Arquivo

Posts Tagged ‘União soviética’

A Alemanha e a Invasão da União Soviética – Entendimento

        O processo de invasão da União Soviética estava na mente de Hitler desde a sua formação ideológica total. Era um projeto de poder. E todos sabiam do antagonismo dos regimes alemães e soviéticos. Por isso o pacto de não agressão Molotov-Ribbentrop, assinado à surdina de 23 de agosto de 1939, causou tanta estranheza as nações ocidentais. Todos foram pegos de surpresa com a declaração da assinatura do pacto. O resultado imediato permitiu uma invasão à Polônia coordenada com as forças soviéticas, ao ponto de terem estabelecidos todas as áreas de influências antes mesmo que qualquer tiro fosse disparado. Até hoje os defensores do regime comunista não acreditam que a figura de Stálin se alinhou com Hitler e caminharam juntos com os mesmos objetivos de 1939 a 1949. Argumentam que é uma mentira reconhecida dos capitalistas para denigrir a imagem de Joseph Stálin ou uma maravilhosa estratégia do líder soviético para ganhar tempo e se preparar para uma guerra inevitável. Duas argumentações, diga-se de passagem, falhas e sem cabimento. Primeiro é necessário entender que não há qualquer dúvida que o Pacto delimitava as condições de avanço alemão e previa as condições depois da capitulação polaca. Não há qualquer argumentação histórica séria que vá de encontro às condições a este cenário. Com relação à visão de que Stálin se preparava para uma guerra com a Alemanha, isso é uma argumentação extremamente difícil de ser defendida. A invasão da União Soviética ocorreu com um avanço territorial significativo durante as primeiras semanas de campanha, com pouca ou nenhuma resistência. O próprio Stálin já esperava uma invasão a Rússia, inclusive com um plano de abandonar a capital russa e realizar a transferência das fábricas bélicas para os Montes Urais.  Hitler opta por avançar em direção ao Cáucaso, a revelia do pensamento de militares expoentes como Guderian e von Rundstedt que acreditavam na conquista da capital. No sentido geral, não argumentosque possam embasar que se tratava de uma estratégica stalinista, estava mais para uma guerra desesperada pela sobrevivência. E a guerra não foi ganha pelas estratégias russa, quando estavam defendendo seu território, mas pela tenacidade de seus jovens soldados.

 Segue galeria da invasão alemã a território russo.

A União Soviética Invade a Polônia e Ninguém Diz Nada!

A Segunda Guerra Mundial sempre será objeto de estudo de professores, estudantes, pesquisadores e entusiastas em vários aspectos, o motivo principal é que o período fascina pela complexidade.  Um repositório de fatos que se não for tratado com a devida clareza, dará margens para dúbias e constrangedoras inverdades históricas. De certo que nem sempre será possível atingir esta clareza, pelo contrário, as especulações e interpretações são ferramentas de estimulo ao estudo do período, mas é necessário critério e, principalmente, sensatez ao especular fatos, já que a ideologia contamina e torna tendenciosa a análise dos fatos relacionados a este conflito que permeia a mente humana há mais de 70 anos.

Não por acaso, a eclosão da guerra em setembro de 1939 foi apenas o estouro de uma bomba relógio ativada assim que o Tratado de Versalhes foi assinado. Falando sobre isso, Hans von Seeckt, um dos mais proeminentes militar da Alemanha e o idealizador da utilização de Blindados, declara: “aceitamos uma paz de 20 anos” (LIDDELL HART, 1980), e exatamente 20 depois, a guerra volta a assombrar o Velho Continente. Não poderia haver profecia mais segura.

01 de setembro de 1939 a Alemanha inicia a invasão da Polônia. Aviões alemães atacam a cidade polonesa de Wielun, matando cerca de 1.200 pessoas. São as primeiras vitimas de milhões que estariam por vir. A principal característica dessa invasão era a certeza de que a Alemanha estaria com as fronteiras da própria Polônia, a leste, assegurada por um esdrúxulo tratado de não-agressão com a União Soviética, portanto militarmente, já se estabelecia o cenário a ser imposto por Stálin e Hitler para a Polônia. O tratado colocava no mesmo lado inimigos naturais aquela altura. A União Soviética, poucos meses antes, tentaram um acordo com as potências ocidentais contra a própria Alemanha, mas que não foi estabelecidas graças as chamadas “zonas de influência” (frase muito utilizada durante o pós-guerra), e a liberdade da União Soviética de entrar com tropas em território polaco e nos Estados Bálticos, caso se sentisse ameaçada.

Em 23 de agosto de 1939 o Pacto Molotov-Ribbentrop é assinado e o mundo não entende como dois sistemas de governo antagônicos e de ódio mútuo poderiam agora selarem a paz. Mas a profundidade das negociações eram muito mais acentuadas do que a composição ideológica dos regimes. O tratado foi negociado já levando em consideração as áreas de influência (os aliados não aceitaram, mas o regime de Stálin e Hitler souberam negociar essas áreas), dividindo os países Bálticos, România e a própria Polônia a partir das intervenções militares que estariam por vir. E aconteceu!

 Quando a invasão teve início todos aguardavam uma resposta contundente da Inglaterra e França. A própria Alemanha mobilizou Divisões da Wehrmacht para a linha Siegfrield esperando uma ofensiva francesa que nunca chegou. No dia 03 de setembro, após o ultimado, a França e a Inglaterra declaram guerra a Alemanha. A batalha na Polônia prossegue e o Exército polonês tenta desesperadamente manter a defesa do país. O governo polaca clama pela intervenção dos aliados. A Inglaterra prepara um Força Expedicionária, enquanto a França não se entende quanto o emprego do seu Exército e resolve estacionar nas suas próprias fronteiras protegidos pela Linha Maginot.

O que realmente intriga e é objeto de questionamento por parte dos adeptos pró-Alemanha no estudo da Segunda Guerra, ocorre quando a União Soviética invade a Polônia dia 17 setembro, ou seja, 14 dias após a Declaração de Guerra contra a Alemanha, mas nem mesmo cessam as relações diplomáticas entre os aliados e os soviéticos.

Vamos argumentar alguns perspectivas para fornecer o cenário dessa situação inicial da guerra.

Primeiro a União Soviética sustenta que invadiria a Polônia para proteger os bielorrussos e ucranianos estabelecidos na fronteira russo-polonesa. Esse embasamento foi divulgado através de telegramas as embaixadas da Alemanha, Inglaterra e França1 em 10 de setembro, em seguida,  no dia 17, o governo da Polônia também é informado2. O que podemos observar é que, apesar de encobertar as suas verdadeiras intenções, o governo soviético tenta justificar a ação.

Enquanto a reação dos aliados frente a atitude soviética?

Politicamente o governo francês passava por um quase ridículo momento, e o presidente Albert Lebrun não conseguia um acordo nem mesmo para mobilizar seu exército. Uma declaração de guerra a União Soviética era injustificável politicamente e o governo francês não tinha condições internas para fazê-lo. Enquanto a Inglaterra mobilizou e enviou suas tropas para o continente, mas não poderia declarar guerra contra a União Soviética, tendo em vista que aquela altura não poderia contar com apoio francês. As justificativa soviética e as dificuldades de lutar contra dois grandes países por um Estado que, aquele momento, já não subsistia, era considerado como impensado. Tudo isso somado ao receio de Chamberlain de eclodir o mesmo cenário da Grande Guerra.

Do ponto de vista militar e político em nada acrescentaria a declaração de guerra, pelo contrário, o cenário diplomático ainda tentava atuar para evitar que o conflito se estendesse. Com isso, podemos concluir que, dado as condições da política interna da França e o perfil hesitante do Primeiro-ministro Chamberlain, é claro que a declaração de guerra contra os soviéticos foi cogitada mas nunca levado à cabo. Todos temiam que o guerra se estendesse, mas em 17 de setembro de 1939 aquilo já era inevitável.

1. The Avalon Project, Yale Law School. Supostamente de 14 de Novembro de 2006.

2. (Nota do governo soviético para o Governo polaco em 17 de Setembro de 1939, recusada pelo Embaixador polaco Wacław Grzybowski). obtido q 15 de Novembro de 2006; Degras, pp. 37–45.

Panzerabwehr – Arma Anti-Tanque, Simples e Eficiente.

Com o avanço dos Vermelhos sobre as tropas alemães e Wermarcht passou a adotar uma eficiente arma contra os terríveis blindados dos soviéticos. O Panzerabwehr, um tipo de bazuca alemã, passou a ser armamento obrigatório para sua infantaria e permaneceu assim até a queda final de Berlim em maio de 1945. Seu funcionamento ridiculamente simples permitia a utilização de qualquer um, inclusive sendo utilizado por crianças durante a Batalha pela capital alemã.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXII

Parte 22

Desumanizar o inimigo fornecia algo como um salvo-conduto emocional. Se o inimigo não era gente e sim Untermenschen (sub-humano), então o que acontecia com eles não tinha tanta importância. Soldados à deriva em um mar de violência dentro de um ambiente letal apenas respondiam aos comandantes de suas unidades, aos responsáveis que se encontravam por perto e a mais ninguém. Talvez seja pouco realista exigir que tropas de combate façam escolhas morais. Diante de dilemas humanos impossíveis, é bem mais fácil obedecer ordens. Aqueles incapazes de reconhecer que havia uma escolha eram ideologicamente e frequentemente absolvidos de forma oficial da sua responsabilidade.

O doutro Paul Linke, um oficial e médico da infantaria, sempre acreditou que executar os comissários russos era boato de caserna até que o comandante do batalhão ordenou que um amigo próximo, tenente Otto Fuchs, executasse um. Fuchs, um advogado na vida civil, teve o seu protesto gaguejante interrompido pelo seu oficial superior. Este disse: “Tenente Fuchs, eu não quero ouvir mais nenhuma palavra. Saia e cumpra a ordem!” O médico, com um pensamento rápido, ofereceu-se para acompanhar o seu infeliz amigo na sua sombria obrigação e prontamente o levou ao corpo de um soldado russo que havia previamente descoberto em uma vala próxima. O comissário russo foi incentivado a trocar o uniforme e enterrar o corpo agora com o uniforme de comissário. Depois foi solto para que pudesse voltar às linhas russas. Dois tiros de pistola contra o chão disfarçaram a encenação. Linke “esperava que tinha ficado bem claro para o comissário que ambos seríamos executados se o truque viesse a ser descoberto.” O russo, agradecido, sumiu na noite. O jovem médico, “percebia que valia a pena manter sua honra como oficial – nós não executamos prisioneiros indefesos” disse ele. Fuchs teve de se apresentar ao comandante do batalhão e confirmar que a ordem de execução tinha sido executada. Este admitiu: “Me desculpe Fuchs. Eu também não queria fazê-lo. Em uma análise final, eu deleguei a responsabilidade desta ordem para você.” A integridade em comum era, em última instância, uma questão de escolha pessoal. Alguns soldados na verdade tinham apreço pela violência mas, para a maioria, o principal fator que os unia era a solidariedade do grupo no qual eles viviam. Sobrevivência dependia do companheiro. Certo ou errado não era a questão. Na realidade, havia variações dentro do “errado”.

O tenente Peter Bamm, outro oficial médico do Grupo de Exército Sul, observou que os massacres de judeus depois da tomada da cidade de Nikolaev não eram aprovados pelos soldados da linha de frente. Estes achavam que suas vitórias “ganhas após uma batalha cruel e prolongada” estavam sendo usadas pelos “outros” – a SS e a SD. “Mas não era uma indignação que vinha do coração.” Depois de sete anos de domínio pela SS e pela SD, a corrupção moral “já tinha feito muito progresso, mesmo entre aqueles que a teriam negado veementemente.” Tais protestos poderiam ser silenciados através de ações contra as famílias que estavam na Alemanha como foi o caso de um Oberst na sua divisão. As atrocidades russas também tiveram um impacto sobre a perpetuação de sua integridade moral. Os soldados faziam qualquer coisa necessária para sobreviver. “Não havia uma indignação feroz” admitiu o tenente Bamm. “O vírus já estava inoculado há muito tempo.” Neste momento, não havia como voltar. Caso o inimigo conseguisse alcançar o Reich, o ajuste de contas deveria ser feito diretamente com o diabo.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XX

Parte 20

Peter Petersen se lembra de um velho colega de escola, um Untersturmführer da SS que estava de licença do front. Ele tinha recebido “uma repreensão severa” por parte dos seus superiores devido à sua resistência em executar prisioneiros. Petersen chamou a atenção para o fato dele ter mudado desde os antigos tempos de escola:

“Foi dito a ele que aquela não era uma guerra para crianças (A tradução correta seria Guerra de Jardim de Infância – Kindergaten Krieg – embora a expressão “guerra para crianças” seja mais adequada – N. do T.). Ele seria enviado para assumir o comando de um pelotão de fuzilamento onde ele teria que executar partisans, desertores alemães e sabe-se lá o que mais. Ele me disse que não tinha coragem em desobedecer tal ordem já que, se o fizesse, seria executado.”

Um sentimento de incerteza reinava atrás das linhas do front. Soldados se sentiam cercados e isolados. O Korück 582 – uma unidade de segurança operando atrás das linhas do front do 9º Exército – era responsável por 1.500 vilas em uma área de mais de 27.000 km quadrados. Ele tinha apenas 1.700 soldados sob o seu comando para executar tal tarefa. Nenhum apoio era oferecido pelo 9º Exército o qual, no início da campanha, tinha uma carência de 15.000 homens. As atividades dos partisans abrangiam 45% da área operacional. Tais unidades de segurança eram, na sua maioria, comandadas por oficiais incompetentes e idosos que tinham entre 40 e 50 anos comparados com os oficiais das linhas de frente que tinham em média 30 anos. Os comandantes dos batalhões do Korück 582 tinham praticamente 60 anos e seus soldados receberam pouco treinamento. Os sentimentos de vulnerabilidade e de um perigo constante eram freqüentes nestas zonas as quais, paradoxalmente, poderiam ser tão ativas e perigosas quanto as linhas de frente.

Walter Neustifter, um infante e operador de metralhadora, contou que “você sempre tem que ter em mente os partisans.” E atrocidade gerava mais atrocidade.

“Eles atacaram toda uma equipe de transporte e logística, despiram os soldados, colocaram as suas roupas e distribuíram todo o material capturado e alguns rifles. Então, para assustá-los, nós enforcamos 5 homens.”

Peter Neumann, um oficial da 5ª Divisão SS ‘Wiking’ explicou após um massacre em represália aos ataques de partisans contra soldados alemães:

“Nós da SS podemos ser cruéis, mas os partisans também travam uma guerra desumana e não mostram nenhuma misericórdia. Talvez nós não possamos culpá-los por estarem defendendo a sua própria terra, mas mesmo assim está bem claro o nosso dever de exterminá-los… e onde está o senso de justiça? Como se tal coisa existisse…”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XVIII

Parte 18

Os excessos eram cada vez mais comuns. Ao final de agosto, o Gefreiter Georg Bergmann do Regimento de Artilharia 234 perto de Aunus no front finlandês ao norte, testemunhou um espetáculo bizarro proporcionado por veículos de uma unidade sendo dirigidos a uma alta velocidade com prisioneiros se empoleirando no capô do motor e nos pára-lamas. Ele disse que: “A maioria caiu devido à altíssima velocidade e foram ‘fuzilados enquanto tentavam escapar’.” O Gefreiter de infantaria Jakob Zietz contou sobre seis prisioneiros de guerra russos capturados por sua companhia da 253ª Divisão de Infantaria, os quais foram obrigados a trabalhar carregando munição perto de Welikije Luki. “Eles estavam completamente exaustos devido à ação do calor e dos seus esforços e caíram no chão, incapazes de continuar a marchar.” Eles foram executados a tiros. Outros morreram limpando campos minados ou carregando munição para a linha de frente.

Durante a noite de 27 de agosto, milhares de prisioneiros soviéticos foram apinhados dentro de um ponto de coleta de prisioneiros em Geisin, perto de Uman. O complexo foi projetado para comportar entre 500 a 800 pessoas, mas a cada hora que passava, de 2.000 a 3.000 prisioneiros chegavam para serem alimentados e enviados para a retaguarda. Nenhuma comida havia chegado e o calor era sufocante. Ao anoitecer, 8.000 se acotovelavam dentro do local. O Oberfeldwebel Leo Mallert, um dos guardas da 101ª Divisão de Infantaria, ouviu então “gritos e tiros” vindos da escuridão. O som dos tiros indicava que era obviamente de grosso calibre. Duas a três baterias de Flak 88mm que estavam por perto começaram a atirar diretamente contra um silo de grãos que estava dentro do perímetro de arame farpado “porque os prisioneiros tinham alegadamente tentado fugir.” Mais tarde um dos vigias disse a Mallert que entre 1.000 e 1.500 homens tinham sido mortos ou gravemente feridos. Má organização e péssima administração resultaram em um superlotação crônica, mas o Stadtkommandant (Comandante Militar) de Geisin não podia arriscar uma fuga em massa.

Não há local, dentro da disciplinada cultura militar alemã ou dentro de sua doutrina tática para lidar contra civis irregulares. Este tinha sido historicamente o caso durante a guerra Franco-Prussiana de 1871 e que se repetiu durante as primeiras fases de ocupação da Primeira Guerra Mundial. Os soldados alemães consideravam errado, ou de alguma maneira injusto, o fato do inimigo continuar a lutar na retaguarda depois de ter sido isolado ou cercado, lutando em um situação sem esperança. Na Rússia, diferentemente do que tinha até então acontecido no oeste, o inimigo se recusava a em seguir as regras de uma rendição ordenada. Os irregulares eram chamados de “bandidos” de acordo com o linguajar militar alemão e tratados como tais. Milhares de soldados russos acabaram ficando separados de suas formações de origem nas grandes batalhas durante as operações de cerco. No dia 13 de setembro de 1941, o OKH ordenou que soldados soviéticos que se reorganizassem e continuassem a resistir após serem ultrapassados pelas forças alemãs, deveriam ser tratados como partisans ou “bandidos”. Em outras palavras, eles deveriam ser executados. Oficiais da 12ª Divisão de Infantaria receberam a seguinte orientação do seu comandante:

“Prisioneiros feitos atrás da linha de frente (…) a única ordem é atirar! Todo soldado deve atirar contra qualquer russo que for encontrado atrás da linha de frente e que não tenha sido feito prisioneiro durante a batalha.”

Tais ordens não soariam absurdas aos soldados simpatizantes ao acordo tácito de que a guerra deveria ser limpa e justa desde que, é claro, se observasse a superioridade tecnológica, tática e organizacional alemã.

C O N T I N U A

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XV

PARTE 15

Uma ordem do OKW datada em 8 de julho de 1941 com relação ao tratamento de prisioneiros de guerra preconizava que “as equipes médicas russas, bem como seus doutores e suprimentos médicos devem ser utilizados primeiramente” antes que o material alemão fosse requisitado. Os transportes da Wehrmacht não deveriam estar disponíveis. Duas semanas mais tarde, o OKH sancionou mais limitações de modo a “prevenir que a pátria sofra uma enxurrada de feridos russos.”. Apenas os prisioneiros levemente feridos e que ainda fossem capazes de andar depois de uma espera de quatro semanas é que teriam permissão para serem evacuados. Os remanescentes deveriam ser condicionados em “hospitais improvisados para os prisioneiros” administrados “essencialmente” por equipes russas usando “apenas” suprimentos médicos soviéticos. Tais diretivas eram obedecidas sem nenhum questionamento. A 18ª Divisão que fazia parte do 2º Panzergruppe do Generaloberst Guderian, ordenou que “sob nenhuma circunstância os prisioneiros russos deverão ser tratados, acomodados ou transportados juntamente com prisioneiros alemães. Eles deverão ser acondicionados em carroças ‘Panje’ (movidas a cavalo).”.

