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Superioridade de Raça Não é Uma Invenção Nazista

Muito se fala sobre a Segunda Guerra Mundial e muito se estuda esse evento, contudo não para a História como Ciência, mas importante do que o evento em si, é o contexto em que esse evento se enquadra dentro de um aspecto mais amplo. Por exemplo, Hitler não inventou a superioridade das raças, esse aspecto particular do Nacional-Socialismo foi criado a partir de teorias científicas aceitas como a teoria da Eugenia defendida como ciência pelo antropólogo inglês Francis Galton em 1883, baseada na melhoria das qualidades inatas de uma determinada raça. Segundo artigo publicado na Revista História da Biblioteca Nacional:

– Na afirmação de Galton, os cérebros de uma “raça-pátria-mãe” encontrava-se, sobretudo em suas elites, e aí se deveria concentrar a atenção e os esforços para o aprimoramento. Seria estatisticamente “mais proveitoso” investir nas elites e promover “melhor estoque do que favorecer o pior”

Outro aspecto que definiu e moldou o pensamento científico sobre o tema é do francês Arthur de Gobineau (1816-1882), em seu “Essai sur l’inégalité des races humaines” (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) de 1853, supôs que a raça indo-europeia seria a ancestral de todas as classes dominantes da Europa e da Ásia Ocidental, sobretudo da nobreza francesa da qual ele alegava ser descendente.

A partir das observações postas, podemos afirmar que muitos dos pensamentos sobre superioridade de raça não foi novidade exclusiva dos alemães, mas o Nacional-Socialismo inovou na implementação de políticas governamentais para exterminar outras etnias.

O entendimento da Segunda Guerra Mundial vai muito além dos aspectos militares. Entender esse evento cataclísmico com profundidade nos oferece um quadro exato do cenário geopolítico do mundo contemporâneo.

O Que A Invasão da Polônia Pode Nos Ensinar?

O quadro se redesenha para a História. Impressiona como ainda não sabemos olhar para trás e verificar o que a História nos ensina. Apesar de contextos diferentes, a retórica de acontecimentos explode em nossas caras, e mesmo assim não conseguimos perceber a semelhança dos fatos e acontecimentos e as decisões erradas tomadas no passado, não servem de referência para as tomadas de decisões hoje.

Em uma época não muito distante, uma nação com poucos recursos, tanto econômicos, quanto militares, valia-se do apoio de grandes potências para existir como nação. Possuía uma região autônoma e estava na fronteira de influências de nações opositoras! Qualquer semelhança é mera consciência, será?

Em 01 de setembro de 1939, a Alemanha invade à Polônia! As potências ocidentais enviam ultimato a Hitler para desocupar o território polaco. A Alemanha argumenta que o motivo da invasão é a proteção da população de origem alemã (outra consciência?). As potências que, inicialmente, protestam, ameaçam enviar tropas e aplicar sanções econômicas a Alemanha, nada fazem. Assistem de camarote a Polônia capitular em 06 de outubro daquele mesmo ano.  O país inteiro é anexado a Nova Alemanha e a região Livre da Danzig deixa de existir. Este evento marca o início de seis longos anos de morte e destruição para toda a Europa.

Certamente estamos em contextos diferentes. Não estamos comparando a Rússia com a Alemanha nazista. Estamos relacionando fatos históricos ocorridos e que levaram o mundo a beira do apocalipse. Os atores são diferentes, mas os resultados podem ser os mesmos. Temos que pensar que as consequências de um conflito mundial terá o cenário descrito por Albert Einstein:

“Eu não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial acontecerá, mas a Quarta Guerra será lutada com paus e pedras.”

 

Especial 100 Anos da Grande Guerra – A Sangrenta Batalha de Verdun!

A história do homem foi moldada a partir dos seus conflitos, infelizmente, claro. O estudo da História Militar proporciona uma perspectiva interessante do passado do homem, permitindo enxergarmos com nitidez os cenários onde política e diplomacia fracassam. Todos esses fatores são recorrentes na História da Humanidade. Até hoje o homem não aprendeu a lidar diretamente com os seus próprios anseios e demandas conflitantes entre os povos e, vez por outra, os exércitos se mobilizam para resolver no “braço” o que os líderes não conseguiram nas negociações. Não chegamos a este estágio evolutivo. O século passado deixa esses argumentos explícitos. Em termos de conflitos generalizados e de grandes proporções. Duas guerras que transformaram o mundo, politicamente e geograficamente, marcaram a História da Humanidade para sempre. A Grande Guerra e a Segunda Guerra Mundial serão sempre lembradas pelos seus resultados devastadores e incalculáveis.

 Aproveitemos então uma data significativa para lembrarmos dos fracassos diplomáticos e políticos que tornaram possível o primeiro grande conflito bélico generalizado do mundo, A Grande Guerra. É necessária uma profunda reflexão sobre a motivação e as consequências de um evento apocalíptico, para que os responsáveis por fomentar as disputas entre os povos entendam que todos perdem quando o mundo é jogado para os campos de batalha. Todos!

 Por isso, nos desdobraremos para expor a construção do cenário que proporcionou a Grande Guerra, suas principais batalhas e uma exposição analítica histórica de todo o evento que infligiu a humanidade de 1914 a 1918, e ceifou a vida de 19 milhões de pessoas. O Conflito abriu caminho para um novo mundo, muito longe do que se esperava, mas um mundo diferente.

 A Carnificina!

Para iniciar a exposição abordaremos uma das batalhas mais questionáveis de todos os tempos da guerra, a Batalha de Verdun. Esta batalha se tornou celebre pela sua duração, de 21 de fevereiro a 18 de dezembro de 1916, e pela quantidade de baixas, estimadas contemporânea indicam em 976 mil. Isso quer dizer que em média teria ocorrido 70 mil baixas por mês na região de Verdun-sur-Meuse.

 Objetivo Militar!

É necessário, para que haja uma ofensiva em uma guerra, que os objetivos militares possam ser claros, definidos e valiosos; seja valioso do ponto de vista estratégico ou até mesmo político. O planejamento de uma ofensiva militar levam em consideração os custos das possíveis perdas de homens e material em contraposição aos benefícios desses objetivos alcançados. Por exemplo, os Estados Unidos utilizaram o argumento de que uma invasão a ilha principal do Japão durante a Segunda Guerra Mundial teria uma estimava em 200 mil baixas do lado americano, por isso optaram pela utilização da Bomba Atômica sobre as cidades japonesas. Prerrogativas válidas ou não, deixa claro que todos os objetivos militares devem ser pesados e repensados, para que os resultados alcançados cubram os riscos da investida.

 É exatamente neste ponto em que a Batalha ocorrida nos arredores da cidade francesa de Verdun passa a ser uma batalha com poucos argumentos que sustentem as perdas em vida e material ao longo de quase todo o ano de 1916.

O então Erich von Falkenhayn, Chefe do Exército Alemão, após fracassos nas ofensivas em setembro de 1914, com o bloqueio do progresso em território francês na Primeira Batalha de Marne, além dos fracassos e elevados números de baixas de Artois e Champagne, tomou uma decisão, realizar uma ofensiva para, em tese, destruir o Exército francês.  Falkenhayn acreditava que um conflito direto com as forças francesas possibilitaria um ponto de ruptura nas linhas de defesa e, consequentemente, uma vitória política e moral sobre a Inglaterra, que lutava ferozmente na Europa Continental. Para tanto, era necessário ter a certeza de que os alemães enfrentariam apenas exércitos franceses. E a única linha possível estava sobre a região de Verdun, com fortificações pouco. Verdun, historicamente, reunia um conjunto de fortificações para deter um possível avanço inimigo no norte da França, muito embora em 1916 estas instalações estivessem obsoletas e desguarnecidas. Acreditava-se ainda que o comando francês reforçasse a região e, assim, os alemães teriam condições de aniquilar as forças inimigas.

“A situação em França atingiu um ponto de ruptura. Um ataque em massa — que em qualquer dos casos está fora do nosso alcance — é desnecessário. Ao nosso alcance está a nossa capacidade de retenção de todos os homens que o Estado-maior francês enviar contra nós. Se eles o fizerem, as forças de França vão sangrar até à morte “.

Memórias de Falkenhayn

 Relato de Verdun

A guerra de trincheiras, França e Flandres, 1914-18 – Charles Messenger – Renes

O 5º Exército do Kronprinz (Príncipe Herdeiro) Wilhelm, que estava defronte ao setor de Verdun há alguns meses, foi escolhido para realizar o ataque. O príncipe já examinara o problema de Verdun há algum tempo e, com seu chefe de Estado-Maior, von Knobelsdorf, achava que qualquer operação contra a fortaleza teria que ser em frente ampla e abrangendo as duas margens do Mosa. Como escreveu ele mais tarde: “insistimos que Verdun era a pedra angular da frente ocidental e, portanto, nada menos que um ataque de frente ampla poderia prevalecer contra as forças que o inimigo por certo usaria em sua defesa”. Falkenhayn não estava interessado em capturar Verdun, isto não se encaixaria de modo algum nos seus planos para uma batalha de atrito e, além disso, ele achava que não dispunha de divisões suficientes para operar numa frente ampla. Portanto, ele insistiu que o 5º Exército deveria desfechar seu ataque somente da margem oeste do Mosa. Tendo eliminado o sul e o oeste de suas cogitações devido à inadequação do terreno, o Príncipe Herdeiro decidiu-se por um ataque pelo norte e nordeste. Para fazer isso ele tinha 12 divisões estacionadas numa frente de 13 Km, extensão muito maior que a utilizada pelos aliados em 1915, com mais três divisões na reserva. Seriam empregadas nada menos que 1.400 peças de artilharia, a começar por obuseiros de sítio. Wilhelm simplesmente planejava abrir um rombo nas defesas de Verdun, por onde seria lançada sua infantaria. Isto seria feito de acordo com o princípio dos objetivos limitados, mas, ao mesmo tempo, seus comandantes subordinados estavam ligeiramente confusos diante da ordem que mandava manter pressão constante sobre a defesa inimiga uma vez iniciado o ataque. Este plano foi aprovado por Falkenhayn a 6 de janeiro, embora o conceito de Wilhelm não se encaixasse no seu desejo secreto de uma batalha prolongada. Para este fim, assegurou-se de que as reservas, com as quais Wilhelm contava dispor no primeiro dia de luta, teriam sua chegada atrasada.

No outro lado da linha a situação não estava tão calma quanto os alemães pudessem ter imaginado. Em essência, Verdun consistia de duas linhas de fortes rodeando-a numa perfeita circunferência de 48 quilômetros. Os bombardeios ali efetuados pela artilharia de sítio alemã durante 1915, ao contrário do que acontecera em Liège no começo da guerra, causaram poucos danos. Verdun podia ser mesmo considerada uma cidade inexpugnável. Infelizmente, seus “dentes”, na forma de canhões e homens, haviam sido totalmente retirados para ajudar a ofensiva de outono de Joffre.

A defesa de Verdun, sob a responsabilidade do XXX Corpo, de Chrétien, consistia, sobretudo de soldados territoriais de segunda linha. Mais tarde, Pétain assim descreveu a situação: “Os fortes erguiam-se silenciosos, como se estivessem abandonados. Entre eles e mais além só havia ruínas: trincheiras em grande parte destruídas; alambrados cortados, com seus emaranhados inextricáveis cobrindo os bosques da Côte-de-Meuse e a lamacenta planície de Weovre; estradas e trilhas transformadas em atoleiros; equipamento espalhado; madeira apodrecendo, e, tudo que era metal, enferrujando na chuva”.

Um homem, porém, estava perturbado diante da situação. Era Émile Driant, tenente-coronel, comandante de um batalhão de caçadores e deputado, que advertiu seus colegas da Comissão do Exército da Câmara dos Deputados já a 1º de dezembro, e esta advertência chegou aos ouvidos de Joffre, que a ignorou, considerando-a uma tolice. Os que estavam em Verdun começaram a perceber os sinais característicos de preparativos para um ataque em janeiro, mas o Alto Comando francês pouca atenção lhes deu, exceto enviar mais duas divisões àquela cidade em fevereiro e colocar dois corpos, de apoio, à distância. Ele havia sido iludido por uma série de ataques diversivos alemães ao longo de toda a frente francesa entre 9 de janeiro e 21 de fevereiro, recebendo, em consequência, uma chuva de pedidos de reforços de toda parte.

Os ataques haviam sido programados anteriormente para 11 de fevereiro, mas o mau tempo obrigara o Kronprinz a adiá-lo e, ao amanhecer de 21, o bombardeio finalmente começou. Ao contrário dos Aliados, os alemães eram favoráveis a bombardeios bem curtos. Durante as cinco primeiras horas de fogo, começando pelos desvios ferroviários da própria Verdun até as trincheiras de linha de frente, tudo foi sistematicamente bombardeado. Usou-se boa proporção de granadas de gás contra as posições de artilharia francesas, a fim de impedir o contra-bombardeio. O bombardeio então parou e, quando os defensores se ergueram das ruínas a fim de se prepararem para atacar, os alemães, com seu sistema muito amplo de observação, que incluía aviões e balões, puderam notar que as posições ainda estavam defendidas. Então, prosseguiram no bombardeio por mais quatro horas, desta vez usando morteiros contra aquelas partes da linha onde se notou a presença dos franceses. Quando cessou o bombardeio, às 16 horas, em vez de desfechar um ataque em massa, os alemães sondaram, cautelosos, a frente com patrulhas de combate, mas somente à direita é que houve algum progresso digno de nota.

Dessa vez o princípio do ataque ombro a ombro teria funcionado. O bombardeio conseguira o efeito desejado. A defesa estava aturdida, sua artilharia estava desorganizada e as frágeis comunicações com a retaguarda, cortadas. Os alemães não teriam tido muitas dificuldades em penetrar as linhas de defesa e chegar até Verdun propriamente dita. Surpreso com a facilidade com que as sondas haviam penetrado as linhas francesas, o Kronprinz Wilhelm ordenou um ataque geral para o dia seguinte, com a cobertura de um bombardeio preparatório. Os franceses, apesar de tudo, conseguiram fazer contra-ataques locais (num dos quais morreu o Tenente-Coronel Driant) antes que os alemães começassem a agir; embora sem êxito, devido à sua desorganização, como resultado das manobras inimigas da véspera. Os alemães continuaram a mover-se com cautela, ainda sem acreditar que tudo aquilo pudesse ser tão fácil. Eles empregaram lança-chamas (seis companhias haviam sido confiadas a Wilhelm) com bons resultados contra pontos-fortes, até que os franceses descobriram como enfrentá-los, alvejando o sapador que transportava o volumoso equipamento, antes de chegar à distância de disparo.

O 25 de fevereiro talvez tenha sido o dia mais trágico para os franceses. Uma pequena patrulha de dez homens do 24º Regimento do Brandenburgo capturou o forte de Douaumont, a pedra angular das defesas francesas. No mesmo dia, Pétain foi nomeado comandante da defesa e logo pôs ordem ao caos. Os fortes foram rearmados; os setores, adequadamente organizados; novas linhas de trincheiras, construídas, e o sistema de abastecimento foi reorganizado. No primeiro dia da batalha, a única ferrovia que chegava a Verdun fora destruída, e os franceses ficaram apenas com uma estrada estreita para uso de suas comunicações com a retaguarda. Em contraste, os alemães tinham nada menos de 14 linhas principais a disposição, bem como um bom sistema rodoviário, embora os últimos 20 Km da frente ficassem em terreno muito acidentado e árido, o que acarretava problemas.

La Voie Sacrée (A Via Sacra), a estrada carroçável que liga Verdun a Bar-le-Duc, tornou-se a única linha vital dos franceses. Como disse Jacques Meyer, que lutou na batalha, “… este ‘transportador de baldes’ estendia-se pelos 120 Km da artéria que levava a Verdun o sangue generoso dos homens dos reforços e trazia de volta os soldados exaustos e os pobres feridos”. O homem responsável pela sua administração, Major Doumec, deu instruções precisas de que “excluiremos totalmente os comboios a cavalo ou a pé, desviando-os para rotas paralelas; finalmente, não interromperemos de maneira alguma o tráfego para fazer quaisquer reparos no leito da estrada… Nenhum comboio militar a atravessará, a menos que tenha permissão de fazer a volta nela… Qualquer veículo encontrado ali sem condições de ser rebocado será jogado nas margens fora da estrada. Ninguém tem o direito de parar o carro, a não ser que haja enguiço; nenhum caminhão pode ultrapassar o outro”. A partir de 29 de fevereiro, cerca de 3.000 caminhões transportaram 50.000 toneladas de munição e 90.000 homens para a frente todas as semanas. Foi, sem dúvida, uma obra-prima de organização administrativa e, não fora ela, os franceses teriam, na certa, perdido a batalha.

À medida que novas divisões eram lançadas à “máquina de moer carne”, a luta crescia em fúria. Em meados de março, a situação era tal que “Verdun agora era sinônimo de inferno. Não havia campos nem bosques. Apenas uma paisagem lunar. Um lameiro repleto de crateras. Trincheiras desmoronadas, entupidas, refeitas, novamente cavadas e, mais uma vez, entupidas. A neve derretera; os buracos de granadas estão cheios de água e, ali, os feridos se afogam. Um homem não mais pode arrastar-se para fora da lama”. Falkenhayn começava agora a compreender no que lançara suas tropas, mas não havia meio de retroceder. A luta prosseguia renhida e, em junho, até mesmo os nervos de Pétain já começavam a perder a resistência; então ele sugeriu a Joffre que os franceses deviam recuar. Tal qual Ypres fora para os britânicos, Verdun também se transformara em símbolo para os franceses. Os brados de “on les aura” e “ils ne passeront pas” representavam agora senhas não só para os defensores de Verdun, mas também para toda a nação. No espírito de Joffre, porém, por mais estrategicamente sensata que parecesse a retirada, ela estava fora de cogitação, além de que a ofensiva britânica do Somme estava prestes a começar. E ele tinha razão, pois a 11 de julho, em vista da pressão exercida no Somme, Falkenhayn reduziu os ataques. Pétain, agora, se contentava em parar e recuperar-se, mas o mesmo não acontecia com seus subordinados, especialmente Nivelle e Mangin. De outubro em diante, eles realizaram uma série de ataques violentos visando recuperar todo o terreno perdido anteriormente. E, aos poucos, o conseguiram de fato, mesmo com baixas cada vez mais numerosas para ambos os lados.

Mangin, soldado rude da “velha escola”, que acreditava que o ataque resolvia tudo, assim descreveu sua maneira de lutar: “Ataco a primeira linha com os 75 mm; nada pode atravessar a barragem. Depois martelamos a trincheira com os 155 mm e os 58 mm (morteiros)… Quando a trincheira está bem revirada, partimos para atacar seus ocupantes que, em geral, saem em grupos e rendem-se, e, enquanto isso ocorre, suas companhias de reserva são retidas nos próprios abrigos subterrâneos por uma rolha sólida de granadas pesadas. Nossos contingentes de infantaria são precedidos de uma barragem de 75 mm, os canhões de 155 mm ajudam a manter presas as companhias de reserva; as marés de aço juntam-se ao poilus (apelido dos infantes franceses) a uns 70 ou 80 m atrás. Os boches desistem… Está vendo? É tudo muito simples”. E era mesmo; sem qualquer finura, os franceses contentavam-se em levar aos limites a teoria do poder da artilharia, conforme propagada por Foch nos últimos meses de 1915.

