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USS Indianapolis (CA-35) – Uma das História mais Tristes da Segunda Guerra – Parte II

“Eu sabia que estava morrendo, mas isso não importava mais.”

Dr. Lewis Haynes era o médico-chefe a bordo do Indianapolis. Pouco depois de seu resgate, ele ditou suas lembranças para um paramédico, a fim de preservar um relato preciso de sua experiência. Estas notas tornaram-se a base de um artigo publicado em 1995. Juntamo-nos a sua história a partir do momento que o seu sono é interrompido logo depois da meia-noite em 30 de julho pela violenta explosão de um torpedo japonês.

Acordei. Eu estava no ar. Eu vi uma luz brilhante e senti o choque da explosão que me atirou para o ar. Um torpedo tinha detonado debaixo do meu quarto. Eu bati na borda da cama. Então, a segunda explosão me derrubou novamente. Quando eu estava no convés eu pensei: ‘Eu tenho que dar o fora daqui! ‘ Eu agarrei o meu colete salva-vidas e comecei a procurar a porta. Meu quarto já estava pegando fogo.

Saí para ver o meu vizinho Ken Stout. Ele disse, ‘Vamos sair daqui’, e deu um passo à frente de mim no corredor principal. Eu estava muito perto dele quando ele gritou: ‘Cuidado!’ e jogou as mãos para cima. Eu levantei o colete salva-vidas na frente do meu rosto, e recuei. Quando eu fiz isso, uma parede de fogo queimou meu cabelo, meu rosto, e as costas das minhas mãos. Era a última vez que via Ken.

Comecei a tentar ir para a escada, para subir na torre de proa do deck, havia muito fogo vindo através da plataforma em frente à sala do dentista. Foi quando eu percebi que não poderia ir em frente e voltei. Escorreguei e caí. Tinha queimaduras de terceiro grau em minhas mãos – palmas das minhas mãos e todos os meus dedos. Eu ainda tenho as cicatrizes. Eu estava com os pés descalços e as solas dos meus pés estavam queimadas.

Então eu me virei para voltar. Eu teria que passar por um corredor longo do tombadilho, mas havia uma fumaça terrível e nebulosa com um odor peculiar. Eu não conseguia respirar e me perdi. Eu continuei batendo em móveis e, finalmente, cai em uma grande poltrona. Eu me senti tão confortável. Eu sabia que estava morrendo, mas eu realmente não me importava.

Então, alguém passou por mim e disse: ‘Meu Deus, eu estou desmaiando!’ E caiu sobre mim. Evidentemente que me deu uma injeção de adrenalina e forcei meu caminho para sair. Alguém estava gritando, ‘Abram lugar!” Todo mundo estava tentando sair daquela névoa vermelha.”

O Navio está afundando!

 Com grande esforço, Dr. Haynes consegue subir a corda para o convés superior. Ele e um assistente começam a distribuir coletes salva-vidas para aqueles que os rodeiam.  O navio está prestes a afundar:

“… Eu caminhei lentamente para o lado do navio. Outro garoto veio e disse que não tinha colete. Eu tinha um extra e cedi. Nós dois pulamos na água que estava coberto com óleo combustível. Muitos outros estavam na água. O casco estava cheio de pessoas.

Eu não queria ser sugado com o navio, e tentei fugir. E então o navio subiu. Eu pensei que ia descer e esmagar-me. O navio continuou a inclinar-se para longe de mim, a extremidade traseira levantando-se e inclinando-se. O navio ainda estava indo lentamente para frente, provavelmente 3 ou 4 nós. Quando finalmente afundou, estava a mais de cem metros de mim. A maioria dos sobreviventes foram segurando em qualquer lugar a uma distância de meia milha a uma milha do navio.

De repente, o navio tinha afundado e tudo estava muito quieto. Tudo tinha ocorrido em apenas 12 minutos desde o golpe dos torpedos. Começamos a nos reunirmos. Estar na água não era uma experiência desagradável, exceto pelo óleo combustível que entrava no nariz e olhos. Olhamos o óleo, mesmo todo preto – olhos brancos e bocas vermelhas. Ninguém sabia que havia um médico no bote salva-vidas. Logo, todos tinham ingerido óleo combustível e ficamos doentes. Todo mundo começou a vomitar.

Naquele momento, eu poderia ter-me escondido, mas alguém gritou: ‘É o médico lá? E me fiz reconhecer. Daquele ponto em diante – e isso é provavelmente por isso que estou aqui hoje – eu fiquei tão ocupado que era obrigado a continuar. Mas, sem qualquer equipamento, a partir de certo momento me tornei um médico legista.

Muitos homens estavam sem coletes salva-vidas. O colete salva-vidas é projetado com um espaço na parte de trás. Aqueles que tinham coletes salva-vidas que estavam feridos, eu colocava o braço através deste espaço para mantê-los fora da água. E os homens foram muito bons em fazer isso. Ainda mais, aqueles com coletes apoiavam outro sem.

Quando amanheceu, começamos a ficar organizados em grupos e os líderes começaram a se destacar. Quando a luz chegou pela primeira vez, tivemos grupos de três a 400 homens. Eu diria que provavelmente sete ou oito centenas de homens conseguiram sair do navio. Comecei a encontrar os feridos e mortos. A única maneira que eu poderia checar que estavam mortos era colocando meu dedo em seu olho. Se suas pupilas estivessem dilatadas e não piscasse eu assumia que estavam mortos. Teríamos então laboriosamente que tirar seu colete salva-vidas e entrega-los a homens que não tivessem coletes. No começo eu tirava suas dogtags, fazia uma Oração ao Senhor, e deixava-os  ir. Eventualmente, eu tinha que nadar, por isso não poderia manter as dogtags por mais tempo. Ainda hoje, quando eu faço uma Oração ao Senhor consigo ouvi-los.

Noite … A segunda. Todos os homens colocam seus braços através do revestimento do colete do homem à frente, e fizemos uma grande massa para que pudéssemos ficar juntos. Manteve-nos aquecidos. Os Feridos e aqueles mais doentes ficaram no centro do grupo, e era a minha área. Alguns homens conseguiram cochilar e dormir por alguns minutos. No dia seguinte, encontramos um pequeno bote salva-vidas.

Não havia nada que eu pudesse fazer apenas dar conselhos, enterrar os mortos, tirar os coletes salva-vidas. Quando o sol quente saiu e ficamos nessa água cristalina, estávamos com tanta sede que você podia acreditar que a água não era boa o suficiente para beber. Eu passei uns momentos difíceis para convencer os homens que não deviam beber. Para tirar a esperança dos jovens, tire a sua água e comida. Lembro-me de homens notáveis que estavam bebendo água. Eles tiveram diarreia, então, desidrataram muito rapidamente, em seguida, ficaram loucos.”

A Estação Antártica Comandante Ferraz e a Lição: Explicar a Palavra HERÓI para o país.

Nosso país nos últimos anos tem presenciado a vulgarização dessa honrosa palavra, HERÓI. Nós assistimos, estarrecidos, pessoas sem qualquer contribuição real pelo nosso país, pelo nosso povo, recebendo esse atributo em realitys shows televisivos que expressam apenas a mediocridade humana dos seus participantes. Também são desmerecidos os jogadores de futebol, artistas e cantores que não passam nenhum valor de fato para a sociedade, exceto exemplos torpes e vidas vazias, mas, que mesmo assim, são referências de “heroísmo” lardeado pela Mídia.

Infelizmente o Brasil teve uma dura lição da real utilização desse termo, vindo exatamente do lugar onde se forjam os verdadeiros Heróis, das Forças Armadas. A Marinha do Brasil tem entranhado em sua história, combatentes que deram sua vida em cumprimento da missão. Nosso país testemunhou dois casos de heroísmo que é uma AULA DO USO DO TERMO HERÓI, para que possamos, como nação, aprender que essa palavra deve ser usada estritamente nesses casos, onde um Filho brasileiro entrega sua vida gratuitamente para salvar outras, exercendo o papel para que foi formado.

Carlos Alberto Vieira Figueiredo e Roberto Lopes dos Santos colocam seus nomes no seio de nossa História, juntamente com Max Wolf e outros Heróis que morreram no cumprimento de sua missão. Devemos reverenciá-los agora e SEMPRE! Para que futuramente os jovens entendam o sacrifício desses militares, e as próximas gerações saibam o verdadeiro peso da palavra HERÓI e jamais a vulgarize novamente.

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 Carlos Alberto Vieira Figueiredo nasceu em Vitória da Conquista (BA) em 1964. Ele ingressou na Marinha em 1982 e, nos 30 anos de carreira, serviu em diversas unidades militares, como supervisor eletricista. Já Roberto Lopes dos Santos nasceu em Salvador (BA), em 1966, e ingressou na Força em 1985. Veterano no Programa Antártico Brasileiro, Santos já havia trabalhado em Comandante Ferraz em duas outras ocasiões, em 2001 e 2007.

HOMENAGEM DO BLOG CHICO MIRANDA AOS VERDADEIROS HERÓIS BRASILEIRO.

0 PRIMEIRO TIRO DA ARTILHARIA DA FEB

Mais uma contribuição a História do Brasil:

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Em 31 de agosto de 1942 o Brasil declarou a existência do estado de guerra com a Alemanha e a Itália. Nesse contexto, foi criado, em 1943, o 1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado (1º ROAuR), composto por dois grupos de obuses a três baterias de 105mm cada.

O 2º Grupo de Obuses, (2º Grupo, do 1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado – II/1º ROAuR), foi então formado com o pessoal e o material do 1º Grupo de Artilharia de Dorso – 1º GADo , aquartelado no Forte Nossa Senhora do Campinho. Em seguida, foi incorporado à Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária.

O Grupo, com 510 homens e comandado pelo Coronel Geraldo Da Camino, embarcou para a Itália no primeiro escalão, dia 1º de julho de 1944, sendo a primeira Unidade de artilharia brasileira a cruzar o Atlântico. A tropa, embarcada no transporte americano General William A. Mann chegou à Itália, mais especificamente na baía de Nápoles, no dia 16 de julho, sendo, em seguida, deslocada para a região de Livorno, precisamente em Vada, onde foi incorporada ao V Exército Norte-Americano. Nessa mesma região, a Unidade recebeu materiais novos, como material de comunicações, viaturas e obuseiros. Passou-se, assim, aos exercícios de reconhecimento, escolha e ocupação de posição e, por fim, ao treinamento do emprego conjugado do Grupamento Tático, composto pelo Grupo e pelo 6º Regimento de Infantaria, caracterizado como o último exercício antes de entrar em operação.

Em 12 de setembro, finalmente, o V Exército decidiu empregar o Escalão Avançado da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) em linha de frente, como força diretamente subordinada ao Comando do IV Corpo de Exército.

O Grupo estava em apoio direto ao Destacamento do qual faziam parte o 6º Regimento de Infantaria (6º RI), um pelotão de carros americanos e um pelotão de reconhecimento brasileiro, que tinham por missão ocupar ou conquistar a linha Massarosa – Bozzano – Marti -La Certosa – Via del Pretino – Santo Stefano.

Na noite de 15 para 16 de setembro de 1944, o Grupo iniciou o deslocamento, em total escuridão, para ocupar posição nas encostas do Monte Bastione. Não realizou regulação de tiro para não denunciar a progressão do 6º RI, que estava substituindo tropas norte-americanas. A Unidade aguardou em posição durante toda a madrugada. O Comandante da 1ª Bateria de Obuses era o Capitão Mário Lobato Valle; o Comandante da Linha de Fogo, 1º Ten R/2 Alceu Grisolia e o Chefe da 2ª Peça (peça diretriz), Sargento Miguel Ferreira de Lima. Durante toda a manhã do dia 16, a Bateria, entre tensa e ansiosa, aguardava os primeiros comandos de tiro. Mesmo com muita dificuldade para determinar as posições do inimigo, o 2º Tenente Ramiro Moutinho enviou, do Posto de Observação em Torre di Nerone, sua mensagem de tiro e, às 14 horas, a Central de Tiro encaminhou o comando de tiro à Linha de Fogo.

Precisamente às 14 horas e 22 minutos foi lançado contra o inimigo nazista o primeiro tiro da artilharia brasileira fora do continente sul-americano, atingindo com precisão o objetivo previsto: Massarosa. Era o primeiro dos milhares de tiros disparados pela nossa Artilharia Expedicionária no Teatro de Operações da Itália.

Fig. 1 – Soldado Francisco de Paula

A foto do C3 (soldado carregador) Francisco de Paula, prestes a municiar o obuseiro 105mm com uma granada onde está escrito“A Cobra está Fumando”, foi estampada na capa de diversos jornais brasileiros, lhe rendendo a fama involuntária de ser o “autor” do primeiro tiro de artilharia da FEB. Mas a matéria transcrita nos jornais nacionais foi provavelmente mal traduzida da cobertura de uma equipe de reportagem norte-americana, criando um equívoco que durou muito tempo.

Num obuseiro 105mm, sob o comando de um sargento Chefe de Peça, os serventes cumprem missões específicas: o C1 (cabo apontador) realiza a pontaria em direção; o C2 (soldado atirador) registra a elevação e dispara a peça; o C3 (soldado carregador) municia o obuseiro, etc. O final desse processo resulta na ordem de FOGO! com o simultâneo e brusco puxão na corda do mecanismo de disparo, efetuado pelo C2.

Fig. 2 – Guarnição de artilharia da FEB. O soldado Francisco de Paula aparece ao fundo, o terceiro da esquerda para a direita, de frente para a foto, já ocupando a posição padrão do C3 – Sd carregador da peça

Em momento cercado de grande emoção, às 14 horas e 22 minutos do dia 16 de setembro de 1944, o Cabo Adão Rosa da Rocha, C2 (atirador) da 2ª peça, disparou contra o inimigo nazista, nos contrafortes dos Montes Apeninos, o primeiro tiro da Artilharia brasileira fora do continente sul-americano, atingindo com precisão o objetivo previsto, Massarosa.

O Grupo prosseguiu em combate até o final da guerra e participou ativamente das conquistas de Camaiore, Monte Prano, Fornacci, Monte Castelo, Monte Belvedere, Gorgolesco, Abetaia, La Serra, Belvedere, Monte della Torracia, Montese, Vignola e Levizzano. No total, foram cumpridas 2.995 missões de tiro e disparadas mais de 55.000 granadas. A nossa poderosa Artilharia fez a diferença na Itália.

Muitos dos que partiram com a Unidade não retornaram. Deram suas vidas à Pátria. Todos aqueles bravos merecem o nosso respeito e eterna gratidão.

* Pesquisa de Sérgio Pinto Monteiro. O autor é historiador e 2º Tenente R/2 de Artilharia. É presidente do Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e autor do livro “O Resgate do Tenente Apollo” (Ed. CNOR, 2006)

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O Exército Soviético Em Cores – Parte II e Outras Forças

Mais fotos do Exército Vermelho e outras Forças Soviéticas:

 

O Exército Soviético Em Cores

O que dizer de um Exército formando sem qualquer treinamento rígido? O que dizer de uma força terrestre devastada, desestruturada e de moral arrasada e, depois de um curto período é considerada uma das formas mais poderosas do planeta? Estamos falando do Exército Vermelho; estamos falando do poderoso Exército do povo soviético de 1945. Mérito de Stálin? Não! Mérito do sacrifício dos milhões de soviéticos mortos na luta por sua terra. A Grande Guerra Patriótica parece utopia do sofrimento de várias nações das Repúblicas Soviéticas. Aos custos de milhões de vidas o Exército Vermelho sai de uma força terrestre humilhada em 1941, e passa a ser uma máquina de guerra que desferiu o golpe final no III Reich Alemão em 1945.

USS Indianapolis (CA-35) – Uma das História mais Tristes da Segunda Guerra – Parte I

Evidentemente um pedido de um grande amigo a gente não deixa passar em branco. Joaquim Fernandes me passou um email para uma publicação sobre uma das histórias mais sofríveis da Segunda Guerra Mundial, a história do USS Indianapolis (CA-35). Resolvemos realizar um especial sobre esse episódio, com todos os desdobramentos desse triste acontecimento.

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O cruzador pesado Indianapolis partiu do Porto de San Francisco logo após o amanhecer em 16 de julho de 1945 envolto sob forte sigilo. Em seus compartimentos carregava a bomba atômica que três semanas mais tarde seria lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima. A embarcação seguiu, sem escolta, para a ilha de Tinian, onde descarregou a sua carga letal em 26 de julho. Com sua missão cumprida, o Indianapolis, em seguida, começou uma jornada para o inferno que iria terminar com o pior desastre naval da história dos EUA.

 De Tinian, partiu para a ilha de Guam e de lá foi enviada ao Golfo de Leyte, nas Filipinas, para se preparar para a invasão do Japão. Viajando sem escolta, sua viagem iria levá-la através de um oceano infestado de submarinos japoneses e tubarões.

Em poucos minutos após a meia-noite do dia 30 de julho, dois torpedos japoneses atingiram a embarcação, causando uma explosão que partiu o navio em dois. Levou apenas 12 minutos para o navio a proa afundar. De sua tripulação de 1.196, estimasse que pelo menos 900 sobreviveram à explosão – mas o pior ainda estava por vir.

 Alguns sobreviventes na água foram capazes de atingir botes ou detritos para se agarrar. Muitos usavam coletes salva-vidas que oferecia flutuabilidade mínima. Muitos, no entanto, não tinham nem botes, nem colete salva-vidas e foram obrigados a nadar continuamente para sobreviver, encontrando alívio somente quando encontravam um colete salva-vidas disponíveis nos corpos dos marinheiros mortos. Os tubarões começaram a atacar assim que o sol nasceu e continuou seu ataque durante todo o calvário.

 O alarme não foi acionado quando o navio não conseguiu chegar ao seu destino. Não foram enviados forças de resgate para encontrar o navio – seu afundamento passou despercebido. Durante quatro dias, um número cada vez menor de sobreviventes lutavam uma batalha de vida e morte. Então, a sorte interveio. Um avião de reconhecimento da Marinha em patrulha de rotina encontrou os sobreviventes e transmitiu a posição. Navios próximos correram para o local e começaram a resgatar os marinheiros. A contagem feita após a conclusão do resgate revelou que apenas 317 dos 900 originalmente estimado que sobreviveram ao afundando do navio conseguiram ser resgatados.

Sobreviventes encontrados esgotados

No estaleiro USS Indianapolis (CA-35)

 

Sobreviventes

 

Comoção nos Estados Unidos

 

 

A Wehrmacht em Cores

 A força de um dos Exércitos mais temidos de todos os tempos. Independente da utilização do Exército Alemão, não podemos desqualificar a força combativa desse Exército, que ficou muito tempo limitado a quadros reduzidos por imposição das nações vencedoras da Grande Guerra e que, posteriormente, foi reestruturado e adotou uma doutrina de combate própria e sem precedentes.

Uma das Fotos Mais Famosas da Segunda Guerra!

Um das fotos mais famosas feita por fotógrafos russos durante a 2ª Guerra Mundial. Foi feito nas ruínas da cidade de Stalingrado – o local onde as mais pesadas batalhas ocorreram. Alguns historiadores dizem que, após as batalhas no centro de Stalingrado a invasão nazista da Rússia perdeu força.  O próprio monumento retrata crianças russas que dançam em torno de um crocodilo, uma visão irreal dos vestígios de balas sobre as esculturas e as ruínas em chamas no fundo.
Mais tarde, depois da guerra o monumento foi reconstruído, antes mesmo dos próprios edifícios circundantes.

A Dança das Crianças

 

Uma Cidade Destruida

 

Festa de Recuperação do Monumento

 

O Monumento foi Reinaugurado em 1945

 

Antes das Edificações

 

A Reintegração Social dos Ex-Combatentes da FEB – Parte VI

CONTINUACAO

 

1.2 Partida rumo ao desconhecido: A FEB chega a Europa

 

Todo contexto que originou a Força Expedicionária não foi o mais favorável. Vários interesses e dificuldades permearam essa constituição do efetivo. O Estado, mal organizado e despreparado, permitia que um grande número de falhas fosse ocorrendo no transcorrer desse período de mobilização. Desorganização essa, que não possibilitou que as instituições pensassem na tropa expedicionária como um processo que teria seu início e, também, haveria um possível fim, como ocorreu. A falta de mecanismos definidos convergiu para dificuldades de grandes proporções no momento em que os ex-expedicionários retornariam ao convívio social.

Mesmo diante das grandes dificuldades que se apresentaram para a Força Expedicionária Brasileira, o primeiro escalão, compondo o 6º Regimento de Infantaria e alguns grupos de apoio, partiu para a Itália. A partida não tinha dia certo nem hora marcada. Essa estratégia era utilizada com o objetivo de dificultar o vazamento de informações que poderiam ocorrer e colocar em risco a segurança do transporte, pois se os alemães soubessem dos detalhes, os expedicionários poderiam não chegar ao seu destino, conforme explica, em depoimento abaixo, o ex-combatente da FEB, Ítalo Conti.

Nós estávamos nos preparando no Rio de Janeiro, sempre orientados pelos norte-americanos e num determinado dia o comandante nos alertou, quem tiver família aqui mande embora, que a hora está chegando. Num determinado instante, em 24 horas foi determinado que nós iríamos para o navio, fomos, entramos no navio, cada um sabia pra onde deveria ir e o lugar a ocupar. Embarcamos, havia uma disciplina rigorosa, não se podia jogar nada no mar, nem uma bituca de cigarro, o que nos dava medo era a situação do navio ser atacado. Quando soava o alarme saia todo mundo correndo, quando chegávamos nas posições, mandavam retornar, pois era só treinamento. Isso por 12 dias, depois chegamos à Itália e de lá fomos para Livorno.[1]

Grandes obstáculos haviam sido enfrentados. Havia uma longa caminhada ainda e outras estariam por vir logo à frente, pois a própria viagem passaria a representar um tormento, já que havia uma constância de treinamentos exaustivos no navio, como visto também em depoimento de Ítalo Conti. Todos os procedimentos executados tinham como única finalidade a segurança da tripulação.

Um fator que implicava muito no moral daqueles que estavam partindo era o próprio descrédito quanto à participação na guerra, pois estavam cientes do despreparo e da desorganização, fatos, aliás, muito evidentes e que não podiam ser encobertos. Como explicado pelo ex-combatente Demócrito Cavalcante de Arruda[2]: “A F.E.B. não foi só uma contribuição modesta, foi, também “mal organizada””.

Essas características negativas refletiam na própria opinião da sociedade, a qual comentava de que a Força Expedicionária estava indo somente pra cumprir acordos. Assim, mostra a ex-enfermeira FEB, Virginia Leite[3]: “Olha, eu ouvia os comentários, pois os brasileiros saíram daqui pra ser bucha de canhão […]”.

Além de todos os pontos negativos, ainda deveria existir a adaptação dos expedicionários ao navio. Essa situação provocava grandes distúrbios estomacais nos tripulantes, devido aos constantes enjôos. Além de adequar-se ao navio, ainda, deveriam acostumar-se com a rigidez dos horários, inclusive no que diz respeito à alimentação e diferença da mesma. Houve casos em que integrantes do contingente viajaram mais de 12 dias somente comendo frutas, como abordado em depoimento pelo ex-combatente Aristides Saldanha Verges[4]:

No dia 24 de junho de 1944, nesta noite já embarcou um batalhão nos trens, deslocando para o porto e nós embarcamos no dia 30 de junho, lá pelas 11h00min, entramos no navio, era o “General Man”. Ficamos em torno de dois dias dentro do navio parado, no terceiro dia o navio começou a se mexer e soou um apito, estávamos partindo. Uma hora depois, quando foi autorizada a nossa subida para o convés, vimos a cidade já bem distante, mas também não sabia para onde nós íamos. O primeiro escalão foi assim, imaginávamos que poderia estar indo para África, devido ao clima ser semelhante. Depois de uns 12 dias de viagem, na entrada do Mar Mediterrâneo, anunciaram que nós estávamos indo para a Itália. Depois de 12 dias ficamos sabendo o nosso destino. Na viagem eram duas refeições por dia, tive companheiros que passaram a base de duas maçãs e companheiros acabaram enfraquecendo, debilitados, a comida era diferente, tivemos que nos adaptar.

Além das dificuldades de adaptação, tiveram os componentes da FEB que contar com a pouca importância dada pelos próprios chefes militares quando estiveram em reconhecimento no continente africano ao Teatro de Operações, passando por constrangimentos desnecessários. Conforme explica o senhor Aristides Saldanha Verges[5]: “Dia 16 de julho de 1944, que desembarcamos em Nápoles, na Itália, os italianos falavam “tedesco, tedesco”, achando que nós éramos alemães, devido ao nosso uniforme ser muito parecido com a dos alemães, depois perceberam que se tratava de brasileiros”.

A abordagem acima é uma afirmação que vem a comprovar um grave erro cometido, uma vez que, depois de quase duas semanas a bordo de um navio-transporte, na chegada em Nápoles, os expedicionários foram, assim que desceram no porto, insultados pela população italiana. O motivo de tais agressões foi devido à farda ser muito semelhante à vestimenta utilizada pelos alemães e ainda de péssima qualidade. Os napolitanos acreditavam que se tratava de prisioneiros de guerra. Fato esclarecido logo depois, quando o efetivo já se encontrava em terra, como abordado por Joaquim Xavier da Silveira[6]:

O plano de uniforme para a FEB havia sido aprovado e regulamentado pelo decreto nº 15.100, de 20 de março de 1944. O documento detalhava os vários tipos de roupa, calçados e acessórios (luvas, cintos, distintivos e outros) para oficiais, graduados e praças, mas o material empregado na confecção foi de qualidade inferior. As roupas e uniformes lavados a bordo do navio-transporte, ou no acampamento da Itália, encolheram demasiadamente, e as cores não eram firmes. Foi um grande problema para o Alto Comando da FEB, acrescido de outro fator, de influência psicológica negativa: a cor verde-escura era semelhante à do uniforme alemão e só de perto, observando-se os distintivos e outras características, é que se podia fazer a diferença.

Houve uma preocupação em criarem-se diretrizes que regulamentavam os uniformes, como analisado acima. Porém, o que faltou foi uma preocupação com a cor e tipo de material utilizado na confecção dos mesmos, sendo que além de sua péssima qualidade, não eram apropriados para o clima gélido que seria enfrentado. Sendo assim, a Força Expedicionária Brasileira contou mesmo com seus homens, mas eles encontravam-se desprovidos de vestimentas apropriadas, sem equipamentos, sem uma doutrina própria de guerra e ainda sem armamentos.

Com o decorrer do tempo foi possível observar que se tratava de um efetivo flexível e adaptável, aliás, como precisou ser. A FEB ficou integrada dentro do 5º Exército Norte-Americano, que tinha como comandante o General norte-americano, Mark Clark, ao qual era subordinado o 4º Corpo de Exército, que estava sob o comando do General Grittenberger, conforme documento básico do Comando brasileiro que foi expedido em 12 de setembro de 1944, que fixava tais determinações e condições das atividades militares.

BIBLIOGRAFIA

BRAYNER, Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB: memórias de um chefe do estado-maior na campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

CASTELO BRANCO, Manuel Thomaz. O Brasil na II Grande Guerra. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1960. p. 139-140.

Demócrito Cavalcante de Arruda. Depoimentos de Oficiais da Reserva sobre a FEB. São Paulo: IPÊ – Instituto Progresso Editorial S.A., 1950.

FERRAZ, F. C. A. O Brasil na guerra: um estudo de memória escolar. Comunicação apresentada no IV Encontro Perspectiva do Ensino de História. Ouro Preto. Universidade Federal de Ouro Preto, 24 de abril de 2001. Anais da ANPOC.

MORAES. J. B. M. de. A FEB pelo seu comandante. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1947.

NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário: indagações sobre a reintegração social dos febianos paranaenses (1943-1951). Dissertação – UFPR, 2005.

OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008.

RIBEIRO, P. da S. As batalhas da memória: uma história da memória dos ex-combatentes brasileiros. Niterói, 1999. Dissertação (Mestrado em História): Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.

 

SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2001.

SALUM, A. O. Zé Carioca vai à Guerra. São Paulo, 1996. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia Universidade Católica.


[1] Ítalo Conti. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009.

[2] Depoimentos de Oficiais da Reserva sobre a FEB… op. cit. p. 48.

[3] Virginia Leite. Ex-enfermeira da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 09 de novembro de 2009, na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Irati – PR e descendente de família luso-brasileira. Foi a primeira voluntária do Estado do Paraná, participou do Corpo de Enfermeiras, órgão criado pela Cruz Vermelha. Esta, por sua vez, criou em várias cidades um curso de enfermagem para que o exército pudesse compor um corpo de saúde de enfermeiras. Ficou designada ao corpo de saúde da FEB, seguindo para África e, depois, partindo para Itália, desembarcado do avião em Nápoles, chegando depois do segundo escalão. Conta, atualmente, com 93 anos.

[4] Aristides Saldanha Verges. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009, na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Curitiba – PR. Incorporado em 01 de dezembro de 1943 no 23o BI. Em fins de março de 1944, foi designado para viajar, sendo transferido para a cidade do Rio de Janeiro, sendo incorporado ao 6o RI. A sede dele era em Caçapava, mas já estava deslocado para a cidade do Rio de Janeiro. Iniciaram treinamentos em diversos lugares na cidade, como preparação para a Guerra. Quando partiu, no primeiro escalão, pertenceu a Cia Cmdo do 3o batalhão, do 6o RI., tendo como chefe direto o Tenente Silvio Miscov e comandante do batalhão o Capitão Antonio Barcellos. Conta na atualidade com 88 anos.

[5] Aristides Saldanha Verges. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR

[6] SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado… op. cit. p. 58.

A Reintegração Social dos Ex-Combatentes da FEB – Parte V

Continuação do trabalho de pesquisa do Mestre em História Alessandro dos Santos Rosa.

CONTINUACAO

 

1.1.1 A seleção: apadrinhamentos

 

O processo para selecionar aqueles que comporiam o efetivo febiano se tornou um momento de favorecimento. Aqueles militares que eram de carreira procuravam meios de não fazer parte da Força Expedicionária. Porém, no retorno triunfal dos expedicionários, os militares que aqui permaneceram, inclusive aqueles que se apadrinharam para não ir, tratavam os ex-combatentes com rancor, inveja e despeito. Sendo assim, dentro dos próprios quartéis houve uma exclusão, algo que provavelmente era desejado pelo próprio governo. A problemática social não ficou restrita somente àqueles que voltaram à vida civil, mas também dentro das Forças Armadas.

A seleção foi outro fator que dificultou muito a formação da Força Expedicionária Brasileira, pois mais de um ano após a decisão de efetivar apoio militar aos países aliados, não se tinha organizado um regimento de infantaria. O que teria imposto o atraso seria, principalmente, o desconhecimento dos resultados das inspeções de saúde e de seleção de seus homens. Portanto, a falta de preparo não estava só no meio político-militar, mas também em áreas técnicas, como a da saúde.

Pela própria inexperiência faltavam padrões para uma seleção eficiente, como analisado por Floriano de Lima Brayner[1]: “As juntas de Inspeção de saúde não tinham critérios uniformes. Não estavam mesmo adestradas para tal atividade, nem dispunham de material especializado, além de empregarem processos burocráticos arcaicos e de parco rendimento”.

Os exames médicos eram todos centralizados no Rio de Janeiro, com o principal objetivo de não haver “facilidades”, para que todos tivessem um tratamento nivelado e igual, não existindo distinção de classe social, status ou, ainda, qualquer tipo de contato com pessoas influentes, situações que poderiam trazer algum tipo de benefícios.

Dessa maneira, ficou comprometida a qualidade de saúde dos expedicionários, sendo que alguns desses componentes desembarcaram em Nápoles e passaram a apresentar problemas básicos de saúde como, por exemplo, dor de dente, conforme explica o ex-expedicionário, reformado, Sr. Eronides João da Cruz[2]:

Olha vou até usar uma linguagem meio fora de uso, “foi feito nas coxas”, porque naquele tempo não se tinha material, nós não tínhamos nada. Porque as nossas técnicas eram vindas ainda da Primeira Guerra Mundial. Utilizava-se a doutrina francesa no exército. Não havia critérios para selecionar quem comporia a FEB, basta ver a quantidade de analfabetos que saíram das lavouras, do interior e compuseram o efetivo. Ai aconteceu que foram para a Itália, para a guerra pessoas que necessitavam até mesmo de cuidados básicos, foram despreparados para enfrentar o melhor soldado do mundo, porque queiram ou não, os alemães eram os melhores soldados do mundo.

As dificuldades da seleção foram tão profundas que houve inúmeros casos de militares que chegaram a Nápoles já sem condições de combater. Torna-se perceptível que não houve uma rigidez no momento de se escolher quem realmente teria condições de ir para uma linha de combate, ou ainda, faltaram meios mais eficientes, conforme mostra a explicação do depoimento acima, confirmando as abordagens realizadas pelos pesquisadores Francisco César Alves Ferraz e Sirlei de Fátima Nass.

Grande parte do efetivo que compôs a FEB era totalmente desconhecedora do ofício que desempenhava o militar. A grande massa que se somaria o efetivo dos expedicionários era de poucas condições financeiras, trabalhavam em pequenas propriedades de terra praticamente para a subsistência, conforme analisado pelo senhor Eronides João da Cruz[3]. Eles eram mais conhecidos como “colonos”. Além disso, com uma grande parcela do efetivo dos expedicionários analfabeta, como adaptarem-se aos treinamentos ministrados em inglês, na Itália, por militares instrutores norte-americanos?

Dessa parcela de jovens que passaram a compor o efetivo expedicionário, parte eram voluntários e os outros seguiam o que estava previsto na Lei do Serviço Militar, de 1939. Onde estava preconizado que o “tributo de sangue” era um ato de cidadania a que estavam sujeitos os jovens brasileiros. A prestação do serviço militar era uma das obrigações que condicionava aos direitos políticos e civis da população masculina adulta. Porém não havia um nivelamento nesse cumprimento do dever, pois aqueles que eram de famílias mais abastadas, acabavam utilizando de artifícios para realizar suas fugas desse compromisso com a pátria, ocorrendo que a grande maioria atingida por esse ato de cidadania, eram os pobres e analfabetos.

Enquanto essa massa era recrutada, aqueles que seguiam carreira e seriam os mais indicados e habilitados para enfrentar uma situação dessa natureza acabaram não participando desse episódio. Isso ocorreu porque há indícios de que militares da ativa recorreram a conhecidos políticos para não compor o efetivo febiano e combater em solo italiano[4]. Buscaram pessoas influentes que pudessem apadrinhá-los, de forma que pudessem ser dispensados de combater na guerra. Outro problema era referente aqueles que não queriam ir para o Teatro de Operações[5]. Essa situação acabou ocorrendo com grande incidência dentro da caserna.

Até mesmo doenças, diagnósticos e outros mecanismos eram inventados, forjados para que determinado militar não participasse, como analisado por Demócrito Cavalcante de Arruda[6]:

Essa dança de oficiais no comando, às vésperas do embarque, verificou-se, em pelo menos cinco companhias de fuzileiros das nove existentes no regimento, por motivo de doenças, de cirurgias de última hora. Desses substituídos, só um, baixado por pneumonia, apareceu depois na Itália.

Dentro do exército, a considerar postos (oficiais) e graduações (praças[7]), era entre o oficialato que se encontravam os maiores beneficiários, pois esses contavam com maior prestígio e, também, tinham relacionamentos sociais com pessoas mais influentes. As respectivas características vão promover, entre esses beneficiários, possibilidades para que realizassem suas fugas das unidades expedicionárias.

O depoimento do General da reserva, Ítalo Conti, reforça essas informações sobre falsas doenças[8]: “Teve muito caso, houve gente que pegou doença venérea, pra ser licenciado na hora da inspeção de saúde, outros que inventaram doença, mas foram casos esporádicos, na minha unidade não me lembro de isso ter acontecido”.

As possibilidades de haver esse tipo de ocorrência eram maiores por parte daqueles que possuíam um amparo financeiro elevado, como afirmado pela ex-integrante da Força Expedicionária Brasileira, a enfermeira Virginia Leite[9]:

Olha, era só ter dinheiro que ele sempre valeu né. Comentavam, eu nunca presenciei, mas se eu presenciasse eu reclamaria, se eu mulher estava pronta para servir o Brasil, por que o soldado tinha que ficar aqui? Aconteceu muito disso, não tenho dúvida, os “filhinho de papai”, claro que não de um modo geral, acabavam se valendo de influências e poder aquisitivo. Tinha o bom elemento e o mau elemento.

Essas análises acima, nos remetem a uma compreensão de que realmente houve a procura por padrinhos, ocorrendo que, um grande número de militares da ativa, que estavam preparados, devido aos constantes treinamentos, se beneficiaram dessas possibilidades para não compor o efetivo de expedicionários. Essas informações confirmam aspectos abordados em pesquisas já realizadas, porém trazem relatos inéditos, vivenciados por componentes do efetivo expedicionário

Daqueles que foram às ruas, ou seja, a população urbana, que havia solicitado e conclamado que o Brasil compusesse uma tropa expedicionária, poucos foram os voluntários, como explicado pelo ex-combatente reformado Eronides João da Cruz[10]:

Bom, acontece o seguinte, quem solicitou que o Brasil participasse da guerra, quem foi as ruas pedir e gritar, esses foram os primeiros a não se voluntariar, nem 10% destes foram, são os falsos patriotas. Muitos fingiam doenças e outras desculpas, tudo para não ir, comprando autoridades pra dar certificado falso pra não ir pra guerra. Procurando padrinhos.

Valendo-se dos depoimentos e afirmações, pode-se concluir que a grande massa, a maioria dos expedicionários, tinha origens campesinas. Essas pessoas têm como características mobilizarem-se mais em prol do outro, apresentam um sentimento de solidariedade mais aflorado, devido ao sistema em que estão inseridos. Esses valores são mais arraigados e cultuados em pessoas interioranas. Já as pessoas citadinas, com costumes mais individuais, não tinham esse sentimento de dever. Essas fizeram agitações, mobilizados por articuladores que tinham outros interesses. Porém, no momento em que foram solicitados para participar do efetivo expedicionário, poucos foram os voluntários.

Pode-se afirmar, ainda, com base no depoimento acima, que houve a ocorrência das facilidades para serem realizadas fugas, por parte dos militares profissionais, para que não permanecessem nas unidades expedicionárias e, assim, não compondo o corpo da Força Expedicionária que partiria para a guerra. Ainda, abordando sobre questões de facilidades, uma das práticas que ocorriam com frequência, eram os subornos, a compra do “passe” para livrar-se da possibilidade de integrar o efetivo de expedicionários, conforme analisa Demócrito Cavalcante de Arruda[11]:

Sabemos que a centralização burocrática não impediu os casos de suborno, numerosos por sinal, nesses exames de seleção, a ponto de chegar ao absurdo de só terem permanecido nas fileiras os desprotegidos, os humildes e abnegados, evadindo-se para os cursos de última hora do C.P.O.R., os filhos da chamada classe média, ou de volta à vida civil, através de arranjadas incapacidades ou por motivos os mais inconsistentes.

O procedimento de centralização, utilizado estrategicamente para que diminuísse a possibilidade de suborno, acabou, na realidade, só dificultando a chegada dos voluntários aos locais que ocorriam as inspeções. Acredita-se, assim, que quem tinha condições e interesse acabou burlando o sistema, não compondo as fileiras que marcharam para os navios e partiram rumo à Itália, no continente europeu.

Porém, essas medidas tomadas, acabaram dificultando o deslocamento daqueles que eram voluntários, pois saindo das mais remotas regiões, tinham que se deslocar por seus próprios meios para apresentarem-se as unidades expedicionárias. Muitos chegavam com grandes dificuldades e nem sabiam se seriam “aproveitados” ou não, se estariam aptos. O que motivava o voluntariado, em sua grande maioria de regiões interioranas foi, em alguns casos, o patriotismo; outros, para aventurarem-se em algo diferente; e, ainda, havia aqueles que nem sabiam o que estavam fazendo ali.

BIBLIOGRAFIA

BRAYNER, Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB: memórias de um chefe do estado-maior na campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

CASTELO BRANCO, Manuel Thomaz. O Brasil na II Grande Guerra. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1960. p. 139-140.

Demócrito Cavalcante de Arruda. Depoimentos de Oficiais da Reserva sobre a FEB. São Paulo: IPÊ – Instituto Progresso Editorial S.A., 1950.

FERRAZ, F. C. A. O Brasil na guerra: um estudo de memória escolar. Comunicação apresentada no IV Encontro Perspectiva do Ensino de História. Ouro Preto. Universidade Federal de Ouro Preto, 24 de abril de 2001. Anais da ANPOC.

MORAES. J. B. M. de. A FEB pelo seu comandante. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1947.

NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário: indagações sobre a reintegração social dos febianos paranaenses (1943-1951). Dissertação – UFPR, 2005.

OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008.

RIBEIRO, P. da S. As batalhas da memória: uma história da memória dos ex-combatentes brasileiros. Niterói, 1999. Dissertação (Mestrado em História): Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.

SALUM, A. O. Zé Carioca vai à Guerra. São Paulo, 1996. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia Universidade Católica.

SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2001.


[1] BRAYNER, Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB: memórias de um chefe do estado-maior na campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. p. 31.

[2] Eronides João da Cruz. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 09 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR. O senhor Eronides participou da campanha da Segunda Guerra Mundial como soldado de manutenção de aeronaves do 1o Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira. Tinha como seu chefe superior imediato o 1º Tenente Prado. Não participou efetivamente dos combates. Sua função acabava restringindo-o a oficinas de manutenção de aeronaves. Porém, viveu dentro do contexto da guerra e sofreu os mesmos problemas para ser reinserido em meio à sociedade. O referido ex-combatente é natural de Aracaju – SE, conta com 88 anos.

[3] Eronides João da Cruz. Entrevista realizada no dia 09 de novembro de 2009.

[4] FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou… op. cit. p. 82-86.

[5] CASTELO BRANCO, Manuel Thomaz. O Brasil na II Grande Guerra. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1960. p. 139-140.

[6] Demócrito Cavalcante de Arruda. Depoimentos de Oficiais da Reserva sobre a FEB. São Paulo: IPÊ – Instituto Progresso Editorial S.A., 1950. p. 42.

[7] Compõe o grupo de praças todo militar que estiver com graduação de Subtenente, Sargento, Cabo ou Soldado.

[8] Ítalo Conti. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009.

[9] Virginia Leite. Entrevista realizada no dia 09 de novembro de 2009.

[10] Eronides João da Cruz. Entrevista realizada no dia 09 de novembro de 2009.

[11] Depoimentos de Oficiais da Reserva sobre a FEB… op. cit. p. 41.

Resumo das Publicações sobre a Vitória de Monte Castelo

Desde o início do mês estamos realizando publicações para lembrar um feito histórico do Exército Brasileiro representado pela Força Expedicionária Brasileira, a Tomada de Monte Castelo. No dia 21 de fevereiro o BLOG registrou aproximadamente 5.000 acessos diretos, e se for contabilizado os acessos dos demais posts alusivo às comemorações de aniversário dessa vitória da FEB, totalizamos mais de 12 mil acessos.

 Esses acessos ainda são poucos em relação à falta de conhecimento sobre o assunto entre nós brasileiros. Todavia, é uma pequena luz sobre uma imensa escuridão da falta de consciência histórica e esquecimento do sangue dos brasileiros derramados há muitos anos. Temos esperança de que essa pequena contribuição possa se expandir, e que em breve, possamos contabilizar mais brasileiros que conheçam o sacrifício de nossos pracinhas.

Também não poderia deixar de citar dois bravos guerreiros da pesquisa histórica que, sem eles, esse humilde internauta estaria em uma luta solitária: Rigoberto Souza Júnior e Alessandro dos Santos Rosa, mestres na pesquisa e defensores do reconhecimento histórico dos nossos bravos soldados.

Monte Castelo – A Bravura do Soldado Brasileiro

A Conquista do Monte Castelo – 67 anos depois

Especial Monte Castelo – 67 Anos da Vitória

Especial Monte Castelo – 67 anos: 3º ataque ao Monte Castelo

Especial Monte Castelo – 67 anos: 4º ataque ao Monte Castelo

Especial Monte Castelo – 67 anos. O Ataque Vitorioso de 21 de Fevereiro.

Na maca, o Batalhão de Saúde transporta um pracinha ferido num dos assaltos ao Monte Castelo

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Sevastopol – Cidade Estratégica da Segunda Guerra e da Guerra Fria.

Sebastopol foi uma das cidades de uma importância estratégica muito alta desde o século XIX e continuou assim na Segunda Guerra Mundial e na própria Guerra Fria. Evidentemente a sua população sofreu e padeceu com esse indesejável Status. Mas percebe-se a rica história de resistência de seu povo contra invasores, e a guerra psicológica de se viver em uma cidade diferente do século XX.

 

Conheça Sevastopol, a cidade proibida dos soviéticos, e suas incríveis histórias.

Na Ucrânia, às margens do Mar Negro, na Península da Criméia, está localizada uma das principais cidades do país: Sevastopol, ou Sebastopol, como preferir.

O curioso nome é derivado de “Sevastoupolis”, de origem Grega, como várias outras cidades da Península que ficou famosa entre 1854 e 1855, durante o “Cerco de Sevastopol”, onde durante 11 meses britânicos, franceses e turcos tentaram  render as tropas russas durante a Guerra da Criméia.

Quando a resistência tornou-se impossível, antes da fuga os russos afundaram toda a sua frota naval, para que não caísse em mãos  inimigas.

A cidade também foi severamente bombardeada pelos alemães durante a 2a Guerra Mundial, com o famoso canhão ferroviário “Schwerer Gustav”, a maior arma já construída pelo homem até hoje.

Atualmente com cerca de 370.000 habitantes, este movimentado porto já foi a principal base naval soviética, onde Navios de Guerra e Submarinos eram abastecidos e reparados antes de irem para as batalhas. Junto com Gibraltar e a russa Kronstadt, é até hoje lembrada como uma das principais cidades navais européias.

A importância estratégica da cidade era tal que durante o período da Guerra Fria, Sebastopol foi nomeada “Cidade Proibida” pelos dirigentes de Moscou, onde apenas pessoas devidamente autorizadas poderiam entrar e sair de seu território.

Até hoje esta bela cidade guarda em suas entranhas as mais curiosas heranças desta época, e uma das principais é a “Base de Submarinos de Balaklava”, localizada no distrito do mesmo nome.

Construída de forma incansável entre 1957 e 1961, tinha por objetivo servir como uma gigantesca base de reparos de submarinos, e também um grande abrigo contra ataques nucleares muito bem equipado, que poderia abrigar toda a população de Balaklava durante 03 anos, de forma autossuficiente, numa área de aproximadamente 5.100 metros quadrados.

Em 2003, a base foi aberta ao público, ganhando status de Museu, e hoje lembra a todos que o temor de uma hecatombe nuclear também foi muito presente na vida dos soviéticos durante as décadas da Guerra Fria.

Fonte: http://the-rioblog.blogspot.com/

Especial Monte Castelo – 67 anos. O Ataque Vitorioso de 21 de Fevereiro.

5º e último ataque ao Monte Castelo

            No dia 16 de Fevereiro de 1945 o General Critemberger, comandante do IV Corpo do Exército, deu a seguintes ordem à 1ª Divisão de Infantaria Divisionária:

  1. atacar o Monte Castelo após a 10ª Divisão de Montanha ter capturado Mazzancana
  2. guarnecer, mediante ordens, as regiões conquistadas pela 10ª, a fim de liberá-la para outras operações
  3. realizar uma manobra lateral, pelo fogo, na região entre Falfare e Livorno.

            O último ataque ao Monte Castelo foi feito sob comando do General Mascarenhas de Morais, sendo encarregado da ação principal o 1º R.I.,e da ação secundária um batalhão do 11° R.I., no caso este ficaria como reserva do comando. A operação deveria ser desencadeada após a conquista  da Região de Mazzancana.

            Na noite do dia 20 de Fevereiro, o 1º R.I., ocupou cuidadosamente a base de partida( Mazzancana – Bombiana – Le Roncole), onde encontrou um extenso campo minado pelo exército alemão. Ás 5:30 horas da manhã o III /1 R.I.,partiu com amissão de atacar frontalmente o Monte Castelo, e na mesma ocasião o I / 1º R.I., iniciou o avanço com a missão de investir pelo flanco.

            A 10ª Divisão de Montanha americana foi detida inesperadamente em capela de Ronchidos, fugindo completamente ao plano brasileiro – americano de ataque aos Monte Castelo e Toraccia, mas felizmente o exército alemão estava mais preocupado com a defesa de De la Toraccia, e enquanto a tropa brasileira progredia os americanos seguiam enfrentando forte resistência inimiga e, em face deste imprevisto os brasileiros seguiram sem esperar pelos americanos.

            O ataque se desenvolvia tão bem, que às 9:00 horas da manhã foi empregada uma companhia reserva para alimentar o ataque do batalhão Uzeda, e por volta das 1430 horas o I /1º R.I., conquistou as cotas 930 e 875 e o III / 1º R.I., conquistou a região de Fornello.A partir deste momento foi empregado o II / 1º R.I., enquanto o II / 11º R.I., se aproximava de Abetaia, com uma brilhante cobertura.

            Ás 16:00 horas o Major Uzeda, comandante do 1º Batalhão solicita que a artilharia bombardeie Monte castelo, e às 16:20 horas inicia-se o assalto final. Precisamente às 18:00 horas o pelotão do Tenente Aquino atinge o topo do Monte Castelo, seguido dos demais elementos da 1ª Companhia. Ao anoitecer o Monte Castelo já não oferecia resistência, e lá em cima nossos pracinhas comemoravam esta vitória tão árdua e esperada.

            Enquanto isto, a 10ª Divisão de Montanha não conseguia atingir ainda o seu objetivo que era o Morro de La Toraccia, e prevendo um possível contra ataque nossda tropa passa a se instalar em posições defensivas para passar a noite. O dia seguinte, foi dedicado a uma vistoria minuciosa das instalações alemãs, que estavam bem protegidas e aquecidas, enquanto nossos soldados enfrentavam um frio enregelante. Esta última investida custou à nossa tropa 87 baixas, enquanto o inimigo abandonou no terreno 30 mortos, e foram feitos 27 prisioneiros.

            Concluímos que o sucesso deste ataque deveu-se ao seguinte:

  1. abandono do ataque frontal , pois o Monte Castelo só caiu por ataque lateral
  2. a proteção do flanco esquerdo pela ocupação de Mazzancana pela tropa americana.
  3. Apoio maciço da aviação
  4. observação aérea ininterruptamente
  5. consequência das recorrentes derrotas do inimigo, com acentuada influência no ânimo da tropa.

            E assim caiu o Monte Castelo, pela manobra precisa de nossa tropa.

            Para nós o Monte Castelo, é um símbolo; para os alemães apenas mais um morro. A diferença é que o Brasil enviou à Europa uma Divisão Expedicionária, enquanto o inimigo dispunha de mais de uma centena de Divisões.

Croqui do Ataque Vitorioso

Especial Monte Castelo – 67 anos: 4º ataque ao Monte Castelo

No dia 9 de Dezembro de 1944, foi enviada ao comando da FEB, uma Ordem Geral de Operações que ordenava o ataque ao Monte Castelo, marcando para o dia 11 do mesmo mês, o início das operações.

            Ataque da Divisão da Infantaria Divisionária

  1. A Divisão vai atacar na manhã do dia 11 a região de Monte Castelo
  2. O ataque será executado com os seguintes meios:

            a) O comandante da tropa será o General Zenóbio

            b) A tropa será assim constituída:

            1º Escalão de ataque

            1º R.I. (menos o I Batalhão e a Companhia de Obuses)

            Reserva

            III Batalhão do 11º R.I.

            Cobertura do flanco leste

            I Batalhão do 11º R.I.(além da guarda da base de partida)

            Apoio

            Companhia de obuses do 1º e 1º R.I.

            Companhias P.P./11º R.I.(elementos fixos na base de partida)

            1ª Companhia de tanques( 1 Pel. L.,2 Pels. M. E 1 Pel. T.D.)

            Artilharia

            Cada Batalhão do 1º Escalão de ataque terá um grupo de apoio direto.

            No dia 10 de Dezembro, o comando recebeu a seguinte informação: “ Em virtude de ordem superior, todas as datas e prazos contidos na Ordem Geral de Operações, sofrerão um adiamento de 24 horas”.

            A 2ª Seção repassou as seguintes informações sobre o inimigo no dia 11 de Dezembro:

  • O inimigo dispõe de um Batalhão defendendo a área que interessa à conquista do Monte Castelo, com a possibilidade de se reforçar suas posições, ou efetuar contra ataques com 2 batalhões, que poderão intervir apoiados por tropas de assalto.
  • A região da cota 977 está fortemente organizada, o que indica ser o ponto forte e ao mesmo tempo, sensível das defesas inimigas em Monte Castelo. Possíveis contra ataques contra o setor oeste de Monte castelo deverão ser encarados sobre a crista Oeste –  Leste que vincula o Monte castelo ao Monte Della Toraccia.

            O 4º ataque ao Monte Castelo foi executado sob o comando do General Zenóbio, e a força atacante foi constituída pelo 1º e 11º R.I., ambos desfalcados de uma Batalhão, e apoio foi dado por toda a artilharia da FEB, reforçada com mais um grupo americano. O esforço principal seria feito na direção de Casa Guanella – cota 887 e caberia ao 1º R.I. , enquanto o 11º R.I. Faria a cobertura na área de Falfare.

            Nesta ocasião o frio já era intenso, chuvas torrenciais tornavam o solo um gigantesco lamaçal, que impediam o reconhecimento, além de manter em terra os aviões de reconhecimento, levando o comando americano concordou com a sugestão brasileira para adiar o ataque para o dia 12 de Dezembro, com intuito de esperar melhores condições climáticas. Infelizmente, isso não aconteceu, e a operação que seria desencadeada de surpresa, foi dispensada a preparação da artilharia, que fez uma manobra pelo flanco direito.

            Ao amanhecer o dia, caia uma chuva fina, prejudicando a visibilidade, tornando-a quase nula, e um nevoeiro intenso cobria todo o front. O ataque estava previsto para começar às 6 da manhã, mas por falta de coordenação, a artilharia americana abriu fogo, quebrando o sigilo e, quando os 2º e 3º batalhões do 1º R.I.,partiram às 6:30 horas, os alemães fizeram cair uma chuva de morteiros e metralhadoras, fazendo com que nossos bravos pouco progredissem. Por volta das 7 da manhã o III / 11 R.I., conquistou Le Roncole e Casa Guanella, enquanto o II / 11º R.I., ao atrasar sua partida, foi detido por fogos vindos da Região de Abetaia, e o I / 11º R.I., ocupou Falfare, e finalmente alguns homens do III / 11° R.I., atingiram o cume do Monte Castelo, mas foram abatidos e seus corpos ficaram insepultos durante todo o inverno.

            A noite caiu e mais uma vez o Monte Castelo não foi conquistado pela Força Expedicionária Brasileira.

            Concluímos como prováveis causas do fracasso deste ataque:

  1. o ataque isolado ao Monte Castelo deixando de  lado o Monte Belvedere, Gorgolesco e Toraccia
  2. frente demasiada extensa para a Divisão de Infantaria Expedicionária
  3. vistas e fogos dominantes do inimigo em todos os setores
  4. não obtenção do fator surpresa devido à artilharia americana
  5. condições climáticas inapropriadas(chuva, nevoeiro e lama)
  6. falta de apoio dos blindados e da aviação de caça
  7. inexistência da observação aérea.

            Depois do fracasso deste 4º ataque, nada mais restava ao comando brasileiro a não ser manter a defensiva, e ordens foram dadas para uma pequena retração em busca de um terreno mais favorável.  A Ordem Geral de operações do dia 13 de Dezembro prescrevia como missão manter as atuais posições.

            A partir desta data, até o reinício da luta ofensiva em Fevereiro de 1945, limitou-se a verificação de contato por operações de reconhecimento ou patrulhas, além da intensificação da vigilância.

