-lo puro, enfiando um bocado na boca. Cada vez pior. Quando já estava por desistir de comer esta iguaria, o Capitão  Médico Dr. Álvaro Pais,que já havia estado nos EUA, explicou-lhe que aquele produto deveria ser embebido em leite, que se transformaria em uma papa saborosa.

“A passagem da linha do Equador”

 

Embora a FEB viajasse em um transporte de guerra, um acontecimento foi bastante comemorado por nossos soldados, a passagem pela linha do Equador, que rendeu homenagens ao Rei Netuno, que veio a bordo batizar os seus súditos.

Passava das 2 horas da tarde do dia 27 de Setembro de 1944, quando foi anunciado pelos alto falantes da presença do Rei Netuno e sua corte e, a frente seguia o embaixador de sua majestade( o Capitão de Corveta Paulo Antônio T. Bardy, vestido de pirata) abrindo alas para que os Rei dos Mares, que era outro senão o próprio Comandante Raul Reis. O Major Saldanha da Gama e o Capitão Amador Cisneiros, envoltos nas cortinas dos camarotes dos oficiais e usando perucas feitas de cordas desfiadas, eram o advogado de defesa e o promotor da corte, respectivamente. O Major Médico era o médico de sua Majestade,enquanto o Capelão de bordo era também o sacerdote, além de vários outros oficiais, marinheiros e soldados compunham o restante da corte.

Após os cumprimentos do General Cordeiro de Farias e das “altas autoridades”, houve uma ligeira confusão e, o Rei Netuno se aborreceu e mandou prender várias pessoas, que de imediato foram levados a julgamento, que ao final acabou por absolver todos réus.

Prosseguindo às brincadeiras, vários soldados foram batizados e, em homenagem aos fatos o Comandante do navio mandou distribuir dez maços de cigarro a cada soldado e, aos oficiais foram entregues diplomas, pelos quais adquiriam o direito de serem respeitados por baleias, serpente do mar, golfinhos, tubarões, lagostas e caranguejos, que eles guardaram como recordação desta histórica travessia.

O General Falconiére, que viajava no outro navio, telegrafou ao General Cordeiro de Farias nos seguintes termos: “Cumprimentando pela passagem do Equador, comunico situação e disciplina tropa ótima. Somente os artilheiros de bordo tiveram que ser amarrados em suas camas, com receio de grande choque de encontro à linha do Equador”.

No dia anterior o Comandante Raul Reis havia anunciado que daria um prêmio de cem dólares ao soldado que primeiro avistasse a linha do Equador.

Para mostrar o espírito esportivo que os soldados americanos possuíam em relação à nossa tropa, pode-se citar o boletim de bordo, documento oficial, assinado pelo Comandante e Imediato, que publicou o seguinte:

“Item 2 – Passagem do Equador – avisamos à tropa em geral que amanhã o navio atravessará a linha do Equador. Devem ser tomadas precauções especiais, pois muitas vezes se sente um choque muito violento, podendo até mesmo a hélice embaraçar-se na referida linha, se a passagem não for feita com muito cuidado”.

Texto extraído do Livro “A Epopéia dos Apeninos” de José de Oliveira Ramos

Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – III

Alguns Causos enviados pelo Pesquisador Rigoberto Souza Júnior.

O 2º Escalão da FEB embarcou no dia 22 de Setembro de 1944, às 12:15 hs, rumo à saída da barra, de onde podia-se vislumbrar sem binóculo o relógio da Central de Brasil.  As lembranças dos entes queridos que ficavam para trás daqueles montes, nos vinham nítidas à memória. Quando voltaríamos a rever essas praias saudosas? Quando voltaríamos a transpor essa barra, de regresso à nossa Pátria querida?

Vários causos podem ser lembrados nesta travessia do Atlântico rumo ao Teatro de Operações da Europa, que relatamos agora:

            “Lá vem peixe – Lá vem tu-tu-tu”

O que chama a atenção no início do trajeto a bordo do General Mann, eram as ordens transmitidas a todo o navio, pelos inúmeros alto falantes, em inglês, para os americanos e, em português para os brasileiros. Estas ordens sempre eram precedidas por um agudo silvo, e os soldados logo aprenderam que depois do apito viria uma novidade, e gritavam: “Lá vem peixe, lá vem peixe!”

Uma das ordens mais comuns era para este ou aquele oficial ou marinheiro telefonar para o telefone 222, terminando as ordens pelo infalível “two, two, two”. Nossa rapaziada achava graça naquela história e gritava: “Lá vem o tu, tu, tu! Olha o tu, tu, tu!”

            “Lixo, lixo!”

Muitos soldados se divertiam na popa do navio, formando duas alas, entre as quais passavam os marinheiros, encarregados de levar o lixo para o depósito. Os pracinhas gritavam: Lixo, lixo! Dizendo outras palavras inventadas, fingindo que falavam inglês.

Os americanos achavam graça e, pensavam que lixo queria dizer; “Abram passagem”, ou coisa parecida. Na volta os próprios americanos vinham gritando também: “lixo, lixo!”

            “Confusões”

Muitas confusões interessantes ocorreram entre brasileiros que não sabiam falar  bem o inglês e americanos que não sabiam falar bem o português.

O dentista do Q.G., o Ten Paulino de Melo, estava comendo um bombom perto de uma americano e, querendo ser educado perguntou-lhe assim: “Want you a good-good?” Ao que o americano lhe respondeu em ótimo português: “Não, obrigado, não gosto de bombom”.

Uma outra foi com o Sgt Enfermeiro Menésio dos Santos, que desejava visitar a enfermaria de bordo. Dirigiu-se à sentinela, com a frase já engatilhada: “Permit I visit the enfermar?” Respondeu-lhe a sentinela, que havia passado vários meses no Rio de Janeiro: “Não pode ser, cai fora!”

Extraído do Livro “A Epopéia dos Apeninos” de José de Oliveira Ramos

A FEB Em Quadrinhos. Muito Legal!

 Achei essa raridade. Muito legal. Isso nos passa a sensação do quanto os pracinhas foram cotejados como heróis. Histórias em quadrinhos que narram a epopeia da Força Expedicionária Brasileira.

 Em tempo: Chega uma explicação do pesquisador Mário Messias:

Estampas foram editadas a partir da década de 20, valendo citar as famosas como Estampas Liebig e Eucalol, da Perfumaria Myrta do Brasil do Rio de janeiro.(exemplos anexos). Houve uma série de Estampas Eucalol que retratava A História da FEB. As estampas da FEB eram do Sabonete Eucalol, três sabonetes em cada caixa com três estampas – e o Creme Dental Eucalol – uma estampa por tubo.

Foram desenhadas por Willy von Paraski e impressas pela Gráfica F. Lanzarra – São Paulo -, Litográfica Rebizzi e Gráfica Mauá, ambas do Rio de Janeiro, e algumas outras menores. Assim, não se editou quadrinhos sobre a FEB, mas sim estampas.

 Fonte: http://www.brasilcult.pro.br/historia/feb/hist01.htm

Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – II

 O Amuleto!

Um pracinha do 1º RI, foi escalado para tirar o serviço de sentinela na linha de frente. Quando entrou em forma, o sargento responsável pelo serviço, percebeu que o soldado estava com um sapato feminino pendurado a seu cinto de campanha. Ele chega bem próximo do ouvido do soldado, e começa a falar:

 – Que merda é essa no seu cinto soldado? Tá mudando o uniforme de campanha? Ficou louco? – O sargento fala sem alvoroço.

 O soldado, meio assustado com a reação do sargento, conta o motivo do objeto feminino estranho a uma soldado na guerra.

 – Sargento, esse não é o meu primeiro serviço na linha, e esse sapato é da minha mulher, e me salvou a vida – falando já suspirando.

O sargento com cara de surpresa, arregala os olhos.

–  Salvou sua vida? Como? – pergunta o sargento.

 – É que quando eu sai do Brasil, não houve tempo de me despedir da minha mulher, já que ninguém sabia quando era o embarque, e sempre vinha aqueles cansativos treinamentos de embarque e desembarque, até que entramos no navio e chegamos aqui. Só que como eu moro próximo da Estação do trem que passamos para o porto, consegui ver minha mulher no caminho e ela me viu. Claro, a gente só se viu a distância, então ela pegou esse sapato e jogou e mim, gritando para que eu levasse o sapato comigo o tempo todo, para lembra dela. E eu sempre fiz isso. No meu último serviço na linha, eu estava guardando uma estrada, protegido por sacos de areia em cima de um pequeno morro. A noite, peguei o sapato para matar um pouquinho a saudade. Só que o sapato escorregou da minha mão e caiu no sopé do morro, fiquei com medo de ir buscá-lo, mas resolvi descer, não podia perder a única lembrança da minha mulher, e se eu voltar para o Brasil sem isso, vai dar merda pro meu lado. Assim que desci, e peguei o sapato, explodiu um granada de artilharia no meu posto, tudo foi pelos ares! Se não fosse o sapato eu não estaria aqui hoje, tinha explodido no meu posto. Portanto, o senhor pode me prender, mas esse sapato vai ficar exatamente onde está! – Fala decididamente

O sargento não pergunta mais nada, bate no ombro do soldado e leva o grupamento para o serviço na linha.

O brasileiro amigo da artilharia inimiga

O Sargento Rigoberto contou que certa vez, que a sua companhia estava sofrendo uma barragem de artilharia e todos estavam abrigados. Quando ouvia um dos pracinhas gritando cada vez que um projétil de artilharia passava por suas cabeças.

 “Alta demais…baixa a Alça!” – quando  o projétil passava muito alto.

 E quando o projétil explodia à frente da Companhia ele reclamava com o inimigo.

 – “Foi muito…aumenta a merda da Alça!!”

 A cada tiro, o brasileiro tentava guiar a artilharia alemã. Até que o capitão, comandante da Companhia, resolveu tomar uma decisão:

  – Tirar esse desgraçado da linha, antes que algum alemão que fale português entenda o que ele está falando. – E o soldado foi retirado da linha

 O soldado corajoso para guerra, mas com alguns medos.

Certa vez, uma patrulha do 6º RI , comandado por um sargento, estava atuando próxima a uma pequena vila, quase abandonada. Quando resolveram descansar em uma casa mais afastada de dois andares. Eles resolveram ficar no segundo andar para poder observar o território. O sargento deu ordens para um soldado ficar de sentinela, enquanto o resto do grupamento descansava. A sentinela ficou próxima a uma janela, observando o movimento. Só que a casa tinha um caminho a sua retaguarda, e uma porta que dava acesso direto ao interior da casa. Quando o sargento percebeu, a casa estava com praticamente um pelotão de alemães alojados. Ficar ali, no segundo andar, era perigoso demais, qualquer barulho, chamaria a atenção do pelotão. Então o sargento observou um poste próximo a uma das grandes janelas da casa, e ordenou que os homens pulassem da janela para o poste, e descessem. Já no chão, poderiam se afastar e pedir apoio da nossa artilharia que não estava longe, tudo isso tinha que ser feito sem chamar a atenção do inimigo. Então, todos começaram a pular, um por um, até que ficou apenas o sargento com o soldado Inácio. Soldado considerado um dos mais combativos do regimento, voluntário para patrulhas. O sargento, mandou o Inácio pular, e o bravo soldado ficou estático e só balançava a cabeça – O que foi Inácio? Desce logo essa merda! – xinga o sargento.

 – Não posso sargento, tenho medo de altura! – fala o corajoso guerreiro

 – Como assim medo de altura? Você tá na merda, tá vendo o inimigo lá embaixo não? Pula logo, antes que empurre você pela janela!

 Inácio, se prepara, chega até a janela e volta com lágrimas nos olhos!

 – Sargento, consigo não! Tô quase me mijando de medo dessa altura! – fala já com lágrimas no olhos.

– Inácio, se tu num pular de vez, eu vou pular e deixar você resolver com os tedescos lá de baixo – ameaça o sargento

 Outra tentativa, desta vez Inácio quase escorrega, e se agarra com o sargento, e chora!   Já desesperado, os outros soldados gesticulavam para o sargento. Então ele olha pra baixo:

 – O que é? – Pergunta o desesperado sargento

 Um soldado que conhece o Inácio desde os tempos de escola, diz que Inácio tem mais medo de injeção do que de altura. Então é a solução! O enfermeiro que estava acompanhando a patrulha, jogou o seu estojo e dentro o sargento tirou uma injeção de penicilina, e já falando para o Inácio:

 – O seguinte soldado, você vai pular dessa janela agora, se você voltar aplico essa merda em você – Aponta a seringa para o pobre soldado

Inácio, respira fundo, corre e se joga no poste. A técnica era se jogar com o pé batendo no poste de forma que pudesse cair girando no poste, afim de minimizar o impacto da queda, mas o guerreiro se jogou de pernas abertas! E o poste maltratou profundamente suas partes mais sensíveis, praticamente ficou estatalado, abraçado com o poste alguns segundos, até cair completamente no chão.

 E todos ficaram felizes em ver o pobre Inácio gemendo no chão! Mesmo com todas as dificuldades a patrulha se afasta e aciona a artilharia brasileira, passando as coordenadas da casa com os inimigos.

Serie: Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial – Parte II

 A pedidos. Vamos mais um vez contar alguns “causos” dos nossos pracinhas. Desta vez, fiz questão de incluir alguns casos que os pracinhas da Regional Pernambuco nos relataram através de depoimento. Alguns casos eu preservo os nomes já que o teor é um pouco…digamos…Forte!

Jeitinho Brasileiro

Quando a 10ª Divisão de Montanha se instalou próximo ao acampamento brasileiro, os nossos pracinhas começaram a sentir a falta de vários objetos de uso pessoal, uniformes e mantimentos. Então os soldados se reuniram e foram falar com o Comandante de Companhia, este, ouvindo as queixas prometeu entrar em contato com o pessoal da 10ª Divisão.

Então lá vai o Capitão brasileiro falar com o Capitão americano sobre os pequenos “desaparecimentos”.

O americano escutou atentamente as ponderações do brasileiro e no final, disse que não iria se preocupar com esse tipo de problema, que estava em zona de guerra, e que, para ele, isso era normal e não deveria ser uma censura para seus homens.

Retornando, o Comandante brasileiro reúne sua Companhia e diz o seguinte:

– Pessoal! Está tudo liberado! Nem o comando americano e nem o brasileiro irão punir qualquer tipo de conduta em relação aos furtos que acontecem entre nossas Unidades.

Algumas semanas depois o Capitão americano pede para falar com o brasileiro.

Pede desculpas pelo mal entendido e leva-o até o pátio onde há três caminhões carregados de todo tipo de objetos pessoais e mais outras coisas. E fala o seguinte:

– Entendemos que erramos quando não nos preocupamos com essa conduta, creio que essa carga supre todo o material desaparecido de sua tropa…Agora, veja se consegue restituir os 05 caminhões, 8 jeeps e um tanque da nossa Companhia.

Da noite para o dia as Companhias brasileiras apareciam com novos veículos com o Cruzeiro do Sul desenhado e tudo, inclusive alguns pracinhas juravam que tinham chegado do Rio de Janeiro de navio com eles desde o início da guerra.

Senha? P…Nenhuma!

O Comando americano sempre enviava senhas e contrassenhas em inglês, e o comando brasileiro, em operações em conjunto, tinha que manter as senhas. Na prática o pracinha não queria saber de senha, que passava a ser os xingamentos.

Conta o sargento Rigoberto do 2º Batalhão do 11º RI, Companhia anti-carros, que posteriormente foi revertida em companhia de fuzileiros. Estava em uma patrulha para detectar um corte na linha de transmissão da companhia. No caminho acabou chegando em  uma casinha, e se instalou por alguns instante ali. Quando viu um grupamento se aproximando, um dos soldados gritou – quem vem lá? A resposta veio da seguinte forma:

Tá me reconhecendo não Filho da p… Manda tua mãe pra cá! Seu filho da p…

Em resposta ele escuta:

 – Tu num tem mãe, pois mãe que manda o filho para a guerra é melhor parir um rolo de arame farpado!

 E assim nossos soldados iam se entendendo do jeito brasileiro de se comunicar!

Soldado de Engenharia que é “Pau pra toda Obra”

 Certa vez o soldado Geraldo recebeu uns dias de descanso em Florença e para lá seguiu. Chegando em um Hotel administrado pelos americanos, foi longo procurando um lugar onde tivesse algumas mulheres para desfrutar suas moedas de ocupação. O militar que o acomodou informou que, para manter a integridade física da tropa, ele tinha que escolher dentre as mulheres escaladas para esse tipo de atividade e que mandaria a escalada em um horário determinado.

Chegando no horário, uma bela senhoria passou a lhe fornecer informações importantes quanto a saúde sexual e sobre a discrição do seu trabalho. Fez recomendações quanto a limpeza e a sua identificação. Depois partiram para o ato sexual.

Ao final, a jovem pediu para que ele esperasse até que viesse um soldado para ajudá-lo no asseio. Mesmo estranhando, ele esperou! Chegou um enfermeiro que iniciou um processo de “higienização” de suas partes íntimas, acompanhado de um banho com produtos farmacológicos misturados na água.

Isso o deixou impressionado e feliz pelo tratamento VIP recebido.

Esse mesmo soldado, ao voltar para sua cidade, no interior de Minas, foi recebido com direito a banda de música, discurso em praça pública ao lado do prefeito e tudo que tinha direito.

Depois das festividades, ele recebeu um convite para ir à noite ao Bordel local. Evidentemente, o nosso vigoroso pracinha não baixou a guarda.

Ao chegar no “baixo meretrício”, a dona do Bordel deixou claro que seria tudo por conta da casa, mas ele tinha que discursar. E lá vai mais um vez nosso eloquente pracinha!

Segundo o próprio, o discurso pátrio no Bordel foi tão fervoroso que no outro dia pela manhã, todos na cidade sabiam o teor do discurso do nosso soldado.

Esse é nosso Veterano “pau para toda obra!”

Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial

 Não tem como negar que a característica do povo brasileiro esteve muito presente no Teatro de Operações da Itália. Entre os diversos “causos” há vários relatos, alguns, é verdade, sem a comprovação necessária para tomarmos como verdadeiras. Mas outros realmente encontramos comprovação. Entre tantos relatos, separamos alguns, bastante engraçados.

A Comida Comuflada

Os pracinhas, acostumados às rações reguladas que tinham no Brasil, ficavam surpresos com a abundância servida pelos americanos: carnes, legumes, frutas, uva-passa, sorvetes, mas nem tudo era elogio. Tinha um tal de Pork Lunch (enlatado a base de carne de porco) que eles serviam tantas vezes que todos odiaram – inclusive os americanos. De vez enquanto os cozinheiros punham um molho diferente para enganar o pessoal, mas o primeiro pracinha da fila que via aquela rodela coberta com molho avisava a turma de trás: “Cuidado, pessoal, hoje ela está camuflada!”.

O Ferimento de Neve

No meio de uma saraivada da artilharia alemã, os soldados aprontavam uns com os outros para amenizar o stress do combate como conta o sargento Moacyr Machado Barbosa: “Quando caíam algumas granadas de 88mm, nós jogávamos bolas de neve ou pedra nas costas dos companheiros. Quando o bombardeio acabava, a gente levantava e voltava à normalidade. Aquele que tinha sido atingido pela bola de neve ficava passando a mão no local atingido procurando sangue para ver se tinha sido ferido. Ferimento não dói na hora, só depois. Por isso ficava procurando ferida. Era uma brincadeira de brasileiro”

Tá todo mundo preso!

Numa região onde havia brasileiros, americanos, alemães e italianos indo pra lá e pra cá, só podia acabar em confusão. Certo dia, uma patrulha sob o comando de um sargento gaúcho voltando de uma missão deu de cara com um grupo de alemães. Imediatamente o sargento mandou seus homens cerca-los e desarmá-los. Mas os alemães viam sendo conduzidos como prisioneiros por três americanos. Sendo tantos pracinhas os cercando, os americanos gritaram: -Oh! Brazilian, friends! Mas o sargento não entendia inglês. Não quis saber de conversa foi logo dizendo: – Não tem disso, não! É tudo gringo, vai tudo preso! Só quando chegaram à Companhia é que então se esclareceu quem era “gringo” e que não era.

Bota-fogo!

O Cabo João Batista Moreira, da 5ª Companhia do 11º RI, conta que quando estava na linha de frente o Alto Comando mandou reforço de duas seções de metralhadoras pesadas sob o comando de dois cabos. O 1º RI todo era carioca e as senhas escolhidas do dia foram Flamengo e Botafogo. Informou o Capitão a aproximação de uma patrulha inimiga de 12 a 15 homens. O Capitão mandou esperarem chegar mais perto e desligou. Logo depois tentou contato com a seção de metralhadoras, que não atendeu. Nervoso, o Capitão começou a gritar: “Alô, Botafogo! Botafogo!”. O pracinhas ouviram isso e gritaram para os artilheiros: “O Capitão ordenou: ‘Mete Fogo!’ ‘Mete Fogo!’”. E toda a frente abriu fogo. Quanto mais o Capitão gritava, mais atiravam até que um mensageiro mandou cessar fogo. Então lançaram um very-light que iluminou uma área de 100 metros. Havia apenas um alemão morto, o resto da patrulha fugiu. A confusão gerou telefonemas das companhias e do batalhão querendo saber sobre “o violento ataque alemão…”.

Fontes: Relatos da FEB, História Oral do Exército na Segunda Guerra.

 

Cabo Clarindo Batista Santos é um pernambucano!

 Mais  uma crônica de Rubem Braga. Desta vez ele escreve sobre a bravura de um pernambucano da cidade de Bom Conselho.

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Clarindo Batista Santos é um pernambucano troncudo, musculoso, de pequenos dentes sadios. Nasceu em Bom Conselho, perto de Garanhuns. Em 1933 foi para São Paulo, serviu no Exército, depois esteve por dois anos na Escola da Aeronáutica do Rio, onde aprendeu enfermagem. Saindo do Exército trabalhou como empregado em várias casas comerciais do Rio. Quando a SEMTA organizou (ou, mais precisamente: promoveu) a migração de trabalhadores nordestinos para a Amazônia, Clarindo entrou para esse Serviço como enfermeiro, mas logo passou a chefe de comboio. Recrutava os voluntários no interior da Paraíba e de Pernambuco e organizava os comboios de 8 caminhões que os levavam até Fortaleza. Correu assim muitos trechos do Nordeste e chegou a ir até o Maranhão.

Mais de uma vez teve que agir com energia, pois os trabalhadores ameaçavam se revoltar, devido à desorganização do serviço que, a princípio, não providenciava alojamento nem alimentação para os homens.

Clarindo voltou para o Rio – e “arranjou para ser convocado”, entrando então para a FEB como cabo-enfermeiro de companhia. Seu pai, Manuel Santiago de Messias, vive em Palmeiras dos Índios, Estado de Alagoas.

É do Cabo Clarindo o personagem principal da narrativa abaixo:

Março, 1945

Com informações que colheu através de patrulhas, o S-2 de um Batalhão conseguiu localizar perfeitamente uma localização nazista. O capitão Arnóbio Pinto Mendonça chamou o tenente de seu pelotão de morteiros. Os morteiros 81 receberam um tipo de munição especial – grandes granadas incendiárias. O oficial de ligação de artilharia telefonou ao Tenente Lontra – e os canhões de retardo, que primeiro entraram no chão para depois explodir.

Marcou-se a hora exata. Os binóculos voltaram-se para uma igrejinha e um grupo de casas, não distante de nossas linhas. Fogo! Choveram sobre a posição 50 tiros de morteiros e 25 de artilharia. Minutos depois o fogo ardia sobre os escombros. E uma bandeira branca emergiu. Logo depois apareceu também uma bandeira vermelha. Os alemães se rendiam e pediam socorros médicos.

O Capitão Fará telefonou para o Batalhão, o Batalhão para o Regimento, o Regimento telefonou para a Divisão. Na linha de frente nossos homens olhavam a bandeira branca e a bandeira vermelha. Esperavam que aparecesse algum alemão na terra de ninguém, mas nenhuma aparecia. O fogo tinha sido suspenso. Podia ser uma cilada do inimigo.

Uma pequena discussão no PC da Companhia – mas o cabo Clarindo Batista dos Santos, enfermeiro, disse que fazia questão de ir. Já se oferecera para outras missões perigosas – e fora preterido. Que vá!

Clarindo pediu ao Tenente Cisne que, se os alemães o segurassem lá, ele varresse tudo com morteiros – não se importava de estar no meio. E sozinho, desarmado, caminhou para as linhas inimigas. Levava na mão uma bandeira de cruz vermelha.

                – “Quando cheguei lá perto, vi um alemão. Acenei para ele com a bandeirinha, dizendo para ele vir cá. O alemão deu uns passos e depois me chamou para ir lá. Eu disse para ele vir, que não tivesse paura, gritei que tinha sigaretti, mangiare. Ciocolatta, que brasiliano não matava tedesco prisioneiro não, que ele podia vir que já tinha muitos amigos deles do lado de cá. Então veio um alemãozinho. Eu conversei com em italiano e disse para dizer aos outros para virem. Não sei se ele entendeu direito. Voltou lá e eu fiquei esperando. Aí chegou um terceiro-sargento nosso que ficou comigo, não sei o nome dele. O alemãozinho voltou com um outro, parece que era sargento. Esse chegou perto de mim, levantou a mão e disse Heil Hitler. Então eu bati continência, depois apertei a mão dele… ”

                – Mas por que você apertou a mão dele, Clarindo?

                – “Sei lá, é porque esse aquele negócio de fazer Heil Hitler e eu bater continência ficou uma coisa sem jeito, então resolvi cumprimentar o homem direito. Aí o homem disse que queria vir para o nosso lado e que lá na sua posição tinha mortos e feridos. O sargento voltou com o homem e eu resolvi ir lá ver os feridos com o alemãozinho que tinha vindo antes. Eu pensava que lá só tinha feridos e mortos e queria ver para então providenciar o socorro. Mas quando eu cheguei, fio logo vendo três alemães, depois outro, depois mais outro. Eles ficaram me olhando e eu sozinho ali no meio deles. Tinha um cavando um buraco para enterrar os mortos, e outro mexendo com uma padiola. Perguntei se ele não tinham médico. Disseram que não, “niente médico”, e tinha um ferido no chão. Um deles perguntou se nós tínhamos médicos e remédios; eu disse que sim, e ele fez o sinal de vir. Mas ai eles começaram a conversar uns com os outros em alemão e me olhavam com cara feira e não sabia o que fazer. Aí eu peguei  a pá e comecei a cavar o buraco…”

                – Mas para que você foi cavar buraco?

                – “Sei lá, estava todo mundo parado, eu precisava fazer alguma coisa para ver como é que as coisas ficavam. Se eu ficasse parado, eles acabavam me prendendo ou me matando. Aí um alemão disse que eu não bisognava cavar, eu larguei a pá e resolvi botar energia. Olhei assim, e escolhi quatro alemães bem fortes e dei uns berros: “vocês quatro portare padiola! Depressa! Súbito!” Os homens me olharam admirados, mas trataram de ir segurando a padiola com o ferido, e eu os pus na frente e vim outra vez para a nossa linha. Depois eu voltei, mas aí fui com três homens, dois com fuzis, um com metralhadora…”

Mascarenhas de Morais: Um Exemplo de General Brasileiro

 Relato retirado do livro Crônicas de Guerra do Coronel Olívio Gondim de Uzêda, comandante do 1º Batalhão do 1º Regimento de Infantaria, Regimento Sampaio.

Relato:

             O Coronel Mascarenhas de Morais já fora nosso Diretor de Ensino, quando cursávamos a Escola das Armas, já fora nosso comandante, quando éramos instrutores na Escola Militar.

                Tornamos a servir sob o comando do general Mascarenhas de Morais, fora um dos motivos que nos alegraram ao sermos designados para servir na FEB.

                E não erramos: onde quer que nos achássemos tínhamos sempre a nos orientar e a nos estimular o nosso dedicado chefe.

                Estava nosso Batalhão aguardando ordens em Gagio Montano para o nosso primeiro ataque ao Monte Castelo quando aí foi ter ao nosso Posto de Comando o nosso General.

                O inimigo nos vinha bombardeando cerradamente, e foi nesse ambiente que nosso chefe nos veio trazer suas palavras de estimulo.

                As granadas caiam mais amiudamente em torno da casa onde nos achávamos e o nosso comandante em chefe, sereno e imperturbável continuava falando-nos.

        Com o mesmo ardo patriótico o nosso comandante nos telefonou no dia 21-2-45, quando nosso Batalhão atacava pela segunda vez Monte Castelo, concitando-nos, estimulando-nos: que era o nosso dia, o dia do nosso Brasil, e que ele confiava em nós. O ataque estava planejado, apenas sendo montado: ia ser iniciado dentro em breve, mas o fizemos com redobrado entusiasmo ante as palavras do nosso General, o comandante que se lembrou dos subordinados aos quais confiara tão importante missão.

                E foi com o coração cheio de fé que respondemos ao nosso querido chefe: o nosso Batalhão vos dará o Castelo hoje! E deu!

                E o nosso General prosseguiu conosco!

            Um dia achávamo-nos no inverno. A neve prosseguiu caindo impiedosamente, dificultando nossos transportes e deslocamentos, antecipando a explosão de nossas minas, arrebentado nossos fios telefônicos, fazendo ruir a cobertura dos abrigos, recrudescendo a vida nas trincheiras.

                Eis que surge no Post de Comando do Batalhão o nosso General. Queria ver nossas posições. Mostramos-lhe o depósito de rações e o posto de remuniciamento e depois as posições dos morteiros.

                Fomos alguns metros mais à frente de Jeep e dissemos ao nosso General que daí não podíamos prosseguir senão a pé, já porque a neve, muito profunda, dificultava o emprego do jeep, como porque o itinerário, que daí nos conduzia a qualquer elemento de fuzileiros, estava submetido às vistas e fogos inimigos. Em face disso propusemos ao nosso General, apenas mostrar-lhe a posição do canhão de 57mm que havia atirado sobre Pietra Colora e uma metralhadora de calibre 50 em defesa contra a aviação. Ele viu isso tudo e por fim repetiu: quero ver os fuzileiros. O ajudante de ordens do nosso comandante em chefe, por sinal seu genro, lançou-nos um olhar significativo. Ponderamos ao nosso General, apresentamos-lhe as mesmas razões: o itinerário era perigoso e muito cansativo, o inimigo observava nossos movimentos, a neve ali tinha mais de 80 cm de espessura.

                Ele respondeu energicamente, em tom que não admitia réplica: vocês estão me fazendo mais velho do que sou! É meu deve estar com meus soldados onde eles se acharem e eu quero vê-los.

                Arranjamos uma capa branca, para disfarce na neve e uma bengala ferrada para o nosso General. Lembramos-lhe que devíamos marchar distanciados, para dificultarmos os tiros e as observações dos inimigos.

                Partimos à frente para mostrarmos o itinerário, e de quando em vez olhávamos para trás.

                Lá nos seguia, num magnifico exemplo de cumprimento do dever, de tenacidade e de destemor, o nosso querido General!

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Homenagem aos Pernambucanos Mortos no Teatro de Operações da Itália

Uma importante homenagem a Força Expedicionária Brasileira foi realizada hoje em Pernambuco. Em uma bonita cerimônia, foi inaugurado no 10º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado – Esquadrão Forte das Cinco Pontas, o Monumento aos Pernambucanos Mortos nos campos da Itália.

O evento contou com a presença do Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco, senhor Alberides de Lima Passos e do Tenente R/2 Gildo – Diretor Cultural da Associação dos Oficiais da Reserva-AORE que, acompanhados do Major André Augusto, comandante do 10º Esquadrão, realizaram o descerramento da placa alusiva que homenageia os 12 pernambucanos que perderam suas vidas no Teatro de Operações da Itália.

O evento também contou com a Guarda do Monumento, formada por uma representação do Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega, que tornou a solenidade ainda mais emocionante.

São iniciativas como estas que fazem jus a memória daqueles que entregaram suas vidas pelo seu país.

Os Veteranos pernambucanos da FEB agradecem os Lanceiros do 10º Esquadrão pela oportunidade de presenciar, em vida, o reconhecimento dos sacrifícios dos jovens pernambucanos em favor de um mundo melhor.

Informações Adicionais:

Os Pernambucanos da FEB mortos na Itália

A Memória dos Heróis Mortos Largado ao Esquecimento!

Os lanceiros do Recife honram, nesta data, a memória daqueles que fizeram o mais alto sacrifício em defesa da Nação Brasileira e da Democracia durante a 2ª Guerra Mundial

O Belo Monumento em Homenagem aos Pernambucanos Mortos! Com a Guarda do Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega