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Posts Tagged ‘Frente Oriental’

Os Libertadores Alemães Chegaram!!

Imaginem a cena. Uma tropa durante a Segunda Guerra Mundial chega em uma cidade e é recebida como libertadora! Crianças correm para ver a tropa passar. Mulheres jogam flores para os soldados, algumas, mais exaltadas, tentam agarrá-los para beijar. A tropa, orgulhosa do feito, desfila garbosamente pelas ruas da cidade. O comandante recebe as autoridades locais e estes colocam à disposição mantimentos e alojamento. Tudo para os libertadores!

Essa cena se repetiu a cada cidade libertada no território francês e nos Países Baixos durante o avanço anglo-americano, contudo o relato acima se deu em inúmeras vezes com as tropas alemães invadiam a União Soviética. Muito ucranianos, lituanos e outros de etnias menores que eram oprimidos pelo governo de Stálin, viram a oportunidade de exercer a liberdade que nunca connhecerá.

O sonho se tornou pesadelo quando se percebeu que as forças de ocupação exerceriam opressão na mesma proporção dos “vermelhos”. Não demorou muito para que os mesmos soldados que eram recebidos com flores, foram os mesmos algozes e agentes da destruição de muitas cidades da União Soviética.

A conclusão é de que o povo dessas regiões tiveram um século XX de cão, sendo seguidamente oprimidos durante décadas e décadas, antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial.

Segue abaixo a galeria dos “libertadores” alemães:

O Soldado Alemão – O Melhor do Mundo?

O povo alemão foi considerado por muito tempo um povo cruel e militarizado, graças a campanha disseminada no pós-guerra. A principal característica oriunda dessa mística é disciplina notória dos alemães. Por isso o soldado alemão foi muito tempo considerado o melhor soldado do mundo, disciplinado e combativo. E as batalhas iniciais da Segunda Guerra elevariam essa observação para o seu mais alto nível.

Com o passar da guerra e com a rendição das forças do General Paulus em Stalingrado, o que o mundo viu e os soviéticos não cansavam de repetir, era de que o soldado alemão era tão humano como qualquer outro soldado de qualquer outro exército. Sujeito aos traumas e medos da guerra. Embora ainda senhora de milhões de quilometros quadrados de território, a máscara do soldado invencível caíra com o  6º Exército.

Quando as forças anglo-americanas abriram uma nova frente na França, o que se via era um Exército já bastante debilitado. Soldados com idade avançada ou muito jovens e unidades inteiras de estrangeiros. Claro, ainda contavam com forças extremamente combativas, mas muito longe da mística de invencibilidade do soldado alemão.

No final da guerra pouca coisa sobrou daquele soldado que era considerado quase uma força de outro planeta invadindo a França. O que sobrou eram os maltrapilhos e os doentes integrantes de uma exército derrotado.

Por fim não existem exércitos invencíveis, nem soldados invencíveis, o que realmente existe são homens muito bem treinados e equipados, mas que no final das conta são apenas homens, nada mais. Outros conflitos no pós-guerra iriam provar que exércitos poderosos poderiam ser vencidos, o Vietnã seria o maior exemplo.

Com vocês a galeria com a face do soldado que já fora considerado invencível.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXI

Parte 21

“Quando nós invadimos a União Soviética nós éramos vistos inicialmente como libertadores e éramos recebidos com pão e sal. Fazendeiros repartiam conosco o pouco que tinham” declarou Hans Hewarth von Bittenfeld, um sub-oficial de infantaria. Tudo isso mudou com o ciclo auto-perpetuado e vicioso composto de atrocidades e ataques de vingança. E os povoados ficavam indefesos no meio. “O desastre aconteceu quando os nazistas conseguiram jogar de volta para os braços de Stalin aqueles que desejavam cooperar conosco” continua von Bittenfeld. A sua opinião é de que “nós perdemos devido ao fato de lidarmos mal com a população soviética.” Os ‘Hiwis’ russos que trabalhavam para a Wehrmacht não eram necessariamente forçados a fazê-lo. Ele explica que “a ideia originou a partir dos soldados e não do oficialato.”

As atrocidades eram uma realidade da vida da qual não havia escapatória. O tenente F. Wilhem Christians também contou que foi ”recebido com grande entusiasmo” na Ucrânia. “Mas logo atrás dos panzers vinham as tropas de segurança da SD” o que era “uma experiência muito cruel e triste.” Christian lembra que em Tarnopol “os judeus foram reunidos com a ajuda, eu devo dizer, dos ucranianos os quais sabiam onde as vitimas viviam. Quando eu reportei isto para o meu general, sua reação foi de tornar terminantemente proibida a participação de qualquer membro de sua divisão em tais atos.”

Havia uma miríade de fatores que fazia com que o soldado alemão participasse ou ignorasse esses excessos. Eles estavam isolados em uma terra estranha, assolados por inúmeros fatores e tinham que, é claro, representar a violência disciplinada que se esperava de um soldado durante uma guerra. Muitos deles nunca antes tinham saído da Alemanha ou mesmo dos distritos onde nasceram. Eles estavam então sujeitos a formarem uma insanidade em grupo. Uma guerra corrompe, independente de qual seja a crença política e um alto nível de cultura não necessariamente é uma garantia da perpetuação dos valores civilizados. O oficial da SS, Peter Neumann da 5ª Divisão ‘Wiking’ lembra como um amigo, de forma fria, executou um grupo de civis russos da ITU (essa era a Administração Central para Treinamento Corretivo – Isspraviteino Turdovnoie Upalvelnnie – responsável pelo envio de pessoas as campos de concentração russos). Ele atirou neles com o seu fuzil Mauser. Neumann observou que:

“Esses tipos não eram de forma alguma santos e provavelmente não hesitariam em enviar um pobre diabo, culpado de um crime menor, para as minas na Sibéria. Mas mesmo assim por um momento eu fiquei paralisado devido ao incrível sangue frio do Karl. A sua mão nem mesmo tremia. Será que era possível que esse era o mesmo rapaz que uma vez eu vi, de calção, jogando bola na areia dos quebra-mares de Aussen-Alster em Hamburgo?”

A maioria dos soldados diria que apenas aqueles que estiveram lá realmente entenderiam tal dilema. Estes mesmos homens poderiam ser também rotulados de “pessoas legais” por seus contemporâneos. O Batalhão Policial 101, responsável por excessos cruéis, era composto por “homens comuns” e sem muito brilho. Depois que um soldado matava pela primeira vez, a próxima vez se tornava proporcionalmente mais fácil. Em cada setor da sociedade existem os tipos criminosos que formam parte do inexplicável lado sombrio que compõe o ser humano. E os soldados não são uma exceção. Na realidade, a violência aceita no campo de batalha apresenta as oportunidades para aqueles emocionalmente suscetíveis a atos destrutivos e malignos. O Obergefreiter da artilharia Heinz Flohr viu mães serem obrigadas a testemunhar a execução dos próprios filhos em Belaja-Zerkow no verão de 1941. Ele contou, visivelmente emocionado: “Eu tive de me perguntar se eram mesmo seres humanos que estavam cometendo tais atos?” Estupros nem sempre eram ideologicamente repulsivos. O Gefreiter Herbert Bütnner impediu que um Feldwebel do corpo médico molestasse uma menina russa, mas mais tarde o mesmo Feldwebel humilhou um grupo de judeus ao cortar metade de suas barbas e cabelos durante um despejo feito à força.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Berlim, A Última Fronteira – Parte I

No final do ano de 1944, a Alemanha estava prestes a desencadear a ofensiva das Ardenas, a última tentativa de Hitler conseguir neutralizar o avanço Aliado pelo ocidente ou, como é sustentando por muitos estudiosos, uma desesperada saída negociada com os anglo-americanos. Muito embora Hitler acreditasse em uma reviravolta no cerco que se formava sobre ele, ninguém mais em Berlim contava com uma vitória completa da Alemanha.

Berlim, desde o final de 1944, já se preparava para o pior. O racionamento e os bombardeios sistemáticos sobre a capital alemã tornava a vida dos berlinenses triste e dura. Mas nada assustava mais do que as notícias que viam do leste. Os vermelhos avançavam com uma voraz sede de destruição. E o objetivo final era Berlim, e os alemães que moravam na capital sabiam disso.

 No início de 1945 foram formadas forças combativas para defender a cidade. O objetivo era defender suas casas e suas famílias, pelo menos esse era o argumento. Crianças foram recrutadas, velhos e mutilados de guerra, todos que pudessem empunhar uma arma deveria combater o inimigo que estava cada vez mais próximo. Treinamentos e treinamentos eram dados aos civis para manusear armamentos leves e outros mais adequados aos combates contra os tanques, como os panzerfausts, de fácil manuseio, ele seria a principal arma para destruir o inimigo.

Mas era uma missão perdida, todos sabiam disso, tanto sabiam que muitos se recusaram a lutar, muitos tentaram se refugiar assim que as investidas contra a cidade iniciaram. Estes, considerados covardes, quando eram pegos, eram enforcados.

Nada adiantou, os arredores de Berlim são alcançados pela artilharia russa na segunda semana de abril, bastaria mais duas semanas para que ela caísse juntamente com toda a cúpula nazista. Era o fim da última fronteira a ser conquistada pelos Aliados na Europa.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XVI

Parte 16

Milhares de prisioneiros pereceram durante as marchas forçadas vindos do front, sendo os feridos os primeiros a sucumbirem. Mais para o final da campanha (Barbarossa), perto da cidade de Vyazma, tantos foram fuzilados que o comandante desta área na retaguarda ficou preocupado com o impacto junto à propaganda do inimigo. O 16º Exército (Alemão) instruiu às suas unidades em 31 de julho para que não transportassem os prisioneiros de guerras nos trens que vinham vazios do front devido ao receio de que poderia “contaminar e sujar” os vagões. A 18ª Divisão Panzer avisou às suas unidades em 17 de agosto de 1941 que não permitissem que prisioneiros de guerra contaminassem os veículos com piolhos. O Schütze Zeiser contou:

“Nós dávamos a eles tudo aquilo que sobrava. Havia ordens rigorosas para nunca dar a um prisioneiro qualquer comida, mas que se dane. Nós mal tínhamos para nós mesmos. O que nós dávamos era como uma gota d’água em um forno quente.”

As condições no início de novembro de 1941 poderiam ser descritas como catastróficas. A unidade de segurança de retaguarda, Korück 582, que apoiava o 9º Exército (Alemão), assumiu o Centro de Processamento de Prisioneiros 7 em Rzhev ao final do mês. Cada bloco de alojamento era composto por uma construção medindo 12 por 24 metros e que abrigava 450 prisioneiros. As doenças eram endêmicas porque havia apenas duas latrinas para 11.000 prisioneiros. Estes rapidamente acabaram por consumir toda a vegetação no perímetro marcado pelo arame farpado. Os prisioneiros subsistiam comendo cascas de árvores, folhas, grama e urtiga até que, ao final, foram relatados caso de canibalismo. Os cães de guarda recebiam 50 vezes mais comida do que um prisioneiros russo. A conseqüência inevitável foi o surto de tifo durante o outono de 1941. O Departamento de Saúde do Comissariado Geral da Rússia Branca (Weissruthenien), recomendou que todos os prisioneiros infectados fossem fuzilados. Esta foi rejeitada pelas autoridades responsáveis da Wehrmacht “baseado na quantidade de trabalho que isso acarreta.”.

Tais tratamentos não ocorriam sem implicações morais para os seus captores. Eles acentuavam a “desumanização” do inimigo o que tornava as execuções de tais excessos mais toleráveis. O soldado Roland Klemig explicou após a guerra:

“Nos disseram que os russos eram bolcheviques sub-humanos e que deviam ser eliminados. Mas quando vimos os primeiros prisioneiros de guerra percebemos que eles não eram sub-humanos. Quando os despachamos e, mais tarde, quando os utilizamos como Hiwis (ajudantes) vimos que eles eram como qualquer pessoa normal.”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XIV

PARTE 14

O resultado era a desumanização. “Muitos alemães optaram por não olhar para tais acontecimentos” admitiu o tenente de pioneiros Paul Stresemann. “Se eu soubesse tudo o que estava acontecendo… eu provavelmente teria saído correndo.”. Stresemann argumenta que, apesar de todo o sofrimento, “eu posso dizer que, durante todo o meu tempo de serviço no exército, não vi uma simples atrocidade.”.

As próprias circunstâncias estavam causando condições intoleráveis. “É claro que, quando um número tão grande de prisioneiros é feito na Rússia, obviamente haverá um certo caos na alimentação, etc. já que tudo estava virado em uma terrível bagunça.”. Knappe achava que os “prisioneiros pareciam apáticos e sem expressão. Seus uniformes simples criavam a impressão de uma enorme massa opaca e desinteressante.”. Benno Zeiser recuou diante do horror provocado pela negligência institucionalizada:

“Assim que nós rapidamente demos passagem para aquela nuvem nauseante que os cercava, o que vimos nos deixou paralisado e imóveis e acabamos esquecendo daquele cheiro nojento. Eram eles realmente seres humanos, aquelas figuras marrom-acizentadas, aquelas sombras se arrastando em nossa direção, tropeçando e cambaleando, formas em movimento no seu último suspiro, criaturas que obedeciam às ordens de marchar apenas por causa de uma última centelha de vontade de viver?”.

Soldados tendem a não se prender por demais diante de visões perturbadoras e as tropas alemães não eram exceção já que estavam mais preocupadas com a necessidade de sobrevivência. O tenente Paul Stresemann alegou que “eu não fazia ideia que tantos daqueles pobres diabos acabariam passando fome ou morrendo no ocidente depois de terem ido embora marchando por vários e vários quilômetros e em longas colunas.”. Siegfried Knappe explicou: “era uma situação terrível, mas não era pelo fato de que eles foram ignorados – era simplesmente porque não existia a possibilidade de alimentá-los em tal número e ainda alimentar as nossas próprias tropas.”.

Ele está enganado. Tal política era deliberada. A desculpa inconsistente utilizada era de que a União Soviética não havia ratificado o acordo da Convenção de Genebra em 1929 com relação aos prisioneiros. Porém, a Alemanha estava vinculada à lei internacional que abrangia todos os países e a qual demandava um tratamento humanitário dos prisioneiros de guerra na ausência de um acordo padronizado entre as partes. E tanto o Terceiro Reich quanto a União Soviética haviam ratificado o Acordo de Genebra em 1929 com relação aos feridos obrigando um tratamento específico para os enfermos e feridos.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Arqueologia e Saques da Segunda Guerra

Apenas andando alguns kilometros em qualquer periferia de uma cidade russa e cavar alguns metros de profundidade é possível encontrar excelente material conservado da Segunda Guerra Mundial. Quase todo o território da Rússia Ocidental foi um campo de batalha, portanto é bastante comum grupos de pessoas que se reúnem para procurar por túmulos dos soldados caídos, recuperando assim raridades que enchem o mercado negro de militaria. Por toda a Europa onde aconteceram as principais batalhas da Segunda Guerra esses saqueadores sempre estão presentes, sem qualquer tipo de cuidado arqueológico e com único objetivo descartar o que não vende, isso inclui muitas vezes os restos mortais dos soldados, e separar o que pode ter algum valor. É um crime contra a história dos povos, um crime e um desrespeito sem tamanho contra a humanidade.

Veja também:

Piloto Russo abatido em 1942

Corpo de Piloto é Encontrado Mais de 60 anos Depois

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Leningrado Antes e Depois do Cerco!

  Uma impressionante visão de uma das populações mais sofridas de toda a Segunda Guerra Mundial. Uma cidade cercada por anos e que resistiu bravamente a invasão inimiga, sofrendo uma das maiores baixas entre a popução civil da História das Guerras. Leningrado não é apenas um marco de resistência, é também um prova de sacrifício incomensurável.

 Aqui temos uma série de fotos para que possamos entender o que acontenceu a essa cidade, sendo que as primeiras 20 fotos foram restauradas da Leningrado dos anos 20 e 30 e as outras 20 durante o cerco ou logo depois de sua liberação.

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A Wehrmacht na Fase Ofensiva – Parte I

Não podemos negar o poder combativo da Wehrmacht enquanto teve condições de manter a ofensiva, independente de se apoiar as atitudes de Hitler ou crucifica-lo como “o maligno”, temos que admitir o potencial bélico que o exército alemão se revestiu em poucos anos de reestruturação. E não me refiro apenas a logística, armamentos e veículos, coloco um ponto especial para as estratégias que foram desenvolvidas pela Wehrmacht, antes nunca usadas, táticas novas e devastadores, muito embora que fracassada em manter os territórios ocupados, mas enquanto esteve na ofensiva estabeleceu vitórias que deixaram o mundo, à época, abismados. Então o caráter organizacional e pioneiro dos alemães é indiscutível.

 PS. Observem na primeira e segunda fotos onde estava a Legião Estrangeira Francesa.

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