A batalha final ocorreu a 18 de dezembro, com os franceses tendo recuperado quase todo o terreno anteriormente perdido para os alemães. O custo fora da ordem de 350.000 baixas para cada lado. Falkenhayn por pouco não esgotara por completo os exércitos franceses, como pretendera. Contudo, em seu plano original, ele não previra tão elevado número de baixas para seu lado, e isto lhe custou a posição. Mas deixemos que Jacques Meyer resuma a luta: “Verdun foi com mais frequência uma guerra de homens abandonados, uns poucos homens em torno de um chefe, um subalterno, um cabo, ou mesmo um simples soldado que as circunstâncias indicaram ser capaz de liderar. Às vezes era um único homem tomando toda a iniciativa. Punhados de homens obrigados a agir, a responsabilizar-se pela defesa – ou pela retirada. Houve os que se descontrolaram – alguns deles – e em geral isso ocorria nas unidades maiores, que nem sempre eram as mais aguerridas, e sim as mais atingidas pelo choque inesperado da catástrofe. Atos decisivos e corajosos eram, sobretudo, individuais, e, por isso, permaneciam ignorados”. A luta em Verdun, mais do que qualquer outra da frente ocidental, foi uma batalha de soldados e não de generais.

Fontes das fotos marcadas:  ECPAD

O Que Representa para Nossa História a FEB?

“A participação do Brasil não é mais exaltada do que deveria?”, “A participação do Brasil foi medíocre”, “O Brasil foi bucha de canhão!”, “Tirando algum vigilância no litoral, a Segunda Guerra Mundial passou desapercebida no Brasil”. Essas frases foram proferidas por professores e estudantes de História.

Incrível como há um grande equívoco no estudo desse período. Ainda não percebi se proposital ou não. Uma extrema ignorância e incorreta interpretação histórica de alguns acadêmicos, que de forma escancarada, estupram e deturpam fatos históricos que não só mancham o sangue dos quase 500 brasileiros mortos nos campos de batalha e dos mais de 1000 homens, mulheres e crianças que perderam suas vidas nos mares, bem como difamam a própria História do Brasil.

Em uma perfeita colocação sobre a visão da análise histórica do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra, o doutor Roney Cytrynowicz, em sua obra, Guerra Sem Guerra – a mobilização e o cotidiano de São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial –, realiza uma concludente análise sobre o estudo deste período:

O lugar da Segunda Guerra Mundial na história e na memória coletiva da população do São Paulo, e do Brasil [grifo nosso], tem sido, no entanto, marcado muito mais pela ausência do que por uma presença efetiva e consistente, A guerra, episódio central da História do século 20, não está presente na memória da cidade de São Paulo; ela não é celebrada coletivamente, não é lembrada. Os soldados que lutaram e os mortos não são referenciados a não ser por pequenos grupos diretamente ligados a eles.

[…] a referência à guerra parece mais como um constrangimento obrigatório, na historiografia e na memória, dada sua magnitude na história do século 20, do que uma elaboração “interna” à história do país e ao testemunho dos seus contemporâneos. Mas não se estabelecem os nexos causais com a história brasileira neste período.  […] (Roney CYTRYNOWICZ, 2000).

Os fatos históricos e sua interpretação isenta e voltado apenas para uma historiografia afastada da ideologia tendenciosa aponta para uma colaboração estratégica, registrando a participação popular em todo o processo de envolvimento do Brasil, inclusive com perdas significativa de brasileiros.

Saliente do Nordeste – Estratégico: Em qualquer circunstância histórica, o Brasil se destaca quando se fala em Atlântico Sul. Não há como negar a importância estratégica do Saliente do Nordeste. Portanto, com as operações de UBoots ocorrendo em todo o Atlântico Norte é mais que compreensível que as nações beligerantes voltassem seus olhares para as Rotas Marítimas do Sul. Por esse motivo os Estados Unidos, antes mesmo de qualquer tipo de envolvimento do Brasil, já negociava a defesa dessa região, ou sua conquista (Operação Pote de Ouro). Em qualquer aspecto, em 1941, o país já estaria envolvido do conflito, pois a Alemanha domina a África do Norte e o receio dos Aliados de um bloqueio no Atlântico Sul era grande. Vargas era pressionado para se posicionar a todo instante.

 

Envolvimento do povo:  Os ataques à embarcações brasileiras em suas linhas de cabotagem, ou seja, de transporte de passageiros, pelo submarino U507, vitimou mais de 600 brasileiros, entre homens, mulheres e crianças. Isso causou uma revolta popular em todos os grandes centros urbanos do país. O governo se reúne sob pressão para declarar estado de beligerância contra a Alemanha.

Dificuldades para formação de uma Força Expedicionária: Quando questionado sobre a formação de Tropas para lutar no Teatro de Operações fora do Brasil, Vargas não hesitou, pois o interesse inicial era a modernização do Exército Brasileiro. Contudo não podemos negar que um exército é o espelho de seu povo. O Exército Brasileiro não conseguiria cumprir as exigências mínimas necessárias para um combatente moderno, e os principais motivos era a pouca instrução, pouca nutrição e principalmente despreparado para o esforço de guerra. A previsão inicial de formar um Corpo de Exército com 90 mil homens, esbarrou nas dificuldades físicas e logísticas do nosso Brasil, claro. Apenas pouco mais de 25 mil homens aptos para lutar até o final da guerra.

Ninguém acreditava na FEB: Depois da euforia inicial, a FEB foi formada por Decreto em 23 de novembro de 1943. Em termos de convocação, preparação e transporte, foram necessários quase oito meses para o primeiro combatente embarcar para um Teatro de Operações. Esse período tranformou desacreditou a FEB, muitos acreditavam que o país não enviaria tropas para lutar. Nasce o estigma popular “É mais fácil a cobrar fumar do que o Brasil ir à guerra…” . A Cobra Fumou!

O tamanho da importância militar da participação brasileira: É possível afirmar que o Brasil teve uma grande importância no Teatro de Operações da Itália? Claro que não! O país atuou com uma única Divisão, enquanto os americanos e ingleses atuavam com mais de 50 Divisões! Como podemos ter sidos decisivos? Agora, tivemos um papel importante quando somos analisados segundo as conquistas de uma Divisão. Se pensarmos em termos de missões, a Força Expedicionária Brasileira defendeu a maior frente do setor do X Exército Americano. Esteve na vanguarda de patrulhas durante os meses de dezembro de 1944 a fevereiro de 1945, em um dos mais rigorosos invernos já registrados do século XX. Levando em consideração soldados oriundos dos sertões nordestinos ou das amenas temperaturas do sudeste do Brasil. Conseguiu um feito militar improvável para uma Divisão. A rendição incondicional de duas Divisões, a 148ª Divisão Alemã e Divisão italiana Bersaglieri com um efetivo total 14.779 militares das duas nacionalidades, além de munição, canhões, armas de vários calibres. Um feito único entre as Divisões que atuavam na Itália. Se o Brasil chega com um soldado desacreditado e com problemas básicos, ao final da guerra o soldado brasileiro é apontado como um bravo combatente.

Esses são alguns dos motivos que todos os brasileiros devem ter, pelo menos o respeito pela participado do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Não exaltando em demasia, nem tão pouco desprezando o esforço e o sacrifício de jovens que lutaram e morreram na Itália, e lembrando das vitimas da agressão nazista em nossas águas e ao nosso território.

A Hora H – Parte VIII

 Quando os bravos caem, quando a morte chega, quando a covardia aflora e o medo atinge. Essa é a hora H! Não há homem que não saiba essa hora; não há soldado que não se assombre neste momento. Essa é a HORA H:

 

O Infante Brasileiro na Campanha de Inverno

 Crônica publicada no Correio da Manhã, assinado apenas como “Veterano”, de janeiro de 1945. Esta publicação visa abranger o entendimento sobre questões que ainda geram dúvida em muitos brasileiros sobre o papel do soldado da FEB na Campanha da Itália. Não por acaso, a concepção errônea sobre o valor do nosso soldado na campanha da Itália se encerra quando o brasileiro é apontado com um especialista em patrulhas, mesmo depois das fracassadas investidas em Castello, em novembro e dezembro de 1944. A contrário do que se possa imaginar, para uma soldado nascido e criado nos trópicos, muitos, inclusive, oriundos dos escaldantes sertões nordestino, combateram com destemor com pequenas frações sob temperaturas que chegavam a 20 graus abaixo de zero em algumas regiões no norte da Itália. O soldado brasileiro esteve na vanguarda do setor do Quinto Exército em toda a campanha da Itália, desde que chegou ao Teatro de Operações. Como diz o artigo abaixo: “O Soldado Brasileiro é lutador e Bravo na sua aparente frouxidão…”

O Infante Brasileiro na Campanha de Inverno

Vi a primeira nevada cair na noite de Natal e logo pensei nos soldados. Pensei em todos, mas principalmente no infante. O infante do Brasil! Muitos se têm admirado dele. Eu confesso que não me surpreendeu. O infante do Brasil das campanhas platinas e dos chacos do Paraguai era exatamente como é o infante que combate na Itália. O valor deste infante está imortalizado na História Militar do Brasil. O valor dele nós conhecemos de sobra no país, sempre que é chamado a lutar. Não foi aqui na Itália que ele se revelou. O brasileiro é o homem que ninguém dá nada por ele; ele mesmo não se dá muito valor. O brasileiro é assim – por natureza – lutador e bravo na sua aparente frouxidão. Saiu do Brasil com os ouvidos cheios. O Alemão é o primeiro soldado do mundo. Viu o alemão pela frente e topou. Viu a neve e topou. Topou de cara. Topa tudo! Defendendo-se do frio – 17 graus negativos – lançando mão de todos os recursos de sua imaginação. Perfeitamente equipado para a campanha de inverno, então fica um número. Com uma bota de “pé de pato” e, na cabeça um gorro astrakan, visto no reflexo da neve, parece até um explorador polar. A guerra não para porque as planícies e as montanhas e os rios se transformam em gelo. Há máquinas gigantescas para desimpedir os caminhos. A engenharia trabalha dia e noite sob tempestades de neve para que o infante possa passar. o seu irmão artilheiro está atento, para ajudar e apoiar. a guerra não pára,  não pode parar por causa do frio. O alemão está lá em cima. Domina as estradas, impede a passagem – precisa ser desalojado – e será desalojado. . Mais cedo ou mais tarde terá ceder. O General Mascarenhas de Morais acaba de consagrar um louvor especial à infantaria em uma ordem do dia. “A arma”, diz ele, “do sacrifício, a arma em que a têmpera do guerreiro é posta à prova a todo momento, a arma que não admite no seu meio os tíbios, os desalentados, os incrédulo, a arma que exige a manifestação viril da nossa raça por uma causa que é a reabilitação do mundo escravizado”

Acrescenta o comandante da FEB: “sei que a brava gente de infantaria tem um chefe experimentado em ações de combate – General Zenóbio da Costa – cujo o lema é “para frente, custe o que custar!” Acompanhei as ações da Infantaria primeiramente no Vale do Serchio, e por último no seu atual setor , lançando-se impetuosamente, em condições desfavoráveis, num terreno hostil, contra alemães poderosamente defendidos e mascarados, no Monte Castello. Claro que a FEB desempenha uma parte do esforço do Quinto Exército, e até agora nunca deixou de cumprir, dentro das possibilidades, as missões que lhe foram designadas. não tenho dúvida de que a Infantaria de SAMPAIO irá para a frente, custe o que custas!”.

Sem Noção – Gostamos de RIR, mesmo na Guerra!

Não é verdade que os alemães não têm senso de humor. A maior prova disso foi a quantidade de registros fotográficos que ficou das situações mais inusitada e humorísticas que se pode imaginar:

O Soldado Alemão – O Melhor do Mundo?

O povo alemão foi considerado por muito tempo um povo cruel e militarizado, graças a campanha disseminada no pós-guerra. A principal característica oriunda dessa mística é disciplina notória dos alemães. Por isso o soldado alemão foi muito tempo considerado o melhor soldado do mundo, disciplinado e combativo. E as batalhas iniciais da Segunda Guerra elevariam essa observação para o seu mais alto nível.

Com o passar da guerra e com a rendição das forças do General Paulus em Stalingrado, o que o mundo viu e os soviéticos não cansavam de repetir, era de que o soldado alemão era tão humano como qualquer outro soldado de qualquer outro exército. Sujeito aos traumas e medos da guerra. Embora ainda senhora de milhões de quilometros quadrados de território, a máscara do soldado invencível caíra com o  6º Exército.

Quando as forças anglo-americanas abriram uma nova frente na França, o que se via era um Exército já bastante debilitado. Soldados com idade avançada ou muito jovens e unidades inteiras de estrangeiros. Claro, ainda contavam com forças extremamente combativas, mas muito longe da mística de invencibilidade do soldado alemão.

No final da guerra pouca coisa sobrou daquele soldado que era considerado quase uma força de outro planeta invadindo a França. O que sobrou eram os maltrapilhos e os doentes integrantes de uma exército derrotado.

Por fim não existem exércitos invencíveis, nem soldados invencíveis, o que realmente existe são homens muito bem treinados e equipados, mas que no final das conta são apenas homens, nada mais. Outros conflitos no pós-guerra iriam provar que exércitos poderosos poderiam ser vencidos, o Vietnã seria o maior exemplo.

Com vocês a galeria com a face do soldado que já fora considerado invencível.

Veículos Operacionais Militares – Parte II

 Uma guerra total e completa não se faz apenas com blindados e carros de combate. Toda a logística de guerra depende de caminhões e veículos de transportes suficientes para transporte de tropas e suprimentos para a guerra. Ou seja, boa parte da guerra se ganhar mantendo a linha abastecida de homens e condições para que estes combatam, para tanto, o sucesso só é possível com um transporte eficaz, com veículos diferenciados.

 Abaixo uma galeria da prova cabal do desenvolvimento dos veículos militares na Segunda Guerra Mundial

Fotografias de Uma Visão Pessoal da Guerra

Recebemos uma quantidade de fotografias que faziam parte do acervo pessoal com uma visão muito particular da guerra. Essas fotografias não exibem poses ou cenários pré-fabricados para divulgação, mas fotos naturais e trazem à luz o cotidiano de quem participou efetivamente do conflito.

A Hora H do Dia D!

O Dia D ficou consagrado como o dia da decisão, termo militar que foi utilizado como codinome para a Operação Overlord e que acabou sendo sinônimo para um dia importante. Mas dentro do Dia D, o mais longo dos dias, segundo o próprio Rommel, houve para cada soldado participante do conflito a sua própria Hora H. Aquela que determinou a vida ou morte; aquele momento de decisão ou de angustia, de alegria ou de tristeza, um momento importante para qualquer soldado, seja ele americano, inglês ou alemão. A Hora H pode ser um momento de tranquilidade e de paz depois de um inferno.

Como temos nossa série a Hora H aqui no BLOG, resolvemos buscar no acervo fotografias da Hora H do Dia D, que não necessariamente foi no Dia D, mas inclui operações posteriores a Dia D. Resgatamos fotografias da U.S Corps com a qualidade impressionante, que nos orgulhou colocar a disposição de vocês.

Nas próximas remessas vamos abordar o próprio Dia D e a impressão do soldado ao se aproximar a sua Hora H.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXIII

 É pessoal, chegamos ao fim desta série traduzida pelo linguista ARaquenet, publicado inicialmente na WebKits e gentilmente cedido para o BLOG Chico Miranda. Portanto apreciem a última publicação da fidelidade dos fatos no Front Russo.

Parte 23

Uma forte desintegração ética era o resultado das atrocidades as quais causavam um impacto negativo sobre o componente moral do poder de luta no front leste. Ideais, mesmo aqueles voltados para os fins ideológicos do Nacional Socialismo estavam comprometidos. O exército cristão que invadiu a Rússia estava se comportando da mesma maneira que os Cavaleiros Teutônicos do século XIII, retratados no filme Alexander Nevsky do diretor Einsenstein. Este causou uma forte impressão nas platéias dos cinemas de uma nação soviética ameaçada e oprimida. Paradoxalmente, tal comportamento diluía o poder de luta uma vez que a brutalidade apoiada oficialmente pelo Estado promovia o questionamento sobre a natureza fundamental e solidária do ser humano que, por sua vez, levava ao questionamento sobre os motivos. E isto tudo afetava a força de vontade. Ao mesmo tempo, o componente moral do inimigo ficava fortalecido. Tais indignações aumentavam massivamente a resolução em resistir. E o soldado alemão começou a perceber que, com a falta de um sucesso garantido, pela primeira vez nesta guerra sua própria sobrevivência estava em jogo. Ao mesmo tempo, o soldado russo sabia que ele não tinha outro recurso a não ser lutar até o fim. Era um beco sem saída.

O Unteroffizier Harald Dommerotsky, servindo em uma unidade da Luftwaffe perto de Toropez, era uma testemunha das “execuções quase que diárias de partisans por enforcamento pelos serviços de segurança da SS.” Enormes multidões – predominante russas – se juntavam. Ele comentou: “Pode ser uma característica humana esta predileção de sempre estar presente quando um de nós é apagado.” Ele continua ao afirmar que não fazia diferença “se fosse inimigo ou algum deles.” Enforcamentos públicos em Zhitmonir na maioria das vezes acabavam em aplausos quando os caminhões aceleravam e deixavam as vítimas pateticamente penduradas no meio da praça central. Uma testemunha descreveu como mulheres ucranianas, com roupas típicas, seguravam suas crianças acima das cabeças para que pudessem ver enquanto que espectadores da Wehrmacht berravam ‘devagar, devagar!” de modo que pudessem tirar as melhores fotos.

Em Toropez uma enorme forca foi construída. Caminhões se aproximavam, cada um com quatro partisans em pé na parte de trás. Os laços eram colocados em volta dos seus pescoços e os caminhões arrancavam. Dommerotsky se lembra de uma ocasião em que apenas três dos quatro corpos ficaram balançando na ponta das cordas. Uma vítima estava esparramado no chão devido à corda arrebentada. “Isso não faz diferença” comentou um sargento da Luftwaffe enquanto que a vítima foi recolocada no caminhão e empurrada de novo. A mesma coisa aconteceu. Insistentes, seus carrascos repetiram o processo macabro e mesmo assim a vítima caiu no chão, ainda viva.

“Meu amigo, ao meu lado, comentou: ‘É julgamento de Deus’. Eu também não conseguia entender e apenas respondi: ‘Agora eles provavelmente vão deixá-lo ir’.”

Eles não deixaram. Na quarta vez o caminhão acelerou e a corda se manteve esticada em volta do pescoço da vítima. Ele mexia as pernas enquanto que a fumaça do escapamento se dispersava. “Não houve nenhuma lamentação nem lamúria” lembrou-se Dommerotsky. “Estava um silêncio sinistro.”

Essa que era a Kein Blumenkrieg – uma guerra sem louros (O que o autor expressa aqui é o fato de que nos primeiros conflitos da Segunda Guerra Mundial, as vitórias alemãs – Polônia e França – eram comemoradas com o desfile da tropa vitoriosa com o consequente arremessar de flores e louros pela multidão simbolizando as conquistas – N. do T.).

F I M

Série: A Hora “H” – Parte I

Vamos publicar a partir de hoje uma nova série: A Hora H. A pretensão é publicar fotografias onde o autor da foto é parte de integrante da ação. Testemunha dos acontecimentos, presente em um momento de combate ou imediatamente  após ele. Nosso objetivo é que as pessoas possam refletir sobre a fotografia. Por isso, o BLOG prefere o destaque fotográfico ao invés do vídeo. A fotografia leva a reflexão, pois a imagem está estática, naquele momento, tudo pára.