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Guerra no Deserto: Relatos da Afrika Corps

Hans Klein nasceu em 1921, era marceneiro antes de entrar para a Divisão Hermann Göring da Luftwaffe em 1942. Enviado para a África, serviu no Afrika Korps entre 1942-43, onde alcançou o posto de cabo.

No inicio de 1942 eu fui recrutado para servir na Força Aérea (Luftwaffe), na Divisão Paraquedista Hermann Göring.
Diferente do que costuma ser publicado, a Divisão não era integrada por voluntários, na verdade éramos diretamente recrutados ou transferidos de outras unidades, e eu nunca conheci algum voluntário na nossa companhia. A Divisão Hermann Göring era uma unidade fantástica, e foi uma honra servir em suas fileiras.

Nossa Divisão teve um bom programa de treinamento, e era uma unidade sólida e orgulhosa. Eu fui enviado a Utrecht, na Holanda, para treinamento, mais especificamente, para ser estafeta. Além da instrução militar, aprendi a dirigir diversos tipos de motocicletas e veículos, além de aprender auto-mecânica e elétrica.

Lamento dizer isto mas muitos dos homens na minha Divisão achavam que o Marechal da Força-Aérea Hermann Göring era um fanfarrão. No início da guerra ele fez a estúpida afirmação de que se algum avião inimigo alcançasse Berlim ele mudaria o seu nome para “Meier”, e desde então nós o chamávamos de Hermann Meier em nossas conversas.

A primeira campanha em que eu estive envolvido foi a ocupação do território de Vichy, na França, em novembro de 1942. Não houve qualquer resistência e prosseguimos em direção ao sul até a cidade de Cognac, que é uma das mais belas cidades na França.

No final de 1942 a situação no norte da África era crítica, e foi decidida a criação do Grupo de Combate (Kampfgruppe) Schmidt, formada com elementos da Divisão Hermann Göring. Fomos transportados via aérea para a área de Nápoles, na Itália, e depois para a África, em aviões de transporte Junkers-52. Estes aviões eram lentos mas bastante robustos. Voamos rente ao nível do mar, entre 7 e 15 metros de altura, por sobre as ondas, esperando que não acontecesse algum problema mecânico. Tivemos a escolta de alguns caças e fomos afortunados por não acontecer nenhum incidente durante a viagem. Chegamos a Túnis e eu assumi o meu posto de estafeta. Lutamos e participamos de várias batalhas durante meio ano, até que a luta cessou na África.

Em um dia típico na África havia a constante troca de tiros da artilharia na maior parte do dia, mas não mais que 50 ou 60 tiros em ambas as direções. Apenas o suficiente para deixar o outro lado perturbado. Nós continuamente nos protegíamos pois estávamos muito próximos da linha de frente. Estávamos freqüentemente juntos aos observadores avançados, que não estavam a mais que 700 metros das linhas inglesas. Na metade do tempo fazíamos patrulhas na terra de ninguém, mas nossas atividades mudavam constantemente. Quando não estávamos patrulhando nós ficávamos nos nossos buracos, protegidos dos ataques aéreos. Usualmente recebíamos uma calorosa visita todos os dias.

Muita de nossa atividade era feita durante a noite. Nós colocávamos minas ou saiamos em patrulha. Se nos encontrávamos na linha de frente, o que acontecia na maior parte das vezes, recebíamos tiros de barragem do inimigo a cada 15 minutos. Na primeira oportunidade que tínhamos, procurávamos dormir, geralmente no final da madrugada.

Nossos suprimentos de comida, água e munição não eram adequados. Usualmente tínhamos falta de tudo. Deveríamos receber quatro litros de água por dia, mas na prática eram apenas dois litros para cada um de nós. Raramente tomávamos banho, a menos que estivéssemos próximo à costa do Mediterrâneo.

Em uma noite a minha moto foi pelos ares, atingida em cheio pela barragem. Não havia muito o que fazer. Supostamente a Divisão Hermann Göring era motorizada, e nós esperávamos que chegassem os veículos, mas os cargueiros em que estavam sendo transportados foram afundados no caminho e nós nunca recebemos os equipamentos.

As moscas eram um problema constante, e não tínhamos controle sobre elas, nuvens delas vinham sobre nossas faces e usávamos uma rede sobre a cabeça o tempo todo. Para comer o pão, algumas vezes, poucas vezes, tínhamos geléia ou carne enlatada, e devíamos antes retirar as moscas e rapidamente colocar o pão sob a proteção da rede, esperando que nenhuma tivesse entrado junto com a comida.

O calor durante o dia era tremendo, com média de mais de 40oC a sombra, era muito desgastante. A noite fazia tanto frio quanto quente era o dia, e tínhamos que vestir agasalhos para as missões noturnas.

O nosso comandante, o Marechal de Campo Erwin Rommel, foi o homem mais importante que já conheci. Ele era uma lenda para os soldados que lutaram na África, nós tínhamos um respeito e admiração natural por ele.

Eu o vi pessoalmente em várias ocasiões durante a minha tarefa de estafeta. Ele nunca me dirigiu a palavra, mas estar próximo a sua pessoa causava uma forte impressão. Nós sabíamos que em todas as decisões que ele tomava, sempre levava em conta a vida e a segurança de seus homens. Ele surpreendia o inimigo e encontrava uma maneira de manobrar em torno deles de forma a proteger os seus soldados. Esta foi a sua marca de galanteria na campanha da África.

Por problemas de saúde o Marechal passou o comando para o General Hans Von Arnim que era muito inteligente e ágil, mas não tinha o mesmo carisma que seu antecessor, e assim sentíamos como que afastados do seu comando. Havia uma grande camaradagem entre nós, os soldados do Afrika Korps, e a nossa moral era bastante elevada.

Por outro lado, os nossos aliados italianos passavam por uma série de dificuldades. Aos oficiais italianos sequer lhes passava pela cabeça dormir ou comer ao lado de seus soldados, em contraste, os oficiais alemães estavam sempre compartilhando das mesmas rotinas de seus subordinados, nós éramos muito unidos e isto nos dava um sentimento de orgulho. Isto continuou mesmo quando nos tornamos prisioneiros de guerra. Recebemos posteriormente a admiração dos jornais americanos pela forma “democrática” de integração do nosso corpo militar.

Tínhamos uma grande camaradagem com os italianos, mas dava pena de sua situação, se nossos suprimentos eram escassos, a deles era totalmente inadequada. A sua liderança além de inepta não providenciava a sua apropriada alimentação bem como o suprimento de munição e armamento adequados. Os italianos não tinham a mesma disposição de luta porque não tinham nada decente com que se defender. Os seus tanques não eram de segunda categoria mas sim de terceira. Os aliados tinham novos tipos de tanques entregues aos milhares e os italianos tinham que lutar com um modelo construído em 1928, eles não tinham a menor possibilidade de vencer. Se a pressão na batalha fosse muito grande eles simplesmente viravam as costas e desistiam. Preferiam mais ser capturados a lutar por um sistema que nunca lhes ofereceu nada.

Um dia ficamos face a face com quatro tanques americanos que entraram em nosso campo minado. Um deles estava atirando contra nós, e eu, num impulso, corri até ele e coloquei uma granada entre as suas lagartas. O som da explosão fez com que a equipagem saísse do tanque e se rendesse a nós. Pelo feito ganhei a medalha da Cruz de Ferro de 2ª classe.

Após a batalha de El Alamein nossa retirada foi constante, mas também organizada. Tínhamos sempre que estar com um olho nos italianos pois sua retirada podia se transformar em debandada, além disso os seus oficiais sempre queriam levar todas as suas coisas nos caminhões, incluindo ai as suas confortáveis camas, equipamento de cozinha, banheiros e apetrechos de luxo de toda natureza, enquanto isso nós levávamos apenas o estritamente necessário.

Em um determinado ponto estávamos cercados ao sul da Tunísia, próximo a cidade de Pond du Fahs. Durante três dias sofremos pesado bombardeio e não tínhamos força suficiente para quebrar o cerco, nossas chances de escapar eram muito pequenas, então fomos instruídos a destruir os documentos e nosso equipamento para evitar a captura pelo inimigo. Recebemos permissão para comer nossas rações de emergência, que eram reservadas somente para o último e desesperado momento. Ela contém comida desidratada e energética, e até barra de chocolate. Resignadamente esperávamos pela morte ou captura nos próximos minutos.

Felizmente fomos socorridos no último momento pela 10ª Divisão Panzer que furou o cerco e libertou nossas tropas. Continuamos então a retirada através da Tunísia. Em caminhões atingimos a cidade de Zaghouan, onde cerca de 25.000 soldados alemães, de diferentes unidades concentraram-se. Estas unidades estavam muito misturadas. Os combates diminuíram e apenas mantínhamos escaramuças para cobrir a retirada.

Em 11 de maio de 1943 eu estava junto com cerca de 5.000 soldados alemães em Zaghouan, que ficava localizado em uma montanha acerca de 600m de altitude, cobrindo a retirada dos demais. Os americanos estavam fazendo um bombardeio pesado sobre a cidade. Eles também lançavam folhetos de aviões dizendo que se não nos rendêssemos pela manhã a cidade seria bombardeada e destruída, mas claro, nós não nos rendemos.

Além das armas pessoais e morteiros, nós tínhamos cerca de 20 canhões de 88mm, o melhor canhão da campanha na África. Os americanos atacaram com cerca de 30 tanques, vindos de uma única direção, e cerca de 25 outros vindo de outra. Eu me lembro que tínhamos apenas 15 tiros por peça, então esperamos até o último momento para atirar. Os tanques estavam a apenas 300 metros quando abrimos fogo fazendo uma barragem incrível. Imediatamente entre 12 e 15 tanques foram pelos ares. Durante dois dias as carcaças arderam.

Recebemos ordem de recuar alguns dos nossos tanques que estavam desgastados e precisando de reparos Não tínhamos peças sobressalentes e mecânicos suficientes para recuperar todos. A situação no geral deteriorava-se a cada momento.

Pouco tempo depois perdemos o contato com o Quartel-General em Túnis e com o General Von Arnim. Estávamos concentrados ao sul da frente, mas na verdade não havia uma frente definida, éramos mais uma tropa presa em um bolsão. O bombardeio americano da manhã seguinte foi intenso e terrível, era o nosso fim. Recebemos ordem de destruir nossas armas. O comandante passou a ordem para nos concentrarmos em uma determinada região da cidade para a rendição final.

Não tínhamos nada para comer, nossas munições acabaram e apenas a água era ainda distribuída regularmente. Por volta das 08:30hs da manhã de 12 de maio de 1943 foi formalizada a nossa rendição, e não nos pareceu um fim muito dramático. Marchamos para fora da cidade de Zaghouan, os tanques americanos pararam perto de nós.

Os americanos nos colocaram em campo aberto, onde entramos em formação. Não tínhamos comida ou água, e ficamos assim por dois dias. Eles não tomaram a mínima atitude ou cuidado para conosco e o tempo estava muito quente. Pouco depois fomos entregues aos franceses, mais especificamente, aos homens da Legião Estrangeira. Ficamos muito apreensivos pois eles eram bem hostis em relação a nós. Fomos revistados e despojados de tudo que tínhamos. O tratamento que recebemos como prisioneiros de guerra foi terrível.

Por dois dias nos fizeram marchar até um ponto ao norte de Pond du Fahs. Um bom número de nós foi ferido pelos guardas da Legião durante a marcha até o campo de prisioneiros. Nós marchávamos em quatro ou cinco fileiras e, de tempos em tempos, os legionários vinham atrás em um caminhão puxando um cabo atado a um rolo de arame farpado e dirigiam em velocidade passando entre nós. Praticamente todos nós fomos feridos neste processo. Apenas aqueles que conseguiam ouvir a tempo os gritos e o barulho do veículo tinham uma chance de desviar, eu fui um dos poucos que conseguiu.

O campo de prisioneiros em Pond du Fahs media entre 300 e 400 acres, cercado por arame farpado. Éramos entre 12.000 e 14.000 prisioneiros no campo. Ficamos ao ar livre, os franceses não nos deram tendas ou pás para cavarmos buracos onde pudéssemos nos proteger do sol e do vento. Nunca recebemos qualquer tipo de material para fazermos abrigos.

Não recebíamos água com regularidade, tínhamos que dosar e economizar o precioso líquido. Imaginamos uma maneira de escapar mas não tínhamos ilusão pois não havia água ou comida na região, além disso estávamos bastante debilitados fisicamente, e não conheço nenhum prisioneiro alemão na Africa que tenha conseguido escapar.

Não demorou para surgirem centenas de casos de morte por inanição, falta de água e insolação. Cavei várias covas para enterrar os mortos. Éramos mais de 12.000 homens esquecidos no deserto, nem mesmo a Cruz Vermelha tomou conhecimento. Normalmente os prisioneiros são contados e colocados sob a proteção das leis internacionais, mas não para a Legião Estrangeira.

Após um tempo, entre seis e oito semanas, vários de nós fomos forçados a trabalhar na limpeza de campos minados. Aqueles que se recusavam eram fuzilados no local. Todos os dias cerca de 100 prisioneiros marchavam para os campos minados. Eu ouvia sempre nessas ocasiões três ou quatro explosões. Os franceses não forneciam qualquer tipo de equipamento ou ferramentas, muito menos algum tipo de orientação sobre o campo e as minas.

Esta rotina diária de retirada de minas durou três semanas. Sabíamos que os franceses tinham o mapa dos campos minados e a localização das minas, porém não forneciam qualquer informação.

Por volta de julho de 1943 fomos forçados a marchar por três ou quatro dias até um campo menor próximo de Túnis. A marcha até o campo foi feita em uma cadência muito lenta devido ao estado de fraqueza em que nos encontrávamos, muitos ficaram pelo caminho para nunca mais voltar.

Durante a marcha só recebemos água uma única vez. Os franceses trouxeram uma grande cisterna de água e simplesmente abriram todas as torneiras. Corríamos desesperados para poder pegar um pouco, não tínhamos nada além das mãos. A água tinha gosto de gasolina e corria para a areia onde formava poças que eram disputadas pelos homens.

O tratamento era intencional, com o objetivo de eliminar os mais fracos. O campo localizado próximo de Tunis ficava a cerca de 80 km de Pond du Fahs no deserto do Saara. Nada além de areia existia na região. Eu calculo que mais de 4.000 prisioneiros ocupavam o campo e a cada dia dezenas morriam de fome, privação ou doenças.

Nos períodos melhores recebíamos 1/4 de litro de água por dia e um naco de pão duro cheio de areia que batia nos dentes como se estivéssemos comendo pedra. Passávamos o dia pensando em comida e água. Improvisamos a construção de abrigos cavando um buraco do tamanho de um homem no qual colocávamos arbustos e argila utilizando a água que não era possível beber. Conseguimos algumas lonas e pudemos finalmente colocar uma proteção contra o sol abrasador.

Não tínhamos provisão de medicamentos e havia apenas um médico alemão no campo, mas ele não podia fazer muito sem instrumentos e remédios. Eu e meu amigo fomos escalados várias vezes para cavar covas rasas e enterrar os mortos. Não sei quantos corpos enterrei mas foi uma quantidade muito grande.

Aqueles que caiam de lado não recebiam qualquer atenção dos franceses e eram deixados para morrer. Após um tempo estabelecidos, os franceses ordenaram que todos se reunissem pois iriamos mudar de campo. Então ordenaram que empilhássemos as lonas e o material de abrigo em uma grande pilha, onde depois foi ateado fogo.

Quando estávamos prontos para marchar eles cancelaram a ordem e mandaram dispersar, vivemos então apenas dentro dos buracos, sem proteção contra o sol e o vento. Claro que foi proposital, com a intenção de retirar o pouco do abrigo que a custo conseguimos construir.

Em um determinado ponto eu entrei em uma espécie de estado de coma que durou mais de uma semana. Não tinha forças sequer para fazer as necessidades mais básicas. Sem hospital, apenas podíamos ficar deitados no chão ou nos buracos. Eu fui capturado em 12 de maio de 1943 e em setembro já tinha emagrecido mais de 40 kg.

Minha vida foi salva porque um major americano achou nosso campo por acidente. Este major tinha ligação com a Cruz Vermelha e com o controle dos prisioneiros de guerra, e resolveu averiguar o campo, descobrindo as péssimas condições em que nos encontrávamos. Uma centena de prisioneiros estavam inconscientes dos cerca de menos de 2.000 que ainda estavam vivos.

O Major voltou no dia seguinte com duas dezenas de ambulâncias e forçou sua entrada no campo francês, apoiado por uma centena de soldados americanos. O major selecionou entre 100 e 120 dos casos mais urgentes para hospitalização. Afortunadamente eu estava entre estes. Fui colocado em uma ambulância onde deram-me algo para comer. Fomos levados então para Tunis onde nos internaram em um hospital da Cruz Vermelha Alemã.

Pouco depois fomos levados para Casablanca para embarcarmos em um comboio que partindo de Oran se dirigia para os Estados Unidos. Havia seis ou sete navios carregados com prisioneiros alemães. Viajamos em um barco mercante e fomos dos primeiros prisioneiros alemães a embarcar para os EUA.

Desembarcamos em Nova York e depois fomos transportados em um trem confortável de passageiros, algo inédito pois na Alemanha os soldados eram transportados em vagões de carga.

Viajamos por quatro dias e três noites até o nosso destino em Tonkawa, Oklahoma, para um campo de prisioneiros cercado de arame farpado. Ficamos alojados em barracas com capacidade para 50 homens cada.

Durante o período em que estávamos prisioneiros fomos levados a ajudar vários fazendeiros da região na colheita e serviços diversos, no campo e nas cidades.

Quando a guerra terminou eu fui um dos afortunados que retornou para casa quatro semanas após a Páscoa de 1946. Após 1946 nem todos os prisioneiros retornaram diretamente para a Alemanha. Muitos passaram ainda um ano ou mais trabalhando na Inglaterra ou na França.

Fonte: World War II magazine – Setembro 2005. Compilado por Wolfgang Garlipp.

Melhores das Melhores Fotos da Segunda Guerra

Publicamos algum tempo fotografias coloridas da Segunda Guerra, mas nada comparada a essa galeria, pois a naturalidade das fotografias nos coloca como se a cena se desenvolvesse a nossa frente, neste exato momento. Uma viagem de volta no tempo.

A União Soviética Invade a Polônia e Ninguém Diz Nada!

A Segunda Guerra Mundial sempre será objeto de estudo de professores, estudantes, pesquisadores e entusiastas em vários aspectos, o motivo principal é que o período fascina pela complexidade.  Um repositório de fatos que se não for tratado com a devida clareza, dará margens para dúbias e constrangedoras inverdades históricas. De certo que nem sempre será possível atingir esta clareza, pelo contrário, as especulações e interpretações são ferramentas de estimulo ao estudo do período, mas é necessário critério e, principalmente, sensatez ao especular fatos, já que a ideologia contamina e torna tendenciosa a análise dos fatos relacionados a este conflito que permeia a mente humana há mais de 70 anos.

Não por acaso, a eclosão da guerra em setembro de 1939 foi apenas o estouro de uma bomba relógio ativada assim que o Tratado de Versalhes foi assinado. Falando sobre isso, Hans von Seeckt, um dos mais proeminentes militar da Alemanha e o idealizador da utilização de Blindados, declara: “aceitamos uma paz de 20 anos” (LIDDELL HART, 1980), e exatamente 20 depois, a guerra volta a assombrar o Velho Continente. Não poderia haver profecia mais segura.

01 de setembro de 1939 a Alemanha inicia a invasão da Polônia. Aviões alemães atacam a cidade polonesa de Wielun, matando cerca de 1.200 pessoas. São as primeiras vitimas de milhões que estariam por vir. A principal característica dessa invasão era a certeza de que a Alemanha estaria com as fronteiras da própria Polônia, a leste, assegurada por um esdrúxulo tratado de não-agressão com a União Soviética, portanto militarmente, já se estabelecia o cenário a ser imposto por Stálin e Hitler para a Polônia. O tratado colocava no mesmo lado inimigos naturais aquela altura. A União Soviética, poucos meses antes, tentaram um acordo com as potências ocidentais contra a própria Alemanha, mas que não foi estabelecidas graças as chamadas “zonas de influência” (frase muito utilizada durante o pós-guerra), e a liberdade da União Soviética de entrar com tropas em território polaco e nos Estados Bálticos, caso se sentisse ameaçada.

Em 23 de agosto de 1939 o Pacto Molotov-Ribbentrop é assinado e o mundo não entende como dois sistemas de governo antagônicos e de ódio mútuo poderiam agora selarem a paz. Mas a profundidade das negociações eram muito mais acentuadas do que a composição ideológica dos regimes. O tratado foi negociado já levando em consideração as áreas de influência (os aliados não aceitaram, mas o regime de Stálin e Hitler souberam negociar essas áreas), dividindo os países Bálticos, România e a própria Polônia a partir das intervenções militares que estariam por vir. E aconteceu!

 Quando a invasão teve início todos aguardavam uma resposta contundente da Inglaterra e França. A própria Alemanha mobilizou Divisões da Wehrmacht para a linha Siegfrield esperando uma ofensiva francesa que nunca chegou. No dia 03 de setembro, após o ultimado, a França e a Inglaterra declaram guerra a Alemanha. A batalha na Polônia prossegue e o Exército polonês tenta desesperadamente manter a defesa do país. O governo polaca clama pela intervenção dos aliados. A Inglaterra prepara um Força Expedicionária, enquanto a França não se entende quanto o emprego do seu Exército e resolve estacionar nas suas próprias fronteiras protegidos pela Linha Maginot.

O que realmente intriga e é objeto de questionamento por parte dos adeptos pró-Alemanha no estudo da Segunda Guerra, ocorre quando a União Soviética invade a Polônia dia 17 setembro, ou seja, 14 dias após a Declaração de Guerra contra a Alemanha, mas nem mesmo cessam as relações diplomáticas entre os aliados e os soviéticos.

Vamos argumentar alguns perspectivas para fornecer o cenário dessa situação inicial da guerra.

Primeiro a União Soviética sustenta que invadiria a Polônia para proteger os bielorrussos e ucranianos estabelecidos na fronteira russo-polonesa. Esse embasamento foi divulgado através de telegramas as embaixadas da Alemanha, Inglaterra e França1 em 10 de setembro, em seguida,  no dia 17, o governo da Polônia também é informado2. O que podemos observar é que, apesar de encobertar as suas verdadeiras intenções, o governo soviético tenta justificar a ação.

Enquanto a reação dos aliados frente a atitude soviética?

Politicamente o governo francês passava por um quase ridículo momento, e o presidente Albert Lebrun não conseguia um acordo nem mesmo para mobilizar seu exército. Uma declaração de guerra a União Soviética era injustificável politicamente e o governo francês não tinha condições internas para fazê-lo. Enquanto a Inglaterra mobilizou e enviou suas tropas para o continente, mas não poderia declarar guerra contra a União Soviética, tendo em vista que aquela altura não poderia contar com apoio francês. As justificativa soviética e as dificuldades de lutar contra dois grandes países por um Estado que, aquele momento, já não subsistia, era considerado como impensado. Tudo isso somado ao receio de Chamberlain de eclodir o mesmo cenário da Grande Guerra.

Do ponto de vista militar e político em nada acrescentaria a declaração de guerra, pelo contrário, o cenário diplomático ainda tentava atuar para evitar que o conflito se estendesse. Com isso, podemos concluir que, dado as condições da política interna da França e o perfil hesitante do Primeiro-ministro Chamberlain, é claro que a declaração de guerra contra os soviéticos foi cogitada mas nunca levado à cabo. Todos temiam que o guerra se estendesse, mas em 17 de setembro de 1939 aquilo já era inevitável.

1. The Avalon Project, Yale Law School. Supostamente de 14 de Novembro de 2006.

2. (Nota do governo soviético para o Governo polaco em 17 de Setembro de 1939, recusada pelo Embaixador polaco Wacław Grzybowski). obtido q 15 de Novembro de 2006; Degras, pp. 37–45.

Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen? Final

O tenente George Wilson participou da batalha e nos dá uma descrição dos métodos de guerra alemães. Toda a vez que estes, sob pressão, recuavam, solicitavam tiro de apoio da sua artilharia contra as posições que tinham acabado de abandonar, ao mesmo tempo em que ocupavam casamatas previamente preparadas, situadas a umas poucas centenas de metros na retaguarda.

– Geralmente, a nova linha de combate lhes proporcionava o controle de tudo o que estivesse à frente, localizada, talvez, numa vertente ou à beira de uma ravina. Suas casamatas eram feitas com grossos troncos de árvores e alguns metros de terra por cima. Eram quase imunes aos tiros de artilharia. É bem possível que tivessem concreto também. Não havia a mínima chance de nossos tanques se aproximarem delas para tiro direto, portanto, a infantaria tinha que tomá-las da forma mais difícil, lutando e avançando para conquistá-las uma por uma, através do arame farpado.

Entre o dia 7 de novembro e o dia 3 de dezembro, a 4ª Divisão perdeu mais de 7.000 homens, ou cerca de 10% de cada companhia por dia. Os substitutos fluíam continuamente para compensar as perdas, mas o apetite voraz da Floresta de Hurtgen por baixas era maior do que a capacidade do exército de fornecer novos soldados. Os registros do Tenente Wilson dão conta de sua companhia teve perdas da ordem de 167% dos recrutas: “Tínhamos começado com uma companhia completa, com 162 homens, e perdemos uns 287.”

O I Exército engajou, então, a 8ª Divisão de Infantaria no ataque. Em 27 de novembro, ela cercou a cidade de Hurtgen, o objetivo original da ofensiva nos meados de setembro, época em que fora iniciada. Coube ao tenente Paul Boesch, Companhia G, 121º Regimento de Infantaria, conquistar a cidade. No amanhecer de 28 de novembro, Boesch fez que se posicionassem alguns de seus tenentes no lado esquerdo da estrada que conduzia a cidade, enquanto levava outro pelotão para o outro lado. Boesch falou com cada um dos seus homens, explicando-lhes o que a companhia estava prestes a fazer. Quando deu o sinal, eles avançaram.

– Foi simplesmente infernal – avalia. Uma vez livres daquela floresta, os homens ficaram loucos para lutar.

Tanques americanos apoiaram a companhia de Boesch. Ele conta que, primeiramente, eles crivavam de balas os edifícios com suas metralhadoras .50. Depois, usavam seus canhões de 75 mm para abrir buracos nas paredes, de modo que a infantaria pudesse penetrar.

A 8ª Divisão de Infantaria não conseguiu ir além de Hurtgen. Por volta do dia 3 de dezembro, estava exaurida. Um oficial do estado-maior do regimento ficou chocado quando visitou a linha de combate nesse dia. Ele disse em seu relatório: “Os homens desse batalhão estão fisicamente esgotados. O espírito de luta e a vontade de combater ainda estão lá; a capacidade de continuar lutando não existe mais. Esses homens têm combatido sem dormir nem descansar durante quatro dias e, na noite passada, tiveram que ficar expostos ao tempo, num campo aberto. Tremem de frio, e suas mãos estão tão dormentes que eles têm que ajudar uns aos outros com a manipulação de seus equipamentos Creio firmemente que todos os homens de lá deveriam ser evacuados por meio de recursos das equipes médicas.” Muitos tinham pé-de-trincheira e todos sofriam de grave resfriado, ou coisa pior, além de diarreia.

Fonte deste artigo: Soldados Cidadãos – Stephen Ambrose – Bertrand Brasil

Esses Esquisitos Ingleses

Ser britânico no início do século vinte não era nada fácil. O império de sua majestade passou de um Império absoluto nos séculos anteriores para concorrer com outras nações, se envolvendo em dois grandes conflitos na Europa territorial. Não por acaso, Keynes, afirmou que a Inglaterra agia como se não fizesse parte da Europa, sempre distante dos reais problemas políticos e sociais do território.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a insistência do Premier inglês Chamberlain na sua política de “paz a qualquer custo” deu uma boa margem para que Hitler tomasse gosto pela sua política expansionista. Quando a guerra era invitável, e a Força Expedicionária Britânica chega a França, alguns meses depois, tem que ser resgatada de volta para casa.

Rommel, quando lutou contra os ingleses no deserto, dizia que não acreditava que o britânicos abriam mão de perseguir suas tropas para tomar o seu chá da tarde. Mas nunca subestimou os ingleses, sempre admirou e foi profundo admirador dos súditos do Rei.

Não podemos deixar de comentar os uniformes estranho e os capacetes esquisitos do Exército Real.

Não Era Qualquer Navio, Era O BISMARCK!

  Não estamos falando de qualquer encouraçado da Segunda Guerra, estamos falando do Bismarck, o mais famoso dos navios de guerra. A História do Bismarck já é bem conhecida e já publicamos vários artigos aqui no BLOG sobre a caça que terminou com o afundamento do navio na sua primeira missão. Agora vamos apresentar o Bismarck de forma diferente, em toda a sua pompa, antes de se aventurar pelos mares contra os ingleses. Na segunda publicação vamos mostrar a “Caçada” ao navio de Hitler em Quadrinhos lançado logo depois dos ataques nos Estados Unidos. E por último uma análise da expedição que descobriu o navio com fotografias da situação dele hoje.

 

Detalhes da Guerra Na Normandia

 Artigo publicado por Ernie Pyle que acompanhou tropas no Dia D e nas operações posteriores. O relato foi um dos últimos do Ernie, pois um pouco mais de um ano depois ele seria morto em Okinawa por um atirador japonês. Vale a pena conferir o trabalho de um dos jornalistas que era considerado o melhor correspondente de guerra do mundo.

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Cabeça de praia da Normandia, 15 de junho de 1944 – O navio no qual eu rumo para a invasão do continente traz também alguns componentes da segunda leva de tropas de assalto. Chegamos nas águas congestionadas um pouco depois do escurecer do dia D mais um.

Abordo do navio, temíamos secretamente esta viagem, pois esperávamos ataques de U-boats, lanchas torpedeiras e ataques aéreos, contudo, nada aconteceu.

Ficamos no mar por muito mais tempo do que normalmente ficaríamos para fazer a jornada da Inglaterra para a França. O comboio no qual viajávamos era um dos vários que compunham o que é conhecido como “força”.

Enquanto descíamos, o Canal estava apinhado de forças rumando nos dois sentidos, e, enquanto escrevo, elas ainda rumam para norte e sul. Caça-minas alargaram as passagens para nosso comboio durante todo o percurso da Inglaterra para a França. Estas passagens eram marcadas com bóias. Cada caminho tinha milhas de largura.

Lá nós víramos, diante de nossos olhos, mais navios do que qualquer humano jamais vira em um só relance. Rumando para o norte, navegavam outros gigantescos comboios, alguns compostos de destróieres e outros navios velozes, que rumavam para a Inglaterra a fim de trazer novas cargas de tropas e equipamentos.

Tão longe quanto sua vista pudesse enxergar em qualquer direção, o oceano estava infestado de navios. Devia existir todo o tipo de embarcação oceânica do mundo ali. Eu até mesmo creio ter visto um vapor de roda de pá à distância, mas acho que era provavelmente uma ilusão.

Havia encouraçados e todos os tipos de vasos de guerra em escolta e patrulha. Havia grandes frotas de “Liberty Ships” Havia frotas de luxuosos transatlânticos transformados em transportes de tropas e frotas de grandes cargueiros e petroleiros. E, de quando em vez, em meio a essa barafunda, avistávamos navios que não conseguíamos descrever: iates convertidos, barcas, rebocadores, chatas. A melhor maneira que encontro para descrever esta vasta armada e a urgência frenética do tráfego é pedir que o leitor visualize o porto de Nova York, no dia mais ocupado do ano e multiplique a cena até que ela tome todo o espectro de visão que o olho humano pode atingir, até a linha do horizonte. E, além do horizonte, ainda haveria dúzias de vezes este número.

Não pudemos desembarcar assim que chegamos à costa de invasão em meio ao grande volume de navios, naquilo que é conhecido como “área de transporte”.

Tudo é altamente organizado em uma invasão, e, cada navio, até mesmo o menor deles, está sempre sob as ordens exatas, mensuradas por minutos. Mas, como nosso comboio foi tão castigado pelos ventos e pelas correntes, acabamos nos adiantando cinco horas no cronograma, apesar do fato de nossas máquinas terem permanecido paradas durante metade do tempo. Gastamos esse tempo circulando.

Embora tenhamos chegado a tempo, eles não estavam prontos para nos receber nas praias e passamos ainda várias horas navegando para lá e para cá entre a multidão de navios próximos à cabeça de praia. Finalmente, depois de muito tempo, recebemos ordens de entrar em fila e aguardar nossa vez.

Nesse momento deu-se a parte mais incongruente da invasão para nós. Aqui estávamos, na primeira fileira de um grande épico militar. Granadas dos encouraçados zuniam sobre nossas cabeças e, ocasionalmente, um cadáver passava pelo nosso navio boiando. Centenas e centenas de navios carregados moviam-se confusamente em torno de nós. Podíamos nos sentar na amurada e ver tanto as nossas granadas, quanto as alemãs, explodindo na praia, onde homens esforçados saltavam para a costa, vadeando desesperadamente e largando armas e equipamentos pelo caminho.

Estávamos no próprio vórtex da guerra e ainda assim, sentávamos lá para esperar. O Tenente Chuck Conick e eu jogávamos buraco nos beliches, enquanto Bing Crosby cantava “Sweet Leilani” pelo sistema de som do navio.

Projéteis acertavam as águas próximas a nós e levantavam colunas de água, que se chocavam contra o casco de nosso navio. Mas em nosso alojamento, homens com máscara contra gases e vestindo salva-vidas sentavam-se, lendo a “Life” e ouvindo a BBC, que nos transmitia notícias de como a guerra, que estava bem debaixo de nossos narizes, progredia.

Mas não era exatamente assim que acontecia em terra. Não, realmente não era nada parecido com um boletim da BBC.

Algum lugar da França, 26 de junho de 1944 – O atirador de escol – até onde eu saiba – é reconhecido como um meio legítimo de se fazer guerra; ainda assim, há algo de furtivo nele que implica com o senso americano de justiça. Eu nunca sentira isso antes de chegar à França e começar a acompanhar nossos soldados. Já tivéramos contato com franco-atiradores antes – em Bizerta, Cassino e vários outros lugares, mas sempre em pequena escala.

Aqui, na Normandia, os alemães se dedicaram de maneira total ao tiro de precisão. Há atiradores de escol em toda a parte. Há atiradores em árvores, em prédios, em pilhas de destroços, no mato, mas eles se localizam, principalmente, nas altas e cerradas cercas vivas que cobrem todos os campos normandos e costeiam cada estrada ou trilha.

Este é um país perfeito para o atirador de escol. Um homem pode se esconder nas boscosas sebes com vários dias de ração e encontrá-los é como procurar agulha em um palheiro. Para cada milha que avançamos, dúzias de franco-atiradores ficam para trás. Eles acertam nossos soldados um por um enquanto se deslocam pelas estradas ou campos.

Não é seguro se mover em uma área de bivaque até que os franco-atiradores tenham sido encontrados. No primeiro acampamento que cheguei, ouvi tiros zunindo por um dia inteiro antes que todos os atiradores escondidos fossem eliminados. Isso lhe dá a mesma sensação assustadora de andar em meio a um lugar que você acredite estar minado.

Nas campanhas anteriores, nossos soldados falariam sobre atiradores esporádicos com desprezo e nojo, mas aqui, a atividade se tornou mais importante e tomar precauções contra ela é algo que temos que aprender bem rápido.

Um amigo oficial disse: “Cada soldado aprendera a se prevenir contra franco-atiradores individualmente, agora temos que nos conscientizar deles como unidade”.

Os franco-atiradores matam tantos americanos quanto podem e então, quando sua comida ou munição terminam, se rendem. Para um americano, isso não é considerado muito ético. O soldado americano médio não tem grande ódio do soldado alemão comum, que luta em terreno aberto, mas seu sentimento contra os sorrateiros atiradores de escol são tão cáusticos que não podem ser publicados. Eles estão aprendendo como matar os atiradores antes que chegue o momento de se renderem.

De modo geral, esta parte da França é muito complicada para qualquer coisa a não ser o combate em pequenas unidades. Essa é uma região de pequenos terrenos, cada qual cercado por uma grossa sebe ou cercas altas de árvores. Dificilmente há um lugar onde você possa enxergar o campo além daquele onde você se desloca. Na maioria do tempo, o soldado não vê mais do que algumas dezenas de metros em qualquer direção.

Em outros lugares, o solo é inundado e pantanoso, com mato muito crescido e denso. Neste tipo de situação a guerra se torna quase homem a homem. Um oficial que servira muito tempo no Pacífico disse que este tipo de luta é a coisa mais próxima de Guadalcanal que ele já tinha presenciado.

Na frente oeste, 11 de agosto de 1944 – Eu sei que todos nós, correspondentes, tentamos por várias vezes descrever para vocês como é esta esquisita luta em cercas vivas no nordeste da França, apesar disso eu insistirei no assunto mais uma vez, pois estamos aqui por dois meses e alguns de nós sentem que este tempo foi suficiente para quebrar o exército alemão no oeste.

Este tipo de luta é realizado sempre em pequenos grupos, vamos tomar então, como exemplo, uma companhia. Digamos que eles avançam por uma viela entre dois campos e que esta companhia é responsável pela limpeza destas duas áreas em cada lado da estrada enquanto avança. Isso significa que você tem aproximadamente um pelotão por campo e, como normalmente as companhias ficam desfalcadas por baixas, você deve ter não mais do que 25 ou 30 homens em cada campo.

Por aqui os campos normalmente não são maiores do que 45 metros de largura por algumas centenas de metros de comprimento. Eles podem ter plantações de cereais, ou pomares, mas normalmente são somente pastos de grama bem verde, cheios de belíssimas vacas.

Os campos são cercados por todos os lados por gigantescas cercas vivas que consistem de bancos de terra antiqüíssimos, cobertos de raízes, sob as quais crescem ervas daninhas, arbustos e árvores de até seis metros de altura. Os alemães usam estas barreiras muito bem. Eles colocam franco-atiradores nas árvores, cavam trincheiras profundas atrás das sebes e as cobrem com vigas e troncos, tornando-as quase à prova de nossa artilharia.

Algumas vezes eles armam metralhadoras com cordões presos, podendo atirar pela sebe sem sair de seus buracos. Eles até mesmo seccionam parte da sebe e escondem ali um canhão ou um tanque, cobrindo-os com vegetação. Eles também cavam túneis sob as cercas vivas, abrindo no lado oposto um buraco suficientemente grande para posicionar uma metralhadora; mas, normalmente, o padrão neste terreno é: uma metralhadora pesada escondida em cada ângulo do campo e soldados ocultos ao longo de toda a sebe, com fuzis e submetralhadoras.

Nossa tarefa agora é arrancá-los de lá. Esse é um negócio lento e cauteloso, e não há nada muito fascinante a respeito. Nossos homens não avançam pelo campo em dramáticas cargas como aquelas que você vê no cinema. Inicialmente eles procediam assim, mas as baixas lhes ensinaram que esta não era a melhor maneira.

Eles avançam em pequenos grupos, um esquadrão ou menos, separados por alguns metros e colados às sebes de cada lado do campo. Eles rastejam por alguns metros, param, perscrutam, esperam e então rastejam novamente. Se você pudesse estar exatamente entre os alemães e os americanos você não conseguiria enxergar muitos homens de cada vez – só uns poucos ali e aqui, sempre tentando manter-se escondidos, mas certamente você ouviria um grande número de barulhos horríveis.

Nossos homens aprenderam, no treinamento, a não atirar até que vissem alguma coisa em que disparar. Mas essa doutrina não funcionou neste país, pois você “vê” muito pouco, portanto a alternativa é continuar atirando constantemente contra as cercas vivas. Isso mantém os alemães nos seus buracos enquanto nossos soldados rastejam em direção a eles.

Os esquadrões de ataque esgueiram-se ao lado das sebes enquanto o resto do pelotão permanece nas suas próprias cercas e mantém a cerca adiante saturada de fogo. Eles também usam lançadores de granadas, e um esquadrão de morteiro um pouco mais atrás, disparando cargas sobre as sebes alemãs.

Os pequenos grupos de vanguarda chegam às sebes inimigas pelos ângulos do campo, tentando, primeiramente, eliminar as metralhadoras ali posicionadas com granadas de mão, lançadores de granadas e submetralhadoras.

Geralmente, quando a pressão aumenta muito, os defensores alemães da sebe começam a recuar. Eles levam suas armas mais pesadas e a maioria dos homens por alguns campos e começam a cavar uma nova linha de defesa. Eles deixam uma ou duas metralhadoras, e uns poucos fuzileiros espalhados pela linha antiga; estes homens tentam manter um volume de fogo a fim de atrasar os americanos o máximo possível.

Nossos homens agora se esgueiram para o meio da sebe, atirando granadas para o outro lado e disparando contra a vegetação. A luta é realizada de muito perto, somente uns poucos metros de distância, mas raramente desenvolve para combate homem a homem.

Algumas vezes os defensores alemães se levantam de suas trincheiras com as mãos para cima, noutras eles fogem e são atingidos, em outras ainda, eles simplesmente não saem de seus abrigos de forma alguma e uma granada de mão, jogada nas suas trincheiras, os elimina. Desta forma, finalmente, conquistamos outra sebe e estamos prontos para avançar à próxima.

Esta batalha nas cercas vivas configura-se por uma série de pequenas escaramuças como as descritas acima, milhares de pequenas escaramuças, sendo que nenhuma delas envolve mais do que poucas dezenas de homens, mas, somando-as todas, por dias, semanas e meses, nós temos uma guerra gigantesca, com milhares de homens sendo mortos de cada lado.

Ernie Pyle logo depois de ter sido atingido.

Ernie Pyle logo depois de ter sido atingido.

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