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Mulheres e Crianças Primeiro? Na Segunda Guerra Nem pensar!

Enganou-se quem acreditava que a máxima “mulheres e crianças primeiro…” seria levado à cabo durante a Segunda Guerra Mundial como ordem de  salvação para a morte certa. Não demorou muito para que essa frase nada significasse para o conflito. Pelo contrário, as mulheres e crianças estiveram sim envolvidas diretamente no conflito, seja como um combatente regular, partisans  ou no mínimo uma vitima da guerra que atingiu a todos os habitante da Europa. Não por acaso, essa retórica ainda não é válida até hoje. Nos conflitos pós-Segunda Guerra a mulheres e crianças sempre encabeçavam as listas nos mesmos moldes já descritos.

O que podemos tirar como lição? Não aprendemos como nossos erros. Aqueles que devemos proteger são primeiros a padecer quando a insanidade é generalizada.

Ficam os registros fotográficos dos exemplos do passado, sejam eles bons ou ruins:

A Política de Repressão da Alemanha nos Territórios Ocupados

Quando se analisa os motivos da Alemanha perder a guerra sempre observamos várias teorias e motivações. Argumentos que explicam a partir da perspectiva estratégica militar, das decisões políticas do regime e até mesmo dos erros pessoais de Hitler. Pouco ou quase nenhum valor é dado para a política de ocupação implementada pela Alemanha nazista. Cada território ocupado havia uma máquina repressão que se instalava, e isso era extremamente custoso para os dominadores. Não por acaso, vários Polizeibattaillon foram criados para ordenar a nação ocupada.

Países como Bélgica, Holanda e França, foram obrigados a manter um governo militar alemão instalado, e mesmo que a França tivesse no sul um Estado sob a administração francesa, na prática era subordinada ao governo militar central e pouca autonomia era dado a administração local. Em muitas regiões da União Soviética os alemães foram recebidos como libertadores, mas a apatia não durou muito. Assim que a repressão iniciou e os movimentos de libertação iniciaram (partisans), os alemães responderam com mais violência. E isso não há como negar, historicamente não há margem para discussões, pois a política externa sob as nações ocupadas era tipicamente de julgo.

Nações como a Polônia estavam sob uma ocupação policial constante. Grande contingentes policiais identificavam, monitoravam e prendiam qualquer um, em qualquer lugar do dia e da noite. Não apenas judeus e outras minorias, mas qualquer um que demonstrasse qualquer ação suspeita.

Mas tudo tem o seu preço. A Alemanha mobilizou milhões de soldados para manter sua máquina repressiva em atividade nos territórios ocupados. Não permitiam que nada não passasse pelo crivo do governo alemão.

No final da contas, Hitler utilizou a guerra para dominar nações, e não soube mantê-las a não ser pelo uso dos mesmos métodos. E isso deve ser observando também para avaliar os motivos da sua queda.

Segue abaixo, uma sequência de fotos que mostrar exatamente o registro de uma ação policial repressiva da SS. Tudo muito bem documentado…

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XX

Parte 20

Peter Petersen se lembra de um velho colega de escola, um Untersturmführer da SS que estava de licença do front. Ele tinha recebido “uma repreensão severa” por parte dos seus superiores devido à sua resistência em executar prisioneiros. Petersen chamou a atenção para o fato dele ter mudado desde os antigos tempos de escola:

“Foi dito a ele que aquela não era uma guerra para crianças (A tradução correta seria Guerra de Jardim de Infância – Kindergaten Krieg – embora a expressão “guerra para crianças” seja mais adequada – N. do T.). Ele seria enviado para assumir o comando de um pelotão de fuzilamento onde ele teria que executar partisans, desertores alemães e sabe-se lá o que mais. Ele me disse que não tinha coragem em desobedecer tal ordem já que, se o fizesse, seria executado.”

Um sentimento de incerteza reinava atrás das linhas do front. Soldados se sentiam cercados e isolados. O Korück 582 – uma unidade de segurança operando atrás das linhas do front do 9º Exército – era responsável por 1.500 vilas em uma área de mais de 27.000 km quadrados. Ele tinha apenas 1.700 soldados sob o seu comando para executar tal tarefa. Nenhum apoio era oferecido pelo 9º Exército o qual, no início da campanha, tinha uma carência de 15.000 homens. As atividades dos partisans abrangiam 45% da área operacional. Tais unidades de segurança eram, na sua maioria, comandadas por oficiais incompetentes e idosos que tinham entre 40 e 50 anos comparados com os oficiais das linhas de frente que tinham em média 30 anos. Os comandantes dos batalhões do Korück 582 tinham praticamente 60 anos e seus soldados receberam pouco treinamento. Os sentimentos de vulnerabilidade e de um perigo constante eram freqüentes nestas zonas as quais, paradoxalmente, poderiam ser tão ativas e perigosas quanto as linhas de frente.

Walter Neustifter, um infante e operador de metralhadora, contou que “você sempre tem que ter em mente os partisans.” E atrocidade gerava mais atrocidade.

“Eles atacaram toda uma equipe de transporte e logística, despiram os soldados, colocaram as suas roupas e distribuíram todo o material capturado e alguns rifles. Então, para assustá-los, nós enforcamos 5 homens.”

Peter Neumann, um oficial da 5ª Divisão SS ‘Wiking’ explicou após um massacre em represália aos ataques de partisans contra soldados alemães:

“Nós da SS podemos ser cruéis, mas os partisans também travam uma guerra desumana e não mostram nenhuma misericórdia. Talvez nós não possamos culpá-los por estarem defendendo a sua própria terra, mas mesmo assim está bem claro o nosso dever de exterminá-los… e onde está o senso de justiça? Como se tal coisa existisse…”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XIX

Os soldados alemães também eram assolados pelos franco-atiradores. O motorista Helmut K., escrevendo para os seus pais em 7 de julho, reclamou que a sua unidade, transportando material de Varsóvia para o front, tinha sofrido 80 mortos, “32 deles por franco-atiradores.” As medidas repressivas resultantes só aumentavam o nível de violência. Virtualmente não havia nenhuma atividade de partisans na Ucrânia após o início da invasão, a não ser de grupos que ficaram para trás constituídos por oficiais do Exército Vermelho e de grupos especiais da NKVD. Após as batalhas que resultaram no cerco de Kiev, as operações efetuadas por partisans no Grupo de Exércitos Sul aumentou consideravelmente. Na área do Grupo de Exércitos Centro, os grupos de partisans chegariam a controlar 45% da região ocupada, mas as atividades de início eram em pequena escala. Os franco-atiradores eram a primeira manifestação de resistência. Durante o avanço em direção a Leningrado, o artilheiro Werner Adamczyk foi recebido a tiros por pessoas que “nem estavam de uniforme” e que “não atiravam tão mal”. Ele ficou surpreso e indignado:

“Agora parece que vamos ter de lutar contra os civis! Já não era bastante lutar contra o Exército Vermelho. Agora nem nos civis nós podemos mais confiar.”

Qualquer resistência as áreas da retaguarda era referida como “bandidos ou “civis”. Karl D. escreveu no seu diário no início de julho:

“À nossa direita havia campos de trigo. Precisamente neste momento um civil atirou a partir da plantação. Uma procura foi feita no campo. Aqui e ali se ouvia um tiro. Deveriam ser franco-atiradores. Havia também soldados russos que estavam escondidos na floresta. De vez em quando um tiro era disparado.”

Outro soldado, Erhard Schaumann, descreveu como:

“Nós percebemos depois que a população russa não tinha fugido, mas se escondido em abrigos subterrâneos. Nós recebemos tiros de morteiros extremamente precisos no nosso acampamento o que causou pesadas baixas. Nós pensamos que devia haver russos (observando) por perto para estarem mirando tão bem.”

Ao investigarem, eles desentocaram várias pessoas dos abrigos subterrâneos. Schaumann ficou relutante em explicar o desenrolar da situação:

“Schaumann: Ja , eles foram trazidos e interrogados… foi o que eu ouvi.
Entrevistador: E para onde eles foram levados?
Schaumann: Para o comandante do batalhão ou do regimento ou para o comandante da divisão, e então eu ouvi tiros e sabia que eles tinham sido executados.
Entrevistador: Você viu isso também?
Schaumann: Eu vi.
Entrevistador: Você participou disto?
Schaumann: Eu tenho que responder a isso? Por favor, me poupe de responder isso.”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XII

PARTE 12

Klein Kindergarten Krieg. Prisioneiros e partisans.

Dezenas de milhares de prisioneiros soviéticos eram mostrados nos cinejornais para as platéias dos cinemas na Alemanha enquanto que os textos se regozijavam diante das vitórias. Mas de cada 100 prisioneiros mostrados, apenas 3 sobreviveriam.

O primeiro problema ao ser feito prisioneiro era, antes de tudo, sobreviver ao combate. A intensidade da luta por muitas vezes excluía esta possibilidade. Por exemplo: na maioria das vezes, as consequências do fracasso no enfrentamento entre infantaria e tanques eram fatais. Um sub-oficial alemão de uma força anti-tanques descreveu o que normalmente acontecia:

“Todos os membros da tripulação eram mortos assim que pulavam para fora (do tanque) e nenhum prisioneiro era feito. Isso era a guerra. Havia ocasiões quando tais coisas aconteciam. Se nós percebêssemos que não poderíamos recolher ou cuidar dos prisioneiros, eles eram mortos durante a ação. Mas eu não estou dizendo que eles eram mortos depois de serem feitos prisioneiros – isso nunca!”

Durante as primeiras semanas do avanço, as duas maiores batalhas envolvendo os cercos de Bialystok e Minsk envolveram a captura de 328.000 prisioneiros com mais 310.000 feitos em Smolensk. O General Von Waldau, chefe do Luftwaffen-Führungsstabes (Equipe de Operações da Luftwaffe) calculou que praticamente 800.000 prisioneiros foram feitos até o final de julho. Tal número iria chegar a 3,3 milhões em dezembro. As estimativas são de que 2 milhões de prisioneiros soviéticos pereceram apenas nos primeiros meses da campanha. O tenente da artilharia Siegfried Knappe ficou impressionado com o inacreditável número de rendições:

“Nós começamos a capturar prisioneiros desde o primeiro dia da invasão. A infantaria os trazia aos milhares, às dezenas de milhares e até às centenas de milhares.”.

CONTINUA

Traduzido Por A.Reguenet

Alemães: Aclamados como Libertadores, mas não por muito tempo…

Falando de uma questão controversa, que sempre levanta discussão quanto à veracidade do fato. É verdade que os alemães foram aclamados como libertadores em alguns países como União Soviética, Polônia, Tchecoslováquia e outros? E que, inicialmente, houve uma convivência pacífica entre dominantes e dominados?

A resposta é sim para quase todos esses países, mas principalmente da União Soviética, nas regiões que outrora fizeram parte da Prússia Oriental, de origens germânicas. Esses povos que estavam sob o julgo de Stálin, e não adianta dizer que não era julgo! Receberam as tropas alemãs com o entusiasmo e a alegria da liberdade. Esse fato se repetiu por várias cidades, principalmente aquelas mais castigadas pela repressão política do regime de Moscou.

Com relação a outros países, como os Países Baixos, a política que se introdução era de dar certa autonomia administrativa, mas sem perder o esforço econômico na guerra, ou seja, em outras palavras, envio de ativos e de bens e serviços em prol de Berlim, por isso, sempre houvera medidas impopulares que deixavam o clima tenso entre as forças de ocupação e os nativos.

Eis um dos erros apontados para a queda do Reich, sua política de ocupação. Em várias cidades onde o Exército Alemão foi recebido como libertadores, com o passar do tempo e a implementação de uma política tão repreensiva, excessivamente violenta e de exploração econômica, tornou possível a formação de cidadãos que viriam a lutar pela expulsão em definitivo dos alemães, conhecidos como partisans.

Não houve qualquer tipo de tentativa de aproximação ou de benevolência entre Berlim e os países ocupados, pelo contrário, demonstração de poder era comum entre os representantes de Hitler, suscitando ódio e medo. As tropas de ocupação eram autorizadas a confiscar, tributar, julgar e condenar da forma como bem entenderem para a manutenção do poder pela força, sendo esse cenário insustentável por um período muito longo.

Se o sistema de Hitler fosse voltado para conquistar um aliado e não mais um inimigo velado nos territórios já dominados pela força, talvez a história da guerra fosse outra.

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