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Tomanda de Monte Castelo – Uma Pequena Reflexão

A Ideologia política, partidária, filosófica ou qualquer outra é como bebida alcoólica, tem que ser usada com moderação. Os extremismos ideológicos talvez sejam os agentes que impulsionaram o mundo para o caos desde os tempos imemoráveis. Infelizmente, de um modo geral, a humanidade ainda busca esse equilíbrio para aplicar determinadas ideologias sem sufocar outras. Alguns povos, partidos políticos e pessoas, ainda tem dificuldade para aceitar a coexistência ideológica. Podemos citar o Bolchevismo da Revolução Russa de 1917 e sua aplicação prática, principalmente através do ditador Stálin, que implementou uma dura política de destruição completa de outras ideologias consideradas incompatíveis com a do Estado. Hitler, obviamente, seria outro exemplo do extremismo ideológico. Em seu discurso durante a campanha presidencial de 1932, declara que não tem pretensão de adotar o multipartidarismo ou outra ideologia diferente do nacional-socialismo, pois seu objetivo era acabar com todas as ideologias partidárias existentes.

Esta exposição, guardada as devidas proporções, nos leva a uma reflexão sobre nosso cenário político. É evidente o esforço dos vários setores do governo para enfraquecer ou dizimar qualquer tipo de visão ideológica que se diferencie da percepção petista de mundo. Especificamente sobre a percepção da Presidente Dilma, ela já deu várias demonstrações que não consegue dialogar de forma ponderada com outros segmentos opositores, e que ainda guarda, de forma travestida, os mesmos pensamentos pseudo-revolucionários dos movimentos estudantes que tentaram instalar um regime de exceção no país.

E o que isso tem haver com a Tomada de Monte Castelo? A conquista militar que completa 69 anos é um, em vários outros eventos, que o Governo atual esmera esforços para que o povo brasileiro não tome conhecimento. Basta lembrar a proibição explícita do governo para não haver referência nos aquartelamentos aos eventos ocorridos em 31 de março 1964. A Tomada de Monte Castelo é um feito do Exército Brasileiro e do Povo Brasileiro. Muito sangue nacional foi derramado para que este Monte figurasse como uma conquista brasileira. É importante que se faça referência aos mortos em Monte Castelo, pois a bravura do soldado brasileiro esteve acima de qualquer erro de comando ou importância estratégica dos Aliados para aquele Teatro de Operações e é inquestionável. Monte Castelo, por maior ou menor importância que se possa dar, tem em cada centímetro de terreno conquistado a marca da bravura da mistura das raças que se fizeram presente neste feito militar, tanto quanto nas Batalhas dos Guararapes, marca de formação do senso de nação. Por isso, é importante que os jovens desta geração possam ter conhecimento do sacrifício de vidas brasileiras na Itália. E que nenhum governo transitório pode renegar as raízes de honra e entrega sacrificial que nossos soldados deram para elevar a Bandeira do Brasil, que é infinitamente mais altiva do que qualquer bandeira de partido político ou ideologia.

Conclamamos todos que são conhecedores dos feitos dos brasileiros no Teatro de Operações da Itália – refiro-me ao sacrifício daqueles que lutaram na Itália, não apenas os mortos, mas também aqueles que deixaram parte de sua juventude nesta campanha – que possam sempre que possível fazer referência à participação brasileira na Segunda Guerra Mundial e não deixar que a ideologia de um governo transitório ignore a história do nosso Exército, pois a História do nosso Exército é a História do nosso próprio povo, com todas as suas perfeições e imperfeições. E que os 69 anos da Tomada de Monte Castelo possa residir de forma permanente na memória do nosso povo.

Reconhecimento Justo, Para Um Homem Justo! Rigoberto Souza

Qual a expectativa de um jovem nascido no interior da Paraíba em 1922, sendo o filho mais velho de uma família de 09 irmãos? Qual a expectativa de um jovem nordestino, com poucas oportunidades, em um período em que o índice de analfabetismo da população brasileira era de 90%? Você sabe o que é ser Brasileiro? Vamos a um exemplo de brasileiro na mais digna concepção do adjetivo pátrio.

Vamos falar de um homem que expressa à eternizada máxima de Euclides da Cunha: “O nordestino é antes de tudo, um forte!”; vamos falar de um homem que deixou à sua terra natal e foi se apresentar ao Exército, no tempo em que o Exército convocava jovens! Vamos falar de um cidadão que foi voluntário para guerra, para a Segunda Guerra Mundial, no tempo em que muitos buscavam a dispensa do serviço militar! Vamos falar de um Sargento do Exército Brasileiro que participou das principais Batalhas da Força Expedicionária Brasileira, e que combateu como a valentia do nordestino que defendeu Monte Santo na Guerra Canudos, mas envergando a farda do Exército de Caxias, empunhando o fuzil das nações livres para libertar a Itália do julgo alemão.

Esse mesmo homem voltou para sua terra, para sua gente! E como um bom brasileiro, casou, constituiu família e procurou viver uma vida digna, procurou viver a liberdade que ele ajudou a consolidar no mundo. Esse cidadão brasileiro, apesar das poucas oportunidades, lutou pela sobrevivência de sua família, se formou em odontologia, se tornou dentista, também Auditor…Eita cabra macho arretado! Esse brasileiro se chama RIGOBERTO SOUZA, e hoje completa 90 anos de idade; 90 anos com a lucidez de 25 e a história de uma nação sobre seus ombros.

Ao senhor Veterano, Doutor, Mestre e Brasileiro minha continência pelo que o senhor fez por esse país! E um forte abraço pela oportunidade de lhe conhecer e conversar ouvir histórias e a emoção que jamais poderemos encontrar em livros, por melhores que eles sejam.

Sua Pátria lhe agradece!

aniversário Rigoberto

Sargento Rigoberto Souza

Sargento Rigoberto Souza

O que o Futebol da Paraíba tem haver com a Segunda Guerra?

 Uma Crônica muito bem elaborada pelo Mestre Roberto Vieira, um dos maiores talentos literários do Estado de Pernambuco, em homenagem a data natalícia de Rigoberto Souza. Esse senhor que o Estado de Pernambuco se orgulha em abrigar; Médico Dentista, Auditor e principalmente Sargento do Exército Brasileiro do 11º Regimento de Infantaria. Serviu nas principais campanhas brasileiras como Monte Castelo, Montese e Fornovo, regressando a Paraíba e, posteriormente, constituindo família em Pernambuco, onde hoje completa seus 89 anos de vida com saúde e vigor.

 O Craque de Pombal – Por Roberto Vieira

Rigoberto Souza - O nosso Parabéns

O Primeiro Dia – Relato de Joel Silveira – Correspondente de Guerra

Escrevo esta minha primeira reportagem após 22 horas a bordo do transporte que nos desembarcará dentro de 16 dias em Nápoles. A mim e a cerca de seis mil soldados brasileiros que comigo seguem para a guerra. É um mundo estranho e misterioso que possivelmente  levará muito tempo para ser revelado. Ando pelos porões do imenso navio, perco-me em seus corredores que parecem não ter fim, e cada porta de ferro se abre para uma nova surpresa. Os navios e os alto-falantes que se multiplicam por todos os compartimentos são guias orais e explícitos do que se deve e não se deve fazer. Estamos em guerra, somos uma multidão que segue para a guerra, e muita coisa não se deve fazer: não se deve, por exemplo, atirar qualquer coisa ao mar. Sou apenas um recruta, bisonho e desprevenido como todo recruta, um pobre e indefeso civil em poucas semanas transformado num soldado da ativa, e me emaranho e me confundo num mundo que nunca foi meu. Os pracinhas, no convés nu ou nos corredores lá embaixo, olham sem compreender para o meu distintivo (um C graúdo pregado na farda de oficial), não sabem se devem ou não me prestar continência. Respondo, encabulado, à saudação de alguns poucos, mas o Tenente Justino Vieira, companheiro de camarote (durmo no beliche de cima, ele no do meio e no de baixo o Tenente Plínio Pitaluga), já me garantiram que tenho credenciais de oficial. Sou agora um “capitão”; dentro de mais duas semanas serei “capitano”. A verdade, porém, é que cometo gafes que matariam de vergonha qualquer oficial de verdade. Já falei com um “major” que era Coronel e ontem misturei a calça de um uniforme com a túnica de outro. Mas esta gente que viaja comigo simpática e compreensiva, e só posso ficar comovido com  a maneira gentil, quase paternal, às vezes divertida, com que soldados veteranos e oficiais tratam esse recruta que uma remota “linha de tiro” não consegue militarizar.

O Tenente Antônio Caldeira Vitral, oficial de ligação, me leva até o gabinete de comando, num dos compartimentos superiores, e me enche de dados sobre o que sou agora. Vejo-me de repente transformado num série de números. Sou agora o CG (a partir de Roma, esse CG – Correspondente de Guerra – se transformará em “War Correspondent”), instalado no camarote coletivo número 107, beliche 146. Em caso de perigo já sei o que tenho que fazer: não perder a calma, ajeitar o salva-vidas e, se houver tempo, corre para o lifeboat 9, a bombordo. Seriam meus companheiros no barco salva-vidas o Capitão Ítalo, Capitão Mário, o Capitão Darcy, o Tenente Justino, o Tenente Puenta, o Tenente Waldy e os funcionários do Banco do Brasil Berenguer e Messeder, todos companheiros deste apinhado 107, onde bato estas linhas estirado no colchão duro, a máquina portátil equilibrada de qualquer maneira nas coxas. Também não devo esquecer, todas as sete da manhã, de aproveitar ao máximo possível os variados pratos da primeira refeição do dia, já que a próxima, para o grupo de oficiais da primeira mesa (entre os quais estou incluído), acontecerá somente às cinco da tarde, apenas com variadas de chocolate e caramelo comprados por preço de banana nas cantinas de bordo. Manhã cedo, portanto, mergulhei decidido no que me ofereceram: ovos, bacon, grossas fatias de presunto e queijo, muito pão, laranja, café e creme de leite, manteiga farta que contentaria perfeitamente, durante uma semana, qualquer dona-de-casa. Tudo de esplêndida qualidade – tudo americano.

Há quase dois dias que estou a bordo, mas a verdade é que continuamos atracados, e o Rio, com suas luzes brilhantes perto, o Cristo iluminado e as ilhas da Baía, continua muito vivo dentro de todos nós. Num canto do salão dos oficiais, um capitão me confessou que seria melhor o General Meigs fosse embora logo: “enquanto a gente tem a certeza de estar perto de casa, e sem poder ver ou falar com os nosso, fica sempre com vontade de telefonar.”

Saber a hora e o dia em que o transporte deve se desgrudar do armazém isolado do resto do cais por uma reforçada guarda militar, e ganhar o mar alto, é problema crucial. Um marinheiro americano me garantiu num inglês quase mímico que seria ontem de madrugada, e hoje, logo cedo, um dos garçons me segredou na cozinha que “a coisa não passa do meio-dia”. O Presidente Getúlio já nos visitou, na véspera , e num pequeno discurso deixou suas despedidas. Por coincidência eu estava no meu camarote, tentando transporta a confusa bagagem de campanha (mais de 50 quilos, divididos em dois sacos, A e o B) do passadiço do navio para o 107, correndo com um maluco navio a dentro, subindo e descendo escadas, me perdendo aqui e ali, até chegar ao meu destino – pode coincidência, dizia, acabava de chega a meu camarote quando ele, Getúlio, entrou ali com sua comitiva. Sorriu para todos, mais ou menos perfilados, disse qualquer coisa a um major, despediu-se com um aceno.

Lembro-me de que a primeira camaradagem que fiz a bordo foi com um Tenente vindo da Bahia e que, mal o Presidente deixou o camarote, me apresentou um apressado croqui que fez dele, Getúlio. Perguntou se devia ou não mostrar o desenho ao desenhado. Sugiro que fala a pergunta a um oficial mais graduado – a um oficial de verdade, e ele corre pelo corredor, um tanto aflito. Não quer perder o homem.

As horas vão passando – melhor, correndo – e já agora posso fazer a lista de amigos novos: o Tenente Nestor Lício é um deles, oficial-dentista e que também, diz, já trabalhou em jornal. Falamos de A Manhã, de Mario Rodrigues, de A Pátria, jornais onde ele trabalhou, e ele me pede que na minha primeira correspondência para os Diários Associados mande abraços para Ósorio Borba e Bezerra de Freitas, seus amigos. Estão mandados. Outro bom companheiro, além do Tenente Plínio Pitaluga, que já conhecia antes de virar “soldado”, é o Tenente Milton Rocha Alencar, a quem conto, em primeira mão, uma complicada história de troca de bagagem. Acontece que recebi da Intendência do Exército, como todo oficiais expedicionário, um saco A, um saco B e – ia esquecendo deste, o mais pesado de todos – um saco C. Mas não recebi conjuntamente uma espécie rol que acompanha a entrega da bagagem e no qual vem muito bem explicado o que deve ser arrumado nos três sacos. O resultado é que guardei cuidadosamente nos sacos B e C, que vão para o porão e que só me serão devolvidos na Itália, tudo de que necessita uma criatura normal, mesmo um recruta, para suas precisões diárias: aparelho de barbear, sabão, toalha, pasta para dentes e respectivamente escova, coisas assim. O Tenente Milton ouve atentamente a minha história, narrada num tom profundamente melancólico, e solta uma gargalhada –  que de repente a história já é conhecida de todos ali no camarote – o que não deixou de ser uma solução: requisito de alguns companheiros um pouco de tudo o que falta, o que me deixa tranquilo.

Hoje pela manhã me surgiu pela frente a primeira exigência militar. O Capitão Ítalo, comandante do compartimento, nos reuniu a todos e nos avisou que iria distribuir as tarefas referente à faxina. Isto significa que cada oficial do 107, inclusive o correspondente e os funcionários do Banco do Brasil, terá o seu dia de trabalho: varrer o camarote, limpar as pias, forrar as camas, arrumar as bagagens etc. A escalação é feita conforme a idade, cabendo os mais moços as tarefas do primeiro dia. Sou o terceiro da lista, o que significa dizer que amanhã vou ter um dia cheio. O Tenente Mendonça me felicita pela sorte, pois que, segundo ele, dentro de poucos dias, com o navio andando e a turma enjoada a coisa vai ser muito pior. Como somos em 18 no camarote, nutro sólidas esperanças de não repetir até a chegada a Nápoles, o castigo que me espera amanhã.

Bem, meu nome é Joel Silveira, jornalista de 26 anos, e estou indo para a guerra. Voltarei? Lembro-me das palavras de Assis Chateubriand, meu padrão, quando dele me fui despedir, já devidamente fardado: “Seu Silveira, me faça um favor de ordem pessoal. Vá para a guerra mas não morra. Repórter não é para morrer, é para mandar notícias.”. Prometi obedecer cegamente a suas ordens, e tenho de cumprir a promessa.

Fonte: Joel Silveira e Thassilo Mitke – A Luta dos Pracinhas – A FEB 50 anos depois – Uma Visão Crítica. Editora Record, 3ª Edição – 1983.

Série Heróis Brasileiros na FEB – Parte I

 Vamos a partir de hoje publicar uma série que possa exaltar nossos ex-combatentes que participaram da Força Expedicionária Brasileira. Caso você tenha material sobre qualquer participante da FEB teremos a maior prazer de publicar, é só enviar para blogchicomiranda@gmail.com. No caso de hoje vamos publicar as fotos e resumo Enock Pires de Araujo enviados por Evan Hudes seu genro.

Soldado da FEB lotado no 9o BEcom com o número 1239, IG-296311 embarcou para a Italia em 22/09/44 e retornou ao Brasil em 17/09/45.Ao falecer em 21/11/86   possuia a patente de 2o tenente.Essas fotos foram tiradas pelo q li no reverso das mesmas apesar de apagadas no final de 44 e inicio de 45 em Zocca e Gaggio-Montano.

 Capacete M1 completo c a insignia do 9o BE com assim como seus dog-tags e patches e de uma jaqueta do V exercito americano q ele conseguiu trazer de Napoles.
Enock Pires de Araujo,nascido em 26/07/1917,Alagoas,Maceio.

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