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Guerra no Deserto: Relatos da Afrika Corps

Hans Klein nasceu em 1921, era marceneiro antes de entrar para a Divisão Hermann Göring da Luftwaffe em 1942. Enviado para a África, serviu no Afrika Korps entre 1942-43, onde alcançou o posto de cabo.

No inicio de 1942 eu fui recrutado para servir na Força Aérea (Luftwaffe), na Divisão Paraquedista Hermann Göring.
Diferente do que costuma ser publicado, a Divisão não era integrada por voluntários, na verdade éramos diretamente recrutados ou transferidos de outras unidades, e eu nunca conheci algum voluntário na nossa companhia. A Divisão Hermann Göring era uma unidade fantástica, e foi uma honra servir em suas fileiras.

Nossa Divisão teve um bom programa de treinamento, e era uma unidade sólida e orgulhosa. Eu fui enviado a Utrecht, na Holanda, para treinamento, mais especificamente, para ser estafeta. Além da instrução militar, aprendi a dirigir diversos tipos de motocicletas e veículos, além de aprender auto-mecânica e elétrica.

Lamento dizer isto mas muitos dos homens na minha Divisão achavam que o Marechal da Força-Aérea Hermann Göring era um fanfarrão. No início da guerra ele fez a estúpida afirmação de que se algum avião inimigo alcançasse Berlim ele mudaria o seu nome para “Meier”, e desde então nós o chamávamos de Hermann Meier em nossas conversas.

A primeira campanha em que eu estive envolvido foi a ocupação do território de Vichy, na França, em novembro de 1942. Não houve qualquer resistência e prosseguimos em direção ao sul até a cidade de Cognac, que é uma das mais belas cidades na França.

No final de 1942 a situação no norte da África era crítica, e foi decidida a criação do Grupo de Combate (Kampfgruppe) Schmidt, formada com elementos da Divisão Hermann Göring. Fomos transportados via aérea para a área de Nápoles, na Itália, e depois para a África, em aviões de transporte Junkers-52. Estes aviões eram lentos mas bastante robustos. Voamos rente ao nível do mar, entre 7 e 15 metros de altura, por sobre as ondas, esperando que não acontecesse algum problema mecânico. Tivemos a escolta de alguns caças e fomos afortunados por não acontecer nenhum incidente durante a viagem. Chegamos a Túnis e eu assumi o meu posto de estafeta. Lutamos e participamos de várias batalhas durante meio ano, até que a luta cessou na África.

Em um dia típico na África havia a constante troca de tiros da artilharia na maior parte do dia, mas não mais que 50 ou 60 tiros em ambas as direções. Apenas o suficiente para deixar o outro lado perturbado. Nós continuamente nos protegíamos pois estávamos muito próximos da linha de frente. Estávamos freqüentemente juntos aos observadores avançados, que não estavam a mais que 700 metros das linhas inglesas. Na metade do tempo fazíamos patrulhas na terra de ninguém, mas nossas atividades mudavam constantemente. Quando não estávamos patrulhando nós ficávamos nos nossos buracos, protegidos dos ataques aéreos. Usualmente recebíamos uma calorosa visita todos os dias.

Muita de nossa atividade era feita durante a noite. Nós colocávamos minas ou saiamos em patrulha. Se nos encontrávamos na linha de frente, o que acontecia na maior parte das vezes, recebíamos tiros de barragem do inimigo a cada 15 minutos. Na primeira oportunidade que tínhamos, procurávamos dormir, geralmente no final da madrugada.

Nossos suprimentos de comida, água e munição não eram adequados. Usualmente tínhamos falta de tudo. Deveríamos receber quatro litros de água por dia, mas na prática eram apenas dois litros para cada um de nós. Raramente tomávamos banho, a menos que estivéssemos próximo à costa do Mediterrâneo.

Em uma noite a minha moto foi pelos ares, atingida em cheio pela barragem. Não havia muito o que fazer. Supostamente a Divisão Hermann Göring era motorizada, e nós esperávamos que chegassem os veículos, mas os cargueiros em que estavam sendo transportados foram afundados no caminho e nós nunca recebemos os equipamentos.

As moscas eram um problema constante, e não tínhamos controle sobre elas, nuvens delas vinham sobre nossas faces e usávamos uma rede sobre a cabeça o tempo todo. Para comer o pão, algumas vezes, poucas vezes, tínhamos geléia ou carne enlatada, e devíamos antes retirar as moscas e rapidamente colocar o pão sob a proteção da rede, esperando que nenhuma tivesse entrado junto com a comida.

O calor durante o dia era tremendo, com média de mais de 40oC a sombra, era muito desgastante. A noite fazia tanto frio quanto quente era o dia, e tínhamos que vestir agasalhos para as missões noturnas.

O nosso comandante, o Marechal de Campo Erwin Rommel, foi o homem mais importante que já conheci. Ele era uma lenda para os soldados que lutaram na África, nós tínhamos um respeito e admiração natural por ele.

Eu o vi pessoalmente em várias ocasiões durante a minha tarefa de estafeta. Ele nunca me dirigiu a palavra, mas estar próximo a sua pessoa causava uma forte impressão. Nós sabíamos que em todas as decisões que ele tomava, sempre levava em conta a vida e a segurança de seus homens. Ele surpreendia o inimigo e encontrava uma maneira de manobrar em torno deles de forma a proteger os seus soldados. Esta foi a sua marca de galanteria na campanha da África.

Por problemas de saúde o Marechal passou o comando para o General Hans Von Arnim que era muito inteligente e ágil, mas não tinha o mesmo carisma que seu antecessor, e assim sentíamos como que afastados do seu comando. Havia uma grande camaradagem entre nós, os soldados do Afrika Korps, e a nossa moral era bastante elevada.

Por outro lado, os nossos aliados italianos passavam por uma série de dificuldades. Aos oficiais italianos sequer lhes passava pela cabeça dormir ou comer ao lado de seus soldados, em contraste, os oficiais alemães estavam sempre compartilhando das mesmas rotinas de seus subordinados, nós éramos muito unidos e isto nos dava um sentimento de orgulho. Isto continuou mesmo quando nos tornamos prisioneiros de guerra. Recebemos posteriormente a admiração dos jornais americanos pela forma “democrática” de integração do nosso corpo militar.

Tínhamos uma grande camaradagem com os italianos, mas dava pena de sua situação, se nossos suprimentos eram escassos, a deles era totalmente inadequada. A sua liderança além de inepta não providenciava a sua apropriada alimentação bem como o suprimento de munição e armamento adequados. Os italianos não tinham a mesma disposição de luta porque não tinham nada decente com que se defender. Os seus tanques não eram de segunda categoria mas sim de terceira. Os aliados tinham novos tipos de tanques entregues aos milhares e os italianos tinham que lutar com um modelo construído em 1928, eles não tinham a menor possibilidade de vencer. Se a pressão na batalha fosse muito grande eles simplesmente viravam as costas e desistiam. Preferiam mais ser capturados a lutar por um sistema que nunca lhes ofereceu nada.

Um dia ficamos face a face com quatro tanques americanos que entraram em nosso campo minado. Um deles estava atirando contra nós, e eu, num impulso, corri até ele e coloquei uma granada entre as suas lagartas. O som da explosão fez com que a equipagem saísse do tanque e se rendesse a nós. Pelo feito ganhei a medalha da Cruz de Ferro de 2ª classe.

Após a batalha de El Alamein nossa retirada foi constante, mas também organizada. Tínhamos sempre que estar com um olho nos italianos pois sua retirada podia se transformar em debandada, além disso os seus oficiais sempre queriam levar todas as suas coisas nos caminhões, incluindo ai as suas confortáveis camas, equipamento de cozinha, banheiros e apetrechos de luxo de toda natureza, enquanto isso nós levávamos apenas o estritamente necessário.

Em um determinado ponto estávamos cercados ao sul da Tunísia, próximo a cidade de Pond du Fahs. Durante três dias sofremos pesado bombardeio e não tínhamos força suficiente para quebrar o cerco, nossas chances de escapar eram muito pequenas, então fomos instruídos a destruir os documentos e nosso equipamento para evitar a captura pelo inimigo. Recebemos permissão para comer nossas rações de emergência, que eram reservadas somente para o último e desesperado momento. Ela contém comida desidratada e energética, e até barra de chocolate. Resignadamente esperávamos pela morte ou captura nos próximos minutos.

