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Panzerabwehr – Arma Anti-Tanque, Simples e Eficiente.

Com o avanço dos Vermelhos sobre as tropas alemães e Wermarcht passou a adotar uma eficiente arma contra os terríveis blindados dos soviéticos. O Panzerabwehr, um tipo de bazuca alemã, passou a ser armamento obrigatório para sua infantaria e permaneceu assim até a queda final de Berlim em maio de 1945. Seu funcionamento ridiculamente simples permitia a utilização de qualquer um, inclusive sendo utilizado por crianças durante a Batalha pela capital alemã.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXIII

 É pessoal, chegamos ao fim desta série traduzida pelo linguista ARaquenet, publicado inicialmente na WebKits e gentilmente cedido para o BLOG Chico Miranda. Portanto apreciem a última publicação da fidelidade dos fatos no Front Russo.

Parte 23

Uma forte desintegração ética era o resultado das atrocidades as quais causavam um impacto negativo sobre o componente moral do poder de luta no front leste. Ideais, mesmo aqueles voltados para os fins ideológicos do Nacional Socialismo estavam comprometidos. O exército cristão que invadiu a Rússia estava se comportando da mesma maneira que os Cavaleiros Teutônicos do século XIII, retratados no filme Alexander Nevsky do diretor Einsenstein. Este causou uma forte impressão nas platéias dos cinemas de uma nação soviética ameaçada e oprimida. Paradoxalmente, tal comportamento diluía o poder de luta uma vez que a brutalidade apoiada oficialmente pelo Estado promovia o questionamento sobre a natureza fundamental e solidária do ser humano que, por sua vez, levava ao questionamento sobre os motivos. E isto tudo afetava a força de vontade. Ao mesmo tempo, o componente moral do inimigo ficava fortalecido. Tais indignações aumentavam massivamente a resolução em resistir. E o soldado alemão começou a perceber que, com a falta de um sucesso garantido, pela primeira vez nesta guerra sua própria sobrevivência estava em jogo. Ao mesmo tempo, o soldado russo sabia que ele não tinha outro recurso a não ser lutar até o fim. Era um beco sem saída.

O Unteroffizier Harald Dommerotsky, servindo em uma unidade da Luftwaffe perto de Toropez, era uma testemunha das “execuções quase que diárias de partisans por enforcamento pelos serviços de segurança da SS.” Enormes multidões – predominante russas – se juntavam. Ele comentou: “Pode ser uma característica humana esta predileção de sempre estar presente quando um de nós é apagado.” Ele continua ao afirmar que não fazia diferença “se fosse inimigo ou algum deles.” Enforcamentos públicos em Zhitmonir na maioria das vezes acabavam em aplausos quando os caminhões aceleravam e deixavam as vítimas pateticamente penduradas no meio da praça central. Uma testemunha descreveu como mulheres ucranianas, com roupas típicas, seguravam suas crianças acima das cabeças para que pudessem ver enquanto que espectadores da Wehrmacht berravam ‘devagar, devagar!” de modo que pudessem tirar as melhores fotos.

Em Toropez uma enorme forca foi construída. Caminhões se aproximavam, cada um com quatro partisans em pé na parte de trás. Os laços eram colocados em volta dos seus pescoços e os caminhões arrancavam. Dommerotsky se lembra de uma ocasião em que apenas três dos quatro corpos ficaram balançando na ponta das cordas. Uma vítima estava esparramado no chão devido à corda arrebentada. “Isso não faz diferença” comentou um sargento da Luftwaffe enquanto que a vítima foi recolocada no caminhão e empurrada de novo. A mesma coisa aconteceu. Insistentes, seus carrascos repetiram o processo macabro e mesmo assim a vítima caiu no chão, ainda viva.

“Meu amigo, ao meu lado, comentou: ‘É julgamento de Deus’. Eu também não conseguia entender e apenas respondi: ‘Agora eles provavelmente vão deixá-lo ir’.”

Eles não deixaram. Na quarta vez o caminhão acelerou e a corda se manteve esticada em volta do pescoço da vítima. Ele mexia as pernas enquanto que a fumaça do escapamento se dispersava. “Não houve nenhuma lamentação nem lamúria” lembrou-se Dommerotsky. “Estava um silêncio sinistro.”

Essa que era a Kein Blumenkrieg – uma guerra sem louros (O que o autor expressa aqui é o fato de que nos primeiros conflitos da Segunda Guerra Mundial, as vitórias alemãs – Polônia e França – eram comemoradas com o desfile da tropa vitoriosa com o consequente arremessar de flores e louros pela multidão simbolizando as conquistas – N. do T.).

F I M

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXII

Parte 22

Desumanizar o inimigo fornecia algo como um salvo-conduto emocional. Se o inimigo não era gente e sim Untermenschen (sub-humano), então o que acontecia com eles não tinha tanta importância. Soldados à deriva em um mar de violência dentro de um ambiente letal apenas respondiam aos comandantes de suas unidades, aos responsáveis que se encontravam por perto e a mais ninguém. Talvez seja pouco realista exigir que tropas de combate façam escolhas morais. Diante de dilemas humanos impossíveis, é bem mais fácil obedecer ordens. Aqueles incapazes de reconhecer que havia uma escolha eram ideologicamente e frequentemente absolvidos de forma oficial da sua responsabilidade.

O doutro Paul Linke, um oficial e médico da infantaria, sempre acreditou que executar os comissários russos era boato de caserna até que o comandante do batalhão ordenou que um amigo próximo, tenente Otto Fuchs, executasse um. Fuchs, um advogado na vida civil, teve o seu protesto gaguejante interrompido pelo seu oficial superior. Este disse: “Tenente Fuchs, eu não quero ouvir mais nenhuma palavra. Saia e cumpra a ordem!” O médico, com um pensamento rápido, ofereceu-se para acompanhar o seu infeliz amigo na sua sombria obrigação e prontamente o levou ao corpo de um soldado russo que havia previamente descoberto em uma vala próxima. O comissário russo foi incentivado a trocar o uniforme e enterrar o corpo agora com o uniforme de comissário. Depois foi solto para que pudesse voltar às linhas russas. Dois tiros de pistola contra o chão disfarçaram a encenação. Linke “esperava que tinha ficado bem claro para o comissário que ambos seríamos executados se o truque viesse a ser descoberto.” O russo, agradecido, sumiu na noite. O jovem médico, “percebia que valia a pena manter sua honra como oficial – nós não executamos prisioneiros indefesos” disse ele. Fuchs teve de se apresentar ao comandante do batalhão e confirmar que a ordem de execução tinha sido executada. Este admitiu: “Me desculpe Fuchs. Eu também não queria fazê-lo. Em uma análise final, eu deleguei a responsabilidade desta ordem para você.” A integridade em comum era, em última instância, uma questão de escolha pessoal. Alguns soldados na verdade tinham apreço pela violência mas, para a maioria, o principal fator que os unia era a solidariedade do grupo no qual eles viviam. Sobrevivência dependia do companheiro. Certo ou errado não era a questão. Na realidade, havia variações dentro do “errado”.

O tenente Peter Bamm, outro oficial médico do Grupo de Exército Sul, observou que os massacres de judeus depois da tomada da cidade de Nikolaev não eram aprovados pelos soldados da linha de frente. Estes achavam que suas vitórias “ganhas após uma batalha cruel e prolongada” estavam sendo usadas pelos “outros” – a SS e a SD. “Mas não era uma indignação que vinha do coração.” Depois de sete anos de domínio pela SS e pela SD, a corrupção moral “já tinha feito muito progresso, mesmo entre aqueles que a teriam negado veementemente.” Tais protestos poderiam ser silenciados através de ações contra as famílias que estavam na Alemanha como foi o caso de um Oberst na sua divisão. As atrocidades russas também tiveram um impacto sobre a perpetuação de sua integridade moral. Os soldados faziam qualquer coisa necessária para sobreviver. “Não havia uma indignação feroz” admitiu o tenente Bamm. “O vírus já estava inoculado há muito tempo.” Neste momento, não havia como voltar. Caso o inimigo conseguisse alcançar o Reich, o ajuste de contas deveria ser feito diretamente com o diabo.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XX