Os prisioneiros soviéticos capturados após as batalhas nos bolsões de resistência, estavam não apenas em estado de choque; muitos estavam feridos e machucados. Neste estágio inicial e sendo gratos por ainda estarem vivos, eles na maioria das vezes estavam tão exaustos e intimidados que não cogitavam a possibilidade de fugir. Estando em um nível tão baixo tanto em termos psicológicos quanto físicos, eles dependiam do sustento a partir de quem os tinha capturado. Era este fenômeno que fazia com que as enormes colunas de prisioneiros se mantivessem coesas. O tenente Hubert Becker, um apaixonado cinegrafista amador, filmou tais concentrações de prisioneiros e descreveu as imagens após a guerra:

“Eles foram reunidos em um vale e receberam tratamento para as feridas. As enfermeiras se moviam de um lado para outro. A maioria estava gravemente ferida e em um estado lamentável, moribundos devido à sede e resignados com o seu destino. A falta de água em um calor reluzente, seco e abrasador da estepe era terrível. Prisioneiros lutavam até mesmo por uma gota de água. Alguns deles, mantendo um sentimento forte de disciplina, evitavam que os mais saudáveis (aqueles que tinham as melhores condições para caminhar) não bebessem toda a água. Desse modo, aqueles que mais precisavam poderiam ainda pegar algumas das gotas que sobrassem. Estas pessoas estavam tão inertes e felizes por terem escapado do inferno que eles mal percebiam a minha câmera. Eles nem mesmo tinham me visto!”

Becker, ponderando ironicamente sobre o destino daquela multidão de humanos que enchia as suas lentes, admitiu que “o que afinal aconteceu com tantos e tantos soldados eu realmente não sei e é melhor que ninguém saiba.”. Alguns faziam o que podiam. Um médico trabalhando junto ao Ponto de Coleta do 9º Exército (9AG SSt) falou sobre “ilhas de humanidade dentro de um mar intransponível de miséria dos prisioneiros de guerra.”. Ninguém estava disposto a cooperar. Requisições de suprimentos, comida e remédios eram completamente ignorados. Em um campo perto de Uman em agosto de 1941, entre 15.000 e 20.000 prisioneiros soviéticos encontravam-se a céu aberto. O Schütze Benno Zeiser, vigiando este campo, deu uma ideia sobre o que tal negligência podia acarretar:

“Praticamente todos os dias homens morriam por fadiga. Outros levavam os seus mortos para o campo para enterrá-los lá. Eles carregavam os corpos em turnos e nunca pareciam estar ao mínimo emocionados pela situação. O cemitério do campo era muito grande; o número de homens sob o solo deveria ser bem maior do que o número dos que ainda estavam vivos.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XIII

PARTE 13

Lidar com tais massas provoca uma pressão ímpar. A 12ª Divisão, por exemplo, capturou 3.159 prisioneiros entre 31 de agosto e 8 de outubro de 1941 o que, em termos numéricos, equivale a 25% do sua própria força efetiva que variava entre 12.000 a 13.000 homens. A 18ª Divisão, ponta de lança dos avanços do Grupo de Exércitos Centro, fez 5.500 prisioneiros do Exército Vermelho durante as cinco primeiras semanas da campanha, ao passo que o seu efetivo foi reduzido de 17.000 para 11.000 em agosto. Desta maneira, poucos soldados estavam disponíveis para vigiar os prisioneiros que totalizavam em torno de 40% do efetivo da própria divisão. As unidades Panzer à frente da infantaria tinham que manter o avanço, conter os cercos nos bolsões e guardar a massa de prisioneiros enquanto que o número de infantes e de tanques diminuía constantemente.

A enormidade deste problema pode ser comparada com o efetivo das divisões alemãs de infantaria. Ao final de julho, os alemães tinham que administrar o equivalente a 49 divisões em termos de cuidados médicos, transporte e alimentação sem contar com o seu próprio efetivo total. Uma simples divisão alemã necessitava uma logística de 70 toneladas de suprimentos por dia das quais 1/3 correspondia à alimentação. Não havia recursos logísticos necessários para manter um avanço constante e menos ainda para os prisioneiros de guerra. Pouca importância, afora o severo objetivo ideológico, foi dada ao afluxo repentino e inesperado de prisioneiros. O tenente de artilharia Hubert Becker declarou após a guerra:

“Isso era sempre um problema porque nenhum manual de guerra diz o que fazer com 90.000 prisioneiros. Como eu lhes dou abrigo e os alimento? O que se deve fazer? De repente havia 90.000 homens vindo em nossa direção em uma coluna sem fim.”

O Schütze Benno Zeiser, pertencente a uma Companhia de operações especiais, testemunhou o resultado desta negligência oficialmente endossada:

“Era como um crocodilo enorme, de uma cor marrom-terra, lentamente marchando pela estrada em direção a nós. Dele vinha um zumbido baixo, como o de uma colméia. Prisioneiros de guerra, russos, em seis filas. Nós não conseguíamos ver o final da coluna. Enquanto eles se aproximavam, um fedor terrível chegou a nós e quase nos fez passar mal; era como o mau cheiro penetrante da jaula do leão juntamente com o odor nojento de uma jaula de macaco.”

Este era um problema que não poderia ser ignorado. Mesmo que cada soldado alemão fosse designado para tomar conta de 50 homens, 18 batalhões de seis regimentos seriam necessários para administrar os 800.000 prisioneiros feitos apenas no final do mês de julho, um número que iria aumentar para 3 milhões até o final do ano. Esta necessidade não era apenas para vigiar os prisioneiros; eles precisavam de tratamentos médicos, alimentação e transporte. O tenente Knappe concluiu corretamente que se havia perdido o controle. Ele escreveu: “Eu primeiramente me perguntei se seria possível cuidar de tantos, mas como o número aumentava, eu tive a certeza de que não.”. As condições degradantes que resultaram iriam tornar realidade as intenções do planejamento ideológico conforme concebido. Knappe comentou: “Nossa linha de suprimento fez bem em conseguir manter pelo menos o Exército Alemão abastecido. Nós não poderíamos ter previsto tantos prisioneiros.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas!

Esse BLOG, desde o momento que decidi enveredar para sua construção, tinha em mente que deveria expor a Segunda Guerra Mundial sem a estupidez da explicação pelo prisma ideológico, digo estupidez não com a arrogância de ser o dono da verdade, pelo contrário, mas tendo como objetivo expor apenas o FATO, despido das interpretações pessoais para embasar uma ou outra corrente de interpretação dos acontecimentos, ou seja, defender apenas aquilo que tem embasamento histórico, independente se esse Fato exalta um Derrotado do conflito e diminui um Vencedor, ou vice-versa.

Contudo, sempre sou inquirido sobre determinados acontecimentos que  exige uma posição. Ou pelo menos, exige argumentos que possam agradar uma ou outra interpretação. Por exemplo, Os Bombardeios Aliados sobre as cidades alemães foram crimes de guerra? É possível negar o Holocausto, ou pelo menos diminuí-lo em números? E os bons resultados do Nacional Socialismo no pré-guerra, são sustentáveis? Todas essas perguntas exigem argumentos prós e contra, mas, como diria uma dos maiores medievalistas do século XX, Edward Carr: “Cabe ao Historiador trazer à luz os argumentos que ele entende sejam necessários para a compreensão do Fato Histórico”. Portanto, o Historiador possui na sua raiz profissional a obrigação de expor para seus contemporâneos todos os argumentos necessários ao entendimento do fato, e, pode sim, ser uma visão diferente da VERSÃO OFICIAL.

Bem, então resolvi postar perguntas que são enviadas para mim, que geralmente, respondo por email.

Se você quiser pode enviar perguntas para: blogchicomiranda@gmail.com

Terei o maio prazer em responder, pelo menos tentar!

________

Vamos começar pelas perguntas enviadas por Paulo Roberto de Oliveira:

Francisco com sempre seus artigos são sensacionais!! Parabéns mais uma vez, agora me diga lá, veja se pode me ajudar…tenho algumas dúvidas há anos:

Pode ser que eu esteja desatualizado, se for caso desculpe-me.

1-Qual foi a área em Km2 em que se desenvolveu a Segunda Guerra (Europa e Africa do Norte) ou seja o palco das invasões da Alemanha Nazista?

Chico Miranda – Eduardo, levando em consideração o Teatro de Operações da Europa que, a depender do estágio da guerra, se subdividiu em vários outros teatros de operações, portanto, se pensarmos em fase, por exemplo: “A Guerra de Mentira”, que iniciou com a invasão da Polônia em setembro de 1939 até o início da ofensiva contra os Países Baixos em maio do ano seguinte, sem levar em consideração os países que foram “anexados” ideologicamente por Hitler. Só nesse quadro temos boa parte do território europeu.

Com o fim da “Guerra de Mentira”, teve iniciou a Campanha contra a França e a ofensiva aérea contra a Grã-Bretanha, aumentou a extensão geográfica das ações. Sem falar na Batalha do Atlântico, sendo o mais atuante o Norte e o de menor importância o Atlântico Sul, pois é exigível considerar a perda de 30 mil alemães que morreram em ação nas operações de UBoot nos oceanos.

Sem contar com as Tropas de Ocupação, para cada país invadido havia tropas de choque, significativo contingente administrativo e governos militares instituídos.

Para os dois Teatros citados na pergunta, há vários fatores além da extensão territorial que podem torna a resposta, meramente por quilômetros quadrados, ainda mais imprecisa.

Para ajudar no entendimento, em termos militares, são importantes três concepções. A primeira é o tamanho da Linha Ofensiva que um determinado Exército irá atuar, falo da Linha Ofensiva, já que creio que o seu foco é a atuação da Alemanha que esteve inicialmente nesta condição. A extensão dessa Linha é um dos principais fatores que determina o tamanho da Força Invasora, no caso da Invasão a Polônia, por exemplo, foram empregadas cerca de 53 Divisões alemãs, baseada na extensão territorial e na força do Exército polonês. O segundo fator para um plano de invasão, que é o tamanho da penetração territorial, ou seja, a extensão de deslocamento das tropas dentro do território ocupado e sua estimativa de avanço, que determina o terceiro parâmetro, o planejamento da Linha de Suprimentos, necessários para manutenção das Unidades Combatentes na Linha de Frente. Todos esses fatores são determinantes para um Teatro de Guerra e podem sofrer variação no decorrer da Campanha. Portanto a extensão em quilômetros quadrados, como já disse anteriormente, pode ser uma dado irreal.

Para tentar explicar melhor o argumento vamos ver algumas observações desses teatros de operações.

Na Operação Barbarossa os três grandes Exércitos, Norte, Centro e Sul, tinham missões específicas para invasão de cidades estratégicas. Esses Exércitos foram formados e dotados de arsenal bélico, levando em consideração o poder do Exército Vermelho (subestimado?) e a extensão territorial, não das fronteiras da União Soviética que iria atuar a Wermarcht, mas a soma das Linhas das operações de ocupação desses Exércitos. Como a guerra com a URSS se prolongou, as Linhas de Suprimento ficavam cada vez mais vulneráveis, pois dependiam de transporte férreo ou grandes deslocamentos de comboios de veículos ou de tração animal, suscetíveis ao conhecimento do inimigo, portanto a ataques terrestres e aéreos de uma Força Aérea cambaleante, mas ainda atuante.

Acrescento isso a dois outros fatores, a saber:

1. Indecisão na estratégia final da Ofensiva – Hitler resolve não mais entrar em Moscou e se dirige ao Cáucaso. Acertada ou não, mas toda uma logística inicialmente planejada teve que ser alterada. O moral da tropa, que já lutava havia meses, realizando exaustivos deslocamentos diários,  com objetivos traçados e quando estava há alguns quilômetros do desses objetivos, tiveram que iniciar um novo deslocamento para o oriente.

2. Linha de Manutenção – citado por ninguém menos que Guderian. Nas ofensivas de 1940 contra a França, as Linha de Manutenção seguiam mais próximas das Linhas Ofensivas, o resultado disso é que viaturas e equipamentos bélicos poderiam parar, seja pela ação do inimigo, seja por defeito, e o conserto era realizado logo atrás das linhas e, estaria em condições de combate pouco tempo depois. Na campanha russa não houve a preocupação de manter essa Linha de Manutenção, fato que foi apontado por Guderian como um dos fatores para a derrota da Alemanha nesta Campanha.

 Quando se trata do Teatro de Operações da África, que ocorreram em cinco territórios na África do Norte: desertos da líbia e egípcio, Marrocos, Argélia e Tunísia. Inicialmente Rommel tinha uma missão específica, dominar Gibraltrar e Suez e avançar para o Cáucaso, ou seja, uma Linha Ofensiva definida. Mas a partir de 1942 os ingleses, com a ajuda dos americanos, conseguem impedir Rommel. A Raposa do Deserto e o Montgomery  passam um período lutando nos desertos entre ofensivas e contra-ofensivas, ou seja, o mesmo território foi conquistado e perdido mais de uma vez pelos Exércitos. Portanto, a extensão territorial das Operações não se limita apenas a extensão territorial das regiões geográficas que serviram de cenários das batalhas.

2-Porque só se comenta que os soldados alemães ficavam “atordoados” com a tal distancia Berlim-Moscou ( pouco mais de 2.000 km) não é isso? Bem como com a “vastidão” do tamanho da area sovietica anexada?

Para essa sua pergunta, vou colocar o link que, no me entendimento, contém a resposta:

O que Esperava o Soldado alemão na Campanha Russa?

____

TODOS estão convidados a corrigir e/ou acrescentar a essa modesta argumentação

 Posteriormente publicarei as demais perguntas e respostas.

Madrugada de 22 de junho. Cruzando a fronteira da União Soviética

Madrugada de 22 de junho. Cruzando a fronteira da União Soviética

O Soldado do Exército Alemão Estava Preparado Para a Campanha na Rússia?

Sempre que analisamos um Teatro de Operações da Segunda Guerra Mundial uma das primeiras perspectivas são reveladas a partir da visão do comando. Interpretar as conformidades estratégicas de cada lado é uma imposição para qualquer discussão sobre a condução de uma determinada campanha. Contudo, essa perspectiva não deve ser a única para aqueles que anseiam compreender todo o contexto da guerra. E, como não poderia deixar de ser, a campanha da Alemanha contra a União Soviética desencadeada pela Operação Barbarossa em 22 de junho de 1941 tinha por objetivo o colapso total do governo soviético antes do inverno. Ao contrário do que se imagina, Hitler estava entrando em uma longa e tenebrosa guerra que se encerrou em 1945 com a queda de Berlim.

Quando pensamos nos erros estratégicos na Campanha da Rússia sempre encontramos todos os tipos de discussão que vai da decisão de Hitler de não tomar a capital soviética até as linhas de suprimentos alemães durante toda a campanha.

Mas existe um fator que creio, deve ser considerado. Esse fator é expresso na seguinte pergunta:

O Soldado do Exército Alemão estava preparado para a campanha na Rússia?

Quero levantar algumas questões para que possamos entender uma pouco mais dessa perspectiva, mas antes vou reproduzir uma um trecho do livro: “Ação das pequenas Unidades Alemãs na Campanha da Russia”, uma publicação da BIBLIEX. Evidentemente vamos salvaguardar qualquer tipo de partidarismo.

“1. Adaptação Alemãs ao Teatro de Guerra Russo

 Ao contrário dos russos, as tropas alemãs estavam mal preparadas para uma prolongada campanha na Rússia. Tornou-se necessário um imediato reajustamento e uma radical modificação das normas estabelecidas para os teatros de operações central e ocidental. O primeiro reajustamento do Exército alemão às condições locais consistiu na revisão dos padrões de seleção dos comandantes dos escalões inferiores; sua idade média foi diminuída e os requisitos físicos foram aumentados. Sempre que uma unidade alemã tinha de entrar em ação contra as forças russas, era necessário deixar para trás qualquer excesso de bagagem, os cavalos de montaria e as viaturas unicamente de transporte de pessoal. Durante semanas, às vezes, os oficiais e soldados não tinha a oportunidade de trocas as roupas de baixo; esta circunstância exigia um outro reajustamento às condições de vida russas tendo em vista, tão somente, a resistência a imundície e aos parasitas. Muitos oficiais e praças de mais idade entraram em colapso ou ficaram doentes tendo de ser substituídos por homens mais jovens.

O soldado alemão, em comparação ao russo, era inferior devido às comodidades a que estava acostumado. Já antes da 1ª Guerra Mundial era comum pilheriar-se que os cavalos do Exército Alemão não resistiriam a uma única noite passada ao ar livre. O soldado da 2ª Guerra Mundial estava acostumado às barracas com aquecimento central e água corrente, às camas com colchões e a dormitórios com assoalhos de parquete e sua adaptação às condições de vida extremamente primitivas da Rússia não foi nada fácil.” – Ação das pequenas Unidades Alemãs na Campanha da Rússia – pg. 03

O que vocês acham?

A Alemanha Contra A URSS – Aliados e Inimigos…

Quando Hitler lançou a Operação Barbarossa não imaginou o quanto esse ato iria ser preponderante para sua queda. O Fürher tinha a convicção que o bolchevismo era uma praga maligna que deveria ser extirpado da humanidade, esse sentimento de ódio e repúdio fica claro quando são lidos em sua obra Mein Kapfe. O pacto de não agressão foi uma estratégia política para consolidar falsas esperanças soviéticas à paz que não foi o objetivo do líder alemão. Em contrapartida é de se esperar que um regime liderado por Stálin se alinhasse com os anseios totalitários da Alemanha nazista e sua política de expansão na divisão geográfica da influência dos dois países. Para o velho Stálin seria uma conquista sem precedente e, melhor, sem qualquer sangue derramado, pois as áreas de influência foram negociadas antes mesmo da invasão à Polônia.

A União Soviética mantinha relações diplomáticas com a Alemanha de forma bastante cautelosa antes de 1939, tanto que o Ministro das Relações Exteriores do Reich Ribbentrop praticamente iniciou as conversas sobre o tratado de não agressão quase de forma velada, e posteriormente, depois que o acordo fora firmado, Ribbentrop retorna com pompas de Chefe de Estado na Russia, mas até mesmo o próprio Ministro alemão era contra a invasão da URSS.

Com a invasão levada a cabo pela Alemanha contra os territórios soviéticos, foi uma surpresa geral para o mundo, tanto quanto fora o tratado entre as duas nações. Hitler esperava uma vitória nos mesmos moldes do avanço contra a França, mas nesse caso, milhares de quilômetros teriam que ser percorridos e com linhas suprimentos cada vez mais distantes e perigosamente vulneráveis. As primeiras semanas foram arrasadoras e tornava Hitler mais confiante.

Leningrado é cercado, a capital soviética aguarda uma invasão em larga escala, Hitler resolve mudar de objetivo à revelia dos seus generais, Stalingrado é o alvo certo…Ou derrota certo!

Deixemos o General e Olhemos o Soldado!

General Eisenhower disse certa vez, que antes da batalha, os planos são tudo, assim que ela começa, eles de nada valem. Essa é uma verdade bem profunda, pois quem faz a guerra são os soldados no campo de batalha, esse é o fundamento de toda a guerra. Não gosto de louvar generais, por mais estrategista e brilhante que ele seja; não gosto de exaltar um general, pois é isso que se espera de um comandante de exércitos, esse é seu papel na guerra. A exaltação deve ser para o civil que vestiu o uniforme e foi à guerra; quase sempre com pouca instrução, pouco material, mas foi lutar pela sua terra. Sei que muita gente irá dizer que muitos foram obrigados. Evidentemente que sim! Mas muitos também foram para lutar pelo seu país, e não foram poucos. Relatos de jovens que se suicidaram, pois não foram aceitos no alistamento, tem em quase todos os países que lutaram na guerra, inclusive aqui no Brasil…Então é importante exaltar esses jovens que perderam boa parte de sua juventude nos campos de batalha, e esquecer um pouco qualquer general que tinha obrigação de ser estrategista e até brilhante.

Stalin x Trotsky – Artigo

Artigo Especial

Após sofrer dois acidentes vasculares cerebrais, Lenin acreditava que estava na hora de decidir sobre um novo líder para o país. Ele acreditava mais na possibilidade deste Líder ser Trotsky do que Stalin.

Trotsky era  um intelectual e  Stalim um politico com ambições de estar ao poder a qualquer preço e esta era a diferença de perfis  entre os dois líderes,  outrossim Trotsky defendia que a revolução socialista deveria ser levada a onde o capitalismo estava em crise e Stalim divergia no seguinte aspecto de acreditar que a revolução socialista deveria ser consolidada internamente na União das repúblicas socialistas soviéticas, pois o país estava internacionalmente isolado pelo fracasso de tentativas revolucionárias em outros países e pela hostilidade do mundo capitalista. “Fica bem claro que era uma disputa para se saber quem seria o predecessor de Lenin”.

Com a morte de Lênin, em 21 de janeiro de 1924, começou a corrida pela sucessão. No Comitê Central do Partido Bolchevique, iniciou-se o processo de calúnia e difamação de Trotsky promovido por Stalin e seus principais aliados de ocasião, Kamenev e Zinoviev. Em 1925 Trotsky foi proibido de falar em público e em 1929 foi banido da União Soviética.

Ficou no exílio na Turquia até 1933, na França até 1935 e depois na Noruega até 1937. Finalmente, foi para o México, no dia 9 de janeiro de 1937. Nunca deixou de lado o ativismo político, propondo políticas revolucionárias que se opunham às desenvolvidas pelos partidos comunistas que gravitavam em torno da União Soviética em todo o mundo.

Stalin, porém, considerava a militância de Trotsky mesmo que no exílio, uma ameaça real a sua hegemonia sob o movimento comunista internacional e sendo assim arquitetou um plano, neste plano outra pessoa entra para a História e esta pessoa é Ramón Mercade que em outubro de 1939, entrou no México com um passaporte falso, identificando-se como “Jacques Mornard”, um homem de negócios, seu objetivo era encontrar Trotsky, mas por quê? Isto poderemos verificar adiante.

Em 1940, em sua residência  na Cidade do México, o revolucionário bolchevista Leon Trotsky encontrou a morte através das mãos de um agente soviético Ramón Mercade, com frieza e sem ser percebido,  se aproximou de Trotsky o máximo que pôde e empunhando uma picareta desferiu um golpe fulminante em sua cabeça.

Segundo alguns relatos, os seguranças de Trotsky irromperam e já iam matar Mercader, mas Trotsky poupou-lhe a vida gritando “Não o matem! Este homem tem uma história a contar.”

A hipótese de que o assassinato resultou da consumação de uma vingança pessoal do seu arqui-inimigo, o todo-poderoso ditador Josef Stalin, não é surpreendente, se levarmos em conta que o mandante do assassino stalinista, Ramón Mercade infiltrado no círculo de Trotsky pela NKVD, (a polícia política soviética) já tinha demonstrado sua falta de escrúpulo com relação à vida alheia e que estas características doentio-vingativas de Stalin já tinham inclusive sido apontadas no ensaio biográfico que lhe consagrara o próprio Trotsky (segundo este, Stalin não procurava “atingir as idéias dos seus adversários, mas sim o seu cérebro”)

O velório de Trotsky na cidade do México durou cinco dias. 300 mil pessoas foram se despedir pela última vez do revolucionário.

Sobre o Autor do Artigo:

Anderson S.

Formado em sistemas da Informação pela faculdade do Grande ABC

Empresário do segmento de T.I e automação, atuando no segmento da Indústria de Hospedagem.

Sou pesquisador de história militar com ênfase na Segunda Guerra Mundial.

Escritório onde Trotsky foi assassinado

Foto: http://sandrodavidovitch.blogspot.com/2010/08/70-anos-da-morte-de-trotsky.html

22/06/11 – 70 Anos – Operação Barbarossa

Operação Barbarossa (em alemão: Unternehmen Barbarossa) foi o nome código para a invasão da Alemanha nazista da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial e que começou em 22 de junho de 1941, há exatos 70 anos atrás. Mais de 4,5 milhão de soldados das potências do Eixo invadiram a União Soviética ao longo de 2.900Km da frente. Foi a maior ofensiva militar na história. Além do grande número de tropas, que também envolveu 600 mil veículos a motor e 750 mil cavalos. O Planejamento para a Operação Barbarossa começou em 18 de Dezembro de 1940; e os preparativos Secretos da operação militar em si durou quase um ano, a partir da primavera para o inverno 1941.

As 3:15 da manhã, 22 de junho de 1941, a artilharia alemã começou a disparar sobre as posições de fronteira russa. Pontes foram capturados antes de os russos poderiam reagir. Os guardas de fronteira soviética e suas famílias morreram no bombardeio alemão. Comandos alemães infiltraram-se profundamente em território russo e cortaram as linhas telefônicas. Desde abril de 1941, anti-comunistas russos e ucranianos tinham atravessado com aparelhos de rádio.

 Na primeira luz da aurora infantaria alemã subiu em barcos de assalto (para atravessar corpos d’água). Como eles se moviam podiam ouvir o barulho e gritos de Stukas alemães quando andavam à procura de alvos russos. Principal alvo da Luftwaffe foram os campos de aviação do exército russo. Aviões alemães realizavam destruição nas linhas de aviões soviéticos perfeitamente estacionados. Inexperientes pilotos russos, especialmente a partir de bases mais dentro da Rússia, desesperadamente tentaram combater aviões alemães. Mas eles foram mal treinados. E os seus aviões estavam obsoletos. Em desespero, começaram batendo seus aviões em aviões alemães. Um oficial superior Lutwaffe descreveu as escaramuças contra inexperientes pilotos russos como o infanticídio.


  Objetivo operacionais Barbarossa foi a rápida conquista da parte europeia da União Soviética ocidental de uma linha ligando as cidades de Arkhangelsk e Astrakhan, frequentemente chamado de linha AA. No seu final, em janeiro de 1942, o Exército Vermelho tinha repelido o mais forte golpe da Wehrmacht. Adolf Hitler não conseguiu a vitória esperada, tacticamente, os alemães tinham ganhado vitórias retumbantes iniciais e ocupado algumas das áreas econômicas mais importantes do país, principalmente na Ucrânia. Apesar desses sucessos, os alemães foram empurrados de volta a partir de 1942, e nunca mais iriam reestruturar uma ofensiva simultânea em toda a cadeia da frente germano-soviético novamente.

 Falhas na operação Barbarossa levaram a criação de outras operações dentro da URSS, que falharam também, como continuar o cerco de Leningrado, a Operação Nordlicht, e a Batalha de Stalingrado, entre outras batalhas no território ocupado Soviética que foram decisivos para a capitulação alemã na frente oriental.

  Ribbentrop esperava o embaixador soviético ……

Ribbentrop estava tenso. Ele andava pela sala. Ele continuou resmungando que se os alemães não tivessem atacado primeiro, os russos teriam atacado Alemanha. Como se ele estivesse tentando se convencer de que a decisão de Hitler para atacar estava certo. Mas Ribbentrop se sentia que seu principal feito, o Tratado de Não-Agressão de 1939 estava em frangalhos. Ele entendeu que Hitler tinha cometido a maior idiotice da sua vida.

 ANTECEDENTES DA INVASÃO

 Hubert Menzel foi um dos principais homens no Departamento Geral de Operações da OKH (o Oberkommando des Heers, o quartel-general do Exército alemão), e para ele a idéia de invadir a União Soviética em 1941 teve o sabor da lógica, fria e clara: ‘Nós sabia que daqui a dois anos ‘, que seria até o final de 1942, início de 1943, o Inglês estaria pronto, os americanos estariam prontos, os russos estariam prontos também, e então teríamos que lidar com todos os três ao mesmo tempo …. Nós tivemos que tentar remover a maior ameaça do Oriente…. No momento em que parecia possível. “

Após a chegada do Embaixador russo: Ribbentrop disse ao embaixador soviético que a Alemanha estava em guerra …..

 O embaixador soviético na Alemanha, Dekanozov era um homem baixo. Depois que Ribbentrop passou a mensagem de Hitler de que a Alemanha estava tomando “medidas defensivas” contra a Rússia, o embaixador soviético se levantou e disse: “Você vai se arrepender deste insulto, provocante e completamente predatório de ataque à União Soviética. Você vai pagar caro por isso! “ Ribbentrop correu e antes da saída do diplomata sussurrou : “dizer-lhes em Moscou que eu sou contra o ataque.”

 A técnica Blitzkrieg alemã foi tão devastador na Rússia como tinha sido no resto da Europa. O cenário estava pronto para uma guerra de aniquilação travada pelos nazistas contra os soviéticos, sem misericórdia demonstrada por ambos os lados Uma semana depois da invasão alemã, 150 mil soldados soviéticos foram mortos ou feridos -. Mais do que durante os cinco meses da Batalha de Somme.

 Como os exércitos alemães varreram mais para o interior da Rússia, um milhão de soldados soviéticos foram deslocados para proteger Kiev. Mas, apesar de ordem cruel de Stalin proibindo qualquer cidade de se render, Kiev caiu e 600.000 soldados soviéticos foram capturados. Em outubro de 1941, três milhões de soldados soviéticos eram prisioneiros de guerra. Testemunhos e provas documentais do jornal  alemão Newsreel revelam que no momento em que os alemães estavam batendo às portas de Moscou Stálin estava considerando um “Acordo de Paz”. Contudo, Sua decisão de ficar e lutar foi ponto de viragem crucial na guerra.

Stalin e Hitler juntos responsáveis por uma série de brutalidade impiedosa que prevaleceu durante as hostilidades entre a Rússia e a Alemanha. Durante a Batalha de Moscou, em que 8.000 cidadãos soviéticos foram executados por covardia, os exércitos russos foram forçados a manter-se firmes, apesar do frio de 43 graus abaixo de zero.

 Para evitar que seus soldados desertassem a linha da frente em torno da capital, Stalin ordenou “destacamentos de bloqueio” especial criados para identificar todos os desertores. A liderança soviética também instruiu guerrilheiros soviéticos que operam no campo para matar alguém a quem eles acreditavam ser desleal. Isto resultou em uma efetiva carta branca para os partidários de abusar de seu poder e extrair o que eles queriam de aldeões indefesos.

O que esperavam os Soldados?

 Soldados tinham construído fogueiras em seus acampamentos camuflados para afastar os mosquitos. Sanfoneiros puxavam canções sentimentais. Enquanto alguns cantavam, outros permaneceram com seus pensamentos. Muitos temiam atravessar a fronteira para a terra desconhecida dos quais somente tinham ouvido falar coisas terríveis. Policiais haviam alertado de que se eles dormiam em casas russas, que seriam picados por insetos e iriam pegar doenças horríveis. Muitos riram, no entanto, os camaradas queriam cortar todo seu cabelo por precaução contra piolhos. Em qualquer caso, a maioria deles acreditavam em seu governo quando eles disseram que haveria nenhuma necessidade de se preocupar com o inverno. Na 24ª Divisão Panzer, por exemplo, o Capitão von Rosenbach-Lepinski disse a  seu batalhão de reconhecimento de moto: “. A guerra com a Rússia vai durar apenas quatro semanas. “Tal confiança, de muitas maneiras, compreensível. Mesmo os serviços de inteligência estrangeiros esperavam que o Exército Vermelho entrasse em colapso. A Wehrmacht tinha reunido a maior força de invasão já vista antes, com 3.350 tanques, cerca de 7.000 armas de campo e mais de 2.000 aeronaves.

As Desgraças

 O Regime nazista sobre os territórios que foram capturados na Rússia: Erich Koch, Comissário do Reich ocupou a Ucrânia e declarou que o “mais humilde trabalhador alemão é mil vezes mais valioso” do que toda a população da Ucrânia. A fome era generalizada, com civis soviéticos forçados a comer cães – até que a fonte do cão se extinguiu e as pessoas foram obrigadas a voltar para ratos, corvos e casca de bétula. Na cidade ucraniana de Kharkov, que foi administrada pelo exército alemão, 100.000 pessoas morreram de fome e doenças.

 O exército alemão, entendendo como uma ameaça crescente do partido popular tornou cada vez mais abrangente a sua repressão. Um documento do Exército lista 1.900 partidários e seus “ajudantes”, mortos pelos alemães em uma ação. Mas apenas 30 espingardas e um punhado de armas foram encontradas com eles – mais de 90% dos que foram mortos pelos alemães não tinham armas.

%d blogueiros gostam disto: