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Muito bem. Vamos! – A Ordem do Dia D – Especial – Parte II


Eisenhower acordou às três e meia, em 05 de junho. O vento estava sacudindo o seu trailer. A chuva parecia estar caindo em faixas horizontais. De acordo com Stangg (oficial de Meteorologia), a chuva teria diminuído. Ele se vestiu e se dirigiu sombriamente através de uma milha de lama a Southwick House para a última reunião sobre a meteorologia. Ainda não era tarde demais para adiar a operação, fazer a frota voltar a um porto seguro e tentar de novo dia 19 junho – e se a tempestade continuasse, era o que teria de ser feito.

No refeitório, o café fumegante ajudou a sacudir o humor sombrio e o sentimento de insegurança, mas como relembrou Eisenhower: “O tempo era terrível. Southwick House sofria tremores. Oh, estava realmente desabando uma tempestade”.

Stagg entrou e, para deleite de Eisenhower, “trazia um ar risonho no rosto.  Ele não era de rir muito, mas certamente um bom homem ”.  E disse: “Bem, vou lhes dar uma boa notícia”.

Estava agora mais certo do que estivera cinco horas antes, de que a tempestade abrandaria antes do alvorecer. Mas também havia a má notícia: só existia a probabilidade de tempo bom na terça-feira;  a quarta-feira poderia ser chuvosa novamente. Isso suscitava o perigo de que as primeiras levas desembarcariam mas não as unidades de acompanhamento.

Eisenhower pediu opiniões, voltando a perambular, projetando o queixo, como era seu hábito. Montgomery ainda queria arriscar, como também Smith. Ramsey estava preocupado com a pontaria apropriada para o fogo de artilharia naval, achava que o risco valia a pena. Tedder relutava. Leigh-Marllory ainda achava que as condições atmosféricas estavam abaixo do mínimo aceitável.

Os navios estavam avançando no Canal. Se tivessem que chamados de volta, a decisão tinha de ser tomada naquele momento. O comandante-supremo era o único homem que podia fazê-lo.

Ele voltou a vaguear pelo recinto. Alguns dos que ali estavam acharam que ele ficou andando por uns cinco minutos. Eisenhower achava que foram apenas quarenta e cinco segundos: “tenho certeza que não foram cinco minutos”, disse ele posteriormente. “Cinco minutos, em tais condições, pareciam um ano”. Ele reconsiderou na sua mente as alternativas. Se Stagg estivesse errado, na melhor das hipóteses a AEF estaria desembarcando homens enjoados sem cobertura aérea ou um bombardeio naval eficaz. Mas adiar de novo seria torturante e perigoso. Os homens haviam sido instruídos, não podiam ser mantidos em seus navios-transporte ou embarcações de desembarque por duas semanas; o risco de que os alemães penetrassem o segredo da Overlord era muito alto.

Caracteristicamente, a preocupação de Eisenhower era com os homens. “Não esqueça”, disse ele em uma entrevista vinte anos depois, “umas centenas de milhares de homens estavam aqui em torno de Portsmouth e muitos deles já tinham sido embarcados já há algum tempo, particularmente aqueles que iam realizar o assalto inicial. Aquelas pessoas preparadas para lutar estavam engaiolados, eia a verdade. Você não poderia dizer outra coisa. Estavam confinados, amontoados, e todo mundo se sentia infeliz.”

Eisenhower continuou: “Deus sabe, aqueles homens significavam um boca para mim. Mas estava são as decisões invitáveis quando se está numa guerra. Você diz para si mesmo: vou fazer alguma coisa para benefício do meu país pelo mínimo custo. Você não pode dizer sem qualquer custo. Você sabe que vai perder alguns dos homens, e é muito, muito difícil.”

Ele parou de andar, encarou seus subordinados, e então disse tranquila, mas claramente: “Muito bem. Vamos!

E novamente soaram vivas em Southwick House. Então os comandantes se precipitaram de suas cadeiras e correram para os seus postos de comando. Dentro de trinta segundos o refeitório estava vazio, a não ser pela presença de Eisenhower. Seu isolamento era simbólico, pois, tendo emitido a ordem, agora se achava impotente. Como ele mesmo declarou: “Essa é a hora mais terrível para um comandante. Ele fez tudo o que podia, planejou tudo, procurou prever o máximo. Não há mais nada que possa fazer.”

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  1. lopes
    24/02/2014 às 8:51 PM

    parabens

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