Parte 20

Peter Petersen se lembra de um velho colega de escola, um Untersturmführer da SS que estava de licença do front. Ele tinha recebido “uma repreensão severa” por parte dos seus superiores devido à sua resistência em executar prisioneiros. Petersen chamou a atenção para o fato dele ter mudado desde os antigos tempos de escola:

“Foi dito a ele que aquela não era uma guerra para crianças (A tradução correta seria Guerra de Jardim de Infância – Kindergaten Krieg – embora a expressão “guerra para crianças” seja mais adequada – N. do T.). Ele seria enviado para assumir o comando de um pelotão de fuzilamento onde ele teria que executar partisans, desertores alemães e sabe-se lá o que mais. Ele me disse que não tinha coragem em desobedecer tal ordem já que, se o fizesse, seria executado.”

Um sentimento de incerteza reinava atrás das linhas do front. Soldados se sentiam cercados e isolados. O Korück 582 – uma unidade de segurança operando atrás das linhas do front do 9º Exército – era responsável por 1.500 vilas em uma área de mais de 27.000 km quadrados. Ele tinha apenas 1.700 soldados sob o seu comando para executar tal tarefa. Nenhum apoio era oferecido pelo 9º Exército o qual, no início da campanha, tinha uma carência de 15.000 homens. As atividades dos partisans abrangiam 45% da área operacional. Tais unidades de segurança eram, na sua maioria, comandadas por oficiais incompetentes e idosos que tinham entre 40 e 50 anos comparados com os oficiais das linhas de frente que tinham em média 30 anos. Os comandantes dos batalhões do Korück 582 tinham praticamente 60 anos e seus soldados receberam pouco treinamento. Os sentimentos de vulnerabilidade e de um perigo constante eram freqüentes nestas zonas as quais, paradoxalmente, poderiam ser tão ativas e perigosas quanto as linhas de frente.

Walter Neustifter, um infante e operador de metralhadora, contou que “você sempre tem que ter em mente os partisans.” E atrocidade gerava mais atrocidade.

“Eles atacaram toda uma equipe de transporte e logística, despiram os soldados, colocaram as suas roupas e distribuíram todo o material capturado e alguns rifles. Então, para assustá-los, nós enforcamos 5 homens.”

Peter Neumann, um oficial da 5ª Divisão SS ‘Wiking’ explicou após um massacre em represália aos ataques de partisans contra soldados alemães:

“Nós da SS podemos ser cruéis, mas os partisans também travam uma guerra desumana e não mostram nenhuma misericórdia. Talvez nós não possamos culpá-los por estarem defendendo a sua própria terra, mas mesmo assim está bem claro o nosso dever de exterminá-los… e onde está o senso de justiça? Como se tal coisa existisse…”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XV

PARTE 15

Uma ordem do OKW datada em 8 de julho de 1941 com relação ao tratamento de prisioneiros de guerra preconizava que “as equipes médicas russas, bem como seus doutores e suprimentos médicos devem ser utilizados primeiramente” antes que o material alemão fosse requisitado. Os transportes da Wehrmacht não deveriam estar disponíveis. Duas semanas mais tarde, o OKH sancionou mais limitações de modo a “prevenir que a pátria sofra uma enxurrada de feridos russos.”. Apenas os prisioneiros levemente feridos e que ainda fossem capazes de andar depois de uma espera de quatro semanas é que teriam permissão para serem evacuados. Os remanescentes deveriam ser condicionados em “hospitais improvisados para os prisioneiros” administrados “essencialmente” por equipes russas usando “apenas” suprimentos médicos soviéticos. Tais diretivas eram obedecidas sem nenhum questionamento. A 18ª Divisão que fazia parte do 2º Panzergruppe do Generaloberst Guderian, ordenou que “sob nenhuma circunstância os prisioneiros russos deverão ser tratados, acomodados ou transportados juntamente com prisioneiros alemães. Eles deverão ser acondicionados em carroças ‘Panje’ (movidas a cavalo).”.

Os prisioneiros soviéticos capturados após as batalhas nos bolsões de resistência, estavam não apenas em estado de choque; muitos estavam feridos e machucados. Neste estágio inicial e sendo gratos por ainda estarem vivos, eles na maioria das vezes estavam tão exaustos e intimidados que não cogitavam a possibilidade de fugir. Estando em um nível tão baixo tanto em termos psicológicos quanto físicos, eles dependiam do sustento a partir de quem os tinha capturado. Era este fenômeno que fazia com que as enormes colunas de prisioneiros se mantivessem coesas. O tenente Hubert Becker, um apaixonado cinegrafista amador, filmou tais concentrações de prisioneiros e descreveu as imagens após a guerra:

“Eles foram reunidos em um vale e receberam tratamento para as feridas. As enfermeiras se moviam de um lado para outro. A maioria estava gravemente ferida e em um estado lamentável, moribundos devido à sede e resignados com o seu destino. A falta de água em um calor reluzente, seco e abrasador da estepe era terrível. Prisioneiros lutavam até mesmo por uma gota de água. Alguns deles, mantendo um sentimento forte de disciplina, evitavam que os mais saudáveis (aqueles que tinham as melhores condições para caminhar) não bebessem toda a água. Desse modo, aqueles que mais precisavam poderiam ainda pegar algumas das gotas que sobrassem. Estas pessoas estavam tão inertes e felizes por terem escapado do inferno que eles mal percebiam a minha câmera. Eles nem mesmo tinham me visto!”

Becker, ponderando ironicamente sobre o destino daquela multidão de humanos que enchia as suas lentes, admitiu que “o que afinal aconteceu com tantos e tantos soldados eu realmente não sei e é melhor que ninguém saiba.”. Alguns faziam o que podiam. Um médico trabalhando junto ao Ponto de Coleta do 9º Exército (9AG SSt) falou sobre “ilhas de humanidade dentro de um mar intransponível de miséria dos prisioneiros de guerra.”. Ninguém estava disposto a cooperar. Requisições de suprimentos, comida e remédios eram completamente ignorados. Em um campo perto de Uman em agosto de 1941, entre 15.000 e 20.000 prisioneiros soviéticos encontravam-se a céu aberto. O Schütze Benno Zeiser, vigiando este campo, deu uma ideia sobre o que tal negligência podia acarretar:

“Praticamente todos os dias homens morriam por fadiga. Outros levavam os seus mortos para o campo para enterrá-los lá. Eles carregavam os corpos em turnos e nunca pareciam estar ao mínimo emocionados pela situação. O cemitério do campo era muito grande; o número de homens sob o solo deveria ser bem maior do que o número dos que ainda estavam vivos.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XI

PARTE 11

Um médico Gefreiter da 125ª Divisão de Infantaria escreveu para casa relatando a extensão da “crueldade judia-bolchevique e que qualquer um acharia difícil de acreditar”:

“Ontem nós atravessamos uma grande cidade e passamos por sua prisão. Ela fedia devido aos cadáveres, mesmo a uma longa distância. Enquanto nós nos aproximávamos, mal dava para suportar o cheiro. Dentro dela estavam os corpos de 8.000 prisioneiros civis, nem todos fuzilados, mas que também foram espancados e assassinados – um banho de sangue produzido pelos bolcheviques um pouco antes de se retirarem.”

Os soldados eram extremamente influenciados por aquilo que viam. Isso afetava tanto a moral quanto a ética. Um sub-oficial escreveu: “Se os soviéticos já assassinaram milhares dos seus próprios cidadãos ucranianos indefesos, mutilando-os de forma brutal e matando-os, o que eles farão então com os alemães?” A sua própria e profética opinião era de que: “se estes animais, nosso inimigo, vierem a entrar na Alemanha, haverá um banho de sangue tal qual o mundo nunca viu antes.”.

A publicidade em torno da atrocidade de Lvov, veiculada nos cinejornais e nos periódicos só fez por aumentar as suspeitas e o mal-estar que já se fazia sentir entre o povo na Alemanha. Suas preocupações eram repassadas para aqueles que serviam no front, aumentando o isolamento e o pessimismo que começava a emergir dentro de cada um diante das perspectivas da campanha se tornar ainda mais longa. Uma dona de casa de Düsseldorf confessou ao seu marido:


“Nós temos uma ideia do que parece estar acontecendo aí no leste a partir do (cinejornal) Wochenschau, e acredite em mim: essas imagens tem produzido tamanho pavor que nós preferimos fechar os olhos enquanto que algumas cenas são projetadas. E essa realidade – o que lhe parece? Eu acredito que nunca nós conseguiríamos imaginar.”

As informações confidenciais do Serviço Secreto da SS sobre os assassinatos dos ucranianos em Lvov confirmam que estes “produziram uma profunda impressão de repugnância” durante a segunda semana de julho. “Muitas vezes era perguntado que destino os nossos soldados podem esperar se eles se tornarem prisioneiros e, de nossa parte, o que estamos fazendo com os bolcheviques os quais nem mais são humanos?”.


C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte X

PARTE 10

Qualquer dúvida sobre o que poderia acontecer ao ser capturado pelo Exército Vermelho foi dissipada pela publicidade que se seguiu após a tomada da cidade polonesa/ucraniana de Lvov pela 1ª Divisão Gerbisjäger em 30 de junho de 1941. Quatro mil corpos foram encontrados em vários estágios de decomposição dentro da prisão de Brygidky (ex-prisão militar de Samarstinov) quando esta ainda ardia em chamas. O NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos, mais conhecido popularmente como Serviço Secreto ou Polícia Secreta Soviética – N. do T.) havia começado a executar os detentos (na maioria intelectuais ucranianos) dois dias após o início das hostilidades. Seguiram-se então os progroms (Progrom é um termo de origem russa que significa um ataque violento por parte de grupos populares contra judeus e, mais genericamente, contra grupos étnicos e religiosos. Tais ataques são caracterizados pela violência e pela destruição das propriedades das vitimas – N. do T. ) realizados pelos cidadãos poloneses e ucranianos e dirigidos contra os judeus locais. A contribuição por parte da SD e da SS acabaria por adicionar mais 38 professores poloneses e, pelo menos, 7.000 judeus a este sombrio número final. Porém, inicialmente, o foco público estava centrado no crime perturbador promovido pela polícia secreta russa. Devido à natureza terrível que este fuzilamento perpetrava, a capitalização do evento por parte da propaganda alemã o tornou ainda mais convincente.

O marido de Maria Seniva tinha sido preso pela NKVD. Ela contou que:

“Havia uma mensagem dos alemães no rádio. Dizia: “Esposas, mães, irmãos e irmãs: venham para a prisão.” Eu cheguei na entrada, não me lembro de qual. As pessoas estavam em pé em toda a volta dos portões. Através deles eu podia ver os corpos. Eles estavam no pátio, enfileirados no chão. (…) Eu percorri para cima e para baixo pelas fileiras e parei para olhar um dos corpos que estava coberto. Eu levantei o cobertor e lá estava ele, eu o achei (ela começou a chorar nesta parte). Eu não sei o que tinha acontecido com ele, mas seu rosto estava todo enegrecido. Ele não tinha olhos, não havia nada lá, e estava sem o nariz.”.

Jaroslaw Hawrych, também emocionalmente abalada, se lembra de achar o seu cunhado entre “as centenas de milhares” de corpos dispostos no pátio:

“Eu não o teria reconhecido, ele estava seminu. Havia ferimentos no seu corpo e seu rosto estava inchado, todo preto e azul. Ele levou um tiro na cabeça e suas mãos tinham sido amarradas com um pedaço de corda. Eu só consegui reconhecê-lo quando vi a sua meia. Ele tinha uma meia no seu pé, uma meia com listras coloridas. Eu reconheci aquela meia pois foi tricotada pela minha mãe.”

Traduzido Por A.Reguenet
C O N T I N U A

Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas – Parte II

Continuação das respostas para a pergunta do Paulo Roberto de Oliveira:

Nada se fala dos soldados soviéticos que também em sua grande maioria eram simples aldeões, e fizeram o mesmo percurso na contra ofensiva e ou soldados norte americanos que se embrenhavam nas florestas da Ásia na luta contra o exercito japonês?

Chico Miranda: Na verdade são contextos e situações diferentes.

Os Soviéticos:

O soldado soviético viu seu território ser invadido e respondeu ao chamado desesperado para defender sua pátria, em contrapartida o soldado alemão, em dado momento, já não acreditava na motivação da guerra.

Uma das características do Exército soviético foram seus abundantes recursos humanos, e isso é facilmente comprovado pelo número de baixas sofridas no conflito, 17 milhões. Diferentemente do Exército alemão, o soviético possuía uma massa de homens para recomposição de suas unidades.

Mesmo com pouco material e treinamento quase inexistente, o Exército soviético supria com jovens enviados de trens de todo o território das repúblicas comunistas, enquanto que a Wermarcht já não conseguia realizar a reposição de seus efetivos com a mesma eficiência do início da guerra.

Os americanos:

O contingente americano utilizado no Teatro de Operações da Europa, a partir da Operação Overlord, por exemplo, era quase totalmente formado por novas Unidades, exceto a 116 Rangers e a 82 Airborne, com renovado efetivo, que participaram das operações na África do Norte, todas as demais unidades entravam em combate a primeira vez. Enquanto que os fuzileiros, com pequeno apoio do US Army, foram predominantes no Teatro do Pacífico.

Portanto não podemos comparar o esforço de um ou outro exército, pois foram circunstâncias diferentes para contextos e cenários diferentes.

Se houve problemas de logístico devido a “Lama” nos pós invernos de 41/42, para a Wehrmacht também não aconteceu o mesmo com o exercito vermelho, mesmo com a enorme quantidade de material bélico fornecido pelos americanos?

Chico Miranda: Sim, mas o Exército Vermelho lutava nestas condições já há alguns anos, para não dizer séculos, se levarmos em consideração a campanha de Napoleão contra a Rússia. O problema nesse caso é que a Alemanha esperava uma vitória aos moldes da Campanha da França, rápida e conclusiva. O que não aconteceu. Eles não se preocupavam com o general inverno, pois acreditavam em uma vitória muito antes disso.

Um outro fator a ser observado é que as linhas de transportes do Exército Vermelho foram mantidas, que era basicamente linhas férreas. Em nenhum momento da guerra a Alemanha conseguiu interromper o fluxo de transporte dentro da URSS, portanto a manutenção de deslocamentos e de linhas de abastecimento sempre estiveram ativas.

Me dá impressão que só temos fatos do ponto de vista dos aliados, será que a superioridade tecnológica e a melhor qualidade de treinamento militar Alemão (nos primeiros anos do conflito) não deveria ser mais divulgada atualmente?

Chico Miranda: Claro! Estudos indicam que em 1939 o Exército Alemão estava tecnologicamente cerca de 5 anos à frente de seus opositores. E esse desenvolvimento prosseguiu em várias áreas da pesquisa bélica desde mísseis balísticos continentais até o enriquecimento de urânio. Basta lembrar a disputa pelos cientistas nazistas quando a Alemanha caiu e a transferência e utilização dessas tecnologias no pós-guerra.

Acredito sinceramente que estamos na fase do revisionismo histórico responsável, entendendo que a história não deve e não pode ser contada pelos Vencedores, mas pela análise dos FATOS, independente dos seus agentes.

Obrigado Paulo!

Galeria de Fotos que mostram Tropas Americanas no Dia D – Demonstra tropas novas, treinadas para o primeiro combate na Operação Overlord

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