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Antes e Depois – Especial Itália!

Publicar as fotos da medieval Itália que, a partir de 1943, foi um teatros de operações mais intensos da Segunda Guerra Mundial, e que sofreu uma profunda destruição, principalmente em pequenas cidades e vilas, sendo que muitos habitantes se encondiam em cavernas para não perderem suas vidas.

Também lembramos que foi esse cenário que nossos pracinhas combateram valorosamente.

Castelnuovo – A luta pela sobrevivência de um pelotão brasileiro – Parte II

Para quem não viu o Relato do General de Exército Manoel Rodrigues de Carvalho Lisboa que era à época, comandante do I Batalhão de Fuzileiros do 11º Regimento de Infantaria para a Revista do Clube Militar, segue o LINK da Primeira Parte: A Luta pela sobrevivência de um Pelotão Brasileiro – Parte I

 Um Pelotão da 1ª Companhia do 1/11º Regimento de Infantaria fatidicamente cai em uma campo minado na noite do dia 06 para o 07 de março de 1945, e fica encurralado. A cada vez que se movem, mais baixas acontecem. Eles têm apenas uma saída: aguardar o resgate médico do Batalhão. Voluntários da Unidade se deslocam noite à dentro em um terreno desconhecido para salvar o Pelotão; outros tentam refazer o caminho a pé para consertarem a linha telefônica destruída e restabelecer a comunicação com o Comandante da Companhia.

 Essa é uma História de Heróis; Heróis brasileiros que perderam suas vidas se lançando contra pior dos inimigos, o desconhecido; materializada em forma de Mina Terrestre, que, se a vítima tiver sorte, morrerá, caso contrário será mutilada de uma forma terrível.

 Segunda Parte:

 – “Faça-me vir o Tenente-Médico com urgência!” – é a ordem do Major Comandante.

– “Pronto, Major, aqui estou!” – É um jovem médico, cheio de vida, valente, e que já tomara conhecimento do fato.

 –  “Sr. Major, tenho os padioleiros do Batalhão e mais o reforço do Batalhão de Saúde. Posso levá-los todo comigo!”

– “Mas, como irão sem correr o grave risco de perdê-los também?”

Só um recurso que lhe vem à mente. A Estrada 64 passa à direita, não se sabe o que há nela daqui para frente, mas a ambulância, numa operação de vaivém poderia, talvez, atingir a altura em que se acha o Pelotão e desse ponto, pelo campo, os padioleiros entrariam para a retirada do pessoal. Não vê outra solução, mas exige coragem a abnegação. Diz ao Tenente o seu pensamento e os riscos da missão. Necessitava essa de uma coordenação no local em que se achavam os homens da Companhia, coordenação que deveriam ter como zona crítica o trecho da Estrada 64 ainda em poder do inimigo.

O Capitão S/3, encarregado das operações, não titubeou, para isso, e se apresentou voluntário, juntando-se ao destemor, à bravura e ao espírito de solidariedade do médico. E lá se foram os dois, pressurosos na ajuda aos companheiros mutilados e em agonia. Durante toda a noite se fez a evacuação cuidadosa, as viaturas com as luzes apagadas, num silêncio que não provocasse a intervenção alemã. A cada rumo diferente, um estampido revelava no campo e novos mutilados caíam. A angústia pelo sofrimento era intensa. Os padioleiros heróis anônimos, não descansavam na faina da busca e do transporte de feridos. Nenhum ruído maior. Só os gemidos abafados dos moribundos e dos mutilados movimentavam aqueles homens no salvamento dos camaradas. Todas as cenas são heroicas. Todos os protagonistas cresceram em sacrifícios e bravura. Mas, muito mais do que todo os sentimentos, aquele que fazia sentir a dor de seu semelhante e que procurava dar-lhe o conforto da presença amiga com o afeto da palavra e do gesto fraternal, o espírito natural do brasileiro de solidariedade humana, fazia ascender, na escuridão da noite, uma auréola cuja luz refletia toda a grandeza da alma brasileira, boa e humana! Os seus nomes Historiador da FEB deve anotá-los. Cite-os. Transcrevendo os trechos da citação em combate. São eles:

Capitão Francisco Carlos Bueno Deschamps – S/3 do Batalhão: Na madrugada de 06 para 07 de março, muito cooperou com o Comando do Batalhão no auxílio à 1ª Companhia, lançando-se no eixo da Estrada 64 para se ligar pessoalmente ao Comandante da 1ª Companhia, sentir a sua situação, ver o que necessitava, acudir os feridos, agindo consciente  com desvelo em meio ao perigo, coordenando a operação de salvamento dos feridos.

Capitão Darcy Lázaro – Comandante da 1ª Companhia: Vibrante condutor de homens, soube empolga-los pela missão, entusiasmos que não arrefeceu nem naqueles que ficaram gravemente feridos. Comandou com inteligência, serenidade e ardor.

Tenentes-Médicos Yvon de Miranda Azevedo Maia e Murilo de Oliveira Paiva: Dedicados no socorro feito aos feridos na noite de 06 para 07 de março, enfrentando o perigo e o desconhecido para remove-los para a retaguarda num serviço cuidadoso, eficiente e bravo.

– 1º Tenente Alfredo Bertoldo Klas – Subcomandante da 1ª Cia: Dedicado e esforçado nas medidas para o socorro dos feridos.

2º Tenente Wilson Rocha da Silva – Comandante do 1º Pelotão: Conduzindo os seus homens com iniciativa e inteligência, mesmo dentro de um campo de minas, não perdendo a serenidade.

2º Tenente José Leite Rezende: Prestando auxílio aos feridos, fazendo a ligação com os Pelotões e assinalando os campos de minas.

Sgt. Luiz Pereira: Com elevadas baixas em seu Pelotão, não se intimidou no cumprimento da missão recebida que era a de atingir determinado ponto, por azar, outro campo minado e onde aumentou as baixas do seu Pelotão, conservando-se com heroísmo e dando exemplo aos seus comandados.

Sgt Max Wolff Filho, Sgt Hélio Moreira Alvarenga, Cb Thiago Luiz de Mello e Soldados José Berberino dos Santos e José Mendes dos Santos: Voluntários que se apresentavam para o reparo da linha telefônica arrebentada, cooperando com os telefonistas, redobrando-lhes a confiança e a energia.

Soldados Olympio Ferreira Cintra e Antônio Cosme da Silva: Agentes de ligação entre o S/3 e Comandante da 1ª Companhia.

Sgt. Francisco de Sales Teles: Digno exemplo de chefe e líder, imbuído de alto espírito de sacrifício soube, com o pé amputado por uma mina, animar os seus comadantes, lamentado não poder continuar à frente de seu Grupo de Combate.

Sgt. Aquino de Araújo: Apresentou-se voluntariamente para acompanhar o Comandante do Pelotão num reconhecimento em um bosque, a fim de desbordar um campo minado. Vê caído um de seus subordinados, Soldado Indalécio, procura socorrê-lo, no que foi atingido por uma mina, mantendo a mesma serenidade e dedicação ao seu companheiro.

                Na ânsia de salva os companheiros caídos, um valente grupo com os Sargentos Pedro Gerônimo dos Santos e Hidelbrando de Andrade Farias e o Cabo Anísio Batista da Silva avançam nessa noite escura esquecendo-se da presença das minas. Alguns caiem vitimados, como o Soldado Indalécio Rolsa e Silva; outros, como Eduardo Schmit, embora feridos em uma das mãos, continua prestando socorros aos companheiros, recusando ser evacuado.

                São todos heroicos representantes de uma Infantaria valente e que não diminuíram os lances históricos dos seus antepassados em Lacuna. É difícil dizer-se qual o mais valente, se o Sargento Leopoldo Leão de Souza, não perdendo o sangue-frio, nem a calma à frente do seu Pelotão, dentro de uma campo de minas, ou os Soldados Antônio Vicente de Paulo e Florival Alves Pereira conduzindo, com o risco da própria vida, por entre as estreitas brechas feitas nos campos minados, o seu companheiro Indalécio, mortalmente ferido, até Bonzoni.

                Na espera dos socorros pedidos, vê-se, com uma dedicação fraternal, consolando os feridos, o Sargento Amilcar Pedro dos Santos, mitigando-lhes a sede, ajeitando uma perna fraturada ou recompondo o curativo. Aqueles outros se oferecem para as ligações diversas e lá se vão, em terreno desconhecido e suspeito de minas, o Sargento Jovelino Francisco Carvalho, os Soldados Antônio Sá Rodrigues, Wilson de Freitas Sella, Francisco Coelho de Amorim e Antônio Manoel Raimundo, dedicados na afeição e firmes na solidariedade humana.

Fonte: Coronel Adhmar Rivermar – Montese – Marco Glorioso de uma Trajetória

Uma “Via Sacra” Diferente! – Memórias de um Soldado Brasileiro

Estávamos na Itália como participante da Força Expedicionária Brasileira.

Eu pertencia ao 1° pelotão da 2ª companhia do Regimento Sampaio (1° RI). Na sexta-feira da paixão em 1945, o meu pelotão, comandado pelo então 1° Tenente. Fredímio Trota foi designado para formar uma patrulha noturna afim de verificar se um casarão (tipo casa de chácara) que havia na “terra de ninguém”, encosta de morro onde estavam os alemães bem à nossa frente, estaria sendo usada ou não pelos alemães como posto de observação de nossas posições. Como sabemos, as posições tanto nossa como as do inimigo eram situadas seguindo os caprichos das sinuosas linhas de cristas das elevações que se contrapunham. Em linha reta, ora estavam próximas ora se distanciavam um pouco, mas as variações eram cerca de 300 a 500 metros. Para a sortida em patrulha, a coisa mudava de figura, tínhamos que descer ao fundo do vale que os separava e em seguida galgar as encostas em direção às linhas alemãs, multiplicando as distâncias. Assim a patrulha saiu às 20 horas e como de costume, caminhávamos pé ante pé. Não se dava uma palavra, Apenas um cochicho aqui outro ali e comunicação por gestos, pois andávamos bem próximos um dos outros, cuidando para que o companheiro não se desviasse da rota. Nessas condições leva-se horas para percorrer 400, 500 metros, um tempo extraordinário… Fomos chegar ao objetivo passava da meia noite.

Chegamos, cercamos a cara (era grande) e usando pequenas lanternas em formato de cachimbo, verificamos cômodo por cômodo. Encontramos vestígios, gorros alemães, pequenos restos de comida (pão), mas alemão mesmo, nenhum. Após isso todos foram se comunicando em vozes mais altas. Houve a ordem de retrair. O retorno era por uma estradinha carroçável (quase um carreiro coberto de grama e arbusto).Fomos regressando. Comunicação feita pelo rádio. “Não foi encontrado inimigo na posição tal!” e como é natural, ninguém pode evitar isso, houve aquele suspiro, um alívio. Quando estávamos a uns 150 metros da casa as metralhadoras alemãs entraram em ação (eles tinham posto “lurdinhas” em posições bem distantes da casa em um monturo de folhas e lixo), havíamos verificado apenas a casa e pagamos o preço…

As descargas pegaram o pelotão em cheio, a caminhada em declive e a rapidez em que nos jogámos no solo fez o milagre de não ter havido baixas. Mal havia deitado e percebi que no outro lado da estradinha havia uma pequena valeta para escoamento das águas. Resolvi atravessar a estrada em busca de abrigo melhor. Atravessei a estrada num lance com as balas traçantes passando entre minhas pernas e cai do outro lado. Junto a mim um soldado do meu grupo, Joaquim, também nordestino acompanhou-me. Cai na valeta e ele junto. A partir daí o soldado passou a fazer uma chamada de santos… Ele não pedia socorro (tal como: Me ajude, me proteja, etc) ele só dizia São Benedito, São Sebastião, São Luiz, São Francisco, São Leão. Começou a desfiar um rosário de nomes de santos que eu até hoje não sei se existem.

Em seguida às “lurdinhas”, os alemães mandaram uma chuva de monteiros que por terem usado “alça longa” caiu à nossa frente, a considerável distância fazendo o declive nos proteger! Embora tenha “barrado” o nosso retorno por bastante tempo. Aguardamos imóveis no terreno e cessada a refrega regressamos silenciosos chegando quase ao amanhecer com a missão cumprida, pois essas armas alemãs foram devidamente mapeadas para serem neutralizadas durante a “operação encore” (ofensiva geral sobre os alemães) que se desencadearia brevemente.

Este foi o meu exercício de “Via Sacra” na paixão de 1945. Claro que me obstive de falar sobre Joaquim com os companheiros para não haver as inevitáveis gozações.

Souza

(Recife, Páscoa de 2005, 60 anos depois)

 Nome: Severino Gomes de Souza

Graduação na FEB: Terceiro Sargento

Funções: Comandante de Grupo de Combate

                Comandante de pelotão (48 horas – Monte Castelo)

                Orientador de Pelotão

Posto Atual: Capitão Reformado

Formação Civil: Administração de Empresas (Diploma UFPe)

Condecorações:

                Cruz de Combate

                Medalha de Campanha

                Medalha de Guerra

                Medalha de Tempo de Serviço

                Medalha Monte Castelo

                Medalha Mascarenhas de Morais

                Medalha Asp. Mega

  Residência Atual:

Candelária – Natal-RN

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