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Sequência de um Ataque Antiaéreo Alemão Contra Paraquedistas!

Quando li a primeira vez a obra de Stephen E. Ambrose, O Dia D, fiquei fascinado por sua descrição no capítulo que abordava as Operações Aerotransportadas. Logo no início, ele já avisa que não há registro fotográfico dos saltos no território francês. Contudo, o relato das baterias antiaéreas abrindo fogo contra os Dakotas, que tentavam desviar dos tiros traçantes aumentando ou diminuído a altitude e tornando o salto dos paraquedistas um verdadeiro inferno. Isso aguçava a imaginação.

Já na Operação Market Garden houve sim registro fotográfico, mas são poucos os registros do lado alemão das operações antiaéreas contra as tropas aliadas. Por isso, o registro fotográfico abaixo é extremamente importante para termos noção como as baterias antiaéreas alemãs atuavam contra uma invasão do porte da Market Garden.

Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen? Os Desesperados Defensores!

A região de Hurtgen estava inicialmente sendo defendida pelo 7º Exército do General Erich Brandenberger. No contexto geral as tropas defensoras não tinham noção quais os objetivos dos aliados, mas sabiam da importância das represas do Roer, e do início da implementação da Unternehmen Wacht am Rhein (“Operação Vigília sobre o Reno“), que iria concentrar tropas atrás do Reno.

Graças as características da floresta, já citadas anteriormente, um pequeno força poderia impedir o progresso de um grande contingente, principalmente com o apoio de sua artilharia, já que todos os pontos dominantes, estavam sob o domínio alemão. As vantagens que os americanos tinham de nada valiam na tomada da floresta. O terreno lamacento impedia a progressão motorizada, enquanto que a visibilidade praticamente inutilizava a artilharia.

Mesmo os soldados alemães que defenderam a região, não fossem tropas de primeira linha, basicamente sobreviventes de outras frentes, a proteção de casamatas, a falta de mobilidade blindada do inimigo, assegurou vantagens incomuns sobre os americanos na campanha europeia.

Mais um trecho do livro Soldados Cidadãos – Stephen Ambrose – Bertrand Brasil

Para os alemães, a situação era igualmente terrível. Um comandante alemão, o general Hans Schmidt, 275ª Divisão de Infantaria, chamou a floresta de um lugar “estranho e selvagem”, no qual “os pinheiros escuros e as densas copas dão à floresta, mesmo durante o dia, um aspecto sombrio, capaz de deprimir as pessoas mais sensíveis”. O general Paul Mahlmann, comandante da 353ª Divisão de Infantaria, disse que suas tropas “estavam lutando diariamente, sem repouso, recebendo pouco apoio de sua própria artilharia, com as roupas encharcadas pela chuva e sem a possibilidade de trocá-las”.

Para os soldados americanos, aquilo era uma calamidade. Em sua operação de setembro, a 9ª de Infantaria e a 2ª de Blindados chegaram a perder 80% de seus efetivos na linha de frente e não ganharam quase nada com isso. No dia 9 de outubro, reforçada, fez outra tentativa, mas, pelos meados do mês, tornou a cair em apertos e sofreu terrivelmente. Suas baixas chegaram a perto de 4.500 homens para cada três mil metros de avanço. As perdas alemães eram um pouco menores: cerca de 3 mil.

Curiosidade:

No último dia de outubro, os oficiais da 9ª Divisão emitiram um relatório de cinco páginas, intitulado “Notas sobre Combates em Florestas”. instruía os homens a comprimirem o corpo contra um tronco de árvore quando tiros de barragem começassem, aconselhava jamais se mobilizarem pela floresta sem bússola e que nunca avançassem reforços em meio à batalha ou a uma barragem.

Perguntas sobre a Segunda Guerra? blogchicomiranda@gmail.com

Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen? Então Vamos Lá!

As primeiras tropas a chegarem a região Hurtgen foi o 1º Exército americano do Tenente-General Courtney H. Hodges, quando na eclosão da Operação Market Garden, a missão era cobrir o flanco-direito dos britânicos. Com o fracasso da operação, os aliados resolveram manter a pressão sobre os alemães antes da chegada do inverno.

É importante salientar o espírito de confiança que dominava a ofensiva aliada. Todos acreditavam que Berlim cairia antes do natal. E uma das possibilidades estratégicas era justamente fechar um cerco ao inimigo próximo ao Reno. Na composição do avanço sobre o Reno, o 1º Exército iria tomar a cidade de Aachen, muito bem defendida pelos alemães, e avançar pelo conhecido “Corredor de Stolberg”, situada entre a cidade e a Floresta de  Hurtgen. O comando americano, contudo temia um ataque de tropas reservas inimigas posicionadas na floresta. O 7º Corpo de Exército ficou responsável pelo avanço, utilizando 1º e 19º Divisão para tomar Aachen; a 3ª Divisão Blindada iria avançar sobre o Corredor, com a 9ª Divisão de Infantaria avançando para tomar a Floresta de Hurtgen.

Em uma análise rápida, o objetivo realmente era o avanço sobre o Reno, mas estrategicamente o domínio da represa do Rio Roe, que corria a margem oriental da Floresta, eram imprescindível para os avanço americano, pois, na prática, os alemães que controlavam a represa, poderiam, no caso de perder o domínio da Floresta, perfeitamente abrir as comportas da represa e inundar toda a região, dando fim a qualquer tentativa de avanço. Ou seja, de nada valia o controle da Floresta de Hurtgen, enquanto a represa do Rio Roe estivesse sob o controle alemão. Dai o motivo dos alemães não entenderem a insistência americana de dominarem essa região.

Segue abaixo trecho do livro Soldados Cidadãos – Stephen Ambrose – Bertrand Brasil.

A batalha foi travada sob as piores de todas as condições que os americanos tiveram que enfrentar, piores mesmo do que as batalhas que se travaram no Mosa e na Floresta de Argone.

Em 19 de setembro, a 3ª Divisão de Blindados e a 9ª Divisão de Infantaria começaram a atacar. Os tenentes e capitães aprenderam rapidamente que ali o controle de unidades maiores que pelotões era impossível. Soldados a mais de alguns metros separados uns dos outros, não conseguiam ver-se. Não havia clareiras, apenas aceiros estreitos e trilhas. Os mapas eram quase inúteis. Quando os alemães, seguros em suas casamatas, viam os soldados americanos avançando, solicitavam às suas forças de apoio tiros de artilharia previamente assentados, a qual usava projéteis com detonadores regulados para acionar o explosivo ao contato com a copa das árvores. Portanto, quando os homens se atiravam ao chão para se proteger, como reação do treinamento que tinham recebido e conforme lhes ditava o instinto, expunham-se a uma chuva de estilhaços de metal quente e lascas de árvores. Mas aprenderam que, para sobreviver aos projéteis de Hurtgen, podiam recorrer ao tronco das árvores, abraçando-se a eles. Dessa forma, expunham somente o capacete de metal.

Os tanques mal podiam mover-se pelas poucas estradas, já que estas eram muito lamacentas , estreitas demais e densamente minadas. E, de jeito nenhum, podiam sair delas. Os aviões não podiam decolar. A artilharia podia ser utilizada, mas não eficazmente, já que os oficiais superiores não conseguiam enxergar além de dez metros na linha de combate. Os americanos não podiam usar seus trunfos – força aérea, artilharia, mobilidade. Estavam obrigados a travar combate na lama e em campos minados, escaramuças em que a infantaria se envolvia e avançava pela floresta adentro, com metralhadoras e morteiros leves como seus únicos elementos de apoio.

 

Curiosidade:

 Os americanos não gostam de citar essa batalha, pelo erros grosseiros cometidos durante a campanha. Vidas de soldados foram desperdiçadas, inclusive tropas de elite, como os Ranges e Paraquedistas.

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Os Feridos e Mortos em Omaha – Dia D

Na praia de Omaha, as primeiras ondas tiveram baixas de quase 90% do efetivo. Muitos dos soldados se afogaram, foram pegos pelas metralhadoras ou artilharia inimiga. O grosso do efetivo nunca tinha entrado em combate, ali, naquela praia era a primeira vez que encontravam a guerra e a morte. A partir de momento que iniciou a invasão, nada mais importava, exceto sair vivo daquele inferno que foi a praia de Omaha. Se invasão falhasse, seria por ali, e o mais provável era que isso acontecesse, pois duas horas depois do início da Operação, corpos se amontoavam levados pelas ondas que sacudia-os de lado para outro, pela palavras de Stephen E. Ambrose: “[…] como uma gato brincando com seu brinquedo predileto, para lá e para cá[…]”.

Para os inimigos históricos dos Estados Unidos não é possível tirar o mérito desses jovens americanos que deram suas vidas por esse pedaço de terra. Assim como outros jovens alemães deram suas vidas para defendê-las. Isso é guerra! Infelizmente algo atroz que se repete vigorosamente ano após ano, não com as dimensões alcançadas da Segunda Guerra, mas em outras proporções ao redor do mundo.

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