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No Planalto Central Brasileiro a Estrela da Ordem Já Brilha! Parabéns BPEB!

                Formatura comemorativa aos 55 anos de uma das unidades militares mais prestigiadas da Força Terrestre. Batalhão de Polícia do Exército de Brasília – Batalhão Brasília.

                Unidade diferente. Os veteranos do BPEB afirmam categoricamente: “o BPEB é diferente!”, evidentemente qualquer um pode interpretar a afirmativa como bairrismo de catarina do BPEB. Quem serviu ao Exército, sempre tem essa premissa, todos irão dizer que sua “unidade é diferente”, é a melhor. Claro! Contudo, a afirmação, quando se trata do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, passa a ser indiscutivelmente uma verdade explícita e facilmente identificada para aqueles que passam um período nesta Unidade Militar, nem que seja algumas horas. Rapidamente se dá conta que há algo diferente na atmosfera do BPEB. Sentimos essa atmosfera! Presenciamos!

                O Batalhão acolheu algumas dezenas de “garotos” de meia-idade ou idade avançada do sul e sudeste que, tal como anos ou décadas atrás, se dirigiram ao Batalhão Brasília para prestarem seus serviços ao País. Esses senhores se alojaram no BPEB com o mesmo brilho no olhar, se enchiam de orgulho de estarem novamente em suas Companhias, realizando as refeições no Rancho e rememorando o terreno onde eles foram forjados para serem Policiais do Exército até os dias de hoje, perpetuando a frase: UMA VEZ PE, SEMPRE PE! Neste lugar cheio de história havia também alguns entusiasmados convidados veteranos do 4º BPE de Pernambuco.

             Logo na chegada uma coisa era perceptível: todos os integrantes do Batalhão, do soldado EV até o comandante, transpareciam o entendimento e a importância daqueles que serviram no BPEB, dos jovens catarinas, aqueles que deixavam suas famílias em seus estados de origem para se aquartelarem para o serviço militar.

                 Não raras às vezes, o veterano era recebido com uma continência dos soldados e graduados, não pelo fato de serem superiores hierárquicos, claro que não, mas pelo reconhecimento dos serviços prestados e dos sacrifícios individuais de várias gerações. Por diversas vezes, respondíamos a continência com o vibrante “Brasil!”, bem típico dos velhos tempos passados. Todos os militares do Batalhão, sempre se referiam sintomaticamente com frases de respeito e presteza: “sempre à disposição”, “qualquer coisa o senhor pode acionar”, “Precisa de mais alguma coisa?”, eram frases comumente usadas pelos atuais integrantes do BPEB aos velhos integrantes de outrora, um respeito de PE, por outro PE!  Cada dia que se passava, mais impressionado os convidados nordestinos ficavam.

             Os veteranos estavam envolvidos pela atmosfera que cercava os preparativos do aniversário da Unidade, muitos alojados e acomodados dias antes, puderam presenciar os exaustivos treinamentos da Pirâmide Humana do BPEB e a performance da “Mulher Maravilha”, do raiar do sol até o cair da noite. Um sincronismo perfeito entre os militares que tão bem estavam empregados na missão de continuar a dignificar a memória do Tenente R/2 Arantes, nos longínquos anos de 1960.

                A formatura inicia e o brilho nos olhos dos veteranos, convidados e amigos do Batalhão começa a transparecer. Tropa impecável adentra no Pátio Zenóbio  da Costa. Um efetivo considerável de tudo que uma Tropa de Polícia do Exército pode prover.

                   Inicia a Canção do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. Facilmente se identificam olhos mareados e até homens chorando, entoada com garbo por todos os presentes. O então 1º Tenente Uchôa caprichou e inovou, com uma estrofe da melodia sendo assobiado. Muita emoção! Mas a noite só tinha começado.

                  O Oficial Chefe de Operações anuncia no microfone que todos os veteranos estão convidados para compor o desfile. Uma pequena multidão se desloca para formar o dispositivo de veteranos. Não importa a idade ou a condição física, todos os Antigos Policiais do Exército querem compor a tropa. Os organizadores do dispositivo tem dificuldade para formar os veteranos, afinal, são muitos! Políticos, Oficiais Generais, Oficias, Sargentos, Cabos e Soldados, todos agora na mesma tropa, a de Veterano PE!

                 Todos prontos para o Desfile! Alguém grita: “Minha bandeira não é vermelha é amarela!”, não importa se foi um desabafo oportuno ou não. O veterano de Brasília tem crédito. Foi por nossa bandeira que muitos prestavam o serviço militar longe de casa e por isso, nada mais compreensível do que uma exaltação a ela, a nossa Pátria Mãe representada por nossa Bandeira! Brasil!

                 Segue o desfile! Gritos e aplausos são ouvidos na passagem da tropa de veteranos! Era o ápice de nossa estadia em Brasília! Retornamos para os nossos lugares com o coração feliz e com o sorriso no rosto.

              Depois do desfile dos veteranos seguiu o desfile da Tropa e a apresentação da Pirâmide Humana. Fim? Ninguém queria ir embora. Conversas, reencontros, choros, abraços, alegria, tudo isso acontecia simultaneamente em todos os recantos do Pátio do Batalhão Brasília. Em uma única noite, anos e anos foram relembrados e celebrados. Não foram apenas os 55 anos de existência, foram os 55 multiplicados por cada dia de experiência, amizade e reencontros que foram celebrados ali.

               Findo o evento, fizemos questão de procurar o Coronel Felipe e agradecer-lhe por posicionar o Batalhão Brasília exatamente no lugar que ele merece. Uma unidade de elite que sabe o valor daqueles que fizeram a História deste Batalhão; uma Unidade que é um baluarte da Polícia do Exército do Brasil. Uma reconhecimento justo a todos os integrantes do Batalhão.

           Novamente, depois de anos de Braçal, ainda é fácil perceber o quanto ser Policial do Exército faz a diferença na vida de tantos brasileiros, mesmo que geograficamente em regiões tão distantes e culturalmente diferentes, os valores são os mesmos, a dignidade é a mesma!  Isso é que define o brado: UMA VEZ PE, SEMPRE PE!

          Fique tranquila Brasília, pois NO PLANALTO CENTRAL BRASILEIRO, A ESTRELA DA ORDEM JÁ BRILHA, POIS SURGIU COM SEU PORTE ALTANEIRO O SOLDADO PE DO BRASÍLIA.

               Salve General Paulo Yog de Miranda Uchôa, sabia o que estava escrevendo.

Lançamento do Livro: Polícia do Exército: Sua História e Seus Valores

No último sábado (07/03) ocorreu o lançamento do livro Polícia do Exército: Sua História e Seus Valores. A Solenidade de Lançamento teve início com a formação da Mesa de Honra formada pelo Autor Francisco Miranda, presidente do Conselho Nacional dos Veteranos da Polícia do Exército (CONAVEPE), do excelentíssimo senhor General de Exército Pafiadache, Comandante Militar do Nordeste, excelentíssimo senhor General de Divisão Márcio, Comandante da 7ª Região Militar, senhor Tenente Coronel Jorge, comandante do 4ºBPE, Capitão Souza, veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB), representante da ANVFEB/PE, do senhor Moizes Oliveira, Vice-Presidente do CONAVEPE e Presidente do Grupo de Veteranos do BPEB no Paraná (GVBP) e do senhor Elivaldo Belarmino, integrante do CONAVEPE e Presidente da Associação SEMPRE PE, além de várias autoridades militares e civis que prestigiaram o livro.

Francisco Miranda realizou uma breve abordagem do livro, exaltando os valores da Polícia do Exército que são expressados no livro e que são tão caros a sociedade nos dias atuais. Citou proeminentes nomes que fizeram parte da História da PE, tais como o paulista Soldado Clóvis, morto por um soldado aliado nos campos de Batalha da Itália, o Capitão R/2 Sabino, primeiro Comandante de uma Companhia de Polícia do Exército do Brasil. Encerrou sua apresentação com uma das histórias narradas no livro pelos veteranos da Polícia do Exército, a do Soldado Jacaré, que tirou boas risadas dos participantes do evento.

Após a solenidade de abertura, teve início o receptivo com mesa de autografo do livro. Também houve exposição de material da utilizado para missões de Polícia do Exército, tudo isso tendo como cenário o Forte do Brum no Recife Antigo.

O livro está a venda pelo email: policiaexercitohistoria@gmail.com / francismiranda28@gmail.com

Valor: R$ 50,00

Envio: 12,50  para qualquer Estado do Brasil.

PRÓXIMO LANÇAMENTO 25 DE ABRIL – 8º EVEPE – BLUMENAU / SANTA CATARINA

 

AO PRIMEIRO COMANDANTE! FELIZ DIA DO SOLDADO!

Lembrai-vos dos vossos Soldados!

Ser soldado para alguns desavisados e de conhecimento insípido, se reduz apenas a receber e executar ordens como se robozinhos fossem. Ser soldado para outros tantos é apenas um elemento acéfalo que mecanicamente responde a ordens de seus superiores. Ser soldado para aqueles que, ideologicamente sentem ódio pelo seu próprio Exército, são homens vis, que matam e torturam.

Mas será essa a verdade que representa ser um SOLDADO?

 Soldado, antes de tudo, tem na sua essência o antigo guerreiro, aquele que morre por sua terra para proteger sua família. O conceito de soldado vai muito além de ideias simplistas e equivocadas. Ser soldado é viver em função de sua pátria, por seu País. A vida de um soldado e sua alma repousam na farda que ele enverga. Essa segunda pele que representa tudo que ele acredita e por ela entrega a vida. Ser soldado é ter honra! Ser um disciplinado e privar-se para salvaguarda da coletividade. É ser vigilante enquanto outros dormem em berço esplêndido! Ser soldado é entregar tudo, sem nada esperar em troca! Enfim, ser soldado, é aceitar perder a vida nos campos de batalha, a viver uma existência na escuridão da covardia!

Neste Dia do Soldado, neste esquecido Dia do Soldado! Apresento-lhes um dos maiores soldados que esse País já teve. Um jovem Tenente Temporário que o Brasil e seu Exército insistem em não reconhecê-lo.

José Sabino Maciel Monteiro, natural de Porto Alegre, Rio Grande Sul, nascido em 20 de janeiro de 1917, cursou o primeiro ano do Curso de Cavalaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Paraná (CPOR/PR), onde foi matriculado em 20 de abril de 1934, cursando o segundo e o terceiro ano do Curso no CPOR/Rio de Janeiro, onde foi declarado Aspirante a Oficial em 1936. Em 1942, já como comandante de fração do 2º Regimento de Cavalaria, se destacou durante a realização de uma apresentação de Pista de Combate e o General de Divisão Mascarenhas de Morais, Comandante de Força Expedicionária Brasileira, convidou o jovem Tenente para servir na 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. A designação para a função foi publicado no Diário Oficial em 08 de maio de 1944. Participando do 3º Escalão da Força Expedicionária Brasileira.

Não demorou muito para que o Tenente Sabino tivesse seus méritos reconhecidos. Foi convidado a assumir o comando do Military Police Platoon, a primeira fração de Polícia do Exército do Brasil. O Tenente Sabino tinha a perfeita noção da responsabilidade, isso explica sua dedicação devocional no cumprimento as missões do Pelotão de Polícia. Tanto que foi promovido a Capitão nos campos de Batalha. A documentação que embasa esse espírito,  refletindo a quantidade de elogios que foram direcionados a este militar. Os elogios partiram de todos os escalões de comando, destacando-se a referências elogiosas do Chefe do Serviço de Polícia, órgão a qual o Pelotão/Companhia estava subordinado, junta-se os elogios do Comandante da Divisão, General Mascarenhas de Morais. Das referências elogiosas e citações, uma em especial chama a atenção, o elogio pessoal do Major General do Exército americano Willis D. Crittemberger, comandante do IV Corpo, sobre as ações ofensivas. Uma referência elogiosa pessoal para um Oficial comandante de uma Companhia não era comum no contexto das operações de um Corpo de Exército. Segue resumo das citações elogiosas:

“[…] Tenho a honra de louvar o Capitão José Sabino Maciel Monteiro, pelo muito que fez na esfera de suas atribuições, para que a Divisão alcançasse o alto conceito em que se firmou no Teatro de Operações da Itália[…]”  Continua “…Recebendo cada nova missão entusiasticamente e cumprindo-a com eficiência, é um resultado de que se podem justamente orgulhar os oficiais e praças da 1ª DIE”.- Elogio registrados nas alterações do Capitão Sabino em 16 de junho de 1945.

A referência cita ainda “a atuação da Divisão no Vale do Serchio, vencendo o antigo inimigo e tomando suas posições; a rocada para o Vale do Reno e a sua entrada em posição; a participação nas operações da Ofensiva da Primavera, com contínuos avanços sob intenso fogo de artilharia e morteiros inimigos, as constantes substituições sempre excelentemente executadas, a arrancada agressiva para noroeste contra forte resistência inimiga, conquistando Zocca, Collechio, Fornovo e obrigando a rendição da 148º Divisão Alemã e a da Divisão italiana; refletem a capacidade a eficiência e o espírito combativo de sua tropa”.

Durante o período de atuação na Itália, sete elogios forma realizados pelo General João Batista Mascarenhas de Morais, Coronel Armando de Morais Ancora e pelos diferentes Chefes de Polícia que se reversavam na atividade, todos identicamente ricos ao ressaltar as virtudes militares do Capitão Sabino.

Recebeu as seguintes condecorações: Cruz de Combate, Medalha de Campanha, Medalha Mascarenhas de Morais, Medalha do Mérito Militar, Bronze Star (EUA), Medalha Croce al Valor Militare (Itália). Dentre as várias condecorações de campanha, versa a Bronze Star, uma das mais altas honrarias americanas. Na citação que lhe concedeu a Medalha lê-se:

“[…]Como Oficial Comandante de Polícia do Exército,[…] demostrou grande habilidade como organizador[…], trefegando constantemente pelas rodovias sob bombardeio inimigos, checando a execução das missões e restaurando a ordem em lugares que foram destruídos pelo fogo inimigo[…]”

Ainda na citação se lê: “[…] conduziu com grande inteligência os Planos de Evacuação e Custódia dos prisioneiros alemães”. E que “sua conduta foi de acordo com as mais altas tradições das Forças Aliadas”.

De retorno ao Brasil, durante o período de desmobilização da FEB, o Capitão Sabino, permaneceu no Comando da 1ª Companhia de Polícia Militar por mais 116 dias, passando o comando em 15 de dezembro de 1945. Isto o tornou o primeiro Oficial de Polícia Militar do Exército Brasileiro. Ressaltando que a Companhia de Polícia Militar da 1ª DIE não foi desmobilizada e passou a ser 1ª Companhia de Polícia Militar da 1ª Região Militar e que, posteriormente, por força do Decreto nº 23.466, de 06 de Agosto de 1947, tem sua designação alterada para 1ª Companhia de Polícia do Exército. E, por último, é transformada, através da Portaria Reservada nº 121-99 de 24 de dezembro de 1951, no 1º Batalhão de Polícia do Exército.

Depois? Ah! Depois! Infelizmente ele morreu sem o devido reconhecimento de seu Exército. Morreu e sua primazia na criação da Polícia do Exército do Brasil passou para escuridão histórica!

Mas ele foi um grande Soldado! E isso ninguém pode mudar! Daqueles Oficiais R/2 que seus soldados o seguem instintivamente! Daqueles que os subordinados entram na linha de frente não por ser ordem de um superior, mas por ser ele! O Comandante! Que seus homens dariam a vida para protege-lo. Isso é ser soldado! Morrer por quem vale a pena! É um Oficial R/2 SIM! E um dos melhores que esse Exército de Caxias já produziu!

 

Muito Prazer em Conhecer Comandante!! Feliz Dia do Soldado!

 

 UMA VEZ PE, SEMPRE PE!




























Respondendo Sobre Monte Castelo!

Maurício Sievers, Veterano do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília e membro do Conselho Nacional dos Veteranos da Polícia do Exército do Brasil (CONAVEPE), enviou-nos questionamentos sobre a atuação da Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE), durante os fracassados ataques contra Monte Castelo em novembro e dezembro de 1944, que deixou uma centenas brasileiros mortos e feridos e estacionou o avanço Aliado na conquista do Vale do Pó.  Eis os questionamentos:

“[…]Gostaria de saber do nobre amigo, […] em especial sobre as várias tentativas fracassadas da TOMADA DE MONTE CASTELO, que além do Terreno íngreme, Tiros, Lama, Frio, Bombardeios, o Medo corroendo o estômago e a presença constante da morte, foram alguns dos detalhes que rondaram as mentes e corpos dos bravos heróis, também podemos dizer que as FALHAS ESTRATÉGICAS devem-se a INEXPERIÊNCIA e a falta de HABILIDADE do General Zenóbio da Costa e de todos os seus comandados, foram responsáveis pelo tombamento de tantos homens naquela missão? É mito ou verdade que os Americanos responsabilizaram unicamente o General Zenóbio pelas incursões fracassadas a Tomada de Monte Castelo?” –

Primeiramente, para efeito de conhecimento, o Marechal Zenóbio da Costa é o idealizador da Polícia do Exército no pós-guerra no Brasil, portanto mais do que justo discorrer sobre a pessoa do Zenóbio da Costa no ápice de sua carreira militar, que é sua atuação como Comandante da Infantaria Divisionária brasileira no Teatro de Operações do Mediterrâneo.

Tomando como base os questionamentos, evidenciamos duas linhas de argumentação. A primeira é o fato de haver FALHAS ESTRATÉGIAS e que, estas falhas, recaem pela falta de experiência do comandante da Infantaria Divisionária e seus soldados. E o segundo, é que os americanos imputaram a culpa no próprio Zenóbio da Costa.

Na abordagem da primeira visão, tomaremos o conhecimento sobre a hierarquia que acompanhava a Força Expedicionária Brasileira na Itália. Segundo o Marechal Lima Brayner, então Chefe do Estado Maior da Divisão Brasileira, em 01 de agosto de 1944, “A 1ª Divisão Brasileira foi realmente incorporado ao 5º Exército do IV Corpo de Exército Americano”.

A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, comandado pelo General de Divisão Mascarenhas de Morais, era formada pelo QG da 1ª DIE, Estado Maior Divisionário (1ª, 2ª, 3ª, 4ª Seção e, claro Chefia), Estado Maior Especial, Tropa Especial (onde está incorporada o Pelotão de Polícia, comandada pelo 1º Tenente R/2 José Sabino Monteiro), e o Depósito Divisionário.

A Infantaria Divisionária (Não confundir a 1ª DIE) comandada pelo General de Brigada Zenóbio da Costa, tinha sob seu comando o 1º, 6º e 11º Regimento da Infantaria.

As operações ofensivas eram determinadas pelo comando do V Exército e o Estado-Maior da Divisão realiza o planejamento da operação, cabendo ao comandante da Infantaria Divisionária dispor suas tropas, segundo as determinações para execução das operações da 3ª Seção do Estado Maior da Divisão, este chefiado pelo Coronel Castelo Branco (futuro Presidente do Brasil).

Lembremos que o houve quatro ataques a Monte Castelo. Dias 23 e 24 de novembro, ataques coordenados pela Task Force 45 americana, envolvendo apenas o III Batalhão do 6º RI; dias 29 de novembro e 12 de dezembro, envolvendo toda a Divisão Brasileira e coordenada pelo próprio Mascarenhas de Morais. As análises do desempenho das tropas brasileiras estão fixadas apenas nas últimas duas operações.

Podemos elencar vários motivos que levaram o fracasso e consequente perda de vidas brasileiras, mas nada relacionado à atuação do General Zenóbio da Costa.  Podemos afirmar, com base nos registros das operações fornecidas pelo próprio Chefe do Estado Maior da Divisão, Coronel Lima Brayner e a análise da obra “A FEB por um Soldado”, de Joaquim Xavier Silveira, que a 3º Seção Divisionária expediu ordens diretas de colocar tropas em linha recém-chegadas, como é o caso 11º RI, além de operações sucessivas utilizando a mesma estratégia e com tropas cansadas como erros estratégicos para o fracasso desses ataques. Outro ponto foi à falta de coordenação em todos os ataques. A Hora H, que deveria iniciar o ataque, não foi obedecida pelos elementos envolvidos, acabando por alertar o inimigo em diversos setores. O General Zenóbio tentou executar ordens expedidas diretamente oriundas do Comando da Divisão, não por sua estratégia. A questão da culpabilidade do General Zenóbio é irreal.

Com relação à falta de experiência e habilidade do General Zenóbio, é impensado que a Destacamento da FEB, formado em setembro de 1944 havia conseguindo várias vitórias tendo como comandante o Zenóbio da Costa, portanto qual o motivo de expor sua falta de experiência? A campanha do Destacamento da FEB entre setembro a dezembro daquele ano prova que o Comandante da Infantaria já tinha provado seu valor na campanha, e se ainda assim, havia falta de experiência, esta não concorreu para o resultado final da Batalha. O dispositivo para os ataques foram dispostos no terreno depois de um exaustivo deslocamento, adiciona-se a isso, vários outros fatores, fora do controle do comandante da infantaria, incluindo as bem fortificadas posições do inimigo.

Não há, pelo menos da historiografia atual, qualquer indicação de que os americanos colocaram a culpa no fracasso no próprio General Zenóbio da Costa, pois seria ilógica essa acusação. O Oficial de Ligação do Comando do Estado Maior do V Exército dentro da própria Divisão Brasileira era o Coronel Stevenson G. Carrel, que tinha por missão repassar todas as informações ao General Clinttemberg, comandante do V Exército. Portanto, o comando americano sabia que as estratégias escolhidas para os ataques partiram do Estado Maior da Divisão, diga-se de passagem, com animosidades entre o Coronel Kruel (Chefe da 2ª Seção) e do Coronel Castelo Branco (Chefe da 3ª Seção).

Então, temos o último questionamento, os fracassos de Monte Castelo foram provocados, principalmente, pela falta de experiência do próprio soldado brasileiro? A resposta pessoal para essa afirmação é não! Não foi o principal elemento do resultado da Batalha. Pois, nos ataques anteriores, desferidos por experientes tropas americanos não tiveram êxito. Mas é evidente que houveram sérios problemas de conduta de campanha da nossa tropa. Principalmente se levarmos em consideração que a Divisão utilizou tropas ainda no período de adaptação ao Teatro de Operações. Cito aqui um evento ocorrido por ocasião da substituição de tropas do 1º Regimento de Infantaria por elementos do III/Batalhão do 11º Regimento, que chegaram rapidamente já tendo que defender uma linha nas proximidades de Guanela, no dia 01 de dezembro de 1944. Posição conquistada duramente dois dias antes. Um determinado comandante de Companhia, ligou para o Comando do Batalhão informando que a posição da Companhia estava sendo atacada e que ele iria abandonar a linha. De imediato foi enviado reforços para a Companhia. Uma granada de artilharia atinge a retaguarda do PC da Companhia e o Capitão abandona seu posto e seus soldados o seguem. Esse capitão é substituído e retorna para casa. É importante dizer que isso é comum em qualquer Exército. Mas a falta de experiência em combate era notável entre as nossas tropas, nas não foi determinante para o resultado em Monte Castelo.

Lembro que o soldado brasileiro fez sua fama exatamente depois dos malogrados ataques em dezembro de 1944, a partir dai, passamos a realizar patrulha e defender uma Linha de dezenas de quilômetros, durante todo um rigoroso frio e tenebroso inverno. Até que em fevereiro de 1945, tomamos em definitivo este que é para Força Expedicionária Brasileira símbolo do sangue derramado de nossos soldados e orgulho de nossa vitória.

07 de Setembro, o Que Representa?

Uma criança aparentando cerca de 4 anos olha para um soldado. Fica quase estático a sua frente…Quase como um soldado profissional levanta a mão direita e lhe presta continência! Será um filho de um militar? O garoto se volta para a mãe. Fala-lhe algo. A mãe volta quase com os olhos cheio de lágrimas e conversa com o soldado. É perceptível a emoção da mãe. A medida que a mãe fala, o soldado vai mudando de aparência…Antes sorridente, agora com uma triste aparência, quase com os olhos lacrimejados…A mãe chama novamente o filho. O garotinho se posiciona ao lado do soldado, este tira o capacete e coloca no garoto. Numa posição quase marcial ele pede para a mãe tirar-lhe uma foto! Quando acaba o soldado abraça o garoto e se controla para não chorar. O garoto abraça-o como se abraça um pai…Um herói…E naquele segundo o soldado era tudo isso. Eles se despendem…pega na mão da mãe e vão embora. Ela agradece acenando com a cabeça e desaparecem na multidão do 07 de setembro. O soldado não suporta e se afasta chorando! Esse soldado não era um soldado da ativa! Era um VETERANO DA POLÍCIA DO EXÉRCITO, do 4º Batalhão de Polícia do Exército, do Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega e estava aguardando para desfilar depois de mais de 20 anos. E passou no palanque RACHANDO O ASFALTO AO MEIO, cravando seu coturno e lembrando o porquê dele está ali! O garoto? Um filho de um Policial Militar morto em ação!

Só isso, valeu a pena todo o esforço para o nosso desfile do Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega! Só isso, nos renova e nos fortalece para continuar uma missão que muitos podem achar sem sentido, mas que para aqueles que vivenciam são inesquecíveis e incompensável.

 A TODOS ENVOLVIDOS DIRETA OU INDIRETAMENTE NESTE PROJETO, NOSSO MUITO OBRIGADO!!

Fotografias da Polícia do Exército na FEB

Mais uma contribuição enviada pelo pesquisador Rigoberto Souza para o BLOG. As fotografias da MP brasileira em ação na Força Expedicionária Brasileira.

A fonte é do livro do amigo Giovanni Sulla “Gli eroi venuti dal Brasile”.

 

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As Baixas da Polícia do Exército na FEB

 Bem, não é de hoje que buscamos pesquisar sobre a origem da Polícia do Exército e sua formação no Brasil. O pesquisador Rigoberto Souza enviou informações importantes que nos levam mais uma vez a refletir sobre o importante papel da MP (Miltary Police) brasileira, futura Polícia do Exército, no Teatro de Operações da Itália. Não por acaso, a postura e a coragem desses soldados iniciaram a tradição que perpetuou a estigma máxima do soldado da Polícia do Exército ser um militar diferenciado. Já na sua estruturação encontramos um militar preparado para desempenhar suas inúmeras funções. Segue abaixo descrição do soldado PE realizada no livro A FEB por um Soldado de Joaquim Xavier. A narrativa expõe a morte de um soldado MP abatido por soldado americano embriagado.

 “Quem foi motorista na FEB não esquece a figura dos MP (Military Police, nome inicialmente dado ao Policial do Exército durante os combates na Itália) postados em uma encruzilhada ou na cabeceira de alguma ponte, dando as informações precisas, mandando aguardar ou avançar. Os membros do Pelotão frente de combate ou na retaguarda, com a missão de orientar o tráfego de veículos em comboios, carros de combate e deslocamento de tropas a pé. Essas missões obrigavam a permanecer em seus postos, e muitas vezes sob forte bombardeio inimigo. O Pelotão de Polícia teve algumas baixas, uma delas extremamente dolorosa: um soldado da MP, em serviço na Ponte Veturinna, no dia 10 de fevereiro de 1945, deu voz de prisão a um elemento da tropa aliada, em estado de embriaguez, que não queria obedecer sua instrução. Foi abatido a tiros por esse militar embriagado, que, preso logo em seguida, foi entregue à sua unidade de origem. Esse militar respondeu à Corte Marcial e foi fuzilado. O fato causou constrangimento , mas também surpresa, pela rapidez com que o comando aliado julgou e condenou o responsável à pena máxima, sem apelação ou qualquer mercê.”

  Abaixo vamos encontrar a fotografia e as informações sobre o Soldado CLOVIS ROSA DA SILVA, Natural do Estado de São Paulo, Morto quando fazia o Policiamento na Ponte Veturinna na Itália . Também encontramos informações sobre uma segunda baixa, esta em uma acidente de veículo que vitimou outro soldado PE.

 Essas informações são extremamente importantes para que possamos trazer à luz a memória daqueles que se sacrificaram no cumprimento do dever.

Fontes:
Expedicionários Sacrificados na Itália – Dr. Aluízio de Barros – 1957
Os mortos da FEB – Boletim Especial do Exército – 1946
Uma saudade – João dos Santos Vaz – 1973
 Mais sobre a História da Polícia do Exército:  Origem e Histórias da Polícia do Exército
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