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Contradições Históricas da FEB: Os Três Heróis Brasileiros, quem são?

Já em vários momentos buscamos lançar luz sobre a obscuridade histórica, que é crônica em nosso país. Parece-nos que há um plano orquestrado de esquecimento, quando se trata do estudo do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Longe de ser objeto de estudo dos nossos cientistas da ciência História, a campanha da FEB é referenciada unicamente dentro dos círculos das associações ou dos grupos de interesse.

Um problema também muito sério ocasionado pela falta de pesquisa abrangente, é o risco que corremos em transformar um mito em fato histórico consagrado. Não podemos admitir que qualquer fato envolvendo a FEB seja diminuído, aumentado ou alterado para satisfazer o apetite verossímil daqueles que adoram desvirtuar os acontecimentos para atender uma demanda cinematográfica ou apenas para vender livros, desapegado da realidade histórica. É a velha mania hollywoodiana e seus personagens quase semideuses da guerra.

A História da FEB e do Brasil deve considerar novas interpretações, baseada em pesquisas sérias, para que o fato histórico possa evoluir; mudando segundo a exposição de novas evidências. Isso é importante para corrigir injustiças, trazer à luz personagens históricos injustiçados ou esquecidos. A História ela é elemento vivo em constante evolução.

Com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do Fato Histórico, observamos algumas contradições em determinados acontecimentos que envolveram a atuação da FEB e seus integrantes. Um dos mais conhecidos:

 

OS TRÊS HERÓIS:

                Em 14 de abril de 1944, durante uma patrulha nas proximidades do Montese, três soldados Geraldo Baêta da Cruz, então com 28 anos, natural de Entre Rios de Minas; Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei; e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, morreram como heróis em Montese, Itália, palco de uma das mais sangrentas batalhas do conflito com a participação da FEB

Integrantes de uma patrulha, os três pracinhas mineiros se viram frente a frente com uma companhia alemã inteira. Receberam ordens para se render, mas continuaram em combate “até o último cartucho”, como se diz na caserna. Metralhados em 14 de abril de 1945, receberam, em vez da vala comum, as honras especiais do exército alemão.

              Admirado com a coragem e resistência dos mineiros, o comandante mandou enterrá-los em cova rasa e pôs uma cruz e uma placa com a inscrição: Drei brasilianische helden, que em bom português significa “três heróis brasileiros”. Acabada a guerra, eles foram trasladados para o cemitério de Pistóia, na Itália, e depois para o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

                O fato é registrado aqui, no próprio BLOG, e já motivou livros, séries e filmes.

Explicando algumas contradições.

                A questão que queremos abordar, que fique bem claro, não se trata de desmerecer ou duvidar dos méritos dos nossos soldados, pelo contrário, buscamos entender os fatos e tornar justo os personagens que estiveram envolvidos.

Vamos para alguns problemas:

                O Coronel Adhemar Rivermar de Almeida, então Chefe da 3º Seção, do 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria registrou o que segue em seu livro: Montese – marco glorioso de uma trajetória:

              O inimigo desencadeou uma terrível barragem de fogos de Infantaria e Artilharia entre as encostas Sul de Montese, e suas orlas Leste e a base de partida (Montaurígola), conseguindo deter a ação do Pelotão Ary Rauen, que seu heroico comandante ferido mortalmente na cabeça, quando tentava neutralizar uma incômoda “lurdinha” que barrava o avanço de seu pelotão causando grande baixas em seu efetivo, cujos remanescentes ficaram detidos, sem se moverem, em meio a terrível campo minado

               Tomando conhecimento das pesadas baixas ocorridas naquele Pelotão, o Dr. Yvon, acompanhado do Tenente Ary, de padioleiros e do 1º Sargento Alfeu, sargenteante de minha Companhia e que se apresentara como voluntário, iniciaram a sua longa e perigosa caminhada, cortada de campos minados e varrida incessantemente pelo fogo alemão, em busca de elementos daqueles elementos, até alcançar estreita e rala ravina, entre Motaurígola e faldas de Montese, quando foram também detidos por fortes rajadas de “lurdinhas”, morteiros e artilharia.

               Logo explodiu uma granada sobre o padioleiro Geraldo Baeta da Cruz, de nossa seção de saúde, que morreu no mesmo instante. (ADHEMAR, 1985, pag. 146).

                Nos registros de embarque da FEB, consta o soldado Geraldo Baeta como padioleiro, integrante do Seção de Saúde do 11º Regimento de Infantaria, o que reforça a tese de que ele estaria, conforme relato do Coronel Adhemar, indo em direção ao socorro do pelotão do Tenente Rauen. Outra evidência, é que o militar foi agraciado com a Medalha de Cruz de Combate de 2ª Classe, mérito de bravura em combate (coletivo), diferentemente do Arlindo Lúcio da Silva, recebendo o Cruz de Combate de 1ª Classe, mérito de bravura em combate (individual). Se eles participaram da mesma ação, quais os motivos da diferença nas honrarias?

                Sobre o Geraldo Rodrigues de Souza, o interessante é que o local da morte do soldado é identificado como Natalina e não Montese, como os demais.

Classe 1919. 11º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar 20 de setembro de 1944. Natural do Estado de Minas Gerais, filho de Josino Rodrigues de Souza e Maria Joana de Jesus, residente à rua Cajurú nº 4, Serra Azul, SP. Faleceu em ação no dia 14 de abril de 1945, em Natalina [crivo nosso], Itália, e foi sepultado no Cemitério Militar brasileiro de Pistóia, na quadra B, fileira 9, sepultura nº 98, marca: lenho provisório.

Sobre o Arlindo, temos o relato do Decreto que lhe concedeu a medalha:

“Foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil de Combate de 1ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta última condecoração, lê-se: No dia 14 de abril, no ataque a Montese, seu Pelotão foi detido por violenta harragem de morteiros inimigos, enquanto uma Metralhadora alemã, hostilizava violentamente o seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem se manterem colados ao solo. O Soldado Arlindo, atirador de F.A, num gesto de grande bravura e desprendimento, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores de sua arma, obrigando-a a calar-se nessa ocasião, é morto por um franco-atirador inimigo”. (Decreto de Concessão da Medalha)

                Os detalhes da descrição da ação não se referem a três soldados lutando bravamente por suas vidas em combate contra uma Companhia, se referem a um ataque sobre um ponto fortificado e, com testemunhas dos fatos, que relataram posteriormente.

                Por mais surpreendente que seja, outro acontecimento idêntico como o relato dos três soldados brasileiros mortos em Montese. Em janeiro daquele mesmo ano, uma cruz fora encontrada durante o avanço brasileiro, com fantástica similaridade. Portanto, as covas de Montese não seriam as únicas a guardar os corpos de bravos brasileiros que foram honrados pelo inimigo. Assim registra Joaquim Xavier da Silveira em seu livro A FEB por um Soldado:

Ao conquistarem Castelnuovo, as tropas de depararam com um testemunho da coragem do soldado brasileiro. Desde janeiro, três soldados do Regimento Sampaio figuravam na lista dos desaparecidos em combate: Cabo José Graciliano Carneiro da Silva, Soldado Clóvis Paes de Castro e Aristides José da Silva. Em Castelnuovo havia uma tosca cruz de madeira com a dística em alemão: 3 Tapfere – Brasil – 24.01.1945 (Três bravos – Brasil – 24.01.1944). Essa singular homenagem feita pelo inimigo é uma eloquente demonstração da coragem do soldado brasileiro. (SILVEIRA, 2001, pag. 177).

Conclusão

                Não são respostas que movem o mundo, mas as perguntas.

                Ocorreu o fato dos três heróis brasileiros em Montese?

                               Pelo relato oral dos integrantes do 11º RI, não há dúvidas sobre o fato ocorrido em Montese, contudo, não podemos afirmar de forma concludente que os personagens envolvidos no fato são aqueles consagrados pela historiografia militar. Novamente, isso não tira o mérito do sacrifício dos militares do Regimento Tiradentes mortos, seja no caso da patrulha perdida; seja em outras condições de morte violenta.

                               O importante seria para a História Militar Brasileira a análise dos acontecimentos e a busca por respostas; ou confirmando o nome dos bravos soldados que morreram naquele confronto, sendo sepultados por seus inimigos, ou trazendo a justiça histórica para aqueles que efetivamente estiveram nessa ação de bravura.

                Trata-se de um único episódio Montese /Castelnuovo?

                Como anteriormente citado, não há dúvida que trata-se de acontecimentos distintos. Contudo, é necessário que possamos expor evidências que não possibilite margem para debates e interpretações histórica erradas sobre os acontecimentos, objetivando que futuras gerações tenha a possibilidade de vivenciar a clareza histórica do passado de nosso Brasil e saber quem são seus heróis.

Quem foram os três heróis brasileiros em Montese?

                               De certo que há dúvidas bibliográficas levantadas sobre quem foram os três brasileiros que morreram conforme a descrição relatada do episódio: “Os três Heróis Brasileiros”. O que na prática deverá despertar o interesse de pesquisadores e de pessoas e instituições que possam financiar essas pesquisas para trazer para luz a verdade histórica sobre o fato. Os nomes desses bravos soldados brasileiros devem ser registrados de forma justa, seja os três mineiros atualmente apontado como protagonistas, ou outros que por ventura a História revele de forma inquestionável.

70 Anos da Tomada de Monte Castelo. A Batalha que Euclides da Cunha não viu.

Euclides da Cunha definiu o sertanejo como nenhum outro escritor o fizera antes ou depois, “O sertanejo é, antes de tudo, um forte” frase evocada em sua obra prima “Os Sertões”, materializando de forma clara o destemor do Sertanejo, do nordestino!

43 Anos depois da celebre frase, novamente em um campo de batalha, o vigor do Sertanejo é testemunhado. O seu destemor surge preponderante sobre um inimigo experimentado. Desta vez, não mais na sua própria terra, mas em terras estrangeiras, durante a Segunda Guerra Mundial. O temível Exército da Alemanha de Hitler encontrou-se frente a frente com à herança do sangue guerreiro dos jagunços de Antônio Conselheiro e deixou o alemão boquiaberto, sem acreditar no que os seus olhos arianos enxergam. Quem são esses? Pergunta um Alemão. Mesmo sob o fogo cerrado da metralhada o Sertanejo avança!

Mas não é um nordestino… É um mineiro! Integrante da 1ª Companhia do Regimento Sampaio, avança sem hesitar, um mineiro de coragem inquestionável, honra o nome do Patrono da Infantaria, em nome das Rainhas das Armas, avança sobre as posições inimigas. Risadas e piadas circulam no meio dos soldados Brasileiros: “Olha a Lurdinha!”, gritava um curitibano, “hoje ela tá braba…”, falava um paraibano risonho, “A Cobra vai Fumar!”, completava o carioca, enquanto o paulista e o pernambucano seguiam para o próximo abrigo. Eram todos brasileiros, eram todos febianos.

Hoje, enquanto celebramos 70 anos do maior feito militar da Força Expedicionária Brasileira, imaginemos: assim como testemunhou a bravura do Sertanejo, se Euclides da Cunha pudesse ver esses jovens lutando naquele hoje longínquo 1945? Tomando o Monte no norte da Itália do exército mais poderoso que esse mundo já presenciou. Queríamos ver Doutor Euclides enxergando com seus próprios olhos nossos soldados em cima do Monte, com certeza a frase seria: “O brasileiro é, antes de tudo, um forte”, e ainda acrescentaria: “… forte e o melhor soldado do mundo!” Daquele que, mesmo sob a adversidade, mantém o espírito do seu Povo, do Povo Brasileiro, pois o Soldado Brasileiro é, na sua essência, a representação máxima do seu povo, portanto, um forte por natureza.

Monte Castelo foi conquistado em 21 de fevereiro de 1945, mas o sangue daqueles valentes soldados brasileiros caídos durante a Batalha enaltece a gloriosa coragem de uma geração de jovens, para que jamais seu povo esqueça que somos uma nação forte em qualquer tempo. Celebremos, pois, não apenas os 70 anos de uma vitória militar, mas principalmente a coragem e a determinação do povo brasileiro, materializada na ação daquela geração de soldados da nossa Força Terrestre.

Francisco Miranda

ANVFEB-PE

Proibida a reprodução sem autorização.

TOMADA DE MONTE CASTELO – Especial dos 70 anos

Em 24 de novembro de 2014, lembrarmo-nos dos 70 anos do início dos ataques sobre Monte Castelo. Um dos maiores feitos militares do Exército Brasileiro ainda hoje é discutido e questionado, seja no contexto histórico militar ou simplesmente pela ideologia daqueles que criticaram o emprego da FEB.

É importante notabilizar duas coisas acerca do emprego da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para que possamos nos balizar quanto a seu emprego. Primeiramente a FEB não foi empregada no ataque do dia 24 de novembro enquanto Divisão, participando apenas o 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria e o 1º Esquadrão de Reconhecimento integrados a Task Force 45, sob comando americano. Portanto qualquer tipo de referência ao primeiro ataque deve levar em consideração não a Divisão Brasileira, mas a Grupo Tático 45. E as características e circunstâncias de emprego da tropa brasileiro segundo as expectativas do V Exército. Essa questão é bem clara quando realizarmos a análise da Conferência do Paso da Futa em 30 de outubro de 1944, quando o General Mark Clark realizou uma exposição sincera da situação do Exército Aliado deste o rompimento da Linha Gótica até os objetivos de tomada de Bologna.

Vamos a partir de hoje realizar um estudo detalhado, com a visão dos envolvidos, dos comandantes aos nossos pracinhas. A ideia é que possamos refletir  e realizar uma análise critica do primeiro ataque, em 24 de novembro, até a tomada final do Monte.

Próxima publicação: Considerações sobre a Preparação da FEB no Grupo Tático

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27 de Setembro de 2014 – Um Dia Memorável!!

Pernambuco sempre se orgulhou de seu passado de lutas. Não por acaso, a célula inicial dos preceitos pátrios de nosso País tem sua origem nas “terras dos altos coqueiros”, com expulsão dos flamengos nas memoráveis Batalhas dos Guararapes de 1648. Este mesmo ímpeto de luta e senso de justiça social retorna nas revoluções de 1817 e 1824, com objetivos de formar uma nova nação, um novo País, sendo um dos primeiros movimentos separatista a declarar independência do Império que se formava.  Esse é o povo pernambucano, sempre disposto a lutar por sua terra e defender sua gente.

Em 1943, quando na formação da Força Expedicionária Brasileira, divisão militar que iria ser enviada para o Teatro de Guerra, nosso Estado contribuiu com 681 militares pernambucanos compondo a Divisão do General  Mascarenhas de Morais. E eles lutaram bravamente. Infelizmente 13 perecerem em combate ou em decorrência da guerra.

Infelizmente, assim como todos os outros soldados da Força Expedicionária Brasileira, o esquecimento foi o flagelo que a política impôs a geração que lutou na Itália. Os 13 pernambucanos mortos na Itália, não teriam seus nomes assemelhados aos nomes como Felipe Camarão, Fernandes Vieira ou Frei Caneca, seus nomes estavam destinados ao esquecimento, estavam…

No meio do mar do esquecimento eis que surge uma lâmpada de esperança para o Brasil. Desde 2010 a Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB-PE) vem estruturando um projeto de reforma e destaque do único memorial para os pernambucanos que morreram na campanha da Itália. Esse monumento foi inaugurado em 1971 no Parque 13 de maio, no centro do Recife, na gestão do Prefeito Geraldo Magalhães. Década depois, não havia qualquer referência ao monumento, anos de abandono e descaso. As placas que foram afixadas por ocasião da inauguração inexistem, e ninguém da administração pública sabia informar do que se tratava. Realizamos um projeto de resgate histórico e, com o apoio irrestrito do Comando Militar do Nordeste, a Prefeitura do Recife entrou no processo de restruturação do monumento.

Hoje, 27 de setembro de 2014, os mesmos veteranos que participaram da inauguração em 1971, puderam presenciar em vida a lembrança dos companheiros que tombaram na guerra que insistimos em esquecer.

Que outros 27 de setembro cheguem para iluminar nosso povo e nossa passado, para um futuro que possa sempre valorizar as gerações que viveram e morreram por nossa terra.

AO PRIMEIRO COMANDANTE! FELIZ DIA DO SOLDADO!

Lembrai-vos dos vossos Soldados!

Ser soldado para alguns desavisados e de conhecimento insípido, se reduz apenas a receber e executar ordens como se robozinhos fossem. Ser soldado para outros tantos é apenas um elemento acéfalo que mecanicamente responde a ordens de seus superiores. Ser soldado para aqueles que, ideologicamente sentem ódio pelo seu próprio Exército, são homens vis, que matam e torturam.

Mas será essa a verdade que representa ser um SOLDADO?

 Soldado, antes de tudo, tem na sua essência o antigo guerreiro, aquele que morre por sua terra para proteger sua família. O conceito de soldado vai muito além de ideias simplistas e equivocadas. Ser soldado é viver em função de sua pátria, por seu País. A vida de um soldado e sua alma repousam na farda que ele enverga. Essa segunda pele que representa tudo que ele acredita e por ela entrega a vida. Ser soldado é ter honra! Ser um disciplinado e privar-se para salvaguarda da coletividade. É ser vigilante enquanto outros dormem em berço esplêndido! Ser soldado é entregar tudo, sem nada esperar em troca! Enfim, ser soldado, é aceitar perder a vida nos campos de batalha, a viver uma existência na escuridão da covardia!

Neste Dia do Soldado, neste esquecido Dia do Soldado! Apresento-lhes um dos maiores soldados que esse País já teve. Um jovem Tenente Temporário que o Brasil e seu Exército insistem em não reconhecê-lo.

José Sabino Maciel Monteiro, natural de Porto Alegre, Rio Grande Sul, nascido em 20 de janeiro de 1917, cursou o primeiro ano do Curso de Cavalaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Paraná (CPOR/PR), onde foi matriculado em 20 de abril de 1934, cursando o segundo e o terceiro ano do Curso no CPOR/Rio de Janeiro, onde foi declarado Aspirante a Oficial em 1936. Em 1942, já como comandante de fração do 2º Regimento de Cavalaria, se destacou durante a realização de uma apresentação de Pista de Combate e o General de Divisão Mascarenhas de Morais, Comandante de Força Expedicionária Brasileira, convidou o jovem Tenente para servir na 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. A designação para a função foi publicado no Diário Oficial em 08 de maio de 1944. Participando do 3º Escalão da Força Expedicionária Brasileira.

Não demorou muito para que o Tenente Sabino tivesse seus méritos reconhecidos. Foi convidado a assumir o comando do Military Police Platoon, a primeira fração de Polícia do Exército do Brasil. O Tenente Sabino tinha a perfeita noção da responsabilidade, isso explica sua dedicação devocional no cumprimento as missões do Pelotão de Polícia. Tanto que foi promovido a Capitão nos campos de Batalha. A documentação que embasa esse espírito,  refletindo a quantidade de elogios que foram direcionados a este militar. Os elogios partiram de todos os escalões de comando, destacando-se a referências elogiosas do Chefe do Serviço de Polícia, órgão a qual o Pelotão/Companhia estava subordinado, junta-se os elogios do Comandante da Divisão, General Mascarenhas de Morais. Das referências elogiosas e citações, uma em especial chama a atenção, o elogio pessoal do Major General do Exército americano Willis D. Crittemberger, comandante do IV Corpo, sobre as ações ofensivas. Uma referência elogiosa pessoal para um Oficial comandante de uma Companhia não era comum no contexto das operações de um Corpo de Exército. Segue resumo das citações elogiosas:

“[…] Tenho a honra de louvar o Capitão José Sabino Maciel Monteiro, pelo muito que fez na esfera de suas atribuições, para que a Divisão alcançasse o alto conceito em que se firmou no Teatro de Operações da Itália[…]”  Continua “…Recebendo cada nova missão entusiasticamente e cumprindo-a com eficiência, é um resultado de que se podem justamente orgulhar os oficiais e praças da 1ª DIE”.- Elogio registrados nas alterações do Capitão Sabino em 16 de junho de 1945.

A referência cita ainda “a atuação da Divisão no Vale do Serchio, vencendo o antigo inimigo e tomando suas posições; a rocada para o Vale do Reno e a sua entrada em posição; a participação nas operações da Ofensiva da Primavera, com contínuos avanços sob intenso fogo de artilharia e morteiros inimigos, as constantes substituições sempre excelentemente executadas, a arrancada agressiva para noroeste contra forte resistência inimiga, conquistando Zocca, Collechio, Fornovo e obrigando a rendição da 148º Divisão Alemã e a da Divisão italiana; refletem a capacidade a eficiência e o espírito combativo de sua tropa”.

Durante o período de atuação na Itália, sete elogios forma realizados pelo General João Batista Mascarenhas de Morais, Coronel Armando de Morais Ancora e pelos diferentes Chefes de Polícia que se reversavam na atividade, todos identicamente ricos ao ressaltar as virtudes militares do Capitão Sabino.

Recebeu as seguintes condecorações: Cruz de Combate, Medalha de Campanha, Medalha Mascarenhas de Morais, Medalha do Mérito Militar, Bronze Star (EUA), Medalha Croce al Valor Militare (Itália). Dentre as várias condecorações de campanha, versa a Bronze Star, uma das mais altas honrarias americanas. Na citação que lhe concedeu a Medalha lê-se:

“[…]Como Oficial Comandante de Polícia do Exército,[…] demostrou grande habilidade como organizador[…], trefegando constantemente pelas rodovias sob bombardeio inimigos, checando a execução das missões e restaurando a ordem em lugares que foram destruídos pelo fogo inimigo[…]”

Ainda na citação se lê: “[…] conduziu com grande inteligência os Planos de Evacuação e Custódia dos prisioneiros alemães”. E que “sua conduta foi de acordo com as mais altas tradições das Forças Aliadas”.

De retorno ao Brasil, durante o período de desmobilização da FEB, o Capitão Sabino, permaneceu no Comando da 1ª Companhia de Polícia Militar por mais 116 dias, passando o comando em 15 de dezembro de 1945. Isto o tornou o primeiro Oficial de Polícia Militar do Exército Brasileiro. Ressaltando que a Companhia de Polícia Militar da 1ª DIE não foi desmobilizada e passou a ser 1ª Companhia de Polícia Militar da 1ª Região Militar e que, posteriormente, por força do Decreto nº 23.466, de 06 de Agosto de 1947, tem sua designação alterada para 1ª Companhia de Polícia do Exército. E, por último, é transformada, através da Portaria Reservada nº 121-99 de 24 de dezembro de 1951, no 1º Batalhão de Polícia do Exército.

Depois? Ah! Depois! Infelizmente ele morreu sem o devido reconhecimento de seu Exército. Morreu e sua primazia na criação da Polícia do Exército do Brasil passou para escuridão histórica!

Mas ele foi um grande Soldado! E isso ninguém pode mudar! Daqueles Oficiais R/2 que seus soldados o seguem instintivamente! Daqueles que os subordinados entram na linha de frente não por ser ordem de um superior, mas por ser ele! O Comandante! Que seus homens dariam a vida para protege-lo. Isso é ser soldado! Morrer por quem vale a pena! É um Oficial R/2 SIM! E um dos melhores que esse Exército de Caxias já produziu!

 

Muito Prazer em Conhecer Comandante!! Feliz Dia do Soldado!

 

 UMA VEZ PE, SEMPRE PE!




























Uma Luz na Escuridão Histórica: Gastão Coimbra e o Seu Maravilhoso “Homens da Pátria”

O professor e historiador Roney Cytrynowicz  escreveu um artigo que dizia o seguinte sobre o envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial: 

O lugar da Segunda Guerra Mundial na história e na memória coletiva da população do São Paulo, e do Brasil [grifo nosso], tem sido, no entanto, marcado muito mais pela ausência do que por uma presença efetiva e consistente. A guerra, episódio central da História do século 20, não está presente na memória da cidade de São Paulo; ela não é celebrada coletivamente, não é lembrada. Os soldados que lutaram e os mortos não são referenciados a não ser por pequenos grupos diretamente ligados a eles. 

 Infelizmente uma verdade gritante que se agrega a característica do Brasil em ser um País sem memória. Mas, sempre haverá ações que possam ir de encontro a essa nociva cultura. Essas ações, não raras vezes, são protagonizadas por pessoas que, distantes dos financiamentos públicos e de suas estatais, têm que vivenciar sacrifícios pessoais para ter sua obra sendo exibida.

 Gestão Coimbra conseguiu formar um bastião de resistência para levar ao público uma obra cinematográfica que retrate o sacrifício de jovens, que deixaram suas famílias e sua terra, para obedecer ao chamado patriótico de uma nação em guerra.  O longa-metragem HOMENS DA PÁTRIA é muito mais do que um filme, é um projeto que traz ao público histórias marcantes e reais de pessoas humildes que estivem à serviço do Brasil e lá deixaram suas vidas ou grande parte de sua juventude; histórias reais vivenciados por brasileiros que, infelizmente, são estigmatizados pelo ideologismo governamental que vira as costas para a importância histórica dos mais de 25 mil brasileiros que lutaram na Itália e a memória de quase 500 mortos.

 Apesar dos sacrifícios para concepção do projeto, é facilmente perceptível a fidelidade histórica do filme de 90 minutos, possibilitando uma vivência com os fatos narrados, ou seja, será uma aula de história e o reconhecimento da Força Expedicionária Brasileira na formação de uma política de regaste do nosso passado recente.

 Esses são alguns motivos para que TODOS possam apreciar e convidar outras pessoas, principalmente àqueles que acham que o Brasil pulou de 1939 para 1945.

 O Todos os envolvidos nosso muito obrigado!

 

 

NATAL, TRAMPOLIM DA VITÓRIA: UMA AULA DE CIDADANIA HISTÓRICA – FUNDAÇÃO RAMPA

Muitos textos e artigos foram publicados aqui no BLOG para expressar a indignação quando o abandono histórico que o Brasil relega sua participação na Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, nenhum é tão gritante quando a completa ausência de informações sobre o que americanos consideravam ser o “Trampolim da Vitória”.  A bela cidade de Natal figura como a cidade que mais sentia os efeitos da guerra, simplesmente pelo fato dela ser a principal rota aérea para apoio e suprimento das operações ocorridas em todo Teatro do Mediterrâneo que sustentavam os bombardeios ao sul da Alemanha, além de operações do Pacífico. Era a maior Base Aérea Americana fora  dos Estados Unidos, por isso, a importância das operações do Pernamirim Field serem consideradas como cruciais para o esforço de guerra dos Aliados.

Os impactos sociais com a presença de centenas de americanos mudou a cara da cidade de Natal e transformou a vida de milhares de cidadãos. Para aqueles americanos, vivenciar as terras tropicais durante a guerra foi a melhor experiência que se poderia ter em um conflito de sofrimento humano inenarrável.

Tudo ficou em um passado obscuro e sem qualquer tipo de ligação com o presente. Não há mais paralelo histórico que possa trazer à luz a riqueza e importância da presença dos Aliados no importantíssimo e estratégico Saliente do Nordeste, exceto pela batalha individual de heróis contemporâneos como Augusto Maranhão e Marcos Sedin, aliando esforços para manter a História de sua cidade com a Fundação Rampa.

Aos Diretores da Fundação Rampa, nossa humilde continência.

http://www.fundacaorampa.com.br

 O Tenente Mário Messias, secretário da Associação Nacional dos Veteranos da FEB/Regional Pernambuco, enviou um conjunto de fotografias que orgulharia qualquer pesquisador. São fotos de Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images.

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