Especial Monte Castelo – 67 anos: 3º ataque ao Monte Castelo

                                             Monte Castelo – 67 anos

            3º ataque ao Monte Castelo

            Com a determinação de conquistar o conjunto Belvedere – Torracia antes da chegada do inverno europeu, o comandante do IV Corpo – General William Crintemberg, ordenou à Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) que tomasse posse de Monte Castelo, uma vez que o Monte Belvedere já estava nas mãos dos aliados.

            A ordem era a seguinte: “Dentro de sua ação, capturar a crista que corre de Monte Belvedere para nordeste, inclusive o Monte Castelo, a fim de impedir que o inimigo tenha vistas sobre a Rota 64 (Pistóia – Porreta Terme – Bolonha)” .

            O grupamento de ataque ficou constituído da seguinte forma:

            Comandante: General Zenóbio da Costa

            Tropa – um batalhão por Regimento de Infantaria da Divisão de Infantaria Divisionária:

  • I / 1º R.I. –  Major Uzeda sobre Monte Castelo
  • III / 11º R.I. – Major Cândido cobrindo o flanco
  • III / 6º R.I. –  Major Sylvino

Ficou como reserva divisionária o II / 6º R.I.

            Apoio de 4 grupos de artilharia.

            A missão geral era:

  1. apoderar-se de Morro Castello, com esforço na direção C. Viteline – cota 887
  2. ocupar e manter a linha: cabeceira leste do Rio Liberaccio, vertente norte do Morro do Castello, região de Carrulo, de maneira a impedir que o inimigo transpusesse este , como também  o Rio Marano e, que progrida para cota 930
  3. cobrir-se entre Le Roncole e a região de Gaggio Montano, e levar esta cobertura à crista 1053-1036
  4. unir-se a Task Force 45 na região de Torracia

            Foi informado que a força aérea não daria apoio, haveria preparação de artilharia durante 40 minutos, e a 2ª seção deu como provável a existência de um batalhão inimigo defendendo a posição, podendo ser reforçado em curto prazo, com mais dois batalhões.

            Os reconhecimentos para o ataque foram iniciados no dia 27 de novembro d 1944, e deslocamento dos batalhões ocorreram em condições desfavoráveis, em consequência de grandes chuvas e lamaçais que dificultavam o avanço da tropa, e como fator complicador os batalhões do 1º R.I. E 11º R.I. Iam ter seu batismo de fogo, enquanto as tropas do 6º R.I., estavam exaustas pela longa campanha que vinha sofrendo.

            O General Mascarenhas de Morais tinha como ideia de  manobra, o seguinte esquema:

  1. Manter fortemente as regiões de Africo, Torre de Nerone, Boscaccio e Monte Cavalloro
  2. Apoderar-se no ataque do dia 29 de Novembro de 1944 do Monte Castelo e estabelecer cobertura na região de Falfare para em seguida, em combinação com a Task Force 45, repelir o inimigo das cotas 1027 e 1053.

            Na noite do dia 28 para 29 de Novembro, enquanto se organizava o ataque, a tropa brasileira foi informada da expulsão dos americanos do monte Belvedere, ficando o flanco esquerdo completamente descoberto, e o bom senso sugeria um adiamento das operações, o que não foi feito, talvez por orgulho nacional, em virtude do comando estrangeiro.

            O início das operações estava marcado para começar às 7 horas da manhã do dia 29. No dia 28 de novembro, por volta das 19 horas o I / 1º R.I. Saiu de Gaggio  Montano, e seus últimos integrantes atingiram a base da partida às 6 horas da manhã do dia 29 de Novembro, e o batalhão teria ainda uma hora para iniciar a operação. Do ponto de partida para o objetivo, a distância era de aproximadamente 500 metros e teriam que subir 300 metros.

            A  artilharia atacou pesadamente, antes do avanço da tropa, que começou às 7 horas da manhã pelo I / 1º R.I., que progrediu até o meio dia. Às 8 da manhã partiu o III / 11º R.I. Que após conquistar a cota 760 a oeste de Falfare foi detido à frente de Abetaia.

            Os alemães fortalecidos e melhor instalados, reagiram violentamente, desarticulando o escalão de ataque, que logo depois foi apanhado pelo flanco, e de frente por fogos de metralhadoras instaladas em Mazzancana, Fornace, Cota 887 e Abetaia.

            Na segunda parte do ataque o I / 1º R.I.,  foi obrigado a retornar à base e o III / 11º R.I. Recuou um pouco sob pressão da artilharia inimiga e, com a chegada da noite e a intensificação dos ataques do inimigo, houve uma ordem para o retorno imediato para a posição inicial, não tendo sido empregados o III / 6º R.I., nem a reserva divisionária.

            Pela 3ª vez o Monte Castelo resistiu, deixando cerca de 200 baixas, sendo que apenas uma granada matou 9 de nossos pracinhas. A verdade é que a Divisão de Infantaria Expedicionária não atingiu seu primeiro objetivo ofensivo sob direção exclusivamente brasileira.

            Concluímos que o 3º ataque não teve sucesso, pelo seguinte:

  1. falta de preparação para o ataque
  2. determinação alemã em manter a elevação a todo custo
  3. meios deficientes para concluir o objetivo
  4. ausência do apoio da força aérea
  5. condições climáticas completamente desfavoráveis
  6. ataque frontal ao inimigo
  7. parte da tropa era inexperiente em combates(III / 11º R.I.)
  8. terreno bastante íngreme e muito enlameado.

            Após o ataque frustrado, jaziam sobre o terreno do Monte Castelo inúmeros corpos dos pracinhas, que simbolizavam a bravura do soldado brasileiro.

"Em uniforme de inverno, no mês de Dezembro de 1944, patrulha da FEB se prepara para incursão às linhas alemãs"

 

Na maca, o Batalhão de Saúde transporta um pracinha ferido num dos assaltos ao Monte Castelo

 

 

 

Especial Monte Castelo – 67 Anos da Vitória

Hoje é uma data especial. Enquanto nosso país conclama as Escolas de Samba e os desfiles estonteantes dos blocos carnavalescos, sob a vanguarda da mais tradicional festa brasileira, há exatos 67 anos, várias brasileiros perdiam a vida para dominar e conquistar o Monte Castelo no front italiano durante a Segunda Guerra Mundial. Um bastão alemão que foi conquistado pelas tropas brasileiras em 21 de fevereiro de 1945.

A única forma de reverenciar o sangue brasileiro derramado nessa luta em solo estrangeiro é divulgar a História dessa batalha. Portanto, durante todo o dia teremos publicações especiais sobre os ataques, para que possamos entender a dimensão e a dura missão que foi dado a Força Expedicionária Brasileira.

Desde já agradecemos aos nossos queridos amigos Rigoberto Souza Júnior e Alessandro Santos pela cooperação a esta tão honrada tarefa, de manter viva a memória daqueles que sobreviveram e honrar aqueles que lá ficaram.

Monte Castelo – 67 anos

            1º e 2º ataques ao Monte Castelo

 

            Coube ao 45º  Grupamento Tático americano sob o General Rutledge, e reforçado por um batalhão de Infantaria( III /6º R.I.), um esquadrão de reconhecimento e um pelotão do 9º Batalhão de Engenharia, todos brasileiros, a missão de conquistar as regiões entre Monte Belvedere – Monte Castelo -Abetaia. Estas posições eram defendidas pela aguerrida 232ª Divisão de Infantaria Alemã, que era constituída dos seguintes elementos:

            23º       Batalhão de fuzileiros

            232ª     Regimento de Artilharia

            1043º – 1044º – 1045º Regimentos de Granadeiros

            O inimigo compensava a ausência de sua força aérea com a vantajosa posição dominante e bem preparada.

            O III / 6º R.I., teve a missão de guarnecer uma frente de quase 2 km(Guanella à Casa M. di Bombicina) além de conquistar Monte Castelo, além de prosseguir até Monte Terminale, dois quilômetros após Monte Castelo e, na ocasião o major Sylvino instalou o seu posto de comando na vila de Bombiana por ordem superior. Este batalhão vinha combatendo desde Setembro e seus integrantes esperavam receber um justo repouso, e para complicar ainda mais teriam que atacar em terreno desconhecido e contra posições frontais, operação fadada ao fracasso.

            Somente perto da meia noite de 23 para 24 de  novembro é que este batalhão atingiu as bases de partida para o ataque, e como é comum as tropas brasileiras não substituíram as americanas na escuridão da noite, devido à burocracia e a meticulosidade das ordens escritas. Para este ataque, procurou-se obter surpresa evitando a preparação da artilharia.

            Às seis horas da manhã do dia 24 de novembro de 1944, o batalhão partiu sendo recebido por uma chuva de projéteis de morteiro e armas automáticas, enquanto a 9ª companhia, que seguia pelo lado esquerdo, era mantida em sua posição progredindo com enorme dificuldade.

            Na segunda  parte desta jornada, foi obtido  algum  progresso, mas a noite chegou e o objetivo não foi atingido, e à esquerda o batalhão americano (2º / 370º R.I.), havia conseguido progredir um pouco mais, mas recuou rapidamente, sob a pressão do fogo alemão, o que deixou o flanco esquerdo exposto. Ainda de madrugada uma nova ordem de ataque chegou ao batalhão brasileiro, com ordem de conquistar o mesmo objetivo, mas agora teria a sua frente ampliada em mais um quilômetro, que correspondia ao batalhão americano que foi duramente atingido e que não pode ser recuperado a tempo. Desta vez a preparação da artilharia não foi dispensada, e ao inicia o ataque a reação alemã foi pronta e poderosa, com a utilização de tanques isolados.

            Foi com muita dificuldade que a 8ª companhia conquistou La Cá e C. Viteline, as primeiras elevações antes do Monte Castelo, e a 7ª companhia aproximou-se de Abetaia, mas não logrou êxito em conquistá-la. No fim da jornada, a tristeza do fracasso deste ataque misturou-se com a alegria da conquista do Monte Belvedere pelos americanos. O inimigo tomara a decisão de deter a frente italiana de conquistar os Apeninos, e que este conjunto era fundamental  para o dispositivo defensivo, e ao final do dia 26 de Novembro,  lançaram um golpe de mão sobre a 9ª companhia brasileira,  que estava aos pé do Monte Castelo desalojando nossos soldado daquele local.

            Como consequência deste malfadado ataque, o reforço brasileiro ao 45º Grupamento Tático reverteu à Divisão de Infantaria Expedicionária, levando o General Mascarenhas de Morais a assumir o comando efetivo de toda a tropa da FEB, promovendo uma missão defensiva imediata, na qual foram empregados cinco batalhões na linha de frente.

            Concluímos como prováveis causas do fracasso destes ataques:

  1. determinação alemã em manter a posição a todo custo
  2. o efeito surpresa não obtido
  3. não houve apoio nem da aviação nem da artilharia
  4. desconhecimento total do terreno pela tropa que ocupou posições à noite para atacar ao alvorecer
  5. um ataque frontal é quase sempre desastroso, a não ser que exista superioridade arrasadora em homens e material empregados
  6. utilização de tropa cansada, sem tempo de descanso
  7. o flanco esquerdo estava exposto devido ao recuo da tropa americana
  8. insistência em repetir o ataque com a mesma tropa da véspera, aumentando a responsabilidade com a região evacuada pelo batalhão americano

PE – Polícia do Exército – Uma tropa de Elite da FEB!

Dedico este post à “Associação Uma Vez PE – Sempre PE”, e em especial ao grande amigo e mestre Chico Miranda, exemplo de dedicação em preservação da História.

            Antes do embarque para o Teatro de Operações da Itália, foi organizada uma tropa de elite, muito especializada, os “MP – Military Police”, e seus integrantes, como sabemos,  foram recrutados em grande parte na Polícia Militar de São Paulo, que por sua vez, a maioria eram oriundos do estado de Santa Catarina, descendentes de saxônicos, consequentemente foram apelidados de “catarinas”.

            Devido ao seu rigoroso treinamento especializado em policiamento, logo impuseram respeito à tropa apresentando um alto índice de eficiência, igualando-se às melhores polícias dos outros exércitos. Os comandados do 1º Ten R2 José Sabino Maciel Monteiro, estavam sempre impecavelmente fardados, mantendo uma postura em seus postos de serviços, que impunham respeito a qualquer pessoa, ou organizando o tráfego na famosa Rota 64, com inflexibilidade e intransigência, sem distinção de patente.

            Os integrantes desta tropa, como dissemos, eram em sua maioria descendentes de alemães e poloneses, de forma que eram louros e falavam com um forte sotaque, que muitas vezes se tornava impossível entender o que estavam dizendo, e para complicar eles usavam os mesmos “field-jackets” dos americanos e não raro eram confundidos com eles.

            Devemos explicar que os uniformes da Força Expedicionária não foram planejados para enfrentar o rigoroso inverno europeu, portanto era possível encontrar diversos tipos de uniforme em uma mesma tropa, levando aos nossos soldados  a recorrer aos uniformes americanos, para aguentar o frio e o vento daqueles dias de guerra, e o “field-jacket” ( uma jaqueta de cor bege, forrado de lã e com capuz, que se fechava inteiramente com um zíper. Nossos uniformes eram uma mistura de cores, com calças verde-oliva, “field-jacket” bege, gorro de lã verde petróleo, mas de toda forma serviu para aquecer a todos.

            O Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra cercou-se de uma grande comitiva quando a FEB começou a vencer suas batalhas, e foi visitar alguns setores onde nossos pracinhas participavam de ações contra o inimigo. Nesta comitiva estava o Cel Bina Machado, homem de cultura, e que viveu nos EUA por vários anos, por isso dominava perfeitamente o inglês.

            Ao chegar ao acampamento do 6º RI, passou a percorrê-lo, conversando animadamente com os soldados que ali estavam, em um acampamento próximo à cidade de Barga. Ao aproximar-se de um soldado alto, louro, tipo clássico de soldado americano, com aquela mistura uniformes, dirigiu-se educadamente ao mesmo, em um inglês refinado, fazendo-lhe diversas perguntas, enquanto o soldado permanecia imóvel, olhando-o fixamente sem nada responder. O Cel Bina Machado já estava ficando irritado com o silêncio do praça, inclusive se questionando se ele se achava tão superior que não se dignava a lhe dirigir a palavra, ou se o seu  inglês estava mal a ponto de não ser entendido.

            Ele chamou o comandante do Regimento e disse: Oh, Segadas, o que há com esta “besta”, que não se digna a me responder? Faz quase meia hora que faço perguntas e ele não dá uma palavra em resposta, e ainda fica me olhando com esta cara de bobo.

–        Não é possível Bina, este é um dos nossos soldados mais educados do nosso grupo, diga-me por favor, em que língua você está falando com ele?

–        Em inglês é claro! Ele não é americano?

            O Gen Segadas deu uma gostosa gargalhada e disse: É óbvio que ele não poderia lhe responder nada, caro amigo. Seu inglês continua impecável como sempre, acontece que este soldado é brasileiro e não entende nada de inglês.

–        Então, foi a vez do Cel Bina ficar surpreso. Este soldado não é americano? E esta farda que ele usa, não é toda americana?

–        Claro que é, mas quando percebemos que nosso material era inadequado, tivemos que recorrer aos americanos. Quanto a este rapaz, é o meu motorista, e tem este biotipo, pois é descendente de poloneses. É um dos nossos “catarinas”.

            O Cel Bina Machado ficou muito sem graça por ter perguntado por que o “besta” não respondia.

            Realmente os “MP”, quer brasileiros ou americanos, eram rigorosamente respeitados, e as infrações de trânsito na Rota “64” eram punidas rigorosamente.

Fonte: “E foi assim que a Cobra Fumou” – Elza Cansanção – 1987

            “ Brazilian Expedicionary Force in World War II” – C.C. Maximiano e R. Bonalume Neto

            Osprey Publishing – 2011

Nota: A Associação de Polícia do Exército é que agradece ao amigo Rigoberto Souza pela força e amizade a TODOS os PEs de ontem e de hoje!

O Irmão PE Bendl juntamente com o PE Cassal lá no Rio Grande do Sul - PE é PE em qualquer parte do Brasil

Tropa de Elite - Pernambuco

Operações em Salvador - 4º BPE

Sargento Paiva

A Conquista do Monte Castelo – 67 anos depois

 Artigo enviado pelo Pesquisador Rigoberto Souza Júnior – Secretário da ANVFEB-PE.

_______________

O Monte Castelo é até hoje, aclamado como o maior feito da Força Expedicionária Brasileira no Teatro de Operações da Itália. Acredito que isto se deve ao fato de ter havido quatro ataques, até a sua conquista definitiva.

            Esta elevação, a mais alta da crista dos Apeninos, já havia se tornado uma fortaleza inexpugnável, que causava arrepios em nossos combatentes e nas tropas aliadas, pois ingleses, sul-africanos, poloneses e americanos, já haviam tentado conquistá-lo sem êxito.

            Além dos soldados mortos em ação, houveram muitos problemas com o socorro dos feridos, ou mesmo com o recolhimento dos corpos, pois os alemães, uma tropa impiedosa, tinham por hábito ligar os cadáveres a armadilhas, como as temidas body-traps conectadas às plaquetas de identificação(dog-tag), ou então deixavam na mão do morto uma granada já sem o pino de segurança, que qualquer movimento que fosse feito, explodiam  causando mais danos aos nossos pracinhas.

            Gostaria de reproduzir alguns depoimentos de italianos, que viveram aqueles momentos de horror durante a 2ª guerra mundial:

            Giuseppe Cechelli – Gaggio Montano – Bolonha – Itália

            “Lembro- me que nesta época havia falta de tudo, principalmente comida, e os brasileiros nos davam “scatole”(caixas de ração) que continham biscoitos, chocolate, carne enlatada, e às vezes minha mãe fazia polenta, que todos apreciavam muito, vivíamos como uma grande família. Também me recordo dos negros americanos da 92ª DI, que fugiram e vieram se esconder na parte de cima da minha casa, e posteriormente chegaram os americanos brancos para procurá-los, e ao interrogar o meu pai, ele não balbuciou nenhuma palavra, mas fez um gesto com a mão apontando para cima, indicando que os mesmos estavam no sótão.

            Com relação ao Monte Castelo, não posso me esquecer principalmente do ataque de 21 de Fevereiro de 1945, quando eu e minha família podíamos ver tudo de nossa casa, pois nunca a abandonamos, e era possível ver o fogo cerrado também sobre Rochindos, mas o que mais nos aterrorizava não era o fogo da artilharia, mas os tiros das metralhadoras, que partiam de todos os lados, enquanto nos abrigávamos em um abrigo no porão.”

            Francesco Arnoaldo Berti – Guanella Gaggio Montano – Bolonha – Itália

            A Família Berti está ligada à história da cidade, pois além de ser proprietária de grande extensão de terras, mas porque a casa onde mora faz parte do antigo burgo que formou a cidade. Guanella é formada por um conjunto de casa no sopé do Monte Castelo.

            “ Em 1944 eu tinha 18 anos e faziz parte da Brigada Giustizia e Libertà, e os primeiros aliados que encontramos foram os americanos e cerca de 20 a 30 dias depois chegaram os brasileiros e ficaram onde hoje é o nosso jardim, pois o front estava praticamente parado, e onde hoje está o Monumento Liberazione, era a “terra de ninguém.

            Os brasileiros começaram avançar e não deram conta que o front estava parado, nós também não sabíamos, pois só depois soubemos que algumas divisões foram desviadas para atender ao desembarque na Normandia e aqui faltavam soldados. As primeiras tentativas para a tonmada de Monte Castelo foram feitas com muitas perdas da parte brasileira, nossos campos ficaram recobertos de cadáveres, pois foram ataques mal preparados, e somente em Fevereiro de 1945 o Monte Castelo foi tomado pelos brasileiros.

            A brigada partigiana tinha a função de administração da cidade, e aquele momento não era de combate, e me recordo que da casa Di Franchi se via o Monte castelo, e se dava para escutar um bombardeamento de grande intensidade sobre o morro, e aquilo era um crescente ensurdecedor. Não se tinha ideia de onde vinham os tiros, talvez de cinco canhões, fazendo um barulho enorme, e logo em seguida nuvens negras surgiam, este tomento durou cerca de três horas, até que enfim os brasileiros conquistaram o Monte Castelo.”

            Fabio Gualandi – Gaggio Montano – Bolonha – Itália

            “ Os americanos chegaram em Gaggio Montano no dia 13 de Outubro de 1944, uma sexta-feira, e na metade do mês seguinte chegaram os brasileiros, que procuravam um lugar para erguer seu acampamento, ocupando as casas maiores, e rapidamente faziam amizade com as senhoritas.

            Na cozinha do acampamento se fazia um pouco de tudo: mingau feito de leite em pó; churrasco feito de carne de boi ou porco; arroz com feijão preto, omelete feito com ovo em pó, mas o que eles mais apreciavam era um pão crocante, que era fabricado na Toscana, regado a muito café que era colocado em um recipiente grande. Os brasileiros levavam para a casa comida que alimentava uma centena de pessoas(uma companhia), os oficiais comiam numa mesa separada. Havia frutas, principalmente laranjas, e quando eles terminavam a população invadia o acampamento, e durante este tempo estes refugiados não passaram fome.

            Na época da guerra aqui era um pavor, vi mortos pelas estradas, os corpos ficavam ali até que viessem recolhê-los. A miséria era grande, a fome então… os brasileiros formavam um exército diferente, gostavam de estar em família, e chamavam as senhoras mais velhas de mamma”. Lembro-me das patrulhas à noite, e algumas eram divertidas, e alguns fumavam desavisadamente, acendiam fogueiras, e hoje penso como fomos nos expomos ao fogo inimigo.

            Pensei em seguir com os brasileiros, mas o meu pai não deixou, e nunca mais encontrei ninguém desta companhia. Temos um grande respeito e carinho pelos brasileiros, principalmente eu e minha família,  pelos dias difíceis que passamos na guerra e a maneira que não passamos fome com a ajuda humanitária deste Exército.”

            Este relato mostra que apesar das dificuldades enfrentadas por nossos Pracinhas, eles não perderam seus valores adquiridos em uma educação pautada no respeito ao próximo, característico do homem simples brasileiro.

Fontes: “E foi assim que a Cobra Fumou” – Elza Cansanção – 1987

            “ Nas trilhas da 2ª Guerra Mundial – Carmen Lúcia Rigoni – 2001

Pichação nos Muros de Berlim! Aviso aos Invasores

 Recentemente encontrei algumas fotos que destacava AVISOS das últimas resistências dos alemães na Batalha de Berlim. Os últimos seguidores do Reich Alemão, deixaram para as tropas de ocupação, avisos pixados nos muros e prédios de Berlim, como uma presença onipresente do antigo regime. É bastante curioso observar as frases de ordem e resistência que emana nas citações:

Berlim ainda é Alemão

Berlim ainda é alemão

Rendição? Não!

Nós nunca nos renderemos!

Uma Povo, Uma Nação, Uma Líder

1918? Jamais Novamente!

Luta ou Caos!

Lutar e Vencer, apesar do Terror!

Lutar e Vencer, apesar do Terror!

Viva Nosso Líder, Viva a Alemanha

Monte Castelo – A Bravura do Soldado Brasileiro

 Artigo do Historiador Alessandro dos Santos Rosa.

Do sopé ao cume: a bravura destemida do soldado brasileiro

A efetiva participação da Força Expedicionária Brasileira foi marcada por alguns episódios que destacaram de forma explicita a bravura de homens, em sua maioria camponeses, de costumes simples, poucos estudos, porem, com o peito arraigado de patriotismo, coragem e destemor. Sentimentos de verdadeiros heróis e que deram mostras da valorosa participação do pracinha brasileiro no cenário da Segunda Guerra Mundial.

A Batalha de Monte Castello foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército alemão, que tentavam conter o seu avanço no Norte da Itália. Esta batalha marcou a presença da FEB no conflito. A batalha arrastou-se por três meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945, durante os quais se efetuaram seis ataques, com grande número de baixas devido a vários fatores, entre os quais as temperaturas extremamente baixas. Quatro dos ataques não tiveram êxito, por falhas de estratégia. Situado a 61,3 km sudoeste de Bolonha (monumento ai Caduti Brasiliani), via Località Abetaia (SP623), próximo a Abetaia. Coordenadas 44.221799, 10.954227, a 977m de altitude.

A 1ª Divisão Expedicionária do Exército Brasileiro (DIE), em novembro de 1944, desviou-se da frente de batalha do Rio Serchio, onde vinha combatendo há pelo menos dois meses, para a frente do Rio Reno, na Cordilheira Apenina. O General Mascarenhas de Moraes, havia montado seu QG avançado na localidade de Porreta-Terme, cuja área era cercada por montanhas sob controle dos alemães, este perímetro tinha um raio aproximado de 15 quilômetros. Qualquer que fosse a movimentação. Ficava dificultada, pois as posições alemãs eram consideradas privilegiadas e submetiam os brasileiros a uma vigilância constante,. Estimativas davam que o inverno prometia ser rigoroso, além do frio intenso, as chuvas transformaram as estradas, já esburacas pelos bombardeiros aliados, em verdadeiros mares de lama.

O comandante das Forças Aliadas na Itália, o General Mark Clark, pretendia direcionar sua marcha com o 4º Corpo de Exército rumo a Bolonha, antes que as primeiras nevascas começassem a cair. Entretanto, a posição de Monte Castelo se mostrava extremamente importante do ponto de vista estratégico, além de dominado pelos alemães dava pleno controle sobre a região.

A frente italiana estava sob a responsabilidade do Grupo-de-Exércitos “C”, sob o comando do General Oberst Heinrich von Vietinghoff. A ele estavam subordinados três exércitos alemães: 10º, 14º e “Exército da Ligúria”, este último defendendo a fronteira com a França. O 14º era composto pelo 14º Corpo Panzer e pelo 51º Corpo de Montanha. Dentro do 51º Corpo estava a 232ª Divisão de Granadeiros (Infantaria), do general Barão Eccart von Gablenz, um veterano de Stalingrado.

A 232ª foi ativada a 22 de Junho de 1944, e era formada por veteranos convalescentes que foram feridos na frente russa e era classificada como “Divisão Estática”. Era composta por três regimentos de infantaria (1043º, 1044º e 1045º), cada um com apenas dois batalhões, mais um batalhão de fuzileiros (batalhão de reconhecimento) e um regimento de artilharia com 4 grupos, além de unidades menores. Esta formação totalizava cerca de 9.000 homens. A idade da tropa variava entre 17 e 40 anos e os soldados mais jovens e aptos foram concentrados no batalhão de fuzileiros. Durante a batalha final, ela foi reforçada pelo 4º Batalhão de Montanha (Mittenwald), que foi mantido em reserva. Os veteranos que defendiam essa posição não tinham o mesmo entusiasmo do início da guerra, mas ainda estavam dispostos a cumprir com o seu dever.

Foi delegado aos brasileiros a responsabilidade de conquistar o setor mais combativo de toda a frente Apenina. Porém havia um problema: a 1ª DIE era uma tropa ainda sem experiência suficiente para encarar um combate daquela magnitude. Mas como o objetivo de Clark era conquistar Bolonha antes do Natal, o jeito seria o de aprender na prática, ou seja, em combate.

Dessa Forma, em 24 de novembro, o Esquadrão de Reconhecimento e o 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria da 1ª DIE juntaram-se à Força-Tarefa 45 dos Estados Unidos para a primeira investida ao Monte Castello. No segundo dia de ataques tudo indicava que a operação seria exitosa: soldados americanos chegaram até a alcançar o cume de Monte Castelo, depois de conquistarem o vizinho Monte Belvedere. Entretanto, em uma contra-ofensiva poderosa, os homens da 232ª Divisão de Infantaria germânica, responsável pela defesa de Castello e do Monte Della Torracia, recuperaram as posições perdidas, obrigando os soldados brasileiros e americanos a abandonar as posições já conquistadas – com exceção do Monte Belvedere.

O 2º ataque ao monte foi palnejado em 29 de novembro. Nesta contra-ofensiva a formação de ataque seria quase em sua totalidade obra da 1ª DIE – com três batalhões – contando apenas com o suporte de três pelotões de tanques americanos. Todavia, um fato imprevisto ocorrido na véspera da investida comprometeria os planos: na noite do dia 28, os alemães haviam efetuado em contra-ataque contra o Monte Belvedere, tomando a posição dos americanos e deixando descoberto o flanco esquerdo dos aliados.

Inicialmente a DIE pensou em adiar o ataque, porém as tropas já haviam ocupado suas posições e deste modo a estratégia foi mantida. Às 7 horas uma nova tentativa foi efetuada.

As condições do tempo mostravam-se extremamente severas: chuva e céu encoberto impediam o apoio da força aérea e a lama praticamente inviabilizava a participação de tanques. O grupamento do General Zenóbio da Costa no início conseguiu um bom avanço, mas o contra-ataque alemão foi violento. Os soldados alemães dos 1.043º, 1.044º e 1.045º Regimentos de Infantaria barraram os avanços dos soldados. No fim da tarde, os dois batalhões brasileiros voltaram à estaca zero.

Em 5 de dezembro, o general Mascarenhas recebe uma ordem do 4º Corpo: “Caberia à DIE capturar e manter o cume do Monte Della Torracia – Monte Belvedere.”[3] Ou seja, depois de duas tentativas frustradas, Monte Castelo ainda era o objetivo principal da próxima ofensiva brasileira, a qual havia sido adiada por uma semana.

Mas em 12 de dezembro de 1944, a operação foi efetivada, data que seria lembrada pela FEB como uma das mais violentas enfrentadas pela tropas brasileiras no Teatro de Operações na Itália.

Com as mesmas condições meteorológicas da investida anterior, o 2º e o 3º batalhões do 1º Regimento de Infantaria fizeram, inicialmente, milagres. Houve inicialmente algumas posições conquistadas, mas o pesado fogo da artilharia alemã fazia suas baixas. Mais uma vez a tentativa de conquista se mostrou infrutífera e, o pior, causando 150 baixas, sendo que 20 soldados brasileiros haviam sido mortos. A lição serviu para reforçar a convicção de Mascarenhas de que Monte Castello só seria tomada dos alemães se toda a divisão fosse empregada no ataque – e não apenas alguns batalhões, como vinha ordenando o 5º Exército.

Somente em 19 de Fevereiro de 1945, após a melhora do inverno o comando do 5º Exército determinou o início de uma nova afensiva para a conquista do monte. Tal ofensiva utilizaria as tropas aliadas, incluindo a 1ª DIE, ofensiva que levaria as tropas para o Vale do Pó, até a fronteira com a França

Utilizando-se ainda da formação brasileira para a conquista do Monte e a consequente expulsão dos alemães, seria novamente a ofensiva batizada de Encore, ou Bis. Desta vez a tática utilizada, seria a mesma idealizada por Mascarenha de Moraes em 19 de Novembro.Assim, em 20 de Fevereiro as tropas da Força Expedicionária Brasileira apresentaram-se em posição de combate, com seus três regimentos prontos para partir rumo a Castello. À esquerda do grupamento verde-amarelo, avançaria a 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos, tropa de elite, que tinha como responsabilidade tomar o Monte della Torracia e garantir, dessa forma, a proteção do flanco mais vulnerável do setor.

O ataque começou às 6 horas da manhã, o Batalhão Uzeda seguiu pela direita, o Batalhão Franklin na direção frontal ao Monte e o Batalhão Sizeno Sarmento aguardava, nas posições privilegiadas que alcançara durante a noite, o momento de juntar-se aos outros dois batalhões. Conforme descrito no plano Encore, os brasileiros deveriam chegar ao topo do Monte Castelo às 18 horas, no máximo – uma hora depois do Monte della Torracia ser conquistado pela 10ª Divisão de Montanha, evento programado para as 17 horas. O 4º Corpo estava certo de que o Castelo não seria tomado antes que Della Torracia também o fosse.

Entretanto, às 17h30, quando os primeiros soldados do Batalhão Franklin do 1º Regimento conquistaram o cume do Monte Castelo, os americanos ainda não haviam vencido a resistência alemã. Só o fariam noite adentro, quando os pracinhas há muito já haviam completado sua missão, e começavam a tomar posição nas trincheiras e casamatas recém-conquistadas. Grande parte do sucesso da ofensiva foi creditada à Artilharia Divisionária, comandada pelo General Cordeiro de Farias, que entre 16h e 17h do dia 22, efetuou um fogo de barragem perfeito contra o cume do Monte Castelo, permitindo a movimentação das tropas brasileiras.

Falhas estratégicas, terreno íngreme, tiros, lama, frio, bombardeios, o medo corroendo o estômago, a presença constante da morte, foram alguns dos detalhes que rondaram as mentes e corpos dos bravos heróis. Alguns pereceram, outros de medo sucumbiram, porem, a grande maioria, superando seus medos, com atos de bravuras, como coração de verdadeiros heróis, saíram do sopé e conquistaram o cume daquela elevação quase intransponível.

Não nos esqueçamos dos nossos pracinhas, não deixamos se perder esse legado deixado pelos verdadeiros heróis de nossa nação, não nos esqueçamos dos feitos daquele dia 21 de fevereiro de 1945. Vamos rememorar atos heróicos como esse para evitar que nossa sociedade seja escrava de sua própria ignorância.

“… povo que não tem virtude acaba por ser escravo….”[1]

Bibliografia

 

MORAES, João Baptista Mascarenhas de. A FEB pelo seu comandante. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2005. v. 416.

SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2001.

 

JOEL, Silveira, O Inverno na Guerra – Objetiva,2005

PAES, Walter de Menezes: Lenda Azul – Bibliex 1992

ECKERT, José Edgar. Memórias de um ex-combatente: Relato de um ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Florianópolis: Insular, 2000.


[1] Parte do Hino Rio-Grandense.

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