Arquivo

Posts Tagged ‘front russo’

Os Libertadores Alemães Chegaram!!

Imaginem a cena. Uma tropa durante a Segunda Guerra Mundial chega em uma cidade e é recebida como libertadora! Crianças correm para ver a tropa passar. Mulheres jogam flores para os soldados, algumas, mais exaltadas, tentam agarrá-los para beijar. A tropa, orgulhosa do feito, desfila garbosamente pelas ruas da cidade. O comandante recebe as autoridades locais e estes colocam à disposição mantimentos e alojamento. Tudo para os libertadores!

Essa cena se repetiu a cada cidade libertada no território francês e nos Países Baixos durante o avanço anglo-americano, contudo o relato acima se deu em inúmeras vezes com as tropas alemães invadiam a União Soviética. Muito ucranianos, lituanos e outros de etnias menores que eram oprimidos pelo governo de Stálin, viram a oportunidade de exercer a liberdade que nunca connhecerá.

O sonho se tornou pesadelo quando se percebeu que as forças de ocupação exerceriam opressão na mesma proporção dos “vermelhos”. Não demorou muito para que os mesmos soldados que eram recebidos com flores, foram os mesmos algozes e agentes da destruição de muitas cidades da União Soviética.

A conclusão é de que o povo dessas regiões tiveram um século XX de cão, sendo seguidamente oprimidos durante décadas e décadas, antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial.

Segue abaixo a galeria dos “libertadores” alemães:

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXIII

 É pessoal, chegamos ao fim desta série traduzida pelo linguista ARaquenet, publicado inicialmente na WebKits e gentilmente cedido para o BLOG Chico Miranda. Portanto apreciem a última publicação da fidelidade dos fatos no Front Russo.

Parte 23

Uma forte desintegração ética era o resultado das atrocidades as quais causavam um impacto negativo sobre o componente moral do poder de luta no front leste. Ideais, mesmo aqueles voltados para os fins ideológicos do Nacional Socialismo estavam comprometidos. O exército cristão que invadiu a Rússia estava se comportando da mesma maneira que os Cavaleiros Teutônicos do século XIII, retratados no filme Alexander Nevsky do diretor Einsenstein. Este causou uma forte impressão nas platéias dos cinemas de uma nação soviética ameaçada e oprimida. Paradoxalmente, tal comportamento diluía o poder de luta uma vez que a brutalidade apoiada oficialmente pelo Estado promovia o questionamento sobre a natureza fundamental e solidária do ser humano que, por sua vez, levava ao questionamento sobre os motivos. E isto tudo afetava a força de vontade. Ao mesmo tempo, o componente moral do inimigo ficava fortalecido. Tais indignações aumentavam massivamente a resolução em resistir. E o soldado alemão começou a perceber que, com a falta de um sucesso garantido, pela primeira vez nesta guerra sua própria sobrevivência estava em jogo. Ao mesmo tempo, o soldado russo sabia que ele não tinha outro recurso a não ser lutar até o fim. Era um beco sem saída.

O Unteroffizier Harald Dommerotsky, servindo em uma unidade da Luftwaffe perto de Toropez, era uma testemunha das “execuções quase que diárias de partisans por enforcamento pelos serviços de segurança da SS.” Enormes multidões – predominante russas – se juntavam. Ele comentou: “Pode ser uma característica humana esta predileção de sempre estar presente quando um de nós é apagado.” Ele continua ao afirmar que não fazia diferença “se fosse inimigo ou algum deles.” Enforcamentos públicos em Zhitmonir na maioria das vezes acabavam em aplausos quando os caminhões aceleravam e deixavam as vítimas pateticamente penduradas no meio da praça central. Uma testemunha descreveu como mulheres ucranianas, com roupas típicas, seguravam suas crianças acima das cabeças para que pudessem ver enquanto que espectadores da Wehrmacht berravam ‘devagar, devagar!” de modo que pudessem tirar as melhores fotos.

Em Toropez uma enorme forca foi construída. Caminhões se aproximavam, cada um com quatro partisans em pé na parte de trás. Os laços eram colocados em volta dos seus pescoços e os caminhões arrancavam. Dommerotsky se lembra de uma ocasião em que apenas três dos quatro corpos ficaram balançando na ponta das cordas. Uma vítima estava esparramado no chão devido à corda arrebentada. “Isso não faz diferença” comentou um sargento da Luftwaffe enquanto que a vítima foi recolocada no caminhão e empurrada de novo. A mesma coisa aconteceu. Insistentes, seus carrascos repetiram o processo macabro e mesmo assim a vítima caiu no chão, ainda viva.

“Meu amigo, ao meu lado, comentou: ‘É julgamento de Deus’. Eu também não conseguia entender e apenas respondi: ‘Agora eles provavelmente vão deixá-lo ir’.”

Eles não deixaram. Na quarta vez o caminhão acelerou e a corda se manteve esticada em volta do pescoço da vítima. Ele mexia as pernas enquanto que a fumaça do escapamento se dispersava. “Não houve nenhuma lamentação nem lamúria” lembrou-se Dommerotsky. “Estava um silêncio sinistro.”

Essa que era a Kein Blumenkrieg – uma guerra sem louros (O que o autor expressa aqui é o fato de que nos primeiros conflitos da Segunda Guerra Mundial, as vitórias alemãs – Polônia e França – eram comemoradas com o desfile da tropa vitoriosa com o consequente arremessar de flores e louros pela multidão simbolizando as conquistas – N. do T.).

F I M

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XVIII

Parte 18

Os excessos eram cada vez mais comuns. Ao final de agosto, o Gefreiter Georg Bergmann do Regimento de Artilharia 234 perto de Aunus no front finlandês ao norte, testemunhou um espetáculo bizarro proporcionado por veículos de uma unidade sendo dirigidos a uma alta velocidade com prisioneiros se empoleirando no capô do motor e nos pára-lamas. Ele disse que: “A maioria caiu devido à altíssima velocidade e foram ‘fuzilados enquanto tentavam escapar’.” O Gefreiter de infantaria Jakob Zietz contou sobre seis prisioneiros de guerra russos capturados por sua companhia da 253ª Divisão de Infantaria, os quais foram obrigados a trabalhar carregando munição perto de Welikije Luki. “Eles estavam completamente exaustos devido à ação do calor e dos seus esforços e caíram no chão, incapazes de continuar a marchar.” Eles foram executados a tiros. Outros morreram limpando campos minados ou carregando munição para a linha de frente.

Durante a noite de 27 de agosto, milhares de prisioneiros soviéticos foram apinhados dentro de um ponto de coleta de prisioneiros em Geisin, perto de Uman. O complexo foi projetado para comportar entre 500 a 800 pessoas, mas a cada hora que passava, de 2.000 a 3.000 prisioneiros chegavam para serem alimentados e enviados para a retaguarda. Nenhuma comida havia chegado e o calor era sufocante. Ao anoitecer, 8.000 se acotovelavam dentro do local. O Oberfeldwebel Leo Mallert, um dos guardas da 101ª Divisão de Infantaria, ouviu então “gritos e tiros” vindos da escuridão. O som dos tiros indicava que era obviamente de grosso calibre. Duas a três baterias de Flak 88mm que estavam por perto começaram a atirar diretamente contra um silo de grãos que estava dentro do perímetro de arame farpado “porque os prisioneiros tinham alegadamente tentado fugir.” Mais tarde um dos vigias disse a Mallert que entre 1.000 e 1.500 homens tinham sido mortos ou gravemente feridos. Má organização e péssima administração resultaram em um superlotação crônica, mas o Stadtkommandant (Comandante Militar) de Geisin não podia arriscar uma fuga em massa.

Não há local, dentro da disciplinada cultura militar alemã ou dentro de sua doutrina tática para lidar contra civis irregulares. Este tinha sido historicamente o caso durante a guerra Franco-Prussiana de 1871 e que se repetiu durante as primeiras fases de ocupação da Primeira Guerra Mundial. Os soldados alemães consideravam errado, ou de alguma maneira injusto, o fato do inimigo continuar a lutar na retaguarda depois de ter sido isolado ou cercado, lutando em um situação sem esperança. Na Rússia, diferentemente do que tinha até então acontecido no oeste, o inimigo se recusava a em seguir as regras de uma rendição ordenada. Os irregulares eram chamados de “bandidos” de acordo com o linguajar militar alemão e tratados como tais. Milhares de soldados russos acabaram ficando separados de suas formações de origem nas grandes batalhas durante as operações de cerco. No dia 13 de setembro de 1941, o OKH ordenou que soldados soviéticos que se reorganizassem e continuassem a resistir após serem ultrapassados pelas forças alemãs, deveriam ser tratados como partisans ou “bandidos”. Em outras palavras, eles deveriam ser executados. Oficiais da 12ª Divisão de Infantaria receberam a seguinte orientação do seu comandante:

“Prisioneiros feitos atrás da linha de frente (…) a única ordem é atirar! Todo soldado deve atirar contra qualquer russo que for encontrado atrás da linha de frente e que não tenha sido feito prisioneiro durante a batalha.”

Tais ordens não soariam absurdas aos soldados simpatizantes ao acordo tácito de que a guerra deveria ser limpa e justa desde que, é claro, se observasse a superioridade tecnológica, tática e organizacional alemã.

C O N T I N U A

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XV

PARTE 15

Uma ordem do OKW datada em 8 de julho de 1941 com relação ao tratamento de prisioneiros de guerra preconizava que “as equipes médicas russas, bem como seus doutores e suprimentos médicos devem ser utilizados primeiramente” antes que o material alemão fosse requisitado. Os transportes da Wehrmacht não deveriam estar disponíveis. Duas semanas mais tarde, o OKH sancionou mais limitações de modo a “prevenir que a pátria sofra uma enxurrada de feridos russos.”. Apenas os prisioneiros levemente feridos e que ainda fossem capazes de andar depois de uma espera de quatro semanas é que teriam permissão para serem evacuados. Os remanescentes deveriam ser condicionados em “hospitais improvisados para os prisioneiros” administrados “essencialmente” por equipes russas usando “apenas” suprimentos médicos soviéticos. Tais diretivas eram obedecidas sem nenhum questionamento. A 18ª Divisão que fazia parte do 2º Panzergruppe do Generaloberst Guderian, ordenou que “sob nenhuma circunstância os prisioneiros russos deverão ser tratados, acomodados ou transportados juntamente com prisioneiros alemães. Eles deverão ser acondicionados em carroças ‘Panje’ (movidas a cavalo).”.

Os prisioneiros soviéticos capturados após as batalhas nos bolsões de resistência, estavam não apenas em estado de choque; muitos estavam feridos e machucados. Neste estágio inicial e sendo gratos por ainda estarem vivos, eles na maioria das vezes estavam tão exaustos e intimidados que não cogitavam a possibilidade de fugir. Estando em um nível tão baixo tanto em termos psicológicos quanto físicos, eles dependiam do sustento a partir de quem os tinha capturado. Era este fenômeno que fazia com que as enormes colunas de prisioneiros se mantivessem coesas. O tenente Hubert Becker, um apaixonado cinegrafista amador, filmou tais concentrações de prisioneiros e descreveu as imagens após a guerra:

“Eles foram reunidos em um vale e receberam tratamento para as feridas. As enfermeiras se moviam de um lado para outro. A maioria estava gravemente ferida e em um estado lamentável, moribundos devido à sede e resignados com o seu destino. A falta de água em um calor reluzente, seco e abrasador da estepe era terrível. Prisioneiros lutavam até mesmo por uma gota de água. Alguns deles, mantendo um sentimento forte de disciplina, evitavam que os mais saudáveis (aqueles que tinham as melhores condições para caminhar) não bebessem toda a água. Desse modo, aqueles que mais precisavam poderiam ainda pegar algumas das gotas que sobrassem. Estas pessoas estavam tão inertes e felizes por terem escapado do inferno que eles mal percebiam a minha câmera. Eles nem mesmo tinham me visto!”

Becker, ponderando ironicamente sobre o destino daquela multidão de humanos que enchia as suas lentes, admitiu que “o que afinal aconteceu com tantos e tantos soldados eu realmente não sei e é melhor que ninguém saiba.”. Alguns faziam o que podiam. Um médico trabalhando junto ao Ponto de Coleta do 9º Exército (9AG SSt) falou sobre “ilhas de humanidade dentro de um mar intransponível de miséria dos prisioneiros de guerra.”. Ninguém estava disposto a cooperar. Requisições de suprimentos, comida e remédios eram completamente ignorados. Em um campo perto de Uman em agosto de 1941, entre 15.000 e 20.000 prisioneiros soviéticos encontravam-se a céu aberto. O Schütze Benno Zeiser, vigiando este campo, deu uma ideia sobre o que tal negligência podia acarretar:

“Praticamente todos os dias homens morriam por fadiga. Outros levavam os seus mortos para o campo para enterrá-los lá. Eles carregavam os corpos em turnos e nunca pareciam estar ao mínimo emocionados pela situação. O cemitério do campo era muito grande; o número de homens sob o solo deveria ser bem maior do que o número dos que ainda estavam vivos.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XIII

PARTE 13

Lidar com tais massas provoca uma pressão ímpar. A 12ª Divisão, por exemplo, capturou 3.159 prisioneiros entre 31 de agosto e 8 de outubro de 1941 o que, em termos numéricos, equivale a 25% do sua própria força efetiva que variava entre 12.000 a 13.000 homens. A 18ª Divisão, ponta de lança dos avanços do Grupo de Exércitos Centro, fez 5.500 prisioneiros do Exército Vermelho durante as cinco primeiras semanas da campanha, ao passo que o seu efetivo foi reduzido de 17.000 para 11.000 em agosto. Desta maneira, poucos soldados estavam disponíveis para vigiar os prisioneiros que totalizavam em torno de 40% do efetivo da própria divisão. As unidades Panzer à frente da infantaria tinham que manter o avanço, conter os cercos nos bolsões e guardar a massa de prisioneiros enquanto que o número de infantes e de tanques diminuía constantemente.

A enormidade deste problema pode ser comparada com o efetivo das divisões alemãs de infantaria. Ao final de julho, os alemães tinham que administrar o equivalente a 49 divisões em termos de cuidados médicos, transporte e alimentação sem contar com o seu próprio efetivo total. Uma simples divisão alemã necessitava uma logística de 70 toneladas de suprimentos por dia das quais 1/3 correspondia à alimentação. Não havia recursos logísticos necessários para manter um avanço constante e menos ainda para os prisioneiros de guerra. Pouca importância, afora o severo objetivo ideológico, foi dada ao afluxo repentino e inesperado de prisioneiros. O tenente de artilharia Hubert Becker declarou após a guerra:

“Isso era sempre um problema porque nenhum manual de guerra diz o que fazer com 90.000 prisioneiros. Como eu lhes dou abrigo e os alimento? O que se deve fazer? De repente havia 90.000 homens vindo em nossa direção em uma coluna sem fim.”

O Schütze Benno Zeiser, pertencente a uma Companhia de operações especiais, testemunhou o resultado desta negligência oficialmente endossada:

“Era como um crocodilo enorme, de uma cor marrom-terra, lentamente marchando pela estrada em direção a nós. Dele vinha um zumbido baixo, como o de uma colméia. Prisioneiros de guerra, russos, em seis filas. Nós não conseguíamos ver o final da coluna. Enquanto eles se aproximavam, um fedor terrível chegou a nós e quase nos fez passar mal; era como o mau cheiro penetrante da jaula do leão juntamente com o odor nojento de uma jaula de macaco.”

Este era um problema que não poderia ser ignorado. Mesmo que cada soldado alemão fosse designado para tomar conta de 50 homens, 18 batalhões de seis regimentos seriam necessários para administrar os 800.000 prisioneiros feitos apenas no final do mês de julho, um número que iria aumentar para 3 milhões até o final do ano. Esta necessidade não era apenas para vigiar os prisioneiros; eles precisavam de tratamentos médicos, alimentação e transporte. O tenente Knappe concluiu corretamente que se havia perdido o controle. Ele escreveu: “Eu primeiramente me perguntei se seria possível cuidar de tantos, mas como o número aumentava, eu tive a certeza de que não.”. As condições degradantes que resultaram iriam tornar realidade as intenções do planejamento ideológico conforme concebido. Knappe comentou: “Nossa linha de suprimento fez bem em conseguir manter pelo menos o Exército Alemão abastecido. Nós não poderíamos ter previsto tantos prisioneiros.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XII

PARTE 12

Klein Kindergarten Krieg. Prisioneiros e partisans.

Dezenas de milhares de prisioneiros soviéticos eram mostrados nos cinejornais para as platéias dos cinemas na Alemanha enquanto que os textos se regozijavam diante das vitórias. Mas de cada 100 prisioneiros mostrados, apenas 3 sobreviveriam.

O primeiro problema ao ser feito prisioneiro era, antes de tudo, sobreviver ao combate. A intensidade da luta por muitas vezes excluía esta possibilidade. Por exemplo: na maioria das vezes, as consequências do fracasso no enfrentamento entre infantaria e tanques eram fatais. Um sub-oficial alemão de uma força anti-tanques descreveu o que normalmente acontecia:

“Todos os membros da tripulação eram mortos assim que pulavam para fora (do tanque) e nenhum prisioneiro era feito. Isso era a guerra. Havia ocasiões quando tais coisas aconteciam. Se nós percebêssemos que não poderíamos recolher ou cuidar dos prisioneiros, eles eram mortos durante a ação. Mas eu não estou dizendo que eles eram mortos depois de serem feitos prisioneiros – isso nunca!”

Durante as primeiras semanas do avanço, as duas maiores batalhas envolvendo os cercos de Bialystok e Minsk envolveram a captura de 328.000 prisioneiros com mais 310.000 feitos em Smolensk. O General Von Waldau, chefe do Luftwaffen-Führungsstabes (Equipe de Operações da Luftwaffe) calculou que praticamente 800.000 prisioneiros foram feitos até o final de julho. Tal número iria chegar a 3,3 milhões em dezembro. As estimativas são de que 2 milhões de prisioneiros soviéticos pereceram apenas nos primeiros meses da campanha. O tenente da artilharia Siegfried Knappe ficou impressionado com o inacreditável número de rendições:

“Nós começamos a capturar prisioneiros desde o primeiro dia da invasão. A infantaria os trazia aos milhares, às dezenas de milhares e até às centenas de milhares.”.

CONTINUA

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XI

PARTE 11

Um médico Gefreiter da 125ª Divisão de Infantaria escreveu para casa relatando a extensão da “crueldade judia-bolchevique e que qualquer um acharia difícil de acreditar”:

“Ontem nós atravessamos uma grande cidade e passamos por sua prisão. Ela fedia devido aos cadáveres, mesmo a uma longa distância. Enquanto nós nos aproximávamos, mal dava para suportar o cheiro. Dentro dela estavam os corpos de 8.000 prisioneiros civis, nem todos fuzilados, mas que também foram espancados e assassinados – um banho de sangue produzido pelos bolcheviques um pouco antes de se retirarem.”

Os soldados eram extremamente influenciados por aquilo que viam. Isso afetava tanto a moral quanto a ética. Um sub-oficial escreveu: “Se os soviéticos já assassinaram milhares dos seus próprios cidadãos ucranianos indefesos, mutilando-os de forma brutal e matando-os, o que eles farão então com os alemães?” A sua própria e profética opinião era de que: “se estes animais, nosso inimigo, vierem a entrar na Alemanha, haverá um banho de sangue tal qual o mundo nunca viu antes.”.

A publicidade em torno da atrocidade de Lvov, veiculada nos cinejornais e nos periódicos só fez por aumentar as suspeitas e o mal-estar que já se fazia sentir entre o povo na Alemanha. Suas preocupações eram repassadas para aqueles que serviam no front, aumentando o isolamento e o pessimismo que começava a emergir dentro de cada um diante das perspectivas da campanha se tornar ainda mais longa. Uma dona de casa de Düsseldorf confessou ao seu marido:


“Nós temos uma ideia do que parece estar acontecendo aí no leste a partir do (cinejornal) Wochenschau, e acredite em mim: essas imagens tem produzido tamanho pavor que nós preferimos fechar os olhos enquanto que algumas cenas são projetadas. E essa realidade – o que lhe parece? Eu acredito que nunca nós conseguiríamos imaginar.”

As informações confidenciais do Serviço Secreto da SS sobre os assassinatos dos ucranianos em Lvov confirmam que estes “produziram uma profunda impressão de repugnância” durante a segunda semana de julho. “Muitas vezes era perguntado que destino os nossos soldados podem esperar se eles se tornarem prisioneiros e, de nossa parte, o que estamos fazendo com os bolcheviques os quais nem mais são humanos?”.


C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte III

Presenciar a morte dos seus semelhantes gerava uma mistura emocional de rancor, tormento, medo e um sentimento de profunda perda. Werner Adamczyk se lembra de enterrar seus dois primeiros amigos de uma bateria (de artilharia). “Era o fim; eles não estavam mais lá. Eu fiquei parado lá, angustiado.” Ambos haviam voado pelos ares em pedaços quando da explosão de um caminhão de munição.

“Eu realmente sentia pena das famílias daqueles dois sujeitos. Poderia ter sido eu. Com uma crescente emoção eu visualizei as reações dos meus familiares e amigos caso aquilo tivesse ocorrido comigo. Pela primeira vez na vida eu percebi integralmente o que o amor e carinho realmente significavam.”

Zeiser sentiu que “era pior quando você via pela primeira vez (a morte) de um com o uniforme field gray… você olha para ele, deitado ali com o mesmo uniforme que você usa e você pensa que ele também tem uma mãe e um pai, talvez irmãs, ele até mesmo poderia ser oriundo da mesma região que a sua.” A exposição prolongada à realidade nua e crua do combate corrompia os códigos aceitáveis de um comportamento normal. Cadáveres se tornavam comuns. Zeiser continua:

“Com o tempo você acostuma com isso. Você na real passa a não se importar mais quando há cada vez mais e mais corpos, mesmo que estejam todos com o uniforme alemão. Então, no final, você passa a perceber que está no mesmo nível que os outros, tanto alemães quanto russos no chão e sem vida com os seus vários uniformes; você mesmo se torna então como uma daquelas criaturas as quais na realidade nunca viveram, você é apenas um relevo do solo.”

O bizarro sutilmente passava a ser a regra. Violência e morte, comportamento cruel e o esvaziar de uma vida passavam a ser procedimentos normais. Matar, tanto dentro quanto fora do campo de batalha, ficava fora desta categoria. Embora o comportamento “normal” tanto dentro quanto em torno do campo de batalha seja paradoxalmente um termo errôneo, o ato de matar seres humanos – semear a morte – era uma experiência emocional marcante. O impacto em termos psicológicos é imprevisível. Tais incertezas são a única constância neste ambiente bizarro e de rápidas mudanças. O resultado é o medo.

“Então, num dia, você vê bem de perto. Você está conversando com um dos seus companheiros quando de repente ele se dobra, cai todo contorcido e está mortinho da silva. Esse é o verdadeiro terror. Você vê os outros pisando nele, tal como qualquer um pisa em cima de uma pedra e você encara a morte do seu amigo da mesma maneira como qualquer outro que tenha morrido – aqueles mesmos os quais você aprendeu a encarar como nunca tivessem vivido, sendo apenas relevos do solo.”

Voluntário da Waffen SS, Com Muito Orgulho!!

 Entrevista realizada pelo jornalista inglês Laurence Rees a um membro belga da Tropas SS que lutou nos campos de Batalha da Russia, e que durante a guerra perdeu um olho e um braço e mesmo assim retornou para seu Batalhão até o final da guerra. Segue esse impressionante relato:

Na cultura popular, a associação entre a Alemanha e nazismo é explícita. O que nem todo mundo se lembra é de que as ideias nazistas e fascistas foram além das fronteiras alemãs e agradavam a muitas pessoas de outras nacionalidades. Sem dúvida, o integrante da SS mais fanático que conhece era um belga.

Jacques Leroy foi criado em Bache, na Valônia, a porção da Bélgica de colonização francesa. Na juventude, Leroy se tornou partidário das visões fascistas do belga Léon Degrelle, líder do movimento rexista. Sendo um simpatizante de ideias racista e perfil profundamente anticomunista, não é surpresa que Jacques Leroy tenha se voluntariado a participar da luta contra Stalin em uma divisão especial da SS, com sede na Valônia.

“O objetivo ideológico da Waffen SS era treinar homens – homens de elite”, disse Leroy. “Tais ideais não são mais apreciados na sociedade multipluralista atual, mas, na época, inspiravam homens a treinar em situações extremas, sempre servindo a seu país”. A motivação era uma só: “era uma guerra contra a Rússia, contra os comunistas e bolcheviques, e essa era a grande razão.”

Uma vez na tropa, Leroy e alguns outros voluntários da Waffen SS foram transferidos para o front leste, onde o belga se mostrou um lutador bravio e destemido: “estávamos sempre prontos para empunhar as armas, ficávamos escondidos atrás de árvores, lutávamos corpo a corpo”. A dedicação era tamanha que, em reconhecimento a sua notória coragem, ele recebeu várias condecorações de batalha.

Bem antes disso, no entanto, na neve da floresta de Teklino, no oeste da Ucrânia, em 1943, o batalhão que Jacques Leroy defendia enfrentava um grupo do Exército Vermelho muito mais numeroso que o dele. “As consequências foram realmente terríveis. Perdemos 60% dos nossos homens. Dois ou três tanques Panzer estavam lá para nos defender, mas não conseguiram entrar na floresta.”

É medida que recordava dos tempos antigos de combate, o ex-militar belga ia ficando cada vez mais animado: “Lutamos com leões. Atacamos  e fomos conquistando uma posição atrás da outra!”

Mas logo, o velho combatente revelou que a sorte não esteve do seu lado por todo o tempo. “Eu estava ajoelhado atrás de uma bétula – uma dessas árvores bem finas – e, de repente, senti algo parecido com um choque elétrico. Larguei minha arma e, imediatamente, vi sangue, gostas vermelha pingando no branco da neve. Era o meu olho que tinha sido atingido por uma bala. Meu olho havia sido aniquilado. E eu estava com mais três balas no ombro.”

Estirado na neve, sangrando, Leroy só foi salvo porque dois de seus camaradas o carregaram a um hospital do campo de batalha. Não houve salvação para o olho. Os cirurgiões tampouco conseguiram salvar o braço.

E agora bem uma parte do relato desse belga aficionado pelo nazismo que considero extraordinário. Depois de recuperar-se do ataque, mesmo mutilado e cego de uma  Leory volta à sua Unidade. Por quê?

“Para não cair na mediocridade e para não abandonar os meus camaradas!”, Leroy respondeu “Sim, eu tinha perdido um braço e um olho, mas quando se é jovem, a gente não se deixa afetar pelos problemas na mesma maneira que as pessoas mais velhas se afetam. Voltei, acima de tudo, para não cair no comodismo. Não suportaria ficar sem fazer nada, à toa, sem um objetivo na vida (…), às vezes, a gente precisa pensar, precisa ter um objetivo.”

Confesso que passou pela minha cabeça que, ironicamente, existia um enorme aparelho de televisão naquela casa onde estive, a casa em que Leroy passou sua velhice. Penso que ele, provavelmente, nesta fase da vida, passava, sim, muito tempo assistindo à programação.

Em minha visita, Leroy negou com muita ênfase ter visto qualquer atrocidade ser cometida contra os judeus: “Nunca, nunca, nunca! Nunca vi uma cena daquelas, é por isso que não acredito, não acredito!”.

Aproveitei para dizer a ele sobre a existência de provas fotográficas de cadáveres em campos de concentração nazistas, ele respondeu: “E você acredita mesmo que aquelas fotos são de verdade?”.

Leroy morreu poucos dias depois da nossa entrevista. Tenho certeza de que foi para o túmulo mantendo sua convicção até o fim. Morreu como um ex-integrante fanático da SS, que negava a realidade do Holocausto e que gritava com a TV cada vez que ela lhe falava o contrário.

Jacques Leroy

 

Soldados Alemães Encontrados em Trincheiras – Novas Fotos

 Segundo informações do pessoal da Webkits, essa escavação tem aproximadamente dois anos. E Luft, membro da Webkits, fornenceu mais algumas fotos para gente matar mais a curiosidade e procurar por mais detalhes. Estamos na pesquisa…

 

Foto Diário do 506 Regimento de Infantaria Alemão – Parte 04

Versão SlideShow

Este slideshow necessita de JavaScript.

Pinturas Soviéticas da Segunda Guerra– 42/44 – Parte IV

Foto Diário do 506 Regimento de Infantaria Alemão – Parte 02

Memórias de um Soldado de Hitler – Parte Final

Em vez de ficar decepcionado com a guerra, Metelmann se tornou ainda mais selvagem. Hitler dera ordens para que os combatentes destruíssem tudo que encontrassem pelo caminho, e ele estava pronto para cumprir seu papel. “No início, eu era apenas um robô obedecendo a ordens. Mas me transformei em um soldado diferente. Coberto até o pescoço de terra, neve e sangue, lutava como um demônio. Estava tomado por uma fúria imensa. Como podíamos estava sendo vencidos por aqueles Untermensch. Era hora de mostrar de mostrar a eles do que erámos capazes”. O número de baixas em ambos os lados era assustador. Metelmann atingira o fundo do poço.

Poucos meses depois, ele foi ferido, mas teve a sorte de conseguir embarcar em uma trem de volta à Alemanha pra receber cuidados médicos. Metelmann se recuperou, mas parecia tarde demais. Estávamos em 1945 e a Alemanha estava sendo derrotada. Ele foi capturado pelos norte-americanos e forçado a marchar através da França, juntamente com outras centenas de alemães que seriam enviados aos Estados Unidos.

Henry Metelmann virou prisioneiro de guerra no Arizona. “Pouco antes de chegarmos aos campos, os nazistas que já estavam lá há mais tempo tinham acabado de enforcar um alemão que ousara renegar a Hitler. Me mostraram a execução, o que me fez tomar cuidado com as palavras”. Daquele momento em diante, porém, a confusão política que se instalara em sua mente já se transformou em desencanto, que era reforçado ainda pelas aulas de reeducação semanais oferecidas pelos americanos. O selvagem nascido há pouco, começava a morrer.

Em 1946, Metelmann foi enviado à Inglaterra e libertado dois anos depois. Após uma breve temporada na Alemanha – que, segundo ele, foi uma época de “desilusão e raiva” – voltou à Inglaterra, onde reconstruiu a vida. Depois de meio século longe de casa, ele contou que poucas vezes foi hostilizado. “a maior cobrança veio sempre de minha própria consciência”, afirma. Depois de anos de questionamentos, Henry Metelmann acha que sobreviveu à guerra “graças a uma mistura de sorte e covardia”, confessa que “acreditou apenas naquilo que queria acreditar” e que, principalmente, “acostumou-se fácil demais com o sofrimento humano”. E, para ele, nada pode ser mais pavoroso do que isso.

Precisávamos conquistar primeiro a Europa para, depois, conquistar o mundo. Eu apoiava inteiramente essa idéia! Pensava que ela era certa. Nossa missão, portanto, era impor nossa vontade às outras nações. Se as outras nações não acreditassem nessa idéia, teríamos de forçá-las. Era este o motivo de nossa brutalidade na guerra

Conheci bem um prisioneiro, porque fui encerregado de vigiar,à noite, a área em que ele estava. Chamava-se Bóris. Eu sabia que todos seriam executados. Estava de guarda naquela que seria a última madrugada da vida de Bóris. Eram cerca de quatro da manhã. Pouco depois, às seis, ele seria fuzilado. Enquanto eu me afastava, ele apontou para o meu rifle: “Você pode fazer qualquer coisa! Pode matar muitos de nós, russos. Pode destruir! Pode causar mal! Mas não pode matar idéias!” .  Ainda respondi: “Não consigo entender!”. Eu estava impregnado de minhas idéias nazistas. Fui embora. Mas ele repetiu: “Você pode fazer mal com este rifle! Mas não pode atingir as idéias. E essas idéias vencerão, não importa quanto demore!”. Participei da execução de Bóris e de outros prisioneiros – que foram fuzilados. Ouvi os tiros. De fato, fiquei triste por ele. Porque achei que ali estava um ser humano decente.  Eu estava sentindo pena de Bóris. Mas devo dizer que também não achava que as execuções fossem exatamente erradas. Eu pensava na superioridade dos alemães.  Nossa obrigação era limpar o lixo do mundo. Era este o motivo de estarmos fazendo aquelas coisas

”Vi uma mulher que, para mim, parecia velha: devia ter uns sessenta anos. As mãos da mulher tinham sido amarradas a uma árvore. Perguntei a um soldado que estava por perto: “O que foi que aconteceu?”. E ele: “Nós a capturamos na noite passada, quando ela se preparava para enterrar minas”. Ou seja: quando um tanque de nossa Divisão Panzer, um caminhão ou um carro alemão passassem, explodiriam. Eu disse a ela algo como: “Ah,bom, pegamos você! Como é que você se chama ?”. Ela respondeu: “Celina”. E eu: “Celina de quê ? “. E ela: “Não vou dizer nada!”. Nossos soldados, então, pegaram uma corda para que ela pudesse ser executada. Disse: “Porcos alemães! Vocês vieram aqui ocupar nosso país. Longa vida à revolução! Longa vida a Lênin! Vocês são porcos! Espero que percam a guerra!”.

Celina morreu. Nosso comandante disse: “Livrem-se do corpo. Enterrem-no”.

Fiquei pensando: “Celina era uma mulher muito corajosa. Sozinha, diante de nós, soldados fortes, disse: “Vocês são uns porcos nazistas!”. Pensei comigo: “Isso foi um gesto de coragem, Celina. Não importa de que lado as idéias estejam. Não importa. Você teve coragem”.

 

 

Participei do combate contra os russos. A única maneira de sair daquele inferno era manter a coesão do nosso exército. Ou seja: nós, alemães, nos unirmos para tentar sair. Creio que essa foi uma das razões por que lutamos como demônios na Rússia: não queríamos ser capturados. Tínhamos ocupado um país! Além de tudo, matamos gente, matamos soldados. Éramos duros, difíceis. Pensávamos que tínhamos esse direito. Hoje, lamento

 

Fonte: http://g1.globo.com/platb/geneton/tag/soldado/

 

 

Memórias de um Soldado de Hitler – Parte I

Aos 79 anos, Henry Metelmann é jardineiro da escola pública Chaterhouse, em Surrey. Sudoeste da Inglaterra. Com um sorriso no rosto e grandes olhos brilhantes, ele corta a grama, cuida das flores e poda as árvores, com calma e delicadeza. Difícil imaginar que esse velhinho simpático uma dia foi um nazista dedicado, lutando contra tudo e contra todos “pelo Füher, pelo Povo e pela Pátria”. Mais difícil ainda acreditar que ele assassinou civis inocentes e atirou em dezenas de soldados soviéticos, justamente no momento em que eles tentavam se entregar.

