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AO PRIMEIRO COMANDANTE! FELIZ DIA DO SOLDADO!

Lembrai-vos dos vossos Soldados!

Ser soldado para alguns desavisados e de conhecimento insípido, se reduz apenas a receber e executar ordens como se robozinhos fossem. Ser soldado para outros tantos é apenas um elemento acéfalo que mecanicamente responde a ordens de seus superiores. Ser soldado para aqueles que, ideologicamente sentem ódio pelo seu próprio Exército, são homens vis, que matam e torturam.

Mas será essa a verdade que representa ser um SOLDADO?

 Soldado, antes de tudo, tem na sua essência o antigo guerreiro, aquele que morre por sua terra para proteger sua família. O conceito de soldado vai muito além de ideias simplistas e equivocadas. Ser soldado é viver em função de sua pátria, por seu País. A vida de um soldado e sua alma repousam na farda que ele enverga. Essa segunda pele que representa tudo que ele acredita e por ela entrega a vida. Ser soldado é ter honra! Ser um disciplinado e privar-se para salvaguarda da coletividade. É ser vigilante enquanto outros dormem em berço esplêndido! Ser soldado é entregar tudo, sem nada esperar em troca! Enfim, ser soldado, é aceitar perder a vida nos campos de batalha, a viver uma existência na escuridão da covardia!

Neste Dia do Soldado, neste esquecido Dia do Soldado! Apresento-lhes um dos maiores soldados que esse País já teve. Um jovem Tenente Temporário que o Brasil e seu Exército insistem em não reconhecê-lo.

José Sabino Maciel Monteiro, natural de Porto Alegre, Rio Grande Sul, nascido em 20 de janeiro de 1917, cursou o primeiro ano do Curso de Cavalaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Paraná (CPOR/PR), onde foi matriculado em 20 de abril de 1934, cursando o segundo e o terceiro ano do Curso no CPOR/Rio de Janeiro, onde foi declarado Aspirante a Oficial em 1936. Em 1942, já como comandante de fração do 2º Regimento de Cavalaria, se destacou durante a realização de uma apresentação de Pista de Combate e o General de Divisão Mascarenhas de Morais, Comandante de Força Expedicionária Brasileira, convidou o jovem Tenente para servir na 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. A designação para a função foi publicado no Diário Oficial em 08 de maio de 1944. Participando do 3º Escalão da Força Expedicionária Brasileira.

Não demorou muito para que o Tenente Sabino tivesse seus méritos reconhecidos. Foi convidado a assumir o comando do Military Police Platoon, a primeira fração de Polícia do Exército do Brasil. O Tenente Sabino tinha a perfeita noção da responsabilidade, isso explica sua dedicação devocional no cumprimento as missões do Pelotão de Polícia. Tanto que foi promovido a Capitão nos campos de Batalha. A documentação que embasa esse espírito,  refletindo a quantidade de elogios que foram direcionados a este militar. Os elogios partiram de todos os escalões de comando, destacando-se a referências elogiosas do Chefe do Serviço de Polícia, órgão a qual o Pelotão/Companhia estava subordinado, junta-se os elogios do Comandante da Divisão, General Mascarenhas de Morais. Das referências elogiosas e citações, uma em especial chama a atenção, o elogio pessoal do Major General do Exército americano Willis D. Crittemberger, comandante do IV Corpo, sobre as ações ofensivas. Uma referência elogiosa pessoal para um Oficial comandante de uma Companhia não era comum no contexto das operações de um Corpo de Exército. Segue resumo das citações elogiosas:

“[…] Tenho a honra de louvar o Capitão José Sabino Maciel Monteiro, pelo muito que fez na esfera de suas atribuições, para que a Divisão alcançasse o alto conceito em que se firmou no Teatro de Operações da Itália[…]”  Continua “…Recebendo cada nova missão entusiasticamente e cumprindo-a com eficiência, é um resultado de que se podem justamente orgulhar os oficiais e praças da 1ª DIE”.- Elogio registrados nas alterações do Capitão Sabino em 16 de junho de 1945.

A referência cita ainda “a atuação da Divisão no Vale do Serchio, vencendo o antigo inimigo e tomando suas posições; a rocada para o Vale do Reno e a sua entrada em posição; a participação nas operações da Ofensiva da Primavera, com contínuos avanços sob intenso fogo de artilharia e morteiros inimigos, as constantes substituições sempre excelentemente executadas, a arrancada agressiva para noroeste contra forte resistência inimiga, conquistando Zocca, Collechio, Fornovo e obrigando a rendição da 148º Divisão Alemã e a da Divisão italiana; refletem a capacidade a eficiência e o espírito combativo de sua tropa”.

Durante o período de atuação na Itália, sete elogios forma realizados pelo General João Batista Mascarenhas de Morais, Coronel Armando de Morais Ancora e pelos diferentes Chefes de Polícia que se reversavam na atividade, todos identicamente ricos ao ressaltar as virtudes militares do Capitão Sabino.

Recebeu as seguintes condecorações: Cruz de Combate, Medalha de Campanha, Medalha Mascarenhas de Morais, Medalha do Mérito Militar, Bronze Star (EUA), Medalha Croce al Valor Militare (Itália). Dentre as várias condecorações de campanha, versa a Bronze Star, uma das mais altas honrarias americanas. Na citação que lhe concedeu a Medalha lê-se:

“[…]Como Oficial Comandante de Polícia do Exército,[…] demostrou grande habilidade como organizador[…], trefegando constantemente pelas rodovias sob bombardeio inimigos, checando a execução das missões e restaurando a ordem em lugares que foram destruídos pelo fogo inimigo[…]”

Ainda na citação se lê: “[…] conduziu com grande inteligência os Planos de Evacuação e Custódia dos prisioneiros alemães”. E que “sua conduta foi de acordo com as mais altas tradições das Forças Aliadas”.

De retorno ao Brasil, durante o período de desmobilização da FEB, o Capitão Sabino, permaneceu no Comando da 1ª Companhia de Polícia Militar por mais 116 dias, passando o comando em 15 de dezembro de 1945. Isto o tornou o primeiro Oficial de Polícia Militar do Exército Brasileiro. Ressaltando que a Companhia de Polícia Militar da 1ª DIE não foi desmobilizada e passou a ser 1ª Companhia de Polícia Militar da 1ª Região Militar e que, posteriormente, por força do Decreto nº 23.466, de 06 de Agosto de 1947, tem sua designação alterada para 1ª Companhia de Polícia do Exército. E, por último, é transformada, através da Portaria Reservada nº 121-99 de 24 de dezembro de 1951, no 1º Batalhão de Polícia do Exército.

Depois? Ah! Depois! Infelizmente ele morreu sem o devido reconhecimento de seu Exército. Morreu e sua primazia na criação da Polícia do Exército do Brasil passou para escuridão histórica!

Mas ele foi um grande Soldado! E isso ninguém pode mudar! Daqueles Oficiais R/2 que seus soldados o seguem instintivamente! Daqueles que os subordinados entram na linha de frente não por ser ordem de um superior, mas por ser ele! O Comandante! Que seus homens dariam a vida para protege-lo. Isso é ser soldado! Morrer por quem vale a pena! É um Oficial R/2 SIM! E um dos melhores que esse Exército de Caxias já produziu!

 

Muito Prazer em Conhecer Comandante!! Feliz Dia do Soldado!

 

 UMA VEZ PE, SEMPRE PE!




























O Último Policial do Exército Morto em Ação Depois da Segunda Guerra Mundial

 Sinto-me no dever de informar e tentar reparar mais uma das muitas injustiças desse país. Em 1997, em uma das mais sérias crises institucionais já vividas por esse país, quando Policiais Militares de vários Estados entraram em estado de greve e, mais uma vez, para defender o Brasil do colapso governamental que se instalava naquele cenário, o Exército Brasileiro foi chamado para cumprir seu dever, defender o seu povo!

  Nesse contexto o 4º Batalhão de Polícia do Exército enviou soldados para patrulhar o centro do Recife em julho 1997. Durante um assalto a Banco, um Policial do Exército, Walber Mendes de Andrade, morreu durante confronto com bandidos. Caia um jovem de 23 anos de idade, defendendo seu povo, sua gente; Caia um Soldado Brasileiro.

 No dia 28 de novembro de 2012, o senhor Coronel Ricardo Pereira de Araujo Bezerra, realizou uma homenagem ao PE Andrade. O Auditório do Batalhão é reinaugurado como Auditório Soldado Walber Mendes de Andrade.

 Como presidente da Associação SEMPRE Polícia do Exército, fico feliz de saber que pelo menos o seu sacrifício não foi esquecido, e mais orgulhoso ainda por ter tido a oportunidade de ter servido com o PE Andrade.

 Passados mais de quinze anos do ocorrido, ninguém fala nada sobre o sacrifício desse jovem soldado,

 Segue abaixo um Alusivo escrito para homenagear o PE Andrade:

 

UMA VEZ PE, SEMPRE PE!

UMA VEZ PE, SEMPRE PE!

UMA VEZ PE, SEMPRE PE!

A Festa Longe do Front! Era uma FESTA!

Uma coisa muito interessante na Segunda Guerra Mundial era o tratamento que era dispensado aos soldados que tiravam licenças para sair do front. Os Exércitos Aliados criaram uma doutrina até então completamente diferente de tudo que se poderia imagina. Com a ideia de que eram necessários pelo menos 20 anos para formar um bom soldado, os serviços de assistências se desdobravam para dispensar aos militares, toda a sorte de serviços para que o mesmo pudesse esquecer, pelo menos por algumas horas ou dias, os horrores dos combates. Para tanto ofereciam Bailes, Festas recheadas de bebidas e mulheres, estadias em hotéis e outros entretenimentos. Não por acaso, vários pracinhas da Força Expedicionária Brasileira relatam os dias felizes que tiveram em suas folgas pelas cidades da Itália. Evidentemente tudo controlado dentro dos padrões americanos de observância da lei e da ordem, mas que, depois de algumas garrafas de uma boa bebida, sempre havia confusão. Por isso a Miliry Police (MP) era uma figura sempre presente nos animados locais de diversão. Não por acaso, a MP brasileira também desempenhou a função da Itália. De tanto necessária, o general Zenóbio da Costa resolve implantar, em tempo de paz, uma tropa que se especializasse em trazer disciplina, onde os ânimos se exaltavam, era a Polícia do Exército dando seus primeiros passos no Rio de Janeiro no pós-guerra.

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Epa!!

Ferrou, tudo!

Olha a PE americana!

Fotos: David Scherman

PE – Polícia do Exército – Uma tropa de Elite da FEB!

Dedico este post à “Associação Uma Vez PE – Sempre PE”, e em especial ao grande amigo e mestre Chico Miranda, exemplo de dedicação em preservação da História.

            Antes do embarque para o Teatro de Operações da Itália, foi organizada uma tropa de elite, muito especializada, os “MP – Military Police”, e seus integrantes, como sabemos,  foram recrutados em grande parte na Polícia Militar de São Paulo, que por sua vez, a maioria eram oriundos do estado de Santa Catarina, descendentes de saxônicos, consequentemente foram apelidados de “catarinas”.

            Devido ao seu rigoroso treinamento especializado em policiamento, logo impuseram respeito à tropa apresentando um alto índice de eficiência, igualando-se às melhores polícias dos outros exércitos. Os comandados do 1º Ten R2 José Sabino Maciel Monteiro, estavam sempre impecavelmente fardados, mantendo uma postura em seus postos de serviços, que impunham respeito a qualquer pessoa, ou organizando o tráfego na famosa Rota 64, com inflexibilidade e intransigência, sem distinção de patente.

            Os integrantes desta tropa, como dissemos, eram em sua maioria descendentes de alemães e poloneses, de forma que eram louros e falavam com um forte sotaque, que muitas vezes se tornava impossível entender o que estavam dizendo, e para complicar eles usavam os mesmos “field-jackets” dos americanos e não raro eram confundidos com eles.

            Devemos explicar que os uniformes da Força Expedicionária não foram planejados para enfrentar o rigoroso inverno europeu, portanto era possível encontrar diversos tipos de uniforme em uma mesma tropa, levando aos nossos soldados  a recorrer aos uniformes americanos, para aguentar o frio e o vento daqueles dias de guerra, e o “field-jacket” ( uma jaqueta de cor bege, forrado de lã e com capuz, que se fechava inteiramente com um zíper. Nossos uniformes eram uma mistura de cores, com calças verde-oliva, “field-jacket” bege, gorro de lã verde petróleo, mas de toda forma serviu para aquecer a todos.

            O Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra cercou-se de uma grande comitiva quando a FEB começou a vencer suas batalhas, e foi visitar alguns setores onde nossos pracinhas participavam de ações contra o inimigo. Nesta comitiva estava o Cel Bina Machado, homem de cultura, e que viveu nos EUA por vários anos, por isso dominava perfeitamente o inglês.

            Ao chegar ao acampamento do 6º RI, passou a percorrê-lo, conversando animadamente com os soldados que ali estavam, em um acampamento próximo à cidade de Barga. Ao aproximar-se de um soldado alto, louro, tipo clássico de soldado americano, com aquela mistura uniformes, dirigiu-se educadamente ao mesmo, em um inglês refinado, fazendo-lhe diversas perguntas, enquanto o soldado permanecia imóvel, olhando-o fixamente sem nada responder. O Cel Bina Machado já estava ficando irritado com o silêncio do praça, inclusive se questionando se ele se achava tão superior que não se dignava a lhe dirigir a palavra, ou se o seu  inglês estava mal a ponto de não ser entendido.

            Ele chamou o comandante do Regimento e disse: Oh, Segadas, o que há com esta “besta”, que não se digna a me responder? Faz quase meia hora que faço perguntas e ele não dá uma palavra em resposta, e ainda fica me olhando com esta cara de bobo.

–        Não é possível Bina, este é um dos nossos soldados mais educados do nosso grupo, diga-me por favor, em que língua você está falando com ele?

–        Em inglês é claro! Ele não é americano?

            O Gen Segadas deu uma gostosa gargalhada e disse: É óbvio que ele não poderia lhe responder nada, caro amigo. Seu inglês continua impecável como sempre, acontece que este soldado é brasileiro e não entende nada de inglês.

–        Então, foi a vez do Cel Bina ficar surpreso. Este soldado não é americano? E esta farda que ele usa, não é toda americana?

–        Claro que é, mas quando percebemos que nosso material era inadequado, tivemos que recorrer aos americanos. Quanto a este rapaz, é o meu motorista, e tem este biotipo, pois é descendente de poloneses. É um dos nossos “catarinas”.

            O Cel Bina Machado ficou muito sem graça por ter perguntado por que o “besta” não respondia.

            Realmente os “MP”, quer brasileiros ou americanos, eram rigorosamente respeitados, e as infrações de trânsito na Rota “64” eram punidas rigorosamente.

Fonte: “E foi assim que a Cobra Fumou” – Elza Cansanção – 1987

            “ Brazilian Expedicionary Force in World War II” – C.C. Maximiano e R. Bonalume Neto

            Osprey Publishing – 2011

Nota: A Associação de Polícia do Exército é que agradece ao amigo Rigoberto Souza pela força e amizade a TODOS os PEs de ontem e de hoje!

O Irmão PE Bendl juntamente com o PE Cassal lá no Rio Grande do Sul - PE é PE em qualquer parte do Brasil

Tropa de Elite - Pernambuco

Operações em Salvador - 4º BPE

Sargento Paiva

A Polícia do Exército na FEB – Uma Tropa Preparada!

 Já publicamos artigos sobre a formação de uma Tropa de Elite para compor os quadros da FEB para ser utilizada com poder de polícia no front. A Polícia do Exército foi concebida a partir de uma das instituições mais respeita do Estado de São Paulo, a Guarda Civil do Estado, que no esforço de guerra, cedeu todo o efetivo para formação dessa tropa, sendo a única tropa que desembarcou na Itália já ciente e capacitada para a missão. A Guarda Civil paulista posteriormente deu origem a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.

 O Corenel Paulo Adriano L. L. Telhada escreveu uma das poucas obras sobre essa estreita ligação entre a Força Expedicionária Brasileira e a Polícia Militar do Estado de São Paulo, em sua obra A Polícia de São Paulo nos campos da Itália.

 As fotos aqui postadas foram do Grupo de Reencenação Histórica “Dogs of War”, que segue o link: Reencenação Histórica “Dogs of War”

Polícia do Exército – História de uma Tropa de Elite

Permita-me publicar algo em causa própria. O senhor Rigoberto Souza Júnior me presenteou com algumas revistas de valor e peso histórico da década de 40 até a década de 80 e, por isso, estou estudando de forma gradativa para extrair o máximo possível dessa maravilhosa fonte histórica. E de ante mão, agradeço a esse pesquisador pela cooperação, contribuição e amizade que, mesmo de pouco tempo, já tem produzido frutos na renovação do Espírito Febiano desse humilde blogueiro.

Em uma publicação há uma revista O Expedicionário (Número 141 setembro/outubro de 1987), tem uma matéria assinada pelo General de Divisão Domingos Ventura Pinto Júnior sobre a formação do 1º Batalhão de Polícia do Exército do Rio de Janeiro. Como a matéria é grande, coloquei alguns pontos abaixo que podem servir de inspiração e análise histórica para outros que, como eu um dia ostentaram o Braçal PE com orgulho e galhardia.

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O General Zenóbio da Costa depois da experiência com o Pelotão de Polícia da FEB tinha como objetivo ratificar a atuação de uma tropa de elite que pudesse ser exemplo de disciplina e respeito dentro do Exército Brasileiro.

Em fins de 1946, o General Zenóbio da Costa deu instruções pessoais ao Capitão Evandro Guimarães Ferreira, para providenciar, junto à 5ª Região Militar a seleção de 400 homens que iriam constituir, em 1947, a 1ª Companhia de Polícia do Exército, sob seu comando.

Entusiasmou-se o velho chefe com a primeira incorporação dos conscritos vindos do Paraná e Santa Catarina, tendo, ele próprio, ido esperar na estação Central do Brasil o primeiro contingente, que iria se transformar em homens de elite, de uma Unidade de Elite. Da Central do Brasil, o Marechal Zenóbio da Costa, dirigiu-se ao quartel da PE, onde aguardou a chegada do contigente, e, no pátio, fez uma saudação confortadora, ao mesmo tempo que  lhes disse que iriam servir Unidade Ex-Combatente, pois era originária do Pelotão e Companhia de Polícia Militar da Força Expedicionária Brasileira, e com o pensamento voltado a Pátria. Disse-lhe, também, que a Polícia do Exército é uma Unidade disciplinadora e que eles deveriam dar o exemplo, mostrando-se sempre austeros, bem uniformizados, cabeça levantada, disciplinados, e que cumpre-se à risca uma mística em que o CUMPRIMENTO DA MISSÃO é ponto de Honra. A DISCIPLINA tem que ser exemplar, pois o PE coíbe a indisciplina e para coibi-la, ele tem que ser disciplinado no mais alto grau; a POSTURA, a ATITUDE e o DECORO MILITAR, são virtudes que impossibilitam ao transgressor revidar a uma repreensão. É essa razão porque o soldado PE é DIFERENTE dos demais. Não é melhor nem pior; apenas diferente. Disse-lhes o General Zenóbio da Costa que eles teriam todo o conforto necessário e uma alimentação substancial e que em poucas semanas notariam sensível diferença física.

Em 1947, a 1ª Companhia de Polícia do Exército se consagra campeã das Olimpíadas Militares, competindo com Unidades mais antigas, entre elas os Regimentos de Infantaria, Artilharia, Cavalaria e Engenharia. O entusiasmo a que chegou o Marechal Zenóbio da Costa levou a determinar ao Capitão Evandro, comandante da Companhia, que tomasse providencias para que a PE fizesse demonstrações de ginástica, ordem unida e instruções especializadas, a fim de que ele pudesse convidar Generais e autoridades brasileiras e estrangeiras para mostrar a eficiência da nova Polícia do Exército. Determinou também que a guarda dos Palácios Presidenciais, do Ministério da Guerra, das residências dos Generais Ministro da Guerra e Comandante da Zona Militar Leste e 1ª Região Militar, fosse feita pela PE, e o seu objetivo era mostrar aos transeuntes a atitude militar do soldado da PE, bem como angariar a simpatia e o respeito das autoridades civis e militares que trafegassem pelos Palácios e residências oficiais.

Os transeuntes que passavam em frente a essas guardas da PE, se admiravam com a postura do PE, quando tentavam puxar assunto e não obtinham resposta. Diziam: “Esses PE, mais parecem estátua do que gente”

Em 1947 foi formada a primeira turma de Motociclistas Militares que iram operar 10 motos Harley Davidson, necessárias às escoltas das autoridades e dos embaixadores, além da escolta de unidade militares em cumprimento da missão.

Em 1948, precisamente no dia 16 de abril às 15 horas, os paióis de munição do Depósito Central de Material Bélico explodiram, levando a devastação e o pânico, às áreas de Deodoro, Vila Militar e adjacências, com dezenas de mortos e feridos e a fuga, em massa, de famílias dos militares que tinham naquelas localidades as suas residências e que deixaram ao abandono de suas casas. O Marechal Zenóbio, comandante da Zona Militar Leste e 1ª Região Militar tomou conhecimento da catástrofe e imediatamente, ele mesmo, telefonou ao Capitão Evandro, Comandante da Companhia, para que fosse pronto, para a Vila Militar e tomasse as providências compatíveis com a situação.

Era chega a hora da PE mostrar que não era apenas uma tropa de demonstrações e de se apresentar impecável nos logradouros ou em missão de guarda e patrulhamento; às 15 horas e 10 minutos o Capitão Evandro, com seus motociclistas à frente, com as sirenes abertas com cerca de 300 soldados, deslocou-se para a Vila Militar, onde chegou as 15h45m, a tempo de o Marechal Zenóbio da Costa, que também para lá se dirigiu, assistir o desembaraço do pessoal da PE, no transporte de feridos, vigilância nas áreas residenciais, balizamento com indicação dos hospitais e dos locais de reunião dos que perderam suas casas.

Em 15 de maio de 1948, a PE é visitada pelo Almirante Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, Brigadeiro e Generais sediados no Distrito Federal, e foi feita uma demonstração de Ginástica Calistênica, Controle de Distúrbio e Ordem Unida, além de uma disputa de Cabo de Guerra entre os soldados do Corpo de Fuzileiros e a PE, em que se sagrou vencedora a Polícia do Exército.

A tropa foi muito elogiada pelos presentes, e o Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais perguntou ao Marechal Zenóbio sobre a possibilidade de ser mandado um núcleo de Fuzileiros para estagiar na PE, com a finalidade de preparar a organização da futura Polícia da Marinha, ao que o Marechal respondeu ser uma honra para o Exército atender aquela solicitação.

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Segue abaixo as fotos do amigo Rafael que é membro do WebKits e que, getilmente, autorizou a publicação, aqui no BLOG, das fotos do acervo do seu pai que serviu no 2º BPE na década de 50 .

Aviso que as fotos são do acervo pessoal da família de Rafael e sua cópia só poderá ser realizada com a autorização do mesmo.

Uma dessas motos é esta aqui:

Foto - Felipe Fernandes - Reprodução com autorização

Foto Felipe Fernandes - Reprodução com autorização

Outras Fotos Históricas:

Frase de Impacto no Antigo Quartel da Polícia do Exército em Olinda

Brasão do 4º Batalhão de Polícia do Exército - Recife - Pernambuco

FEB – Origem da Polícia do Exército

A organização de uma unidade para atuar com função de polícia foi mais uma exigência ditadas pela necessidade de adaptar o Exército brasileiro à nova estrutura da segunda guerra mundial para operar em combate. Como se tratava se tropa especial, teve que ser criada: sua origem vem dos Decretos Reservados 6.069-A, , 6.071-A, 6.072-A, 6.073-A, todos de 06 de dezembro de 1943, que criou a Tropa Especial da 1ª Divisão e Infantaria Expedicionária. Em 05 de fevereiro de 1944, por boletim especial do Exército, o Pelotão de Polícia começou a ser organizado, inicialmente com elementos do 3º Regimento de Infantaria – sua estrutura organizacional seguia a linha do modelo americano Military Police Platoon. Algum tempo depois, o Diretor da Guarda Civil de São Paulo colocava à disposição da 1ª DIE todo seu pessoal para que dela saísse o contingente principal do Pelotão de Polícia. O oferecimento foi aceito. Tiveram desempenho importante nesse episódio o Major Luís Saldanha da Gama, recém-nomeado, Chefe do Serviço Especial da FEB , e Major Luís Gonzaga da Rocha, Chefe de Polícia. Esses dois chefes fizeram ver às autoridades militares responsáveis a enorme vantagem de aproveitamento dos homens da Guarda Civil de São Paulo. Além de ter o treinamento necessário para os serviços de polícia e de tráfego, essa tropa era composta de homens selecionados, com porte avantajado e marcial.

            O Pelotão de Polícia então foi organizado em sua maioria com elementos oriundos daquela conceituada corporação policial e desde o começo se destacou do resto da FEB: uniforme bem cortado, aparência marcial e um perfeito treino para o exercício da missão a que estava destinado. Foi sem dúvida a unidade de FEB que já embarcou do Brasil com treino especializado e em pouco tempo distingui-se da demais, sabendo adquirir a confiança dos chefes. Esse preparo foi muito importante para a FEB; o Pelotão de Polícia iria exercer tarefa vital, dirigir o fluxo de tráfego em zona de combate, quer dentro da neblina artificial que durante o dia mascarava o movimento da tropa, quer durante a noite, no mais rigoroso regime de blackout. Muitos problemas de interrupção de tráfego, muitos acidentes foram evitados, muitas vidas foram poupadas pelo eficiente comportamento desse Pelotão.

            Quem foi motorista na FEB não esquece a figura dos MP (Military Police, nome inicialmente dado ao Policial do Exército durante os combates na Itália) postados em uma encruzilhada ou na cabeceira de alguma ponte, dando as informações precisas, mandando aguardar ou avançar. Os membros do Pelotão frente de combate ou na retaguarda, com a missão de orientar o tráfego de veículos em comboios, carros de combate e deslocamento de tropas a pé. Essas missões obrigavam a permanecer em seus postos, e muitas vezes sob forte bombardeio inimigo. O Pelotão de Polícia teve algumas baixas, uma delas extremamente dolorosa: um soldado da MP, em serviço na Ponte Veturinna, no dia 10 de fevereiro de 1945, deu voz de prisão a um elemento da tropa aliada, em estado de embriaguez, que não queria obedecer sua instrução. Foi abatido a tiros por esse militar embriagado, que, preso logo em seguida, foi entregue à sua unidade de origem. Esse militar respondeu à Corte Marcial e foi fuzilado. O fato causou constrangimento , mas também surpresa, pela rapidez com que o comando aliado julgou e condenou o responsável à pena máxima, sem apelação ou qualquer mercê.

            Os membros do Pelotão tinham características que os distinguiam do resto da tropa da FEB. Na gola do uniforme, ostentavam um distintivo “duas garruchas cruzadas” em metal amarelo (até hoje é um dos símbolos da Polícia do Exército), uma braçadeira azul-marinho com as letras MP (Military Police), depois substituídas pelas inscrição PE (Polícia do Exército) se referindo ao Braçal PE. No capacete, havia uma bandeira brasileira no centro, tendo dos lados as letras M à direita e P à esquerda, envolvendo o capacete, duas faixas amarelas e atrás o distintivo do V Exército.

            O Pelotão, inicialmente comandado pelo 1º Tenente Walmir de Lima e Silva e posteriormente pelo 1º Tenente José Maciel Miler, embarcou em escalões. O primeiro acompanhou a tropa do 6º RI e integrou a Destacamento da FEB, ficando diretamente sob o comando do General Zenóbio da Costa que, a partir desse momento, passou a dar especial atenção a essa tropa, procurando aprimorar sua capacidade profissional e sua apresentação. Em março de 1945, por necessidade do serviço, o Pelotão foi transformado em Companhia de Polícia e nessa qualidade continuou a prestar seus estimáveis serviços à FEB, até o retorno, também feito em escalões. Os serviços, aliás, não cessaram com o fim das hostilidades; a Companhia continuou a operar como antes, responsável pelo tráfego, pelas atividades policiais propriamente ditas, guarda de prisioneiros e outras.

            Essa unidade não se dissolveu com a extinção da FEB. A guerra tinha mostrado que o Exército, mesmo em tempo de paz, necessitava de unidade especializada desse tipo. Em novembro de 1948 passou a ter autonomia administrativa e, posteriormente, constituiu-se em batalhão, mudando a designação para Polícia do Exército (P.E.), para não confundir com a Polícia Militar, dos Estados.

            Os serviços que prestavam expandiam-se, ampliando seu quadro para Batalhão de Polícia do Exército. Hoje já conta com vários Batalhões e o primeiro deles tomou o nome de Marechal Zenóbio da Costa, como homenagem a esse ilustre chefe militar que na guerra, percebendo a valiosa utilidade dessa unidade, tanto fez para melhorar e aumentar seus efetivos.

Origem: Joaquim Xavier da Silveira de título A FEB POR UM SOLDADO, Xavier serviu no 1º Regimento de Infantaria durante a campanha no front italiano.

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