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Archive for the ‘Prisioneiros de Guerra’ Category

Pernambuco: Guerra no Mar, no Ar e nas Ruas.

A história da atuação dos nazistas no Nordeste traz grupos que se reuniam uniformizados, espiões que atuavam na Base Americana em Natal e partidários que tentaram viabilizar uma rádio de ondas curtas em Pernambuco.
Quando estoura a 2ª Guerra Mundial, no dia 1º de Setembro de 1939, Mussolini tem mais adeptos em Pernambuco do que Hitler. Em parte, graças à propaganda que o consulado italiano vinha fazendo desde a década de 1920, quando o “Duce“ assumiu o poder. Além disso, o fascismo conta com muitos simpatizantes entre os integralistas que, um ano antes, tentaram assassinar o presidente Getulio Vargas e sua família, no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Os italianos são mais presentes em várias atividades: comércio, mecânica leve, funilaria, música e na fabricação de alimentos e refrigerantes (a Fratelli Vita, na Boa Vista, que foi depredada em Agosto de 1942), depois do afundamento dos navios mercantes brasileiros.
A colônia alemã era menor, porém mais influente, especialmente nos meios industriais e, a propaganda alemã também foi mais eficiente, especialmente após a ascensão do Nazismo – que adotou um tom anticomunista: “ A Segunda Guerra Mundial empolgou a população de Pernambuco que logo se dividiu entre partidários do Eixo e dos Aliados. No Recife, havia uma velha tradição de admiração pela Alemanha em que Tobias Barreto introduziu o germanismo no Estado, o que era reforçado pela admiração que muitas pessoas tinham pela decantada inteligência, competência e dedicação ao trabalho do povo alemão, herdada da Primeira Guerra Mundial. Esta colônia era expressiva sobretudo nos meios industriais e, esta admiração aumentou na década de 1930, quando o Consulado alemão fez uma intensa divulgação entre os estudantes e profissionais, da propaganda contra o comunismo russo, procurando amedrontar a população com a hipótese de os comunistas um dia chegarem ao poder no Brasil”(Manuel Correia de Andrade – em Pernambuco Imortal).
O Partido Nazista existiu em Pernambuco, entre meados da década de 30 até Getúlio Vargas proibir [partidos estrangeiros em 1937]. Até o momento, os nazistas nunca precisaram agir na clandestinidade: seus integrantes, na maioria absoluta eram funcionários da Fábrica Lundgren, na cidade de Paulista, que iam às reuniões uniformizados(inclusive com a braçadeira com a suástica), e até assinavam atas. Não foi apenas em Pernambuco que os Nazistas foram ativos, pois haviam núcleos importantes em outros estados – Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo que estas representações foram criadas por Hans Hanning Von Consul, que era oficialmente adido cultural na Embaixada da Alemanha no Brasil.

Foram ao todo 83 células com 2.822 militantes, o maior número de filiados ao Partido nazista fora da Alemanha (os Landesgruppe). Estes militantes, mesmo depois da proibição de fazer política, continuaram na ativa, tanto na espionagem como na propaganda. O Recife interessava à espionagem por causa do movimento do Porto, que passa a ser base da 4ª Frota Naval Americana e, da proximidade com a base aérea de Natal, montada pela Força Aérea Americana.
Uma parte considerável da história da atuação dos nazistas no Nordeste está nos arquivos do extinto DOPS (Departamento de Polícia Política e Social de Pernambuco). Este órgão, depois que o Brasil entrou na guerra ao lado, entre outros da União Soviética, pararam de caçar comunistas, para caçar nazistas e fascistas. Uma das maiores descobertas nestes arquivos foi feitas pela historiadora Susan Lewis, foi que houve na cidade de Igarassu, durante a 2ª Guerra Mundial, um campo de confinamento, para onde foram mandadas, cerca de 400 famílias de alemães e japoneses, mas em condições que em nada lembravam os campos de extermínio nazistas, onde foram executados milhões prisioneiros, a maioria judia.
Até o final da guerra, em todo o país, foram presos 47 espiões, todos condenados pelo Tribunal de Segurança do Estado Novo e, em Recife o DOPS teve muito trabalho com espiões alemães, inclusive dois processos – ambos assinados pelo delegado Pedro Corrêa, sendo um de espionagem e outro por propaganda, que ilustram bem a situação que aqui se passava.
O processo por propaganda indiciou Evaldo Stalleiken, que, se hoje fosse vivo seria considerado um designer de primeira: ele fez o desenho da carteira de cigarros Nacionaes, de modo que a junção de 4 carteiras, formava a suástica e, as mesmas postas em outra posição, formavam a Cruz de Ferro, uma das maiores condecorações do Exército Alemão. Ao ser chamado pelo delegado para se explicar, ele disse que fez o desenho de múltipla utilidade sem querer…

O segundo inquérito, referente à espionagem, foi sobre a tentativa de montar uma rádio de ondas curtas, para aproveitar a posição geográfica do saliente nordestino, chamado de Trampolim do Atlântico Sul, que acusou Hans Heinrich Sirvet e Herbert Friedich Julius Von Heyer, que ofereceram dinheiro para que o técnico Walter Grapetim faça as instalações desta rádio, que já estava montada. O técnico Grapetim, procurou o alemão Oscar Shiler, responsável pela parte técnica da Rádio Clube de Pernambuco, que o aconselha a “não se meter em tal assunto”, que foi seguido à risca por ele.

Artigo enviado pelo Pesquisador Rigberto de Souza Júnior

Texto extraído da “Revista Continente Documento Ano III nº 33/2005”

Prisioneiros de Guerra – Os Alemães de Pernambuco

Após a declaração de guerra com as potências do Eixo, o Brasil foi obrigado a alinha a política de campo de concentração adotado pelos Aliados, portanto em várias cidades do país e em alguns presídios foram transformados em área de exclusão social dos alemães, italianos e japoneses, passando a serem observados de perto pelo poder público. Nesses locais eram proibidos se comunicarem ou lerem livros em seu idioma materno. No Estado de Pernambuco houve uma situação peculiar, tendo em vista que a Companhia de Tecidos Paulista, tecelagem da família Lundgren que, expandindo suas organizações, deu origem às Casa Pernambucanas, tinha em seu quadro vários funcionários de origem alemã e, muitos deles, declaradamente nazistas. Esses funcionários, trazidos, geralmente para ocuparem cargos especializados e de direção da fábrica, foram objeto de investigação policial, que identificaram a necessidade de intervir diretamente na fábrica em 1942 com um processo de sindicância sob o comando da 7ª Região Militar. Portanto, ficou decidido manter “severa vigilância” por parte da Delegacia de Ordem Política e Social sobre todos os “estrangeiros do eixo” da cidade do Paulista no Estado de Pernambuco. Inclusive os próprios Lundgren foram vistos como sendo suspeitos de serem da Quinta-Coluna; os industriais Alberto Lundgren e Frederico Lundgren, de origem  sueca, e identificados como de origem alemã foram hostilizados, mas eles possuíam grande prestígio junto as autoridades estaduais, municipais e policias no Estado.

Com a entrada em definitivo do Brasil na guerra, em agosto, foram realizadas uma severa repressão aos alemães em Paulista. Através da Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) passou instruções quanto ao comportamento que deveriam seguir, todos os funcionários e seus familiares. Entre as restrições estavam a de não poderem residir em outra cidade, exceto Paulista e não poderem se ausentar da cidade sem licença da Secretaria de Segurança Pública, exceto para viagens a Recife para compras e tratamento médico. Não poderiam fazer reuniões e de permanecerem próximos ao litoral e não poderiam realizar excursões a cavalo e deveriam entregar a DOPS todas as máquinas fotográficas para serem fechadas em uma caixa e lacradas.

Em 22 de novembro de 1942, nos arredores da cidade do Paulista, foi criado o Campo de Concentração Chã de Estevão, recebendo alemães que foram trazidos do Presídio Especial do Recife e depois passou a comportar vários funcionários de origem germânica da Cia de Tecidos Paulista. O campo vigorou até 30 de agosto de 1945, controlado pelo sargento Oscar Casado de Albuquerque, acompanhado de dois soldados e uma investigador encarregado de serviço.

Ficaram internados 23 dos 47 funcionários alemães da Companhia. Todos eles chegaram ao Brasil entre os anos de 20 e 30. A maioria eram solteiros, e os casados, normalmente com esposa alemã, tinham filhos nascidos no Brasil.

Prisioneiros de Guerra do Dia D!

Não foram poucos os Prisioneiros de Guerra do Dia D, tanto do lado dos Aliados quanto do lado da Alemanha.

 

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