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Posts Tagged ‘Franco-Atirador’

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XIX

Os soldados alemães também eram assolados pelos franco-atiradores. O motorista Helmut K., escrevendo para os seus pais em 7 de julho, reclamou que a sua unidade, transportando material de Varsóvia para o front, tinha sofrido 80 mortos, “32 deles por franco-atiradores.” As medidas repressivas resultantes só aumentavam o nível de violência. Virtualmente não havia nenhuma atividade de partisans na Ucrânia após o início da invasão, a não ser de grupos que ficaram para trás constituídos por oficiais do Exército Vermelho e de grupos especiais da NKVD. Após as batalhas que resultaram no cerco de Kiev, as operações efetuadas por partisans no Grupo de Exércitos Sul aumentou consideravelmente. Na área do Grupo de Exércitos Centro, os grupos de partisans chegariam a controlar 45% da região ocupada, mas as atividades de início eram em pequena escala. Os franco-atiradores eram a primeira manifestação de resistência. Durante o avanço em direção a Leningrado, o artilheiro Werner Adamczyk foi recebido a tiros por pessoas que “nem estavam de uniforme” e que “não atiravam tão mal”. Ele ficou surpreso e indignado:

“Agora parece que vamos ter de lutar contra os civis! Já não era bastante lutar contra o Exército Vermelho. Agora nem nos civis nós podemos mais confiar.”

Qualquer resistência as áreas da retaguarda era referida como “bandidos ou “civis”. Karl D. escreveu no seu diário no início de julho:

“À nossa direita havia campos de trigo. Precisamente neste momento um civil atirou a partir da plantação. Uma procura foi feita no campo. Aqui e ali se ouvia um tiro. Deveriam ser franco-atiradores. Havia também soldados russos que estavam escondidos na floresta. De vez em quando um tiro era disparado.”

Outro soldado, Erhard Schaumann, descreveu como:

“Nós percebemos depois que a população russa não tinha fugido, mas se escondido em abrigos subterrâneos. Nós recebemos tiros de morteiros extremamente precisos no nosso acampamento o que causou pesadas baixas. Nós pensamos que devia haver russos (observando) por perto para estarem mirando tão bem.”

Ao investigarem, eles desentocaram várias pessoas dos abrigos subterrâneos. Schaumann ficou relutante em explicar o desenrolar da situação:

“Schaumann: Ja , eles foram trazidos e interrogados… foi o que eu ouvi.
Entrevistador: E para onde eles foram levados?
Schaumann: Para o comandante do batalhão ou do regimento ou para o comandante da divisão, e então eu ouvi tiros e sabia que eles tinham sido executados.
Entrevistador: Você viu isso também?
Schaumann: Eu vi.
Entrevistador: Você participou disto?
Schaumann: Eu tenho que responder a isso? Por favor, me poupe de responder isso.”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Série: As Maiores Snipes da Segunda Guerra – Parte Final

Em poucos momentos na História a mulher demonstrou tão bravura em combate e tanta coragem quanta as Snipes soviéticas. Observando o número de baixas causadas por elas e os atos de bravura individuais chega a ser assustador. Segue alguns exemplos:

Como um franco-atirador, Olga Vasilyeva atacou pela primeira vez em 1943 e matou 185 alemães no total. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, ela voltou para Voronezh, condecorada com a Ordem da Guerra Patriótica e a Ordem da Estrela Vermelha.

Natalia Kovshova nasceu em Ufa em 1920 e juntou-se à frente, em outubro de 1941.

No dia 14 de agosto de 1942, o regimento de Natália estava combatendo perto da aldeia de Sutoki-Byakovo na região de Novgorod. Dois Franco-atiradores resistiram à ofensiva alemã nas trincheiras. Os soldados russos foram mortos um após o outro. Natalya era um dos poucos que permaneceu viva, ela foi ferida. Então decidiu puxar o pino da granada, e esperar para explodir os soldados alemães quando chegaram à trincheira.

Quando os alemães finalmente chegaram à trincheira, Natalya detonou as granadas, matando-se juntamente com muitos soldados alemães. Ela recebeu postumamente o Herói da União Soviética, em reconhecimento do seu sacrifício.

Maria Polivanova nasceu em uma aldeia na região de Tula, em 1922. Ela estava juntamente com Natália Kovshova quando detonaram as granadas na luta perto da aldeia de Sutoki-Byakovo na Região Novgorod em 14 de agosto de 1942. As duas morreram levando vários soldados alemães.

Inna Mudretsova matou 138 alemães, sendo seu primeiro alvo morto em 1943. Ela teve seu braço esquerdo amputado após um grave ferimento. Ela morreu pouco antes do 55º aniversário da Grande Vitória.

Nina Petrova nasceu em 1893, e no período da Segunda Guerra Mundial ela tinha 48 anos e não precisava lutar. No entanto, se juntou ao exército e matou 122 alemães. Ela morreu em um acidente de carro em 01 de maio de 1945.

Snipers Catherine Golovakha (à esquerda) e Nina Kovalenko (à direita).

Elizabeth Mironova matou 100 inimigos. Ela morreu em 1943 na defesa de Novorossiysk

Nina Lobkovskaya matou 89 inimigos

Maria Koshkina (Tkalich) matou 85 ocupantes fascistas começando como instrutora médica e, em seguida, se tornou sniper. Quando ela foi ferida na perna, continuou atuando como instrutora de médicos e socorrista. Ela nunca usava qualquer uma de suas medalhas e ordens de condecoração quando ela estava em casa na região de Leningrado, porque “recebeu por matar pessoas”.

Lyubov Makarova matou 84 alemães. Após o fim da guerra, voltou para Perm, sua cidade natal.

Alexandra Vinogradova matou 83 alemães

Julia Belousova matou 80 inimigos

Roza Shanina matou 75 inimigos. Ela insistiu em entrar para o exército, embora tivesse apenas 16 anos. Ela teve aulas e começou nas funções em 1944. Ela morreu em uma batalha em 28 de janeiro de 1945.

Yevgenia Makeeva matou 68 inimigos

Série: As Maiores Snipes da Segunda Guerra

Notabilizando o trabalho daquelas mulheres que deixaram de lado a suposta fragilidade do sexo feminino para atuar como exemplo de resistência, frieza e, principalmente, como lideres dentro do Exército Vemelho. Não obstante aos preconceito em uma guerra que notabilizava e exaltava a fibra do Bravo Homem, as mulheres tiveram a oportunidade, pelo menos na União Soviética, de mostrar seu valor nos campos de batalha. Nada mais justo do que o reconhecimento histórico.

Lyudmila Mykhailivna Pavlichenko nasceu na cidade ucraniana de Belaya Tserkov em 12 de julho de 1916. Ela mudou-se para Kiev com sua família com apenas 14 anos. Lá, ela entrou para um clube de tiro e sendo graduada como atirador, enquanto trabalhava em um moinho na fábrica Arsenal Kiev. Em junho de 1941, com 24 anos Pavlichenko estava cursando o quarto ano de História na Universidade de Kiev, quando a Alemanha nazista começou a invasão da União Soviética. Pavlichenko estava entre as primeiras voluntárias no escritório de recrutamento, onde ela pediu para se juntar à infantaria e, posteriormente, foi atribuída a 25º Divisão do Exército Vermelho.

Em uma das batalhas, Pavlichenko substituiu o comandante do batalhão morto durante a luta e mais tarde foi ferida, mas se recusou a deixar o campo de batalha.

Tenente Pavlichenko participou de batalhas na Moldávia e Odessa. Quando os alemães tomaram controle de Odessa, sua unidade foi retirada para ser enviado para Sevastopol na Península da Criméia, onde ela lutou por mais de 08 meses. O total de mortes confirmadas durante a Segunda Guerra Mundial foi de 309, incluindo 36 snipers inimigos. Além disso, ela se tornou instrutora de snipers soviéticos até o final da guerra.

Pavlichenko iria “caçar” sozinho ou com Leonid Kutsenko – que se juntou à divisão junto com ela – todos os dias ao amanhecer deitada por horas ou dias à espera de um inimigo. Ela muitas vezes entrou em duelo com franco-atiradores alemães

Uma vez que os dois atiradores foram vistos por oficiais alemães que abriram fogo de morteiro. Leonid foi gravemente ferido e Pavlichenko conseguiu evacuá-lo do campo de batalha, mas ele não sobreviveu.

Desde então, ela lutaria ainda mais corajosamente, tomada por vingança contra o inimigo de seu falecido amigo.

Em junho de 1942, Pavlichenko foi ferida por tiros de morteiro. Por causa de seu crescente status, ela foi retirada de combate menos de um mês após se recuperar de suas feridas.

Pavlichenko foi enviado para o Canadá e os Estados Unidos para uma visita de publicidade e se tornou o primeiro cidadão soviético a ser recebido pelo presidente dos EUA Franklin Roosevelt. Mais tarde, Pavlichenko foi convidada por Eleanor Roosevelt em turnê pela América relatando suas experiências

Após a guerra, ela terminou a sua educação na Universidade de Kiev e começou uma carreira como historiadora. De 1945 a 1953, ela era assistente de pesquisa da Quartel General da Marinha Soviética. Mais tarde, ela era ativa no Comitê soviético dos Veteranos de Guerra. Pavlichenko morreu em 10 de outubro de 1974 aos 58 anos.

L. Pavlichenko encabeça a lista dos melhores 45 soviéticos Snipers Feminina da II Guerra Mundial.

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