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O Soldado do Exército Alemão Estava Preparado Para a Campanha na Rússia?

Sempre que analisamos um Teatro de Operações da Segunda Guerra Mundial uma das primeiras perspectivas são reveladas a partir da visão do comando. Interpretar as conformidades estratégicas de cada lado é uma imposição para qualquer discussão sobre a condução de uma determinada campanha. Contudo, essa perspectiva não deve ser a única para aqueles que anseiam compreender todo o contexto da guerra. E, como não poderia deixar de ser, a campanha da Alemanha contra a União Soviética desencadeada pela Operação Barbarossa em 22 de junho de 1941 tinha por objetivo o colapso total do governo soviético antes do inverno. Ao contrário do que se imagina, Hitler estava entrando em uma longa e tenebrosa guerra que se encerrou em 1945 com a queda de Berlim.

Quando pensamos nos erros estratégicos na Campanha da Rússia sempre encontramos todos os tipos de discussão que vai da decisão de Hitler de não tomar a capital soviética até as linhas de suprimentos alemães durante toda a campanha.

Mas existe um fator que creio, deve ser considerado. Esse fator é expresso na seguinte pergunta:

O Soldado do Exército Alemão estava preparado para a campanha na Rússia?

Quero levantar algumas questões para que possamos entender uma pouco mais dessa perspectiva, mas antes vou reproduzir uma um trecho do livro: “Ação das pequenas Unidades Alemãs na Campanha da Russia”, uma publicação da BIBLIEX. Evidentemente vamos salvaguardar qualquer tipo de partidarismo.

“1. Adaptação Alemãs ao Teatro de Guerra Russo

 Ao contrário dos russos, as tropas alemãs estavam mal preparadas para uma prolongada campanha na Rússia. Tornou-se necessário um imediato reajustamento e uma radical modificação das normas estabelecidas para os teatros de operações central e ocidental. O primeiro reajustamento do Exército alemão às condições locais consistiu na revisão dos padrões de seleção dos comandantes dos escalões inferiores; sua idade média foi diminuída e os requisitos físicos foram aumentados. Sempre que uma unidade alemã tinha de entrar em ação contra as forças russas, era necessário deixar para trás qualquer excesso de bagagem, os cavalos de montaria e as viaturas unicamente de transporte de pessoal. Durante semanas, às vezes, os oficiais e soldados não tinha a oportunidade de trocas as roupas de baixo; esta circunstância exigia um outro reajustamento às condições de vida russas tendo em vista, tão somente, a resistência a imundície e aos parasitas. Muitos oficiais e praças de mais idade entraram em colapso ou ficaram doentes tendo de ser substituídos por homens mais jovens.

O soldado alemão, em comparação ao russo, era inferior devido às comodidades a que estava acostumado. Já antes da 1ª Guerra Mundial era comum pilheriar-se que os cavalos do Exército Alemão não resistiriam a uma única noite passada ao ar livre. O soldado da 2ª Guerra Mundial estava acostumado às barracas com aquecimento central e água corrente, às camas com colchões e a dormitórios com assoalhos de parquete e sua adaptação às condições de vida extremamente primitivas da Rússia não foi nada fácil.” – Ação das pequenas Unidades Alemãs na Campanha da Rússia – pg. 03

O que vocês acham?

A Feroz Propaganda Alemã no Front Oriental

Não há como negar que em questão de guerra psicológica a Alemanha desempenhou um papel sem precedentes. Antes mesmo das operações militares serem invocadas Ministério de Propaganda, comandada pelo ícone propagandístico Goebbels,  debelava o inimigo com sua massificação da superioridade alemã contra a insuficiência do governo inimigo, fazendo com que a população se voltasse contra seu governo. Assim a Tchecoslováquia caiu sem conhecer uma operação militar. Com esse mesmo ímpeto a propaganda foi utilizada na URSS soviética, embora o resultado final não foi suficiente para determinada o peso da balança da guerra.

Quem está por trás?

 

Chefe do movimento de libertação russo – “O Bolchevismo vai morrer, o povo russo viverá”

 

Propagandistas do exército de libertação russo trabalhando com prisioneiros soviéticos. Novorossiysk, 1943

 

Voluntários da 14ª Divisão SS, Ucrânia ocidental, maio de 1944

 

Propaganda alemã nas ruas de uma cidade Soviética ocupada.

 

“Um passe que permite a entrada no território ocupado por tropas alemãs, pode ser usado por um número ilimitado de soldados e comandantes! A ordem de Stalin sobre as ameaças das famílias daqueles que vêm para o nosso lado não pode ser executada. O comando alemão não publica listas de prisioneiros. Então não tenha medo da intimidação de Stalin. “
“Os oficiais alemães vai acolher, alimentar e empregá-lo”. Você pode entrar sem um passe muito e terá garantida uma recepção calorosa de qualquer maneira”.

 

“Não apenas a vida, mas o paraíso…”

 

A Crimeia – “Desista, o confronto não faz nenhum sentido!”

 

“Os feridos podem deixar o Exército Vermelho e vir para o lado alemão, tendo a certeza que irá ser tratado”.
“Se você for ferido pode ter a certeza de receber os primeiros socorros de médicos alemães”.
“Por que derramar seu sangue por nada? Siga o exemplo de seus amigos: Venha em paz para o nosso lado “!
“A guerra não é mais para você e seus amigos. Você irá para trás de nossas linhas”.

 

“Siga o exemplo de seus amigos.” “Leia e deixe que os outros leiam também!”

 

Pilotos do Exército Vermelho. “Voem para o nosso lado!” “A Propaganda bolchevique judaica sobre o tratamento atroz dos cativos é uma mentira simples, tão típico de uma língua judia!” “O piloto não deve ter medo da tortura nem mesmo atirar em si mesmo.”

 

“Você são enviados para morrer! Salve sua vida! Tenha atitude favorável ao ex-inimigo! Amigos, você está seguro aqui! Não há obstáculos para o Exército alemão. Mais confronto e ainda mais derramamento de sangue é um absurdo! “

 

“Soldado! Olhe para trás! Quem controla você? Quem envia você para morrer? “

 

“Você está cercado! Mas ainda tem uma saída! Venha para o lado alemão, salvar suas vidas!”

 

“Venha para o nosso lado! Não há necessidade de passe! Todos são bem vindos! “

 

Okinawa – A Última Fronteira de Sangue.

Okinawa foi a derradeira das grandes batalhas da Segunda Guerra, mas como não poderia deixar de ser, os japoneses lutaram até o fim na vã tentativa de barrar o avanço americano.

Alguns Detalhes estão em uma publicação nossa anterior com o link abaixo:

Cenas de Combate em Okinawa

Segue abaixo o artigo de Márcio Sampaio de Castro sobre a Batalha:

Em abril de 1945, o mundo estava cansado da carnificina que a Segunda Guerra Mundial espalhara ao redor do planeta ao longo dos seis anos anteriores. Praticamente todos os países invadidos pelas potências do Eixo já haviam sido libertados, o fascismo italiano dava seus últimos suspiros, a Alemanha havia se transformado em um monte de escombros e os Aliados marchavam sobre seu território, rumo a Berlim. Enquanto isso, no Extremo Oriente, o império japonês preparava-se para lutar até o fim contra a invasão inimiga, que se aproximava a passos largos.

O mês de março havia mostrado aos japoneses que essa invasão era iminente. A pequena ilha de Iwo Jima, considerada solo sagrado japonês, havia sido tomada pelos americanos, e o arquipélago de Ryukyu, a 1,2 mil quilômetros de distância da ilha de Kyushu, uma das três principais do Japão, configurava-se como o próximo alvo da potência ocidental.

Na aurora do dia 1º de abril, uma impressionante frota com mais de 1,2 mil navios de guerra, 183 mil homens e 750 mil toneladas de equipamentos aguardava ao largo de Okinawa, a principal ilha do arquipélago de Ryukyu, para iniciar o ataque que visava tornar o caminho para o Japão mais curto. Pouco menos de um ano antes, a força de ataque à Normandia, na Europa, considerada até então a maior operação de desembarque da guerra, havia colocado em combate no primeiro dia 150 mil homens e 570 mil toneladas de equipamentos.

De um lado, os Estados Unidos buscavam encurtar a rota de seus bombardeiros, que vinham sistematicamente atacando as cidades nipônicas para enfraquecer o esforço de guerra inimigo e cortar suas comunicações com a porção sul do continente asiático, de onde provinham suas matérias-primas. De outro, os japoneses sabiam que não poderiam derrotar o gigante industrial que estava cada vez mais próximo. Mas um lema se espalhava entre seus combatentes: “Cada homem abatido deveria levar consigo dez americanos; cada avião destruído, um navio”. Defender Okinawa significava ganhar tempo para preparar as defesas do Japão metropolitano. Para isso, o alto-comando designara o general Mitsuru Ushijima, que resolveu concentrar as principais linhas defensivas de sua guarnição de 100 mil homens do 32º Exército na montanhosa região sul da ilha.

Tempestade de aço

Para a surpresa dos invasores, o desembarque na parte central da ilha, realizado após um impiedoso bombardeio promovido pelos aviões e navios da frota, denominado pelos moradores como tetsu no bofu (tempestade de aço), transcorreu sem que os japoneses disparassem um tiro sequer. O plano dos atacantes era dividir a ilha em duas partes, ficando a cargo do Corpo de Fuzileiros Navais a seção norte da ilha, enquanto as divisões do Exército marchariam para o sul, ambas sob o comando do tenente-general Simon Bolivar Buckner. Em apenas quatro dias os fuzileiros atingiram o extremo setentrional. Ao final de um mês, não havia mais nenhum foco de resistência. As atenções voltaram-se então para a porção sul da ilha, mais povoada e onde estão as cidades de Shuri e Naha.

O terreno escarpado que envolvia as duas cidades possibilitou aos homens do Exército imperial construir uma cadeia de fortificações ligadas entre si por túneis escavados no interior das montanhas, a linha Shuri. Se a antiga floresta tropical da superfície de Okinawa havia dado lugar a uma desoladora paisagem após os bombardeios americanos, sob a superfície verificava-se uma intensa atividade de militares e civis japoneses preparados para surpreender seus inimigos.

Ao contrário do que ocorrera no início da invasão, as tropas de Buckner começaram a sofrer pesadas perdas com a intrincada linha de casamatas montada por seus oponentes. Sem poder contar com o apoio da artilharia naval, que nada podia fazer contra as fortificações encravadas no interior da ilha, os atacantes tinham de desabilitar os bunkers japoneses um a um. A violência e a tensão chegaram a níveis tão elevados que 48% das baixas americanas foram causadas por estresse de combate. Muitas vezes, ao atacar esconderijos com seus lança-chamas e granadas, os soldados acabavam incinerando famílias inteiras. Por sua vez, a propaganda japonesa havia plantado no imaginário dos moradores de Okinawa que o inimigo iria violentar e torturar os civis. Para não correr esse risco, muitos preferiam cometer suicídio.

Curiosa e tragicamente, a batalha teria, ao seu fim, uma coincidência incomum na história das guerras modernas. Os oficiais comandantes dos dois exércitos em combate morreriam antes do encerramento das hostilidades. Quatro dias antes de eliminar a resistência japonesa na ilha, Buckner foi atingido por estilhaços de granada, enquanto vistoriava a linha de frente. Perto dali, em seu abrigo subterrâneo, o general Ushijima, acompanhado por seu colega, general Isamu Cho, cometeria harakiri no último dia da batalha, em 21 de junho de 1945. Junto ao corpo de Cho um epitáfio escrito de próprio punho: “Cho, Isamu, tenente-general do Exército imperial japonês. Morro sem arrependimento, sem medo, sem desonra e sem dívidas”.

Após 82 dias de sangrentos combates, os japoneses haviam perdido o controle de mais uma ilha no Pacífico, mas sua determinação de lutar até as últimas conseqüências mantinha-se inquebrantável. Para os Estados Unidos, Okinawa servira para estabelecer sombrias estimativas de, no mínimo, 500 mil mortos no ataque final ao Japão. A aceleração do chamado Projeto Manhattan configurava-se cada vez mais como uma necessidade. Para muitos historiadores, a Batalha de Okinawa representou não só o último grande embate da Segunda Guerra, mas também o impulso que faltava para o emprego da terrível arma secreta desenvolvida pelo projeto. O Japão seria o primeiro país na história a enfrentar os horrores da bomba atômica.

Mar de sangue

A Batalha de Okinawa marcou o último embate aeronaval da Segunda Guerra Mundial. Depois de ajudar a derrotar os nazistas no Atlântico Norte, a esquadra britânica pôde encaminhar uma força-tarefa para auxiliar no processo de asfixia do império japonês. Uma combinação de navios ingleses, canadenses, australianos e neozelandeses proporcionou 20% do poderio aeronaval empregado nas operações de ataque à ilha.

Ao lado dos americanos, essa força-tarefa sofreria os terrores do crescente e desesperado emprego por parte dos japoneses dos kamikazes. Após a quase aniquilação de sua frota ao longo do ano anterior, o Japão não podia mais se bater nos mares de igual para igual, como fizera em Midway ou em Guadalcanal. Sua única alternativa era procurar causar pânico e o máximo de danos aos inimigos com o emprego de aeronaves que se chocavam contra as embarcações aliadas. Empregando uma variação de ataques suicidas e bombardeios estratégicos, os japoneses conseguiriam, somente em 6 de abril de 1945, primeiro dia de sua ofensiva, afundar 60 embarcações inimigas.

O plano de batalha incluía o uso do supercouraçado Yamato, um gigante veterano da guerra que tinha por missão aportar ao largo de Okinawa e causar o máximo de destruição possível antes de ser afundado. Detectada na saída do porto pelos submarinos Hackleback e Threadfin, a pequena frota capitaneada pelo Yamato foi atacada pelas aeronaves dos porta-aviões da Força-tarefa 58. Após uma hora e meia de bombardeios, o orgulho da frota imperial explodiu e afundou, levando consigo 2,5 mil homens. A partir daí, a guarnição de Okinawa estava entregue à própria sorte. Após seis dias de ofensiva, os ataques japoneses começaram a rarear. No fundo do mar, milhares de homens de ambos os lados acabaram encontrando seu túmulo. Eram os últimos movimentos da guerra mais sangrenta de todos os tempos.

Comemoração

 

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