Felizmente fomos socorridos no último momento pela 10ª Divisão Panzer que furou o cerco e libertou nossas tropas. Continuamos então a retirada através da Tunísia. Em caminhões atingimos a cidade de Zaghouan, onde cerca de 25.000 soldados alemães, de diferentes unidades concentraram-se. Estas unidades estavam muito misturadas. Os combates diminuíram e apenas mantínhamos escaramuças para cobrir a retirada.

Em 11 de maio de 1943 eu estava junto com cerca de 5.000 soldados alemães em Zaghouan, que ficava localizado em uma montanha acerca de 600m de altitude, cobrindo a retirada dos demais. Os americanos estavam fazendo um bombardeio pesado sobre a cidade. Eles também lançavam folhetos de aviões dizendo que se não nos rendêssemos pela manhã a cidade seria bombardeada e destruída, mas claro, nós não nos rendemos.

Além das armas pessoais e morteiros, nós tínhamos cerca de 20 canhões de 88mm, o melhor canhão da campanha na África. Os americanos atacaram com cerca de 30 tanques, vindos de uma única direção, e cerca de 25 outros vindo de outra. Eu me lembro que tínhamos apenas 15 tiros por peça, então esperamos até o último momento para atirar. Os tanques estavam a apenas 300 metros quando abrimos fogo fazendo uma barragem incrível. Imediatamente entre 12 e 15 tanques foram pelos ares. Durante dois dias as carcaças arderam.

Recebemos ordem de recuar alguns dos nossos tanques que estavam desgastados e precisando de reparos Não tínhamos peças sobressalentes e mecânicos suficientes para recuperar todos. A situação no geral deteriorava-se a cada momento.

Pouco tempo depois perdemos o contato com o Quartel-General em Túnis e com o General Von Arnim. Estávamos concentrados ao sul da frente, mas na verdade não havia uma frente definida, éramos mais uma tropa presa em um bolsão. O bombardeio americano da manhã seguinte foi intenso e terrível, era o nosso fim. Recebemos ordem de destruir nossas armas. O comandante passou a ordem para nos concentrarmos em uma determinada região da cidade para a rendição final.

Não tínhamos nada para comer, nossas munições acabaram e apenas a água era ainda distribuída regularmente. Por volta das 08:30hs da manhã de 12 de maio de 1943 foi formalizada a nossa rendição, e não nos pareceu um fim muito dramático. Marchamos para fora da cidade de Zaghouan, os tanques americanos pararam perto de nós.

Os americanos nos colocaram em campo aberto, onde entramos em formação. Não tínhamos comida ou água, e ficamos assim por dois dias. Eles não tomaram a mínima atitude ou cuidado para conosco e o tempo estava muito quente. Pouco depois fomos entregues aos franceses, mais especificamente, aos homens da Legião Estrangeira. Ficamos muito apreensivos pois eles eram bem hostis em relação a nós. Fomos revistados e despojados de tudo que tínhamos. O tratamento que recebemos como prisioneiros de guerra foi terrível.

Por dois dias nos fizeram marchar até um ponto ao norte de Pond du Fahs. Um bom número de nós foi ferido pelos guardas da Legião durante a marcha até o campo de prisioneiros. Nós marchávamos em quatro ou cinco fileiras e, de tempos em tempos, os legionários vinham atrás em um caminhão puxando um cabo atado a um rolo de arame farpado e dirigiam em velocidade passando entre nós. Praticamente todos nós fomos feridos neste processo. Apenas aqueles que conseguiam ouvir a tempo os gritos e o barulho do veículo tinham uma chance de desviar, eu fui um dos poucos que conseguiu.

O campo de prisioneiros em Pond du Fahs media entre 300 e 400 acres, cercado por arame farpado. Éramos entre 12.000 e 14.000 prisioneiros no campo. Ficamos ao ar livre, os franceses não nos deram tendas ou pás para cavarmos buracos onde pudéssemos nos proteger do sol e do vento. Nunca recebemos qualquer tipo de material para fazermos abrigos.

Não recebíamos água com regularidade, tínhamos que dosar e economizar o precioso líquido. Imaginamos uma maneira de escapar mas não tínhamos ilusão pois não havia água ou comida na região, além disso estávamos bastante debilitados fisicamente, e não conheço nenhum prisioneiro alemão na Africa que tenha conseguido escapar.

Não demorou para surgirem centenas de casos de morte por inanição, falta de água e insolação. Cavei várias covas para enterrar os mortos. Éramos mais de 12.000 homens esquecidos no deserto, nem mesmo a Cruz Vermelha tomou conhecimento. Normalmente os prisioneiros são contados e colocados sob a proteção das leis internacionais, mas não para a Legião Estrangeira.

Após um tempo, entre seis e oito semanas, vários de nós fomos forçados a trabalhar na limpeza de campos minados. Aqueles que se recusavam eram fuzilados no local. Todos os dias cerca de 100 prisioneiros marchavam para os campos minados. Eu ouvia sempre nessas ocasiões três ou quatro explosões. Os franceses não forneciam qualquer tipo de equipamento ou ferramentas, muito menos algum tipo de orientação sobre o campo e as minas.

Esta rotina diária de retirada de minas durou três semanas. Sabíamos que os franceses tinham o mapa dos campos minados e a localização das minas, porém não forneciam qualquer informação.

Por volta de julho de 1943 fomos forçados a marchar por três ou quatro dias até um campo menor próximo de Túnis. A marcha até o campo foi feita em uma cadência muito lenta devido ao estado de fraqueza em que nos encontrávamos, muitos ficaram pelo caminho para nunca mais voltar.

Durante a marcha só recebemos água uma única vez. Os franceses trouxeram uma grande cisterna de água e simplesmente abriram todas as torneiras. Corríamos desesperados para poder pegar um pouco, não tínhamos nada além das mãos. A água tinha gosto de gasolina e corria para a areia onde formava poças que eram disputadas pelos homens.

O tratamento era intencional, com o objetivo de eliminar os mais fracos. O campo localizado próximo de Tunis ficava a cerca de 80 km de Pond du Fahs no deserto do Saara. Nada além de areia existia na região. Eu calculo que mais de 4.000 prisioneiros ocupavam o campo e a cada dia dezenas morriam de fome, privação ou doenças.

Nos períodos melhores recebíamos 1/4 de litro de água por dia e um naco de pão duro cheio de areia que batia nos dentes como se estivéssemos comendo pedra. Passávamos o dia pensando em comida e água. Improvisamos a construção de abrigos cavando um buraco do tamanho de um homem no qual colocávamos arbustos e argila utilizando a água que não era possível beber. Conseguimos algumas lonas e pudemos finalmente colocar uma proteção contra o sol abrasador.

Não tínhamos provisão de medicamentos e havia apenas um médico alemão no campo, mas ele não podia fazer muito sem instrumentos e remédios. Eu e meu amigo fomos escalados várias vezes para cavar covas rasas e enterrar os mortos. Não sei quantos corpos enterrei mas foi uma quantidade muito grande.

Aqueles que caiam de lado não recebiam qualquer atenção dos franceses e eram deixados para morrer. Após um tempo estabelecidos, os franceses ordenaram que todos se reunissem pois iriamos mudar de campo. Então ordenaram que empilhássemos as lonas e o material de abrigo em uma grande pilha, onde depois foi ateado fogo.

Quando estávamos prontos para marchar eles cancelaram a ordem e mandaram dispersar, vivemos então apenas dentro dos buracos, sem proteção contra o sol e o vento. Claro que foi proposital, com a intenção de retirar o pouco do abrigo que a custo conseguimos construir.

Em um determinado ponto eu entrei em uma espécie de estado de coma que durou mais de uma semana. Não tinha forças sequer para fazer as necessidades mais básicas. Sem hospital, apenas podíamos ficar deitados no chão ou nos buracos. Eu fui capturado em 12 de maio de 1943 e em setembro já tinha emagrecido mais de 40 kg.

Minha vida foi salva porque um major americano achou nosso campo por acidente. Este major tinha ligação com a Cruz Vermelha e com o controle dos prisioneiros de guerra, e resolveu averiguar o campo, descobrindo as péssimas condições em que nos encontrávamos. Uma centena de prisioneiros estavam inconscientes dos cerca de menos de 2.000 que ainda estavam vivos.

O Major voltou no dia seguinte com duas dezenas de ambulâncias e forçou sua entrada no campo francês, apoiado por uma centena de soldados americanos. O major selecionou entre 100 e 120 dos casos mais urgentes para hospitalização. Afortunadamente eu estava entre estes. Fui colocado em uma ambulância onde deram-me algo para comer. Fomos levados então para Tunis onde nos internaram em um hospital da Cruz Vermelha Alemã.

Pouco depois fomos levados para Casablanca para embarcarmos em um comboio que partindo de Oran se dirigia para os Estados Unidos. Havia seis ou sete navios carregados com prisioneiros alemães. Viajamos em um barco mercante e fomos dos primeiros prisioneiros alemães a embarcar para os EUA.

Desembarcamos em Nova York e depois fomos transportados em um trem confortável de passageiros, algo inédito pois na Alemanha os soldados eram transportados em vagões de carga.

Viajamos por quatro dias e três noites até o nosso destino em Tonkawa, Oklahoma, para um campo de prisioneiros cercado de arame farpado. Ficamos alojados em barracas com capacidade para 50 homens cada.

Durante o período em que estávamos prisioneiros fomos levados a ajudar vários fazendeiros da região na colheita e serviços diversos, no campo e nas cidades.

Quando a guerra terminou eu fui um dos afortunados que retornou para casa quatro semanas após a Páscoa de 1946. Após 1946 nem todos os prisioneiros retornaram diretamente para a Alemanha. Muitos passaram ainda um ano ou mais trabalhando na Inglaterra ou na França.

Fonte: World War II magazine – Setembro 2005. Compilado por Wolfgang Garlipp.

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Esses Esquisitos Ingleses

Ser britânico no início do século vinte não era nada fácil. O império de sua majestade passou de um Império absoluto nos séculos anteriores para concorrer com outras nações, se envolvendo em dois grandes conflitos na Europa territorial. Não por acaso, Keynes, afirmou que a Inglaterra agia como se não fizesse parte da Europa, sempre distante dos reais problemas políticos e sociais do território.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a insistência do Premier inglês Chamberlain na sua política de “paz a qualquer custo” deu uma boa margem para que Hitler tomasse gosto pela sua política expansionista. Quando a guerra era invitável, e a Força Expedicionária Britânica chega a França, alguns meses depois, tem que ser resgatada de volta para casa.

Rommel, quando lutou contra os ingleses no deserto, dizia que não acreditava que o britânicos abriam mão de perseguir suas tropas para tomar o seu chá da tarde. Mas nunca subestimou os ingleses, sempre admirou e foi profundo admirador dos súditos do Rei.

Não podemos deixar de comentar os uniformes estranho e os capacetes esquisitos do Exército Real.

Os Alemães e o Dia D.

Quando no início de 1944 Rommel resolve realizar uma inspeção na inexpugnável Muralha de Atlântico. Observou que o “inexpugnável” só fazia sentido para a propaganda do “doutor” Goebbels. Uma análise da Raposa do Deserto constatou que para se deter uma investida aliada era necessário deter o inimigo antes que ele tivesse a chance de conquistar uma “cabeça-de-praia”, então formula a célebre frase: “o mais longo dos dias”. Como providências para esse pensamento, os reforços bélicos foram aumentados consideravelmente, com aumentando as defesas fixas na região na Península de Contentin, alagamento de grandes áreas e proteção contra desembarques aerotransportados, além de uma quantidade absurda de obstáculos nas praias e extensas áreas minadas.

Todos os especialistas do Dia D são unânimes em afirmar que a designação de Rommel para Teatro de Operações na Europa aumentou de modo exponencial as baixas dos aliados na incursão pela França. Ele queria deter qualquer tentativa de avanço sobre o território francês. Contava com divisões panzers para um contra-ataque rápido de feroz no mesmo dia dos desembarques. Nesse momento entra a ordem absurda de Hitler de que qualquer deslocamento de panzers deveria ser realizada apenas sob suas ordens, e  ele estava dormindo até duas horas da tarde do Dia D. A ordem só chegou no final do Dia D e com ressalvas de tropas, tornando o deslocamento complicado naquele momento.

Depois de perder o ímpeto combativo, os defensores, apesar de enormes baixas causadas na praia de codinome Omaha, cedeu terreno e acabaram retraindo para o interior. As principais defesas foram concentradas na cidade de Caen, onde a resistência alemã lutou por meses. A cidade foi totalmente destruida por bombardeios aéreos, mas mesmo assim ainda, havia duros combates até a conquista total.

Argentan, Caretan e a região de Contentin foram cenários de duros combates. Mas nesse momento a capitulação da Alemanha em terras francesas era uma questão de tempo.

Abaixo um conjunto de fotografias que visa mostrar as tropas alemães antes e depois do Dia D.

A Hora H do Dia D!

O Dia D ficou consagrado como o dia da decisão, termo militar que foi utilizado como codinome para a Operação Overlord e que acabou sendo sinônimo para um dia importante. Mas dentro do Dia D, o mais longo dos dias, segundo o próprio Rommel, houve para cada soldado participante do conflito a sua própria Hora H. Aquela que determinou a vida ou morte; aquele momento de decisão ou de angustia, de alegria ou de tristeza, um momento importante para qualquer soldado, seja ele americano, inglês ou alemão. A Hora H pode ser um momento de tranquilidade e de paz depois de um inferno.

Como temos nossa série a Hora H aqui no BLOG, resolvemos buscar no acervo fotografias da Hora H do Dia D, que não necessariamente foi no Dia D, mas inclui operações posteriores a Dia D. Resgatamos fotografias da U.S Corps com a qualidade impressionante, que nos orgulhou colocar a disposição de vocês.

Nas próximas remessas vamos abordar o próprio Dia D e a impressão do soldado ao se aproximar a sua Hora H.

Análise Histórica e Fotográfica da Segunda Guerra – Parte VII

A superioridade aérea é algo completamente necessário para uma ofensiva em larga dimensão. Não por acaso, Hitler só tentaria uma invasão a Inglaterra quando a superioridade aérea fosse da Luftwaffe, o que jamais se concretizou. Depois de perder o poderio sobre os céus da Inglaterra e, posteriormente perder presença nos céus da França, a Luftwaffe estava longe de ser a mesma que participou ativamente da Blitzkrieg nas primeiras fases da Segunda Guerra. Em 1944 e 1945 se resumiu a defesa de seu próprio país. Seus bombardeiros e caças não mais eram temidos e jaziam abatidos nos rincões dos chãos dos países outrora conquistados.

Muito se fala nos paraquedistas americanos da 89ª e 101ª Divisão Aerotransportadas, mas a Divisão mais castigada na tomada da Europa foi sem dúvida a 1ª Divisão Britânica Aerotransportada. Essa Divisão de Elite foi praticamente massacrada durante a execução da Operação Market Garden, perdendo 7500 paraquedistas.

Os Red Devils tiveram pouca sorte desde o princípio da operação, pois a região de Arnhem era defendida ferozmente por baterias antiaéreas alemães, fazendo com que as tropas saltassem muito longe de seus objetivos. A Divisão foi quase totalmente massacrada durante a contraofensiva para defender a Ponte do Rio Reno.

A utilização de planadores entrou para a História das Guerras no Dia D, já que fora usado largamente para o desembarque das tropas aerotransportadas. Esse tipo de transporte, extremamente silencioso, mas mortal quando pousava em terreno acidentado ou em árvores de grande parte, causou enormes baixas. Inclusive o General Pratt, único oficial General que morreu durante a Operação Overlord, por está “protegida” demais, ou seja, chapas de aço colocados abaixo do seu jeep impediram que o Planador da classe CG-4A , caiu violentamente contra o solo, mesmo com todos os esforços do seu piloto, o Tenente-Coronel C. Michael “Mike” Murphy  que não pôde evitar que o General Pratt quebrasse o pescoço na descida.

O Planador

 

Na há registros da noite do dia 05 de junho de 1944, quando iniciou o plano de invasão da Europa com as chega nos céus da Normandia das Divisões Aerotransportadas. Uma coisa é certa, todas as lembranças que são registradas falam sobre a grande quantidade de fogo antiaéreo que foi despejado contras os C-47 com as tropas paraquedistas, não por acaso, muitas semanas depois do Dia D eram possível ainda ver as chamas dos aviões que foram abatidos no inferno da noite do dia 05.

Uma informação importante para qualquer pessoa que estuda a Operação Overlord é saber o que pensavam os defensores sobre como e onde seria a inevitável Invasão da Europa. Rundstedt e Rommel eram os chefes diretos encarregados da Defesa, mas mesmo eles não concordavam como proceder no caso da invasão. Rommel acreditava piamente que os ataques deveriam ser repelidos ainda nos primeiras horas da invasão, evitando que qualquer cabeço-de-praia fosse estabelecida de forma definitiva, para tanto era necessário trazer as Divisões Panzers disponíveis para mais próximo do litoral. Rundstedt, por sua vez, achava que o ataque deveria ser repelido a partir de um forte contra-ataque vindo do interior, para tanto os carros de combate estariam pronto para o emprego, mas bem mais afastados no interior, longe dos bombardeios da Marinha Aliada. No final das contas nenhum das opções foram efetivamente executadas.

General Rommel: Um Grande General ou Um Produto de Propaganda?

 Confesso que gosto de Erwin Rommel. Mas também admito que Rommel foi um dos principais elementos de propaganda do III Reich durante os vitoriosos anos iniciais da Segunda Guerra. Quando Rommel chegou à África, os italianos estavam dispersos e perdidos, e o general alemão conseguiu formar um Exército combativo, evidentemente à custa da máquina de guerra nazista, mas esse front nunca fora referência para o Fürher, e acabou sendo um front desabastecido de suprimentos, a derrota foi inevitável. A Raposa do Deserto ficou sem comando quase todo o ano de 1943, quando foi dada a missão de cuidar da Muralha do Atlântico, e, na primeira inspeção, ficou claro o quanto a Muralha era frágil. Aconteceu o Dia D, Rommel foi ferido e enviado para casa.

No final das contas Rommel foi envolvido no atentado contra Hitler em 1945 e por isso foi forçado a cometer suicídio. O fato de ter sido morto pelo sistema que defendeu, ajudou na construção da imagem de um militar patriota e profissional, mas não nazista. Infelizmente Rommel era fascinado por Hitler e pelo Nazismo, mas no decorrer da guerra essa fascinação se transformou em decepção.  Mas a imagem se perpetuou e Erwin Rommel é citado como um dos maiores generais da História. Será?

O BLOG quer saber sua opinião sobre a Raposa do Deserto.

O Dia D, depois do Dia D!

O dia 06 de junho de 1944 entrou para história como sendo a maior operação anfíbia que o mundo jamais vira. Apesar do comando da operação está nas mãos dos americanos, a invasão a Muralha do Atlântico teria a participação de vários países. Mas não vamos nos prender ao Dia D, tendo em vista que um assunto bastante estudado, e sim nas operações posteriores ao Dia D que foram tão duras quanto o desembarque nas praias da Normandia, e causaram perda de pessoal e material tão importante quando as verificadas nessas praias. Monty, sustentava a ideia de que, ainda no Dia D, as tropas britânicas tomariam Caen, mas a forte resistência alemã só permitiu a tomada quase três meses depois do dia 06 de junho, e essa não foi uma exceção, cidades como  Cherbourg e Argentan, só foram retomadas depois que os Aliados utilizaram artilharia e expulsaram os focos de resistência alemã dentro das cidades. Nos campos próximos as batalhas foram ainda mais sangrentas, elevando assim o número de baixas e perda de material. Para acelerar o capitulação alemã na França, foi chamado de volta a General Patton, que fora afastado das operações de campo, sendo dado o comando da Operação Cobra que tinha por objetivo o avanço rápido no território francês.

Para concluir podemos afirmar que o Dia D não foi o apenas no dia 06 junho 1944, mas o conjunto dos dias que culminaram com a liberação da Europa Ocidental. Se que o Dia D realmente aconteceu na Europa Ocidental.

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