Quando comecei a entrevista Metelmann, perdi o fôlego com sua honestidade. Eu já havia conversado com outros veteranos nazistas e nunca tinha visto algo assim. Não que eles quisessem mentir, mas sempre me parecia que não queriam lembrar os fatos com muita precisão. Esse senhor, ao contrário, estava decidido a conta sua história sem meias palavras. Hoje, ele vive sob o peso da culpa e é um empenhado pacifista, “disposto a tudo para que outros não sigam seus passos”.

Segundo o historiador Michael Burleight, no livro Third Reich: a new History [não publicado no Brasil], os nazistas nunca conseguiram ter tomado o poder sem o consentimento do povo. Ele é incisivo em afirmar que a Alemanha, com um todo, foi responsável pelos crimes cometidos em seu nome: “a população estava desesperada por uma identidade e por um milagre econômico . por isso, não houve qualquer revolta quando o país, durante o Terceiro Reich, desviou-se do bem para o mal. O que houve foi apenas uma realinhamento moral”. Nesse sentido, Metelmann é uma figura arquetípica.

Crianças de Hitler

 

Henry Metelmann foi criado nos arredores de Hamburgo, norte da Alemanha. Seus avós tinham uma vida abastarda, mas perderam todo o dinheiro na depressão que assolou o país após a Primeira Guerra Mundial. Assim, Henry já nasceu na pobreza – e tinha apenas doze anos quando Hitler subiu ao poder. Ainda criança, ele já era simpatizante nazista ativo: “para mim, Hitler era um segundo Deus”.

Logo, o grupo de jovens cristãos a que pertencia foi absorvido pela Juventude Hitlerista. “ Pertencíamos a alguma coisa pela primeira vez na vida. E eu adorava o uniforme. As pessoas nos saudavam pelas ruas. Era fantástico. Só havia um menino em minha classe que não pertencia à Juventude”, lembra Metelmann.

Empenhado em se torna útil, ele se ofereceu como voluntário para, aos sábados, ajudar a bloquear as lojas que pertencessem a judeus. Ele conta que, na mesma época, também assistiam a vizinhos serem presos e pessoas serem espancadas pelos militantes nazistas. Mas Metalmann não tinha dúvida quanto ao que estava acontecendo: “eu parava para pensar e chegava à conclusão de que, para se ter uma sociedade decente, era preciso força aquelas pessoas a entra na linha de uma vez”.

Seu pai, um veterano da Primeira Guerra, acreditava nos ideais esquerdistas; sua mãe era um cristã devota. Nenhum dos dois apoiava o Nacional-Socialismo, mas este deu poderes ao pequeno Henry, concedeu-lhe autoridade para se rebelar contra eles. “Tivemos ferozes discussões com meu pai, até chegar o momento em que ele não ousava mais argumentar comigo. Sei de jovens que chegaram a entregar seus pais como traidores – o que era suficiente para mandá-los a um campo de concentração”.

Em 1941, aos 18 anos, Henry Metelmann foi recrutado para pilotar um Panzer, o famoso tanque de guerra nazista. “Éramos cãezinhos querendo nos livrar das amarras”. De trem, foi enviado ao front russo. Para ele, a guerra era 100% justificável àquela altura. “Éramos a maior nação do mundo, Éramos mais inteligentes e mais eficientes do que os outros, e Deus nos havia dado a missão de abrir caminho sobre as Untermenschen – Classes inferiores”. Na fivela de seu cinto estavam escritas as palavras: “Gott mitt uns” (Deus está conosco) e seu comandante vivia lembrando que eles tinham um “dever sagrado”.

Ele chegou à Criméia (atual Ucrânia), em dezembro de 1941. Lá, ninguém do círculo de Metelmann questionava o propósito da guerra, nem criticava a ordem de expulsar os habitantes locais de suas casas – mulheres e crianças, em sua maioria – em pleno inverso russo, provavelmente condenando-os à morte. “Tinham-se medo de questionar uma ação como essa. Seus colegas poderiam pensar que você gostava dos inimigos”, admite.

A Experiência Cruel

“A lembrança mais dolorosa que tenho é do ponto de vista humano. Estávamos em nosso tanque quando um colega disse : “Olhe, maçãs !”. Tínhamos chegado a uma espécie de sítio. Eu estava guiando o tanque. Desci, então, para colher maçãs para nós. Neste momento, vi uma mulher debruçada sobre uma menina que deveria ter uns doze anos. Tinha sido atingida por um disparo. O sangue saía da ferida aberta no corpo da menina. Pensei: “Não posso fazer nada”. A mulher – a mãe da menina – levantou-se, olhou para mim e disse: “Veja o que vocês fizeram ! Minha filha estava vindo para dar as boas-vindas a vocês, soldados ! O que ela estava trazendo para vocês era pão e sal – que é um sinal de boas-vindas. E vocês a mataram!”. Eu me lembro de que a menina ainda estava respirando. Voltei para o tanque. Um dos meus colegas perguntou: “Cadê as maçãs ?”. Eu disse : “Acabei de ter uma experiência terrível. Nós matamos uma menina! Ela está ali, no chão. Não podemos fazer nada!”.  Meu colega disse : “Ah,  não importa! É somente uma russa…”

AGUARDEM SEGUNDA PARTE!

%d blogueiros gostam disto: