Arquivo

Posts Tagged ‘nosso país’

27 de Setembro de 2014 – Um Dia Memorável!!

Pernambuco sempre se orgulhou de seu passado de lutas. Não por acaso, a célula inicial dos preceitos pátrios de nosso País tem sua origem nas “terras dos altos coqueiros”, com expulsão dos flamengos nas memoráveis Batalhas dos Guararapes de 1648. Este mesmo ímpeto de luta e senso de justiça social retorna nas revoluções de 1817 e 1824, com objetivos de formar uma nova nação, um novo País, sendo um dos primeiros movimentos separatista a declarar independência do Império que se formava.  Esse é o povo pernambucano, sempre disposto a lutar por sua terra e defender sua gente.

Em 1943, quando na formação da Força Expedicionária Brasileira, divisão militar que iria ser enviada para o Teatro de Guerra, nosso Estado contribuiu com 681 militares pernambucanos compondo a Divisão do General  Mascarenhas de Morais. E eles lutaram bravamente. Infelizmente 13 perecerem em combate ou em decorrência da guerra.

Infelizmente, assim como todos os outros soldados da Força Expedicionária Brasileira, o esquecimento foi o flagelo que a política impôs a geração que lutou na Itália. Os 13 pernambucanos mortos na Itália, não teriam seus nomes assemelhados aos nomes como Felipe Camarão, Fernandes Vieira ou Frei Caneca, seus nomes estavam destinados ao esquecimento, estavam…

No meio do mar do esquecimento eis que surge uma lâmpada de esperança para o Brasil. Desde 2010 a Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB-PE) vem estruturando um projeto de reforma e destaque do único memorial para os pernambucanos que morreram na campanha da Itália. Esse monumento foi inaugurado em 1971 no Parque 13 de maio, no centro do Recife, na gestão do Prefeito Geraldo Magalhães. Década depois, não havia qualquer referência ao monumento, anos de abandono e descaso. As placas que foram afixadas por ocasião da inauguração inexistem, e ninguém da administração pública sabia informar do que se tratava. Realizamos um projeto de resgate histórico e, com o apoio irrestrito do Comando Militar do Nordeste, a Prefeitura do Recife entrou no processo de restruturação do monumento.

Hoje, 27 de setembro de 2014, os mesmos veteranos que participaram da inauguração em 1971, puderam presenciar em vida a lembrança dos companheiros que tombaram na guerra que insistimos em esquecer.

Que outros 27 de setembro cheguem para iluminar nosso povo e nossa passado, para um futuro que possa sempre valorizar as gerações que viveram e morreram por nossa terra.

Especial Monte Castelo – 67 Anos da Vitória

Hoje é uma data especial. Enquanto nosso país conclama as Escolas de Samba e os desfiles estonteantes dos blocos carnavalescos, sob a vanguarda da mais tradicional festa brasileira, há exatos 67 anos, várias brasileiros perdiam a vida para dominar e conquistar o Monte Castelo no front italiano durante a Segunda Guerra Mundial. Um bastão alemão que foi conquistado pelas tropas brasileiras em 21 de fevereiro de 1945.

A única forma de reverenciar o sangue brasileiro derramado nessa luta em solo estrangeiro é divulgar a História dessa batalha. Portanto, durante todo o dia teremos publicações especiais sobre os ataques, para que possamos entender a dimensão e a dura missão que foi dado a Força Expedicionária Brasileira.

Desde já agradecemos aos nossos queridos amigos Rigoberto Souza Júnior e Alessandro Santos pela cooperação a esta tão honrada tarefa, de manter viva a memória daqueles que sobreviveram e honrar aqueles que lá ficaram.

Monte Castelo – 67 anos

            1º e 2º ataques ao Monte Castelo

 

            Coube ao 45º  Grupamento Tático americano sob o General Rutledge, e reforçado por um batalhão de Infantaria( III /6º R.I.), um esquadrão de reconhecimento e um pelotão do 9º Batalhão de Engenharia, todos brasileiros, a missão de conquistar as regiões entre Monte Belvedere – Monte Castelo -Abetaia. Estas posições eram defendidas pela aguerrida 232ª Divisão de Infantaria Alemã, que era constituída dos seguintes elementos:

            23º       Batalhão de fuzileiros

            232ª     Regimento de Artilharia

            1043º – 1044º – 1045º Regimentos de Granadeiros

            O inimigo compensava a ausência de sua força aérea com a vantajosa posição dominante e bem preparada.

            O III / 6º R.I., teve a missão de guarnecer uma frente de quase 2 km(Guanella à Casa M. di Bombicina) além de conquistar Monte Castelo, além de prosseguir até Monte Terminale, dois quilômetros após Monte Castelo e, na ocasião o major Sylvino instalou o seu posto de comando na vila de Bombiana por ordem superior. Este batalhão vinha combatendo desde Setembro e seus integrantes esperavam receber um justo repouso, e para complicar ainda mais teriam que atacar em terreno desconhecido e contra posições frontais, operação fadada ao fracasso.

            Somente perto da meia noite de 23 para 24 de  novembro é que este batalhão atingiu as bases de partida para o ataque, e como é comum as tropas brasileiras não substituíram as americanas na escuridão da noite, devido à burocracia e a meticulosidade das ordens escritas. Para este ataque, procurou-se obter surpresa evitando a preparação da artilharia.

            Às seis horas da manhã do dia 24 de novembro de 1944, o batalhão partiu sendo recebido por uma chuva de projéteis de morteiro e armas automáticas, enquanto a 9ª companhia, que seguia pelo lado esquerdo, era mantida em sua posição progredindo com enorme dificuldade.

            Na segunda  parte desta jornada, foi obtido  algum  progresso, mas a noite chegou e o objetivo não foi atingido, e à esquerda o batalhão americano (2º / 370º R.I.), havia conseguido progredir um pouco mais, mas recuou rapidamente, sob a pressão do fogo alemão, o que deixou o flanco esquerdo exposto. Ainda de madrugada uma nova ordem de ataque chegou ao batalhão brasileiro, com ordem de conquistar o mesmo objetivo, mas agora teria a sua frente ampliada em mais um quilômetro, que correspondia ao batalhão americano que foi duramente atingido e que não pode ser recuperado a tempo. Desta vez a preparação da artilharia não foi dispensada, e ao inicia o ataque a reação alemã foi pronta e poderosa, com a utilização de tanques isolados.

            Foi com muita dificuldade que a 8ª companhia conquistou La Cá e C. Viteline, as primeiras elevações antes do Monte Castelo, e a 7ª companhia aproximou-se de Abetaia, mas não logrou êxito em conquistá-la. No fim da jornada, a tristeza do fracasso deste ataque misturou-se com a alegria da conquista do Monte Belvedere pelos americanos. O inimigo tomara a decisão de deter a frente italiana de conquistar os Apeninos, e que este conjunto era fundamental  para o dispositivo defensivo, e ao final do dia 26 de Novembro,  lançaram um golpe de mão sobre a 9ª companhia brasileira,  que estava aos pé do Monte Castelo desalojando nossos soldado daquele local.

            Como consequência deste malfadado ataque, o reforço brasileiro ao 45º Grupamento Tático reverteu à Divisão de Infantaria Expedicionária, levando o General Mascarenhas de Morais a assumir o comando efetivo de toda a tropa da FEB, promovendo uma missão defensiva imediata, na qual foram empregados cinco batalhões na linha de frente.

            Concluímos como prováveis causas do fracasso destes ataques:

  1. determinação alemã em manter a posição a todo custo
  2. o efeito surpresa não obtido
  3. não houve apoio nem da aviação nem da artilharia
  4. desconhecimento total do terreno pela tropa que ocupou posições à noite para atacar ao alvorecer
  5. um ataque frontal é quase sempre desastroso, a não ser que exista superioridade arrasadora em homens e material empregados
  6. utilização de tropa cansada, sem tempo de descanso
  7. o flanco esquerdo estava exposto devido ao recuo da tropa americana
  8. insistência em repetir o ataque com a mesma tropa da véspera, aumentando a responsabilidade com a região evacuada pelo batalhão americano

%d blogueiros gostam disto: